Inevitável
18 Eu já volto!
Notas iniciais
~Kagami Taiga~
Um leve e carinhoso toque nos cabelos levou Kagami a acordar suavemente, mas ele recusou-se a abrir os olhos. Estava tão gostoso e quentinho ali... Aninhou-se melhor de forma manhosa, estava muito confortável e tinha um cheiro tão bom... Tão familiar... Não queria acordar nunca.
– Taiga! – Um sussurro acompanhando de um beijo na testa o fez sorrir sonolento.
Lógico, ainda estava dormindo e aquilo era um sonho, tinha devaneios como esse há anos. Decidiu permanecer naquela ilusão, estava tão bom e parecia tão real... Mas era só o travesseiro, sempre era o travesseiro.
– Psiu, acorda Taiga! – Um novo beijo em sua pele o fez quase ter coragem de abrir os olhos.
Aos poucos seus sentidos estavam voltando, assim como a lucidez em sua mente e consequentemente as lembranças...
– Daiki... – Sussurrou sorrindo e aninhando-se mais ao corpo dele.
Não era uma ilusão, Aomine Daiki estava realmente ali o envolvendo, sentia uma das mãos do moreno acariciando seus cabelos, enquanto a outra o puxava para mais perto em um abraço. Kagami afundou-se na curva do pescoço dele, parecia que o lugar fora feito para que seu rosto se encaixasse. A felicidade o envolveu instantaneamente, era realmente o melhor dia de sua vida.
– Acorda minha Bela Adormecida... – A voz irônica e arrastada de Aomine soou com um sorriso, acompanhado de um leve toque de dedo na ponta de seu nariz.
– Estou com medo de abrir os olhos e ver só meu travesseiro, como sempre. – Kagami admitiu de forma divertida, cerrando mais os olhos como forma de provocação.
– Relaxa Taiga, você só vai ver o cara mais gato do mundo! – Ele disse de forma divertida, espalhando os cabelos vermelhos.
– Eu sei que sim... – O ruivo falou se deparando com o moreno assim que abriu as pálpebras. O sorriso imenso em seu rosto foi inevitável, era bom demais para ser verdade...
– Oi! – Aomine sorriu, encarando-o com seu olhar de azul tão profundo que o ruivo ficava quase hipnotizado.
– Oi... – Taiga sorriu mais ainda, beijando-o nos lábios. Nunca se cansaria daquilo, nunca.
– Você fica tão manhoso quando dorme! – Ele comentou ao acariciar o rosto do ruivo com a ponta do nariz assim que afastaram os lábios.
– Você também fica, ou pelo menos ficava... — Kagami sorriu, acariciando as bochechas do moreno. — Que horas são Aho?
– Deve ser umas 16h agora... — Aomine disse despreocupado.
– Sério? — Kagami exasperou-se, olhando para os lados em busca do relógio que não estava mais ali. Nem almoçaram... Planejava fazer curry, mas nem tirou a carne do congelador!
– Tudo bem, Taiga! — Aomine o tranquilizou, acariciando os lábios do ruivo com o polegar. — A gente passou a madrugada em claro, é normal...
– E você também precisava dormir, tem o trabalho e tal... — Kagami o olhou com carinho.
– Admito que não queria ter perdido nosso tempo dormindo. — O moreno lamentou, encarando-o. — Mas estava tão bom ficar assim com você que nem liguei...
– Sim! — Kagami concordou mil vezes em sua mente. — Eu não iria acordar nunca se você não me chamasse...
–Eu também iria longe, até umas 18h, mas seu celular começou a tocar lá na sala! — O moreno explicou, passando a mão com carinho em suas costas. — Aí acordei com a música estranha, mas isso já faz uns 10 ou 15 minutos...
– Entendi! — Kagami sorriu sem graça com o leve arrepio que se espalhou por sua pele. — Deve ter sido a Nick ou minha mãe, ninguém mais tem o meu número daqui...
– Ei, isso me faz lembrar que você não me contou absolutamente nada de L.A.! — O moreno ergueu as sobrancelhas, como se exigisse uma explicação.
– Mas você também não me contou quase nada! — Kagami riu irônico dando de ombros. — Faltaram três quartos de enredo na sua história!
– Mas agora é a sua vez de falar! — Ele o encarou com um sorriso lindo e convincente ao entrelaçar os dedos de ambos em seu tórax. — Quero saber da sua família, como você virou bombeiro, se você já se enfiou dentro de uma casa pegando fogo... Pode ir falando Taiga! Tudinho, desde o dia de sua viagem...
– Ah, é bastante coisa, vou tentar resumir pra você! — Ele sorriu, mas ficou sério em instantes. — Bem, sobre a viagem... Eu chorei durante o trajeto todo lendo sua carta! Me senti abandonando você Aho. A gente nem se despediu... Eu nem te vi mais, não soube como você estava! Me senti um verdadeiro pedaço de bos...
– Ei, ei, ei... Taiga, isso é passado, ok? Quero saber das coisas boas! — Aomine o interrompeu, dando um leve e cômico tapa em sua orelha para que voltasse a se animar. — Nada de ficar com essa cara aí! Combinado?
– É que foi muito doloroso e horrível... — O ruivo disse com um sorriso desanimado. — Imagino que para você foi dez mil vezes pior, não é?
– Ei... — Aomine o calou com um delicioso beijo nos lábios. — Quero só que me conte como foi sua vida, e não que fique paranoiando sobre isso, amor. Já passou! Agora estamos aqui, juntos de novo e é isso que importa! Não é?
O ruivo sentiu o coração parar ao ouvir aquilo. Aomine Daiki o chamara de" amor"? É isso mesmo? Kagami ficou sem reação e sentiu-se enrubescer.
– Não é? — O moreno reforçou com um olhar tímido, provavelmente percebendo a falta de reação de Taiga perante o tratamento.
– Sim... Você tem razão. — Kagami sorriu por fim. Daiki estava tão maduro, sentiu-se um idiota por ficar remoendo aquelas coisas. Não adiantaria pensar demais, não iria mudar nada. – O que importa é daqui pra frente...
– Quero te ver sorrir agora... Deixa toda aquela dor de lado, ok? — Ele disse encostando o nariz de ambos e apoiando a mão em sua face.
– Ok! — Kagami sorriu sentindo o coração parar novamente.
O ruivo colocou a mão por cima da dele em seu rosto e depositou um beijo em seus lábios, que foi correspondido com a mesma intensidade e carinho.
– A gente está tão melosinho... — O moreno comentou assim que se afastaram, encarando-o com uma expressão engraçada.
– Muito! — O ruivo concordou, acenando com a cabeça.
– É meio gay... — Aomine riu com suas própria ironia. — Mas eu gosto!
