Inevitável

1 Desde a Winter Cup...


Notas iniciais
Olá pessoas queridas! Meu primeiro yaoi, que emoção *--* Então, estou escrevendo essa história porque realmente amo Kuroko no Basket e quis fazer a continuação da minha própria maneira, de como eu gostaria que fosse! Tentei manter a personalidade de cada um o mais fiel possível, mas vocês vão notar diferenças no Aomine xD Boa leitura e aguardo vocês lá nos comentários! Beijinhos!!

~Kagami Taiga~

Ainda estava escuro quando Kagami despertou ao sentir seu travesseiro vibrar. Ele demorou alguns instantes para perceber que era o seu celular anunciando uma nova mensagem de texto. Sonolento, olhou para seu relógio na cômoda ao lado, ainda era uma hora da manhã.

– Quem manda mensagens há essa hora? – Resmungou ao pegar o aparelho que estava em baixo de seu travesseiro.

Tateou o objeto até encontrar e pressionar o botão de desbloqueio de tela, que emitiu uma luz forte. Demorou a se acostumar com a luminosidade exagerada, mas depois de algumas piscadelas conseguiu ler. Não acreditou quando viu o nome dele. De novo.

– Aquele idiota... – Murmurou ao abrir a mensagem. Até agora não sabia como ele havia descoberto o seu número.

“Que tal uma partida amanhã, Taiga?”.

– Humpf! – Resmungou, digitando de volta, ainda com os olhos semicerrados. – Como se fôssemos íntimos para você me chamar de Taiga!

“Mas você está chato ultimamente né? 18h na quadra perto do Maji Burguer”.

Aquelas atitudes repentinas e estranhas estavam deixando Kagami com certo receio. Todas as semanas desde o início do segundo ano letivo ele o convidava para algumas partidas de basquete sem motivo algum. Era estranho, afinal, se tratava de Aomine Daiki, o cara conhecido por sua preguiça excessiva, seu egoísmo enorme e sua falta de paciência.

Espalhavam-se rumores de que ele voltou a treinar sério em Touou no término da Winter Cup, sem faltas ou atrasos, coisa que causou surpresa – e medo – em muita gente. Provavelmente para compensar o ano inteiro que passou vadiando, deduziu Kagami, sorrindo de forma sarcástica. Entretanto, como se já não fosse o bastante, parece que Aomine encontrou seu mais novo passatempo: Jogar basquete mano a mano com Kagami e irritá-lo até a morte.

Claro que era sempre bom jogar basquete com um cara que apresenta desafios na quadra, mas ele estava bem insistente. O ruivo tinha a teoria de que ele não aceitara bem a derrota para a Seirin na Winter Cup do ano passado, e aquela foi a forma que ele encontrou de se redimir ou tentar compensar. Mas não é como se fossem amigos, porque desde que Kagami se entende por número 10 da Seirin, Aomine era seu maior rival.

– Eu vou... Que se dane... – Murmurou fechando novamente os olhos ao ver que sua mensagem foi enviada.

O sono estava voltando para o ruivo, que confortavelmente abriu os braços na cama de casal que estava disponível apenas para ele. Uma de solteiro jamais seria o suficiente com seu 1,90m de altura. Estava prestes a cochilar quando o celular, que estava frouxo em uma de suas mãos voltou a vibrar, assustando-o.

– Sarna! – Praguejou sonolento, revirando os olhos no escuro.

“Chato? Eu não! Só quero jogar. Até amanhã, Taiga!”

Não se deu ao trabalho de responder. Apenas jogou o celular para longe e esperou o sono chegar. Mas ele não veio.

***

– Você deveria dormir melhor, Kagami-kun! – Kuroko comentou ao chegar à sala de aula e ver a cara do amigo. – É só o segundo mês do ano letivo ainda.

– Fala isso lá pro Aomine! – Kagami resmungou em voz baixa, apoiando sua bochecha na carteira da escola e pendendo os braços ao redor do corpo.

Após a mensagem que o rapaz enviara, Kagami demorou quase duas horas para conseguir dormir novamente. Não por empolgação, que era geralmente a causa de suas insônias, mas apenas por ter despertado de repente após aquela mensagem.