– Muito! — Kagami riu mais ainda ao concordar com aquilo. — Eu também gosto... Só que vou precisar de muito mais disso até repor esses anos aí!
– Eu também! — O moreno ergueu as sobrancelhas, cutucando-o com o nariz e já se ajeitando de novo para poder prestar atenção no que o ruivo ia dizer. — Mas agora conta pra mim... Tudo!
– Pois bem... — Kagami começou, passando a mão distraidamente nos fios azuis do cabelo de Aomine tentando pensar nas coisas práticas. — Eu saí daqui e cheguei em L.A., óbvio. Foi muito, muito, muito bom rever minha mãe, estava com saudade. Como ela já sabia da nossa história entendeu perfeitamente o meu desânimo com tudo e me ajudou demais. Se não fosse ela, Nick e Alex eu entraria em depressão...
– Sério? — Aomine o olhou com uma expressão preocupada.
– Sim... Mas enfim, de alguma forma eu continuei firme e aqui estou. — O ruivo sorriu ainda se distraindo com algumas mechas azuis. – Sabe, eu larguei as coisas no desespero, então tive que refazer o segundo ano do ensino médio lá em L.A. Não tem nem comparação de como o estudo lá é mais fácil, chega a ser ridículo. Depois a coisa começou a melhorar... No terceiro ano de escola eu já estava fazendo paralelamente um preparatório para entrar no corpo de bombeiros... Aquilo foi muito bom, e não demorou muito para eu começar a trabalhar como voluntário.
O ruivo não pode deixar de notar um sorriso surgindo no rosto de Aomine, ele estava se segurando para não rir de alguma coisa. Kagami apenas estreitou os olhos e esperou ele explicar-se por si só.
– Continue Taiga! — Ele pediu, abrindo o sorriso contido.
– O que foi? — O ruivo cerrou mais o olhar, desconfiado. Não falara nada de errado pra ele estar se abrindo.
– Seu sotaque! — Aomine não resistiu e começou a rir. — É tão fofo!
– Cala a boca, idiota! — O ruivo riu e o chutou por debaixo da coberta, enrubescendo em seguida ao tentar conter o sorriso.
– Foi mal... Foi mal! — O moreno suspirou, tentando se controlar. — Continua, eu estou prestando atenção... Começou a trabalhar como voluntário e...
– E depois já entrei para o batalhão onde estou até hoje, e é assim que eu tenho ocupado meu tempo até então.
– OK. E como é seu trabalho?
– Tenso, triste e sujo... — Kagami deu de ombros.
– Detalhes Taiga, quero detalhes! — Ele disse com um sorriso impaciente, dando-lhe um novo tapa na orelha. — E fotos também.
– Ah, sarna... — O ruivo riu cutucando-lhe as costelas com o dedo. — Olha ao seu redor... Veja qualquer bombeiro trabalhando que você vai ver o que faço, ué? Mas basicamente atendo a parte de acidentes de trânsito, desabamentos, resgates e esse tipo de coisa... Incêndios ficam com os batalhões mais experientes. — Ele explicou acariciando a mão de Aomine, que estava entrelaçada com a sua. — Digamos que, além de eu precisar socorrer a pessoa e me enfiar nos buracos ou seja lá onde for, eu tenho que avisar os paramédicos sobre o que será necessário para receber a vítima, aí eles se agilizam... Tive que fazer um preparatório de enfermagem para isso. Mas precisa ter bastante estômago...
– Pela sua cara você gosta mesmo do que faz, não é? — Aomine sorriu ouvindo aquilo.
– Bastante! — Kagami confirmou com um sorriso satisfeito. — Foi minha saída. Ocupa bem o meu tempo e me entretém. Eu gosto de ajudar.
– E basquete... Surf... Música... Festas...? — Ele questionou com uma das sobrancelhas levantadas. — Você deve ter se divertido e não só trabalhado nessa vida!
– Ah... Você quer saber esses detalhes também. — O ruivo comentou com uma expressão cômica. — Deixa eu pensar... Basquete eu jogava com pouca frequência, quase nunca dava. E admito que não era sempre que eu tinha coragem de entrar numa quadra, eu lembrava da gente e ficava mal, então fui largando aos poucos... Hoje estou uma merda. — Kagami deu de ombros, passando o dedo pela ruga incrédula que surgiu na testa de Aomine. — Surf era sagrado aos sábados, mas ultimamente estava trabalhando nos finais de semana também. Minha bunda não está tão branca, me bronzeei pouco, você mesmo viu... — Ele sorriu, arrancando uma risada do moreno. — Música... Eu continuo nos mesmos gostos, com alguma influência a mais da Nick e de algumas coisas que os caras do Batalhão ouvem... Ah, e voltei a tocar baixo também. — Kagami pensou um pouco e sua expressão tornou-se mais séria ao continuar. — E festas... Nick e Alex me arrastavam sempre que podiam com a desculpa de que eu precisava me distrair. Geralmente era aí que eu bebia um pouco e fazia minhas merdas. Parei de ir há um bom tempo...
– Que merdas? — Aomine ergueu uma das sobrancelhas, curioso.
– Sair com pessoas. — Kagami deu de ombros sem graça. — Não gostava da sensação de culpa do dia seguinte, então parei.
– Por que culpa? — O moreno insistiu.
– Ah Daiki, é chato falar disso! — O ruivo fez uma careta e escolheu as palavras antes de continuar. — Eu tentei realmente seguir em frente, só que eu nunca consegui te esquecer, e depois que eu... Sabe... Ficava com um cara e a gente... Enfim... No outro dia eu me sentia o pior lixo do mundo, porque eu me via te traindo, digamos assim. Mesmo com a minha condição de ficar sempre por cima eu me sentia mal porque não era você ali.
– Uma vez paranoico, sempre paranoico! — O moreno sorriu, acariciando seu rosto. — Não tinha porque pensar nessas coisas Bakagami... Mas eu te entendo porque a sensação com Yuuri era a mesma... Sempre foi assim.
– Pois é! Mas chegou uma hora que eu simplesmente desisti de tentar seguir em frente porque eu não queria te esquecer. — O ruivo sorriu, apertando os dedos de Aomine entre os seus. — Nick até estava me empurrando para um amigo meu, o Benjamin... Ele próprio tentou se aproximar, mas eu preferi deixar tudo de lado e simplesmente te amar de longe. Me sentia melhor sozinho com as nossas lembranças do que de qualquer outra forma... E valeu a pena!
– Sim, valeu muito a pena! — Aomine o abraçou, puxando-o para um curto beijo antes de continuar. — Não vou mentir Taiga, fico com uma pontada de ciúme ouvindo essas coisas... Só que ao mesmo tempo eu me sinto a pessoa mais sortuda do mundo, porque apesar de tudo o que aconteceu você nunca me esqueceu e de certa forma sempre se importava comigo...