– Vocês dois vão jogar hoje de novo? – Kuroko perguntou interessado, sentando-se na frente do ruivo e já ajeitando o seu material para a aula.

– Acho que sim, depois do nosso treino! – Kagami falou erguendo o rosto para apoiar-se com o queixo. – Queria saber o que deu nele?

– Já te falei Kagami-kun, ele era assim no tempo da Teiko, sempre estava animado para jogar basquete. – Comentou o azulado olhando para o amigo. – Provavelmente está tentando recuperar aquilo que perdeu.

– Mas por que essa insistência comigo? – Kagami perguntou inconformado, mais para si mesmo do que para Kuroko.

– É porque você o derrotou e foi mais fundo que ele na zona. Simples. – Kuroko respondeu inexpressivo, como sempre.

– Nós o derrotamos! – Kagami corrigiu, bocejando e novamente apoiando a bochecha na carteira.

– Sim. – Kuroko sorriu discretamente. – Aomine-kun é um cara legal, mas foi corrompido pela Geração dos Milagres. Você só conheceu a parte ruim dele.

– É, e que é bem ruim! – Kagami afirmou fechando os olhos. – Chega de falar sobre isso, já vou precisar ver a cara dele mais tarde.

– Se é tão ruim você só precisava ter recusado os convites! – Kuroko simplificou, dando de ombros. – Uma hora ele iria desistir.

– Não foi isso que eu quis dizer! – O ruivo comentou, abrindo os olhos após um instante de silêncio. – É bom jogar com ele, o problema é que é ele. Nós somos rivais.

– Não é porque são rivais que não podem ser amigos também. – Kuroko começou, olhando de relance para a porta por onde o professor entrava. – Vou repetir, Kagami-kun, ele é um cara legal, você que não o conhece direito.

– Hm... Certo... Boa noite Kuroko! Esconda-me, ok? – O ruivo pediu fechando os olhos, sem sequer levar em consideração as palavras do amigo.

Aomine Daiki, um cara legal? Só podia ser piada. Momentos antes de cochilar, Kagami ficou pensando se poderia vir realmente a ser amigo dele algum dia. Mas não chegou a nenhuma conclusão.

***

Já era quase 18h quando Kagami saiu da escola, tinha certeza de que chegaria atrasado até a quadra onde provavelmente Aomine já o esperava. O treino com a Seirin fora um pouco mais longo naquela segunda-feira, pois estavam planejando um amistoso com alguma escola antes do Inter Colegial. Rico iria fazer as propostas e prometeu surpreender.

– É bom que ele fique esperando mesmo! – Murmurou divertido, imaginando o moreno impaciente encostado na tela que protegia a quadra acinzentada. Ou não. Afinal, quem sempre se atrasava era o Aomine... Aquela dedução o frustrou, no final das contas talvez ele próprio ficasse esperando.

Quase que automaticamente o ruivo colocou seus grandes fones de ouvido e seguiu paciente pelo caminho que fazia praticamente todos os dias. Olhou para o seu celular assim que colocou a música, agora estava oficialmente atrasado, já era 18h06min. Mesmo assim ele continuou andando vagarosamente para ouvir a melodia até o final. Era um dos prazeres que guardava apenas para si e que poucos sabiam.

Não demorou muito para chegar até a quadra, que refletia o tom laranja do por do sol. Para sua frustração, não havia ninguém lá encostado impaciente na grade. Não pode deixar de sorrir, lógico que ele se atrasaria. Uma vez Aomine, sempre Aomine. Kuroko podia insistir que o rapaz mudara depois de perder um jogo, mas o ruivo duvidava daquilo, não é bem assim para a pessoa perceber que é idiota.

Kagami mal completou sua linha de pensamento quando sentiu uma pancada seca nas costas. Respirou fundo antes de olhar com raiva para trás, já sabendo do que se tratava. Com um sorriso presunçoso, lá estava Aomine Daiki segurando a bola de basquete que o atingira.

– Desgraçado! – O ruivo rosnou ao tirar seus fones de ouvido.

– Não tive escolha, você que não me ouviu! – Aomine sorriu erguendo os braços em forma de rendição e apontando para o fone de ouvido. – Ah, e está atrasado.

– Você chegou depois de mim, está atrasado também! – O ruivo indignou-se colocando os fones de ouvido com cuidado na bolsa.

– Jamais disse o contrário!– Ele falou calmamente, tirando a jaqueta do uniforme e jogando-a em cima do banco. – Deixe para resmungar quando eu fizer você cheirar a quadra. Vamos logo Taiga!

– Quem vai cheirar a quadra hoje é você, Aomine! — Kagami sorriu motivado, pronto para vencê-lo no mano a mano. – Prepare-se.

Com um sorriso de canto, Aomine foi até a borda do garrafão quicando a bola. Ao posicionar-se na linha, passou a bola para Kagami. A disputa começou.

***

Já estava escuro, provavelmente já passava das 20h. Os músculos de Kagami doíam, o suor escorria por todo o seu corpo, a fome o consumia e a frustração não saía de sua mente, mas de jeito nenhum iria desistir até passar por Aomine. Já conseguira algumas vezes, mas não era o suficiente, não para ele.

– Já chega, Taiga! – Aomine ofegou, limpando o suor de seu rosto com a barra de sua camiseta escura.

– Oe, como assim “chega”? – Kagami perguntou incrédulo, cessando o movimento com a bola enquanto sentia o líquido escorrer pela sua face também. Estava extremamente cansado, mas não queria parar.

– Estou com fome. – O moreno admitiu coçando a nuca enquanto olhava para o Maji Burguer ali perto. – Você quer jogar ainda? – Perguntou, voltando a olhar para Kagami.

– Até jogaria... – O ruivo falou afastando o suor da testa, sentindo um embrulho conhecido em seu estômago. – Mas também estou com fome.

– Vamos então? – Aomine perguntou sem emoção, indicando com a cabeça a lanchonete mais adiante.

Realmente, ver o Maji Burguer ali perto era tentador demais. Certificou-se mentalmente de que tinha dinheiro suficiente para seus habituais vinte lanches. Tinha. Já podia até sentir o gosto do hambúrguer com o queijo e o molho. Só não esperava a companhia de Aomine.

Lembrou-se do que Kuroko dissera no início da aula, que não teria problema em ser amigo de um rival, afinal, era apenas no basquete, não é? E também não é como se fosse morrer se comesse ao lado dele pelo menos uma vez. Iria morrer de fome se não fosse.

– Vamos! – Concordou por fim, indo em direção à sua mochila e sentando no chão, ao lado dela. – Só preciso descansar um pouco.

Sem nada a dizer, Aomine também sentou e se encostou na grade com as mãos atrás da cabeça, fechando os olhos. Ficaram em silêncio por um longo tempo até as respirações normalizarem e o vento começar a arrepiar a pele ainda quente de ambos.

– Taiga... – Aomine chamou, mas sem se mover. – Você não vai com a minha cara, não é?

Aquela definitivamente era uma pergunta que o ruivo não estava esperando. Olhou na direção do outro, que ainda mantinha os olhos fechados. Não sabia como responder, mas não é como se não gostasse dele, apenas eram rivais no basquete. Pensou por mais alguns instantes e disse:

– Por que acha isso?

– Intuição! – Sorriu de canto, abrindo os olhos para encará-lo. – E curiosidade...

– Se eu não fosse com a sua cara não viria jogar basquete com você! – Afirmou Kagami, desviando o olhar para a tabela. Ou será que vinha jogar com ele apenas para se sentir desafiado?

– Talvez você venha apenas para se sentir desafiado! – Aomine arriscou, começando a levantar.

Aquilo realmente surpreendeu Kagami. Agora ele lia pensamentos?

– Quem sabe? Mas acho que eu não perderia meu tempo. – Ponderou, falando mais para si mesmo do que para o moreno. – Ah, vamos comer logo, estou faminto! – Finalizou, levantando-se e vestindo a jaqueta do uniforme escolar.

Estava mais do que na hora de mudar de assunto para o gosto do ruivo.

– Vamos! – O outro riu, também vestindo a jaqueta.

– Tá rindo de quê? – Kagami estranhou, olhando para trás enquanto se dirigia à saída da quadra.

– Nada em particular! – Aomine disse erguendo uma das mãos. – Anda logo antes que eu te dê outra bolada.

– Desgraçado...

***

– Vamos falir o Maji Burguer! – Aomine resmungou sem emoção ao ver que Kagami também pegara uma grande quantidade de lanches.