– Nunca te esqueci mesmo! — O ruivo afirmou. — Eu sempre fui seu, Aomine Daiki. Desde sempre... Não importa onde eu estava, você sempre me acompanhava... Não precisa sentir ciúme, no meu mundo só existe você.
– E no meu só existe você, Kagami Taiga. — O moreno sorriu de orelha a orelha. — Meu Kagami Taiga... Só meu, para sempre.
– Nunca foi diferente, sou somente seu... — O ruivo sussurrou, beijando-lhe os lábios rapidamente. — Para sempre.
***
~Aomine Daiki~
– Caralho, hoje está epicamente frio! — O ruivo reclamava enquanto lavava as verduras na água fria.
– Sim! — O moreno riu, vendo-o tremer.
– Estava tão bom lá na cama... — Ele comentou fechando os olhos, como que para tentar restaurar a sensação. — Mas precisamos almoçar, nem que seja às 17h.
– Já disse que posso te ajudar, seu teimoso! — Aomine riu balançando a cabeça. — Eu posso ir cortando as batatas para você! Perdemos menos tempo assim...
– Eu ainda não consigo te imaginar cozinhando sem quebrar ou estragar metade das coisas. — Kagami sorriu sarcástico, olhando-o por cima dos ombros assim que fechava a torneira. — Mas se você insiste... A faca está na segunda gaveta.
– Não se preocupe Bakagami. — O moreno passou por ele, beijando sua nuca de leve. — Não vou estragar seu curry.
– Vai ser nosso curry agora! — O ruivo sorriu satisfeito já cortando a cenoura em fatias perfeitamente simétricas.
– Gostei! — Aomine sorriu satisfeito indo para o lado dele na pia, já descascando as batatas. — Nosso curry...
– Eita, e não é que você aprendeu mesmo! — Kagami riu surpreso, vendo-o trabalhar.
– Sou prendando agora, te falei! — Aomine comentou estufando o peito enquanto fatiava as batata em pedaços médios.
– Tá, e como isso foi acontecer? — O ruivo perguntou colocando as cenouras na panela. — Quando foi a lavagem cerebral?
– Ha ha... — Ele riu ironicamente com uma expressão séria e sem emoção. — Para seu governo era eu quem cozinhava e limpava a casa, ok? Aprendi na marra, mas fazia muito bem, obrigado!
– Isso me lembra que você ainda tem muita coisa pra me contar! — Taiga o encarou com um meio sorriso exigente enquanto mexia a panela. — Go go... Vai falando aí!
– O que você quer saber? — Aomine perguntou, passando as batatas já cortadas para o ruivo assim que pegava o resto dos vegetais para fatiar também.
– Resuma, como eu fiz! — Kagami deu de ombros. — Quero saber sobre como foi seu relacionamento com a sua família, sobre como você conseguiu convencê-los a não fazer Medicina, sobre sua profissão, como foi seu período de casado... Sem detalhes... Enfim... Fala aí Aho!
– Antes de qualquer coisa, não tenho família! — Aomine o corrigiu com as sobrancelhas levantadas, concentrado no brócolis. — Depois do apocalipse eles eram meros coadjuvantes no meu cotidiano. Eu fiquei de saco cheio e simplesmente comecei a ignorar. Já que tudo tinha ido para o espaço mesmo... Taquei o foda-se!
– Saquei! — Kagami murmurou sem jeito, colocando a carne picada na panela.
– Mas enfim... Sobre a minha profissão, eu simplesmente falei e fiz do jeito que achei melhor. Ethan e Seiko provavelmente se tocaram de que já tinham abusado demais e que eu poderia simplesmente foder com a vida deles se quisesse... Eles até rosnaram no começo, mas eu bati o pé e consegui. — Aomine deu de ombros, simplificando. — Logo comecei com o preparatório para entrar na polícia, isso já depois do terceiro ano... Até agora não sei como não reprovei na escola. Agradeço às colas que Satsuki me passava... Depois da formatura eu fui morar com a Yuuri numa casa que o pai dela tinha sobrando, e aí começou a parte de bosta da minha vida! Maaaaaaaas... Não vou me prender a isso, vou falar das coisas legais! — Ele sorriu com uma expressão sonhadora. — Taiga... É muito bom atirar, você não tem ideia!
– É mesmo? — Kagami sorriu com a espontaneidade de Aomine ao falar de sua profissão, o clima mudou completamente depois daquilo.
– Sim, é libertador! — Ele concordou mil vezes em sua mente. — Dificilmente faço isso no dia-a-dia, mas sempre testo as armas e munições que chegam na delegacia... Modéstia a parte tenho uma mira muito foda!
– Metido! — Kagami sorriu, pegando os vegetais que ele já havia cortado.
– Apenas realista! — Ele deu de ombros. — Nos treinamentos tivemos muito o que aprender! Defesa corporal, tiro com todos os tipos de armas que você pode imaginar, até arco-e-flecha... Eles faziam um treino de volante muito louco também, tipo para perseguição e tudo o mais... Até tinha alguns cursos de luta que eles cediam para a gente. Foi muito massa... Foi, como você disse antes, a minha fuga de tudo!
– Você também gosta do que faz, não é? — O ruivo o olhou de canto, satisfeito.
– Muito! — Ele confirmou. — Mas assim, no meu turno não tem muito que fazer! De vez em quando acontecem alguns fervos, geralmente em saídas de festa... A cicatriz no meu braço foi de uma facada! Mesmo assim nunca precisei usar a arma contra alguém, apenas para assustar atirando para cima... Isso é extremamente raro também. A maioria é coisa simples de resolver, apenas aparecer no local já é o suficiente, as pessoas se pelam de medo... — Ele riu fechando os olhos. — E admito que isso é legal!
– Você é cruel, Aomine Daiki! — O ruivo riu olhando sua expressão sádica.
– Sou nada! — O moreno deu de ombros. — Só acho interessante intimidar as pessoas.
– Ok, agora intimide a cebola, preciso fazer o molho! — O ruivo riu, olhando para Aomine.
– Idiota! — O moreno sorriu, mas fez o que ele pediu. — O que mais quer saber?
– Sobre o Kento... — Kagami comentou em seguida, voltando-se para o fogão.
– Ah, vai saber! — Aomine deu de ombros. — Não falo direito com ele desde o que aconteceu!
– Você o culpa?
– Sim e não... — O moreno ponderou, afastando o rosto da cebola que cortava para evitar a ardência nos olhos. — Ele era uma criança quando aconteceu, mas não consigo perdoá-lo de qualquer jeito... Então não me interesso em saber como ele está. Tenho pena dele, na real... Sei que ele se fodeu na mão do Ethan depois do que aconteceu... Ele não me faz falta.