– Eles estão lucrando, isso sim! – Comentou o ruivo, já mordendo com vontade aquela comida macia e saborosa. Era um dos melhores hambúrgueres que já provara, pelo menos no Japão.

O único barulho que se ouviu naquela mesa por longos minutos era o de mastigadas, goles e guardanapos. Não trocaram nenhuma palavra e nenhum olhar também. Era particularmente estranho lancharem juntos.

Mas nos final das contas Kagami teve que concordar com Kuroko, Aomine estava um pouco diferente. Ainda mantinha aquela pose irritante e superior, mas a cara não estava mais tão fechada. E o que foi aquela pergunta tão de repente? Ainda não sabia responder se ia ou não com a cara do moreno.

Quando terminaram de comer ficaram apenas sentados sem ter o que falar por um bom tempo. Aomine quebrou o silêncio.

– O que você estava ouvindo?

– Quê? – Kagami perguntou, olhando-o confuso.

– Quando eu te dei a bolada! – O moreno explicou com um sorriso debochado. – Você ouvia música e nem me percebeu! O que você estava ouvindo?

– Era Skid Row. – Respondeu tentando ignorar a provocação. Ali estava outra pergunta inesperada, desde quando Aomine se interessava por música?

– Nunca ouvi falar. – Aomine resmungou, voltando a ficar sério. – O que mais você ouve?

– Bom... Acho que sou eclético. – Respondeu parando para pensar enquanto olhava para as mãos do moreno, que apertavam constantemente o copo de plástico, emitindo um barulho chato. – Como cresci na América ouvia bastante rap e rock clássico. Gosto muito de Pink Floyd, Scorpions, Aerosmith, Iron Maiden... Coisas assim.

– Não sabia que você era roqueiro! – Aomine evidentemente supreendeu-se, parando de amassar o copo repentinamente e erguendo uma das sobrancelhas.

– Não sou roqueiro! – Negou Kagami, um pouco desconfortável com aquela conversa. – Só gosto de bandas assim. Como disse, ouço rap, alguma coisa de J-music...

– Entendi!

– Hm... E você? – Kagami perguntou tentando se livrar daquele silêncio estranho, e percebendo que realmente queria saber. – O que você ouve?

– Ultimamente não tenho escutado muita música, mas Imagine Dragons é uma banda legal. Kings of Leon também.

– Não conheço também! – Disse sério, mas anotando mentalmente o nome das bandas.

Novamente o silêncio. O ruivo estava procurando alguma coisa pra falar, mas era difícil. Pensou em comentar sobre a partida do dia, mas como perdeu preferiu não ferir seu próprio orgulho. Na próxima com certeza venceria.

– Enfim, vou para casa! – Aomine decidiu após olhar o relógio às costas de Kagami, levantando-se.

– É, estou indo também!

Juntos foram até a porta, mas antes Kagami bocejou e deu uma discreta olhada para o relógio. Era quase 22h, por isso o sono já estava batendo novamente.

– Oe, Aomine! – Chamou irritado, lembrando-se do que queria falar com ele. – Você me fez perder o sono essa noite! Sem mensagens de madrugada.

– A noite é uma criança, Taiga! – Ele disse já se afastando, apenas com o braço levantado. Parou no meio do caminho olhando novamente para o rapaz. – E se esforce mais no próximo jogo, vai precisar de muito mais que isso para me vencer de novo!

– Desgraçado... – Kagami murmurou virando as costas sem mais nada a dizer.

~Aomine Daiki~

Aomine ainda observava o ruivo se afastar, era inevitável. Pensar nele também estava sendo inevitável nos últimos tempos. Após Taiga virar a esquina o moreno começou a caminhar no sentido oposto, em direção à sua casa.

Enquanto andava era quase impossível controlar sua cabeça, que ultimamente estava mais movimentada do que nunca. Tornara-se um rapaz sem emoção após sair de seu ensino fundamental na Teiko, tinha preguiça até mesmo de pensar, foi um milagre ter passado de ano. Mas agora estava tudo diferente, ou melhor, ele estava tentando fazer tudo de forma diferente, queria se tornar uma pessoa melhor. Até pouco tempo atrás achava que era apenas para se redimir do seu péssimo desempenho no basquete, mas a verdade era outra. Era por Taiga.

Sempre se lembrava do estopim de toda sua mudança de atitude: A Winter Cup. Ou melhor, o jogo contra Seirin na Winter Cup. Era praticamente nula a chance de perder aquela partida, ainda mais depois de já tê-los derrotado uma vez. Mas foi justamente aí que Taiga entrou na zona e tirou o chão de Aomine. Apenas os melhores chegam nesse ponto, e o ruivo conseguira ir além.

Aquilo fora o fim para o moreno, mas também foi um recomeço. Nesse momento Aomine começou a se culpar por ficar cabulando os treinos e fugir de todas as responsabilidades. Tornara-se um preguiçoso convencido. Se tivesse se esforçado um pouquinho mais talvez hoje não estivesse nessa situação complicada...

Aomine também se interessara mais por Taiga, afinal, ele passou pela segunda porta da zona. Começou a admirá-lo secretamente por sua força e perseverança, pela amizade que desenvolvia com Kuroko e por tudo o que dizia respeito ao seu basquete. Precisava se esforçar e melhorar, para finalmente vencê-lo novamente, não aceitaria a derrota tão facilmente. Esse era seu mais novo objetivo, provar que era o melhor.

Assim que começou a perceber que estava pensando demais em Taiga, Aomine começou a se preocupar. Ainda mesmo na Winter Cup, o modo como passou a observá-lo já não era mais normal e não estava mais tão focado no basquete em si. No início procurava prestar atenção na desenvoltura do time inteiro, mas no final todos os seus olhares se prendiam em Taiga, em sua agressividade, em sua força e em seu modo de agir.

Tudo era ele, Taiga para lá, Taiga para cá, e Momoi notou isso antes de todo mundo. Como eram amigos de infância ela o chamou para uma conversa estranha, que Aomine não estava esperando.

"– O que você sente pelo Kagami-kun? – Momoi perguntou com um olhar receoso.

– O que quer dizer com isso? – Aomine sobressaltou-se com a pergunta sem cabimentos da menina. Seu coração descompassou por um momento. – Que tipo de pergunta é essa?

– Você ultimamente tem falado bastante sobre ele, e está agindo um pouco diferente, Dai-chan.– Ela comentou com calma, como se escolhesse as palavras após ver a reação explosiva do amigo.

– Tá falando que virei gay?

– Hã? Não, Dai-chan, não! – Foi a vez dela se sobressaltar, olhando-o estupefata. – Só estou preocupada, tenho medo que você sinta inveja ou raiva dele, não estava me referindo a questões afetivas... Dai-chan, você...?

– Não sinto absolutamente nada pelo Taiga! – Rosnou vendo o olhar esquisito que ela o lançava. – Só quero derrotá-lo a qualquer custo! Entendeu, ou quer que eu repita? NÃO SINTO NADA."

Aquilo não era algo que ele estava pronto para ouvir, pois interpretou a pergunta dela de forma completamente errônea e acabou por complicar mais ainda a situação. Logicamente brigou com a menina e não falou com ela por um bom tempo, mas o maior conflito no momento era o que enfrentava consigo mesmo. O que estava acontecendo?

Tudo começou a desandar desde então. Pensamentos estranhos começaram a surgir e a pergunta de Momoi não parava de ecoar em sua mente. O que sentia por Taiga? Nada, lógico. Pelo menos ele estava contando com isso. Por Kami, eram homens!

Para esquecer aquelas baboseiras, Aomine voltou a treinar sério em Touou. Jogava como se não houvesse amanhã e começou a praticar sozinho na quadra de rua. Queria ficar forte para vencer Kagami e principalmente para superar aquele mal entendido que estava acontecendo em sua cabeça fraca. Estava confuso demais.

Eventualmente se encontrava com o ruivo e a situação ia de mal a pior. Tetsu andava o tempo todo em sua companhia, sempre jogavam basquete na mesma quadra e todas as semanas eles se viam pelo menos duas vezes, sem combinar nada. Mas por que ficava tão nervoso ao encontrá-lo? E por que sempre que ele ia embora ficava levemente triste? Lógico que era sua mente incapaz de dividir as coisas.