– Entendi... — Kagami comentou vagarosamente, ainda mexendo com a colher na panela. — Não quero me meter nisso também, se é essa sua decisão... Mas você não entra em contato com mais ninguém de lá?
– Olha Taiga, desde quando eu comecei a morar com a Yuuri eu não fazia questão de manter laços com eles. — Aomine comentou despreocupadamente, terminando de cortar as cebolas. — Lógico, tinha sempre as obrigações de família, tipo Natal, eventos, aniversários... Mas não falava com eles, apenas ficava num canto esperando a merda acabar para poder voltar para casa... — Ele deu de ombros com um sorriso ao encarar Kagami. — A última vez que falei com Seiko foi um pouco depois da separação, em setembro. Lógico que ela veio pedir satisfações, mas deixei bem claro que eu não devia mais nada a ela, simplesmente queria que me deixasse em paz. Ethan me ligou puto da cara, mas falei o mesmo e ele decidiu simplesmente me apagar da vida deles, dizendo que eu fui a maior vergonha que surgiu na família, que eu não merecia a perda de tempo deles e tudo o mais... Foi minha libertação final, quase melhor que o divórcio.
– Porra Daiki... — O ruivo suspirou com uma expressão preocupada, largou a panela e o envolveu pela cintura. — Mas você está bem com isso?
– Relaxa... Estou ótimo para falar a verdade. Eu estou livre Taiga! — O moreno sorriu dando-lhe um selinho carinhoso. — Agora você vai ser a minha família, não é?
– Lógico que sim! — O ruivo sorriu de orelha a orelha ao ouvir aquilo, até enrubesceu. — Isso foi tão bonitinho Daiki...
– Eu sei! Estamos melosos mesmo... — Ele sorriu e deu de ombros, beijando-lhe a boca com carinho enquanto passava uma das mãos úmidas em sua nuca.
O beijo foi se intensificando cada vez mais e tornando-se urgente como nunca. Aomine largou a faca e envolveu o ruivo com força com a mão restante, pressionando-o com o corpo contra o mármore da pia. Kagami por sua vez o puxava para si enterrando os dedos entre os cabelos azuis enquanto abria as pernas inconscientemente, uma ereção já era perceptível no corpo de ambos.
Kagami era tão intenso... Poderia devorar ele ali mesmo.
Sem pensar duas vezes desceu a boca até o pescoço do ruivo, que ergueu o rosto facilitando a carícia. Aomine passou a língua pela extensão de sua pele, subindo até o queixo, onde depositou uma forte e deliciosa mordida.
– Dai... Daiki... — O ruivo gemeu, fechando os olhos com força ao receber o toque. Aquele ainda era seu ponto fraco e isso fez Aomine sorrir.
Kagami lentamente movia o corpo para frente e para trás, ele estava tão excitado que o instinto já se apoderava de seu corpo. Com o moreno não era diferente, precisava tanto dele... Esfregavam-se um no outro de forma erótica e viciante.
– Eu quero te foder aqui mesmo, Taiga... — Sussurrou contra o ouvido do ruivo, que sorriu e soltou um leve gemido, ainda com os olhos fechados.
Aomine só precisava daquela permissão mísera e sutil para enlouquecer de vez...
Sem pensar duas vezes abriu o botão do jeans de Taiga e pegou em seu pênis com vontade por cima da cueca verde já molhada. Começou a masturbá-lo sobre o tecido, mas logo o agarrou com a mão e continuou o movimento de vai e vem diretamente em sua pele, arrancando deliciosos gemidos da garganta do ruivo.
A cena dele em sua frente com os olhos fechados e com os lábios entreabertos era demais... Queria tanto Taiga para si mais uma vez, ele era tão gostoso, tão sexy!
– Vem Daiki... — Ele abriu os olhos mordendo os lábios enquanto puxava Daiki pelas nádegas contra o seu corpo. — Eu quero agora...
– Então se vira pra mim! — O moreno pediu, já abrindo o zíper da calça preta que Taiga o emprestara. Estava com os dedos trêmulos, mas a retirou com facilidade. Não permitiu que o tecido passasse de suas coxas, pois estava frio.
O ruivo por sua vez já estava apoiado na pia se masturbando com as calças abaixadas até o joelho. Aquilo era tão excitante. Precisava prepará-lo, mas estava tão molhado que talvez já fosse o suficiente... Calma Daiki, calma...
Apoiou a cabeça no ombro do ruivo e olhou para o pênis dele logo abaixo, de onde removeu com o dedo a grande quantia de pré-gozo que saía pela glande. Kagami gemeu com o toque e apoiou a cabeça na de Aomine ao seu lado... Sem muita cerimônia o moreno esfregou o líquido em seus dedos e colocou um de cada vez no corpo de Taiga... Deslizava tão bem, ele gostava tanto...
– Ah, Daiki, vai logo... — Ele pedia com a voz trêmula, enquanto o moreno o estimulava com os dedos úmidos, aproximando-se de sua próstata a cada movimento.
– O que você quer? — Aomine o provocou, sentindo seu próprio pênis pulsar enquanto movia os dedos vagarosamente. Kagami estava tão safado, adorava ouvir as putarias que ele dizia... De onde ele tirava coragem para falar o moreno não sabia, mas amava a maneira como aquilo apenas o excitava mais.
– Quero que você me coma até gozar gritando meu nome, Daiki... — Ele sussurrou, torcendo o tronco para olhá-lo de canto, dentro dos olhos. — E eu quero agora!
Aquilo soou como uma ordem, uma deliciosa ordem. Taiga sabia dominar muito bem, mesmo sendo o passivo na maioria das vezes. Seus olhos estavam tão vermelhos e intensos que faziam o corpo de Aomine tremerem de excitação, ansiando pelo que viria a seguir... Obedeceu sem hesitar.
Ainda o encarando, o moreno aproximou o pênis da entrada e forçou-o contra o corpo dele... Deslizou vagarosamente para dentro. Kagami cerrou os olhos e começou a respirar alto entreabrindo os lábios conforme chegava mais ao fundo. Aquela expressão era tão excitante...
– Isso Daiki... — Ele arfou com um sorriso sofrido nos lábios assim que seu pênis chegou até o fundo. — Agora vai e me fode com força...
Aquilo apenas fez as pernas de Aomine tremerem mais ainda, ele era tão intenso... Tão safado... E todo seu! Por inteiro...
O moreno começou a se mover sem muita paciência. Estocava o ruivo com força, do jeito que ele gostava... Taiga ainda o olhava de canto sem pudor algum, desfrutando de cada investida, cada movimento, cada expressão. Aquilo apenas o incentivava a ir mais rápido, com mais força...