Quando tinha certeza que iria superar aquela fase complicada, encontrava-se com Taiga e tudo desandava novamente. Começou a notar pequenos detalhes na aparência do ruivo, achar graça no jeito mal-humorado que ele tinha e em sua personalidade altamente irritável, na maneira como seu corpo se movia, e todo o resto. Começou a reparar demais.

Tudo apenas piorava, mas a confusão de Aomine chegou ao limite quando se pegou pensando em como seria sentir os lábios de Taiga roçando nos seus. Até hoje não entendeu como se deixou levar pelos fios de seus pensamentos. A ideia o deixou tão atraído e... Excitado... Precisou se masturbar e mesmo que evitasse, pensou no ruivo, não conseguiu pensar em mais ninguém. Odiou-se extremamente. Não poderia ser homossexual, gostava de garotas. G-A-R-O-T-A-S.

Em um ato desesperado encontrou uma menina de sua escola para sair, nem lembrava mais seu nome, mas quando a beijava não sentia absolutamente nada, só conseguia lembrar-se de Taiga. Aquilo era impossível, não poderia estar apaixonado por um homem. Não era natural. Não queria isso.

Todos esses acontecimentos transcorreram entre a Winter Cup e suas férias de Ano Novo. Dois míseros meses que quase o deixaram louco. Precisava falar com alguém.

“– Dai-chan? — Momoi atendeu surpresa. Ele nunca telefonou para ela antes naquele horário. – Você está bem?

– Sinceramente não... – Disse desanimado. – Preciso conversar com você.

– Onde você está? – Ela perguntou um pouco preocupada.

– Na frente de sua casa... — Murmurou.

– Estou indo! – Momoi gritou desligando o telefone.

Não demorou nem dois minutos para ela sair correndo pela porta de sua casa e vê-lo encostado em um poste. Já estava escuro e muito frio, mas ele precisava de ajuda. Estava ficando louco.

– Dai-chan, o que aconteceu? – Ela estava preocupada quando se agachou e o encarou.

– Não sei nem como contar isso. — Aomine disse fechando o rosto com as mãos. – Eu estou na merda.

– Como assim? – Ela estava aflita.

– Eu acho... Que estou gostando... Do Taiga... – Ele murmurou contra sua vontade, mas sabendo que cada uma daquelas palavras era a mais pura e maldita verdade. Menos o "eu acho".

– Dai-chan! – Momoi sussurrou abraçando-o pela lateral ao assentar-se do seu lado. – Eu já sabia disso! Não é motivo para ficar assim...

– Como não Satsuki? – Ele perguntou completamente ruborizado. – Isso é... Humilhante!

– Não é nada humilhante! – Sorriu , atraindo o olhar dele. – Sua coragem em admitir isso para si mesmo é admirável, e ao vir falar isso aqui para mim te torna mais forte ainda. É um sentimento puro, e é isso que importa Dai-chan!

– Eu sou gay Momoi? Tenho cara de gay? – Ele murmurou horrorizado. – Não quero... Que droga!

– Você estar apaixonado por um homem não é uma coisa ruim, Daiki-kun. – Ela riu da reação do amigo. – O que te deixou apaixonado não foi o sexo dele, e sim o fato de ele ser humano. Tão humano quanto você, eu, Tetsu-kun ou qualquer outra supermodelo peituda das suas revistas. Em um relacionamento o que importa são os sentimentos, e os seus parecem ser fortes. Já imaginou se vocês ficam juntos?

– É fácil falar! – Argumentou sem emoção. – Mas a chance de Taiga sentir o mesmo é a mais ínfima do mundo. E bem na verdade, não sei se quero.

– Você ainda está confuso... É norm...

– Eu saí com uma menina. – Interrompeu Aomine. – Mas não senti nada, absolutamente nada. Só consegui pensar no Taiga, imaginar como seria se ele estivesse no lugar dela. É horrível e humilhante.

– O que você pretende fazer então, Daiki-kun?

– Jamais me declarar, isso é uma certeza! – Respondeu atônito. – Taiga jamais saberá disso. E nem Tetsuya, ouviu bem? Eu não quero que ninguém saiba. Vou continuar jogando basquete, treinar firme e tentar seguir em frente, superar essa fase e voltar a ser o Aomine de antigamente.

– Sabe... – Comentou Momoi. – Eu e Tetsuya temos conversado bastante ultimamente... E ele disse que Kagami-kun está querendo praticar basquete com você. Você poderia convidá-lo para jogar de vez em quando.

– Você não me ouviu, Satsuki? – Ele perguntou sério. – Eu não quero tentar, quero apenas superar isso. Não vai ter joguinho de basquete com ninguém. Isso não é uma brincadeira. Estou... Com medo...

– Eu imagino. – Ela comentou apertando o abraço. – Mas acho que você deveria pensar no que está sentindo e levar adiante. Simplesmente desistir de algo assim só vai te machucar mais. Pelo menos tenta...

– Como você encararia uma menina que se declarasse para você? – Aomine perguntou diretamente, olhando-a inexpressivo.

– Ah... Bem... – Balbuciou ruborizada. – Já aconteceu uma vez... Foi fofo, mas eu gosto do Tetsu-kun, você sabe.

– Você está falando isso para me consolar, não é? – Ele revirou os olhos enquanto falava. Claro que era um consolo.

– Na verdade não. – Ela olhou para os pés antes de continuar. – Foi a Nyota da nossa turma.

– Ah, eu sabia! – Aomine sorriu discretamente. – Sempre soube que ela gostava de meninas.

– E não tem nada de mais nisso tudo Daiki-kun. Ela foi uma fofa comigo.

– Ok, agora imagina se fosse o Taiga. – Comentou, imaginando a cena e balançando a cabeça para rapidamente esquecer. – Ele me chamaria de desgraçado para cima e nunca mais ia me olhar na cara.

– Não será assim se for feito da forma certa.

– Hm? — Perguntou interessado, quase se repreendendo pela repentina vontade de considerar uma declaração.

– Dai-chan, você precisa fazê-lo se apaixonar por você! – Ela sorriu positiva.

– Ah claro, a coisa mais fácil do mundo! – O moreno ironizou, mostrando o polegar para Momoi. – Nunca consegui fazer uma menina se apaixonar por mim, imagina o Taiga?

– Quem é você? — Ela perguntou olhando-o com uma cara estranha. – O Aomine que eu conheço é mais firme que esse cara aí. Para de ser molenga. O principal você já tem, só precisa usar isso ao seu favor.

– Humpf! O Aomine que você conheceu não era gay! – Resmungou. – Não tenho nada ao meu favor. Sou um homem.

– Claro que têm, a atenção dele você já tem a tempos. E isso é o maior começo do mundo.

– Satsuki, eu não sei se quero tentar alguma coisa. – Aomine repetiu friamente, pensando bem no que fazer.

– Eu acho que você vai se arrepender se não tentar. – Momoi sorriu. – Estou aqui para te ajudar, e tenho certeza que Tetsu-kun seria um aliado importante.

– Por Kami, isso aqui está parecendo um mangá shoujo. Ou melhor, yaoi né? – Ele falou de forma sarcástica e triste. – Tetsu não vai ser aliado de ninguém, porque isso é ridículo. Se eu for tentar alguma coisa vai ser por conta própria na hora certa.

– Esse sim é o Aomine que eu conheço. – Ela riu. – Pensa bem e cuida para não perder muito tempo.

– Eu não consigo imaginar algo acontecendo entre nós dois! – Aomine afirmou fechando os olhos e colocando a mão atrás da cabeça. – Eu não sei como agir ou o que fazer.

– Já disse que vou te ajudar! – Momoi piscou.

– Então me ajuda a superar isso, e não a encorajar. – Ele reclamou, olhando bravo para a menina.

– Você próprio já tentou sair com uma menina. – Momoi sussurrou, ignorando-o. – Por que não tenta sair com o Kagami-kun?”.

E agora, após aquela conversa com Satsuki nas férias de Ano Novo, aqui estou eu, realmente tentando não me arrepender por ter ficado na inércia. Preciso deixar de ser um preguiçoso convencido... Eu gosto do Taiga, tive que admitir para mim mesmo. Até tentei ficar longe, mas não me faz bem. Decidi mudar, chega de fugir!

Tenho dois objetivos agora. O primeiro é voltar a ser o melhor jogador de basquete do Japão. E o segundo... Vou fazer Taiga se apaixonar por mim também.