– Taiga... — Aomine gemeu de prazer, segurando-o pelos quadris enquanto mordia sua nuca com força, passando a língua logo em seguida.
– Ah... — O ruivo gemeu satisfeito com a dor, empurrando seu corpo para trás de encontro com Aomine, fazendo com que o pênis do moreno se encostasse a sua próstata. — Ah... Vai Daiki...
– Meu gostoso... — O moreno sibilou triunfante, puxando-o com força contra seu próprio corpo. Agora que encontrara o local tudo ficaria melhor...
Aomine envolveu o tórax do ruivo com os braços, apoiando seu peito nas costas largas de Kagami. Daquela forma apenas aumentava o contato e o calor entre eles, facilitando o sexo. Ambos se moviam de forma compassada e perfeita, intensificando cada vez mais as estocadas...
– Daiki... — Kagami gemia com satisfação ao apoiar-se pesadamente com as mãos na pia.
Estava tão gostoso, Aomine mordia a nuca de Kagami enquanto continuava a mover-se eroticamente para dentro e para fora do corpo do ruivo... Sabia exatamente do que ele gostava, por isso dava sutis reboladas durante cada investida, aumentando o contato dentro dele, fazendo-o delirar mais...
Aquilo poderia durar para sempre, pelo menos era o que ambos queriam... Estava tão gostoso.
O celular de Taiga começou a tocar em qualquer ponto às costas de ambos, na sala... O ruivo apenas deu um leve sorriso, mas sua expressão excitada sobressaiu-se e ele voltou a gemer com a mesma intensidade de antes. Ele não tinha intenção nenhuma de atender agora... Estava ocupado.
– Taiga... Que merda de música é essa...? — Aomine perguntou movendo-se mais rápido ao ouvir a melodia compassada e pesada enchendo a sala.
– Ros... Rosenrot... — O ruivo respondeu sorrindo enquanto apertava com força a pia ainda recebendo as estocadas diretamente em sua próstata. — É da Nick...
– Quando eu ouvir de novo... Vou me lembrar dessa sua cara... — O moreno sorriu, puxando-o pelos cabelos para que se encarassem. — E vou te foder novamente...
– Vou comprar... o CD. — Kagami sorriu malicioso. — E colocar para repetir essa música... Todos os dias...
Aomine apenas sorriu satisfeito com a safadeza da proposta, apertando-o mais contra si e já sentindo a habitual sensação do pré-orgasmo. Como reflexo pegou o pênis duro de Kagami com uma das mãos e começou a masturbá-lo na mesma intensidade que o comia... Gozariam juntos...
– Ah Daiki, assim eu vou... — Ele começou com a voz rouca, fechando os olhos e atirando a cabeça para trás.
– Eu sei... — O moreno o interrompeu sensualmente, mordendo a pele de seu pescoço enquanto sua respiração acelerava cada vez mais e seu corpo começava a tremer. — Goza comigo Taiga!
O gemido rouco de ambos se misturou assim que chegaram juntos ao orgasmo. Aomine enterrou o rosto nas costas de Kagami enquanto sentia seus movimentos descompassarem e desacelerarem. A consciência de ambos ruía com aquela deliciosa sensação espalhando-se por cada pedaço de seus corpos.
Aomine sentia os últimos resquícios de gozo escapar por seu pênis enquanto Kagami sujava a porta da pia em sua frente com o próprio orgasmo. Chegava a ser cômico fazer isso na cozinha com a cebola cortada na bancada, mas era mais delicioso do que qualquer outra coisa.
– Ah... Isso é tão bom! — Kagami sorriu satisfeito e trêmulo, soltando o peso do corpo ao se apoiar na pia. — Você é perfeito Daiki...
– Você que torna tudo perfeito, Taiga! — Aomine sorriu ofegante, retirando-se de dentro do corpo do ruivo e dando-lhe um beijo carinhoso na nuca, onde havia uma marca vermelha.
O líquido escorreu pela perna de Kagami, arrancando uma risada dos dois ao mesmo tempo.
– Vai faltar calça para mim desse jeito... — Ele comentou de forma divertida, limpando-se como podia com um guardanapo do rolo que estava ali por cima da pia. — É a segunda que eu sujo hoje, fora a que te emprestei...
– Nem troque, porque você vai sujar de novo! — Aomine avisou displicentemente, erguendo a cueca e se ajeitando conforme seu corpo cansado e trêmulo permitia.
– Vou cobrar... — Kagami o olhou de canto enquanto vestia-se novamente, jogando o guardanapo na lixeira e já pegando outro para limpar a porta da pia.
– Pode cobrar! — O moreno aproximou-se para beijá-lo assim que ele terminou a parca limpeza. Amava os lábios de Taiga... Eram tão macios e quentes.
– Eu te amo, sabia? — O ruivo sussurrou.
– Eu também te amo, Bakagami! — Aomine respondeu encostando o nariz de ambos. — Muito...
– Muito... — Kagami sorriu, abraçando-o com carinho.
Ficaram assim juntos por um longo tempo... Até o cheiro de comida queimada chegar ao olfato de ambos.
– Puta que pariu! — o ruivo exasperou-se, correndo para desligar o fogão. — Nosso curry queimou... Ca-ce-te!
Aomine riu da cena, aproximando-se para olhar o que havia dentro da panela. Aparentemente estava normal, mas o cheiro estava realmente forte, queimava lentamente pelas bordas.
– Espera... O molho ainda dá para salvar... — Kagami comentou consigo mesmo ao abrir o forno e retirar outra panela de lá. — Queimou só por baixo... É só cuidar para não misturar.
– O arroz também! — O moreno agilizou-se para pegar a panela que estava na boca dos fundos. — Se comer a parte de cima não vai dar para sentir o gosto.
Juntos e em silêncio eles começaram a salvar o que podiam da comida. A risada surgindo aos poucos foi inevitável, aquilo era mais cômico do que trágico. No final das contas estavam gargalhando como dois retardados.
– Nada como um toque especial de carbono na comida! — Aomine comentou divertido, tirando o arroz que prestava e colocando em outro recipiente.
– Eu sabia que se você fosse se meter a cozinhar ia dar cagada! — O ruivo riu, pegando com cuidado a porção superior de molho. — Estava tendo uma premonição!
– Ah é assim, seu desgraçado? — O moreno estreitou o olhar com um sorriso sarcástico brincando em seus lábios. — Quem estava cozinhando era você, ninguém mandou ficar se distraindo com outras coisas por aí...
– Mas foi você que se propôs a me ajudar! — Ele defendeu-se sorrindo e olhando para o conteúdo estragado da panela. — Que espécie de ajudante de cozinha é você, Aomine Daiki? Não lembra nem de desligar o fogão enquanto seu mestre está ocupado com outros detalhes!
– É um idiota mesmo! — O moreno riu do absurdo que ele disse, largando a panela enquanto o puxava para um rápido beijo. — Mas valeu a pena, não é?
– Muito! — O ruivo confirmou, beijando-lhe novamente assim que retirou o que pôde da panela. — Quem se importa com um gostinho de queimado...
– Eu não me importo! — O moreno deu de ombros com uma expressão inocente já colocando o arroz queimado no lixo. — Faz parte do nosso curry, tem esse detalhe na hora da preparação.
– Claro, é o nosso toque especial! — Kagami riu, balançando a cabeça.
– Sim, e fica perfeito! — Aomine comentou, ainda rindo. — Os pratos estão guardados no mesmo lugar?
– Estão! — Kagami confirmou indo até a geladeira. — Vou fazer um suco pra gente...
– Pode deixar que eu faço. — O moreno se adiantou, olhando-o se afastar. — Ligue para sua irmã!
– Ah, é mesmo... Tinha esquecido! — O ruivo sorriu, dando um selinho em Aomine ao passar. — Ela não sabe que a gente voltou ainda... Ninguém sabe na verdade!
– Quero só ver a reação do Kuroko e da Satsuki! — Aomine comentou divertido olhando para os pacotes de suco na porta da geladeira. — Pode ser morango?
– Aham! — Kagami confirmou, pegando o celular e já voltando para a cozinha. — Agora que você falou do Kuroko, eu tenho mesmo que visitá-lo...
– Podemos ir amanhã, não é? — Aomine perguntou feliz com a ideia enquanto procurava uma jarra. — A Satsuki vai surtar... E você precisa conhecer a Hina!
– Preciso! — O ruivo confirmou ao se apoiar na bancada com o celular no ouvido. — Kuroko falou um monte dela.
– É uma porcaria de criança! — Aomine riu, lembrando-se da menina. — É a mistura perfeita dos dois.
– Eu quero muito conhecê-la, e revê-los, claro! Sinto falta do Kuroko... — O ruivo sorriu, voltando a prestar atenção na ligação. — Oi Nick, sou eu...
Aomine ouviu a voz feminina soar ao fundo, mas não conseguiu entender o que ela estava dizendo.
~Kagami Taiga~
– Está tudo bem sim... Na verdade está tudo ótimo. — Kagami sorriu enquanto olhava o moreno fazer o suco.
– E esse tom de voz animado aí? — Ela questionou.
– Estou feliz ué! — O ruivo sorriu, dando de ombros — Te dou três chances para acertar o motivo!
– Ah, sei lá Teddy... Porque você reviu seus amigos? — Ela arriscou impaciente.
– Perdeu uma chance... Tente outra vez!
–Ah, sei lá seu idiota! — Ela irritou-se, provavelmente se jogando no sofá ou na cama. — Fale logo!
– Não! — O ruivo riu olhando o moreno se aproximar da mesa com o suco pronto. — Vai, tenta de novo!
– Sarna! Sabe que odeio essas coisas... — Ela reclamou, ficando em silêncio alguns instantes para pensar. — Você teve tempo para pensar e decidiu que vai ficar com o Benji!
– Negativo... Nada a ver! — Kagami riu indignado com o bostasso que ela disse. — Use a cabeça, sua anta! O que me deixa feliz que só existe aqui no Japão? Estou olhando para ele agora...
– Teddy, você... Não... — Ela hesitou incrédula. — Não me diga que você catou o negão de novo?
– Bingo! — Kagami sorriu satisfeito com a reação da irmã. Sempre achou "negão" um exagero.
– ALEX, ELE TÁ COM O NEGÃO DE NOVO... MÃE VEM CÁ! — Ela berrou escandalosa. — CORRE AQUI!
–Cala a boca, sua retardada! — O ruivo pediu sorrindo de orelha a orelha ao afastar o aparelho do rosto. — Vai me deixar surdo!
Aomine estava rindo também. Até ele ouviu a gritadeira e se aproximou para escutar melhor a conversa, colocando o ouvido perto do de Kagami.
– Anda, me conta logo, conta tudo! — Ela disse de forma escandalosa, os surtos de Alex também eram audíveis ao fundo. — Mas vocês só saíram pra trepar ou estão juntos de novo? Porque ele estava casado, não é? Você não fez merda... ou fez? Teddy... Não acredito que você...
– Ei, calma, calma... — Kagami a interrompeu, divertindo-se com as reações diversas da irmã. — Não fiz merda nenhuma, ele não é mais casado... Estamos jun...
– AAAAAAAAAAAH! — Nick gritou de repente, provavelmente correndo pela casa. — ELES ESTÃO JUNTOS DE NOVO! MÃE, O TEDDY TÁ COM O DAIKI... ELE NÃO ESTÁ MAIS CASADO!
– Teddy? — Aomine murmurou com um sorriso confuso, encarando-o enquanto Nick ainda surtava do outro lado da linha.
– Apelido... Depois te explico. — Kagami fez uma careta. Só então se deu conta de que o moreno estava entendendo o que conversavam, mesmo sendo em inglês. Quando foi falar algo Nick o interrompeu.
– Teddybear, me fale tudo sobre isso nesse exato momento! Todo mundo quer saber!
– Vou te ligar mais tarde! — O ruivo a cortou com as sobrancelhas levantadas. — Só te retornei pra saber o que você queria...
– Ah, já entendi tudo! Ele está aí com você não é? — Ela o interrompeu novamente com um sorriso sarcástico. — Vocês estão tirando o atrasado que eu sei! Estão trepando bastante?
– Cuida da sua vida, Nick! — O ruivo sorriu com a verdade que a irmã falara. — Estamos indo comer agora...
– Quem vai ser o prato principal, você ou ele? — Ela perguntou irônica, como sempre.
– Vou precisar mandar você se foder já cedo? — Kagami questionou com um sorriso enorme no rosto. Nick estava feliz também.
– Sabe que te amo, não é? — Ela sorriu do outro lado da linha. — Vai lá, mas liga de volta depois, ok? Agora todo mundo está morrendo aqui em casa por causa disso... Vai precisar explicar tudo!
– Eu vou, depois das 22h eu ligo! — Kagami comentou já se desencostando da bancada. — Prometo!
– Manda um beijo pra esse filho da mãe! — Ela comentou com o tom de voz bem audível. — Diga que não esqueci que se ele te machucasse eu iria cortar a linguiça dele fora!
– Ouviu? — O ruivo perguntou para Aomine, que ergueu os braços em uma forma silenciosa de defesa, já afastando-se para pegar a panela no fogão com um enorme sorriso no rosto.
– Acredito que fui bem clara! — Nick murmurou com um sorriso transparecendo pela voz. — A mamãe está bem feliz por você, Alex também. Vamos comemorar por aqui, pediremos uma pizza em sua homenagem!