Sem perceber, Aomine já estava em frente de sua casa. Seu celular vibrou de repente, despertando-o de seus pensamentos. Era uma mensagem de Tetsu.

"E aí, como foi o jogo hoje?".

Sim, no fim das contas ele realmente virou um "aliado", como Momoi diria em sua mente de mangá shoujo. Ou yaoi. Tanto fazia, já que o importante mesmo era o sentimento... Né?

***

~Kagami Taiga~

"Pink Floyd quase me deu câncer de tão chato!"

– Não acredito nisso... – Kagami resmungou sonolento ao receber uma mensagem de Aomine às duas horas da manhã. – Não vou te responder.

Recolocou o celular embaixo do travesseiro e virou para o outro lado, fechando os olhos para tentar dormir novamente. Não deu certo, seu cérebro já estava desperto. Só então se deu conta de que Aomine também foi procurar as músicas que havia comentado.

– E como ele foi capaz de não gostar de Pink Floyd? – Murmurou inconformado. Claro que eram músicas mais sossegadas, mas era muito bom de ouvir.

Não demorou mais dois minutos até sentir seu celular vibrar novamente. Tentou ignorar, mas a curiosidade foi maior. Colocou o braço por debaixo do travesseiro e desbloqueou a tela.

"Mas Skid Row é legal! Seu gosto musical é quase bom, assim com seu basquete."

– Ah é? — Sorriu ao ler o que Aomine havia escrito. – Claro que Skid Row é bom, mas teu King of Leon é um saco, igual essa sua cara. E meu basquete humilha o seu, já te provei isso. Desgraçado.

"Cara, vai dormir!"

– Pronto! Mensagem enviada. — Resmungou. – Não vou ficar puxando assunto.

Releu as duas mensagens e então fez menção de guardar o aparelho. Mas não deu tempo. Outra mensagem chegou.

"Deixa eu colocar Pink Floyd aqui que eu já durmo.".

Kagami foi obrigado a rir enquanto digitava uma resposta, que ficou mais comprida que o esperado. Não poderia deixar três provocações seguidas passarem em branco, ele tinha a receita de como irritá-lo.

"Já te provei que meu basquete é melhor, e esse ano vou provar de novo... A propósito, King of Leon é um saco, só duas músicas prestam. Imagine Dragons até vai...Satisfeito? Agora vai dormir, nem que seja escutando Pink Floyd!"

Após ver sua mensagem ser enviada, Kagami colocou o celular em baixo do travesseiro e com os olhos abertos fitou o escuro do teto.

– Cara, é mesmo o Aomine Daiki? – Murmurou inconformado enquanto passava a mão no rosto. Só poderia ser trote, Aomine jamais mandaria mensagens para ele. – Se fosse o Kuroko ainda... Mas é o Aomine! Não faz sentido.

Vibração novamente. Kagami foi ávido ao celular, já pronto para receber outra provocação.

– Lá vem! – Indignou-se ao apertar novamente o botão de desbloqueio.

"Boa noite Taiga".

Aquilo era outra coisa inesperada. E estranha. Ou quase normal. Kagami não sabia mais, apenas digitou e desligou o aparelho após receber a confirmação de envio. Foi Aomine demais por um dia.

~Aomine Daiki~

Com um sorriso de canto, Aomine virou de lado em sua cama e fechou os olhos, ainda com a mensagem gravada em sua retina.

"Você é muito chato. Boa noite!".

Notas finais
E aí minha gente... Querem continuação??? Espero que gostem.Me avisem viu, preciso saber se está legal ou não. Se chegou até aqui não custa nada comentar né??? Hehehehe... Ah, como citei várias bandas, aqui estão algumas músicas de referência: ~Skid Row: https://www.youtube.com/watch?v=CNPu58Sprkk ~Pink Floyd: https://www.youtube.com/watch?v=DPL_SV3n7IU ~Aerosmith: https://www.youtube.com/watch?v=2rE_fdg85MU ~Iron Maiden: https://www.youtube.com/watch?v=vA1GzDj8yDE ~Imagine Dragons: https://www.youtube.com/watch?v=mWRsgZuwf_8 ~King of Leon:https://www.youtube.com/watch?v=RF0HhrwIwp0