– Tem que ser de quatro queijos! — O ruivo exclamou satisfeito. — Valeu Nick, estou bem feliz também!
– Claro que está feliz, até o Papa sabe que você está feliz! — Nick finalizou radiante. -Vai lá maninho! Depois você me conta as coisas... Com detalhes, mas não tão detalhados, se é que me entende!
– Sua idiota! Eu conto sim... Até depois então! — O ruivo se despediu sorrindo e colocando o celular no bolso do jeans.
– Ela continua retardada! — Aomine sorriu dando-lhe um selinho ao pegar em sua mão para irem juntos até a mesa.
– Pior do que você imagina! — Kagami sorriu balançando a cabeça.
– Prefiro não imaginar nada! — O moreno sorriu ao sentarem-se um ao lado do outro. — Mas parece que eles ficaram muito felizes em saber!
– Sim! — O ruivo sorriu de orelha a orelha. — A vizinhança toda percebeu!
– Com certeza! — O moreno balançou a cabeça positivamente e levantou-se pegando a colher do arroz. — Ok, vamos ver como ficou esse nosso curry aí! Passe-me seu prato...
– Em últimos casos a gente pede um pizza! — O ruivo comentou, entregando-lhe o objeto para que ele colocasse a comida. Achou um gesto fofo da parte de Daiki...
– Você vai achar mil pizzarias abertas nesse horário! — Ele ironizou colocando algumas colheradas de arroz. — Assim está bom?
– Sim, obrigado! — O ruivo sorriu, pegando o prato de volta e já colocando o molho por cima do conteúdo. — O cheiro está quase normal.
– Prefiro não arriscar ainda. — O moreno sentou-se novamente com o próprio prato feito, apenas aguardando. — Come aí e me dá o seu aval!
Apreensivo, Kagami pegou uma quantia pequena da comida, fechou os olhos e colocou na boca. Para seu alívio o gosto estava quase perfeito, com uma pontada quase imperceptível de queimado lá no fundo.
– Super comível! — Sorriu percebendo que estava na verdade morrendo de fome. Depois de fazerem sexo duas vezes, dormir e fazer sexo novamente, não era algo surpreendente.
– Ah, mas isso está ótimo! — O moreno exclamou já começando a comer também. — Palmas para o nosso curry!
– Com um toque especial que só nós sabemos! — Kagami apontou, arrancando um sorriso safado de Aomine.
Aquele dia estava perfeito demais, não queria que acabasse nunca. Mas a hora passa muito rápido... Na verdade voa quando a diversão se faz presente.
***
– Que tal um resfriado? — O moreno ponderou, erguendo uma das sobrancelhas. — Muito na cara, não é? Não estou com cara de doente...
– E se você falar que pegou alguma coisa simples e transmissível, tipo conjuntivite? — O ruivo disse esperançoso acariciando os cabelos do moreno, que estava deitado confortavelmente em seu colo.
– É uma boa também... — O moreno riu, ajeitando-se melhor entre as cobertas que estavam caindo do sofá.
– É só passar detergente no olho e ficar na frente de um ventilador por um tempo! — O ruivo comentou de forma sábia. — Lá no quartel eles fizeram isso umas quatro vezes e deu certo. Lógico que como estava ficando corriqueiro o povo do RH começou a suspeitar... Mas funcionou por um tempo!
– Ah, uma vez só, que mal tem! — Aomine deu de ombros e riu junto com Kagami. — De quebra ainda pego o resfriado ficando na frente do ventilador... Ganho um atestado de verdade e posso ficar uma semana inteira com você! Meu namorado é um gênio... Onde está o detergente?
– Retardado! Capaz mesmo que vou deixar você fazer isso! — O ruivo riu e continuou acariciando os cabelos macios e azuis com carinho. — Mas não queria que você fosse pra longe de mim...
– Eu também não queria ir! — Aomine disse com uma expressão desanimada. — Só mais hoje, amanhã já estou de folga e serei integralmente seu!
– Vai demorar pra chegar amanhã! — O ruivo reclamou com uma careta, passando a mão nas linhas do rosto perfeito de Aomine.
– Vou te dar uma ideia para o tempo passar bem rápido... — O moreno comentou acariciando o rosto de Kagami com um meio sorriso no rosto. — É só você deitar na cama e fechar os olhos ouvindo Pink Floyd. Você vai dormir, com certeza! E então quando você acordar já estarei ao seu lado, te abraçando e te chamando para tomar café da manhã!
– Eu gosto da ideia... — Kagami sorriu, sentindo o coração parar ao ouvir aquilo. — Você é perfeito Daiki... Eu estou tão feliz... Tão feliz! Senti tanto sua falta...
– Eu te amo Taiga! — O moreno sorriu, entrelaçando o dedo de ambos. — Senti muito a sua falta também, mas agora nada mais vai nos afastar... Só essa sua ida para L.A. na terça-feira.
– Mas vou voltar logo! — O ruivo sorriu pesaroso. — Não quero passar mais nenhum minuto longe de você.
– Quanto tempo você leva para resolver isso tudo? — O moreno perguntou com um leve sorriso satisfeito em seu rosto.
– Acho que umas duas semanas. — Kagami falou erguendo as sobrancelhas. — O problema maior são essas loucuras de final de ano... Tenho medo que isso atrase minha documentação para estabelecimento de residência e a questão bancária também... Natal, já viu...
– E você realmente tem certeza de que quer fazer isso? — Aomine perguntou, acariciando os dedos entrelaçados.
– Ah, acho melhor não, né? Vou deixar você aqui e vou continuar minha vida lá em L.A., porque estava bem melhor longe de você! — Kagami disse irônico, dando-lhe um tapa na testa. — Idiota... Claro que sim, quero ficar com você pra sempre...
– Eu sei que sim... — Aomine riu da reação do ruivo. — Eu me refiro a você vir para o Japão assim, do nada... Você tem sua profissão lá, sua família, seus amigos... Tudo!
– Tudo não, porque meu tudo é você! — Kagami disse com um sorriso, afastando as curtas mechas da testa do moreno. — Estou a sete anos provando para mim mesmo que a vida é uma merda sem uma pessoa chamada Aomine Daiki perto de mim... Venho para cá sem pensar duas vezes! A minha família eu posso visitar quando quiser, e aqui no Japão também existem bombeiros... Simples assim! E se eu não conseguir entrar em um batalhão eu trabalho até no Maji Burguer se for preciso.
– Retardado! — O moreno sorriu de orelha a orelha. — Só não quero te forçar a nada, entende?
– Não está forçando! — Kagami sorriu para tranquilizá-lo. — Estou super feliz que esteja acontecendo. Esperei a vida inteira por isso...
– Mas foi tão de repente! — Ele insistiu com as sobrancelhas levantadas, ajeitando o rosto em sua coxa. — Não quero que você se arrependa em tomar uma deci...
– Desse jeito vou acabar pensando que quem não quer é você, Aho! — O ruivo o interrompeu, apertando o nariz dele entre o polegar e o indicador.
– Claro que quero Bakagami... — O moreno riu com o gesto, afastando a mão dele com um tapa. — O que mais quero na vida é acordar todo dia e olhar para essa sua cara de bicho ruim aí!
– Bicho ruim, é? — O ruivo ergueu as sobrancelhas com uma expressão divertida e incrédula.
– Claro que sim! — O moreno confirmou. — Um belo de um bicho ruim!
– Já se olhou no espelho? — Kagami perguntou irônico. — Cara pior que a sua não existe!
– Mas você gosta que eu sei! — Ele murmurou convencido. — Pensou nessa carinha aqui por alguns anos.
– Pensei mesmo! — O ruivo deu de ombros, admitindo. — Sabe a nossa foto? Levava ela pra todo canto... Então pode ter certeza que acordei olhando para essa sua cara todos os dias.
O moreno ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sorrindo meio bobo com o que Kagami dissera.
– Que foi? — O ruivo perguntou, sorrindo de volta.
– Nunca vou cansar de repetir que sou a pessoa mais sortuda desse mundo por ter você do meu lado Bakagami. — Ele disse em um tom de voz mais ameno. — Ainda não acredito que as coisas mudaram tanto assim do dia pra noite! Tenho muita sorte mesmo em ter te encontrado de novo...
– Eu que tenho sorte por ter atraído a atenção da polícia no meio da madrugada! — O ruivo disse, mas foi interrompido pelo despertador do celular de Daiki.
– Bem, agora a minha sorte acabou de me dar um chute na cara... — Ele olhou triste para o aparelho em seu bolso, desligando o alarme. — Bosta!
Estava na hora de ele ir trabalhar, o relógio estava de sacanagem. Aomine ainda tinha que passar em seu apartamento para pegar um uniforme novo e levar as roupas sujas para lavar... Já era 22h.
– Eu te acompanho até lá em baixo... — O ruivo murmurou triste, vendo-o se levantar com a mesma expressão pesarosa.
– Eu juro que volto logo! — Ele exclamou, abraçando Kagami com carinho.
– Sei que sim! — Kagami sorriu, abraçando-o de volta e dando um suave beijo em seu pescoço.
– Não quero ir... — Aomine comentou relutante assim que se aproximavam da porta, já colocando a jaqueta.
– Você volta logo... — Kagami o encorajou, dando um selinho em seus lábios assim que colocou sua própria blusa. — Não vou a lugar algum!
– Eu sei! — O moreno sorriu assim que Kagami pegou a chave que estava em cima do aparador e abriu a porta.
Juntos eles desceram as escadas abraçados, conversando sobre o que fariam no dia seguinte. Aomine arranjara um almoço na casa de Kuroko, mas eles não sabiam que Taiga estaria junto... Se divertiam imaginando a reação quando o ruivo entrasse pela porta. Depois disso iriam ficar em casa assistindo alguma coisa, pegariam um filme no trajeto... Daiki insistia que deveriam ir em um café ali por perto, tinha o melhor cappuccino que tomara na vida e era ótimo para esquentar nos dias frios... Sem falar que Taiga teria uma leve surpresa ao chegar lá, só não contou o que era.
– Meu caralho, como está frio... — Taiga comentou assim que sentiu o vento do hall chegar no lance da escadaria. — Quer levar minha blusa junto com você?
– Ai Taiga, isso foi tão bonitinho! — Aomine debochou sorridente, puxando-o para mais perto com o braço.
– Ué, só foi uma sugestão! — O ruivo corou, mas riu em seguida. — Estamos melosos mesmo...
– Sim, vai ser nossa eterna desculpa! — O moreno encostou a cabeça na de Taiga. — Obrigado, mas não precisa, ou quem vai se resfriar é você.
– Ok, mas pegue uma roupa grossa pra trabalhar, ok? — O ruivo fez menção de se afastar de Aomine ao chegarem perto dos últimos degraus. Sempre fizeram isso para não serem vistos...
– Ei Taiga, não precisamos mais disso, não é? — O moreno o puxou para perto com carinho, entrelaçando novamente os dedos gelados de ambos. — Não temos mais nada a esconder...
– Sim! — Kagami sorriu de orelha a orelha, apertando a mão de Aomine e sentindo-se explodir de felicidade por dentro.
– Eu sabia que esse dia ainda iria chegar! — O moreno comentou satisfeito enquanto passavam pelo porteiro de mãos dadas e seguiram para a rua, onde o carro do moreno estava estacionado.
– Ei Daiki... — Kagami chamou, olhando concentrado para as chaves em sua mão, onde o chaveiro da bola de basquete estava pendurado. — Leve a cópia da chave com você!
– Ei, mas e se eu vir e te assassinar no meio da madrugada? — Ele perguntou com uma expressão divertida.
– Pelo menos vou morrer sorrindo! — Kagami comentou sarcástico, entregando-lhe o objeto. — Vai ser sua casa também, guarde a chave.
– Isso me deixa muito feliz Taiga... — Ele sorriu, dando-lhe um selinho carinhoso. — Parece que a gente nunca se afastou para falar a verdade.
– Mas a gente nunca se afastou! — Kagami deu de ombros, como se aquilo fosse óbvio. — Você sempre esteve comigo.... Seja no chaveiro de bolinha de basquete, na nossa fitinha da perna, ou nas minhas lembranças...
– Ah, assim eu não aguento Taiga! — O moreno sorriu de orelha a orelha, abraçando-o com carinho. — Como você quer que eu vá embora depois de ouvir isso?
– Feliz ué! — O ruivo simplificou sentindo uma enorme onda de satisfação em seu interior. — E sabendo que eu vou estar te esperando quando você voltar!
– É o melhor dia da minha vida, com certeza! — Ele sorriu radiante, unindo os lábios de ambos carinhosamente. — Eu te amo!
– Eu também te amo! — O ruivo disse, encostando o nariz de ambos suavemente. — Bom trabalho...
– Até daqui a pouco. — O moreno deu mais um selinho em seus lábios, enquanto destrancava a porta do carro parcamente estacionado. — Meu Bakagami...
– Meu Aho... — O ruivo sorriu dando-lhe um novo beijo antes de ele entrar no carro.
– Isso é torturante, sabia? — Ele disse ao sentar-se no banco do motorista e olhá-lo com pesar.
– Você já volta... — Kagami sorriu, acariciando o rosto do moreno. — Não é?
– Sim... Eu volto logo!

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