Inevitável
27 Até o fim dos tempos!
Notas iniciais
Sexta-feira, 11 de março — 06:49
~Kagami Taiga~
—Taiga, seu filho de uma puta, se você morrer antes de mim eu juro que vou te matar! — O moreno exclamou aquela frase sem sentido ao chegar à porta do quarto, ofegante, e ver Kagami sentado na cama do hospital com o braço enfaixado.
— Oi amor! — Kagami riu nervoso da reação exagerada de Aomine, vendo-o se aproximar com passos largos. Ele ainda vestia o uniforme da polícia, nem fora para casa... Era um alívio vê-lo, na verdade.
— Sério Taiga, que merda! Eu me desesperei quando me ligaram. — Aomine disse com a voz mais baixa, dando um selinho demorado e aflito em seus lábios antes de puxar um banco para o lado da cama. — Você está bem?
— Estou bem sim. — O ruivo sorriu de canto, vendo a expressão preocupada no rosto dele ser substituída por um breve alívio. — Não foi nada grave, não se preocupe tanto.
— Porra, os caras me ligaram na correria dizendo que um troço caiu em cima de você e que eu precisava vir imediatamente ao hospital, porque meu nome estava como seu contato de emergência. Fiquei com tanto medo... — Aomine disse com a voz acelerada, acariciando seu rosto e analisando os cortes e escoriações que agora tinha no lado direito a face. — Você está todo machucado, amor... O que aconteceu?
— Estávamos retirando aquelas pessoas do túnel que desabou ontem a noite, na estação velha de metrô, sabe? — O ruivo perguntou, segurando a mão de Daiki com seu braço restante, já que o direito estava imobilizado e doendo muito, diga-se de passagem. — Lá dentro caiu uma viga em cima do meu braço, mas não chegou a esmagar completamente porque tinha uma pedra no chão, e isso a segurou. Machuquei o rosto e as costas ao cair, mas o pior foi o braço... Quebrou em dois lugares no antebraço por causa do impacto do cimento. Nada que alguns meses de recuperação não resolvam! Já já estou novinho em folha.
— Não simplifique dessa forma, Taiga! — O moreno suspirou, apertando sua mão com carinho. — Você tem noção do quanto eu fiquei preocupado? Poderia ter caído na sua cabeça!
— Mas se caísse na minha cabeça quem iria cuidar de você? —O ruivo sorriu de canto, acariciando os dedos dele. A preocupação de Aomine era evidente, mas queria ver um sorriso ali.
— Exatamente por isso que eu te digo Taiga, não morra antes de mim ou eu te mato! — Ele disse com a voz suave, acariciando seus cabelos.
— Ok!
— Está tudo bem mesmo? — Aomine perguntou, passando os dedos de leve pelos machucados em seu sua bochecha direita. — Seu rosto está todo esfolado...
— Está tudo bem sim! —Kagami respondeu, fechando um dos olhos em protesto, ao sentir o toque em cima de um arranhão. — Daqui a pouco eu já posso ir para casa, só estou esperando o meu raio-X chegar.
— Entendi! — Ele sorriu pesaroso. — E como vai ser daqui pra frente?
— Vou ficar em casa para me recuperar, já está tudo certo lá no Batalhão. — O ruivo disse com um suspiro entediado. — A merda é ficar sem poder fazer nada! Não conseguirei usar o braço direito por um bom tempo, e o pior: Não vou poder jogar basquete! E tem as fisioterapias depois, o que é uma saco também... Sem falar no resto, claro! Acho que são dois meses e meio de afastamento, mas eu não vou aguentar todo esse tempo sem fazer nada.
— Claro que não, você é teimoso! — O moreno sorriu de canto.
— É o resultado da convivência com você. — Kagami respondeu, movendo-se com um pouco de dificuldade para dar um selinho no moreno. Daiki percebeu e prontamente se inclinou em sua direção para beijá-lo rapidamente.
— Pelo jeito vou virar babá de um marmanjão! — Aomine riu preocupado, olhando para o braço imobilizado de Kagami.
— Ah, isso vai! — O ruivo concordou de forma divertida, encostando vagarosamente as costas machucadas no travesseiro. — Cozinhar, passar, limpar a casa, tirar o lixo, me dar banho, fazer a minha barba todas as manhãs...
— Teu cú! — O moreno riu debochado, cutucando-lhe o peito em forma de protesto. — Até te ajudo com algumas coisas, mas isso aí já é escravidão!
— Pare de ser fresco! — Kagami riu, cutucando o peito dele também. — Supostamente era para dividirmos as tarefas da casa, mas nos últimos dois anos não me lembro de ter visto você me ajudar muito.
— Como não? — O moreno se indignou, arregalando os olhos. —Quem limpou o banheiro ontem?
— Limpou porque eu estava te pedindo a semana inteira. — O ruivo ergueu as sobrancelhas, divertindo-se com a reação dele.
— Pediu nada!
— Ah não, não pedi! — Kagami debochou ironicamente. — Você está certo, Daiki... Não pedi quando estávamos almoçando na segunda-feira, e nem quando lavamos o carro na terça-feira... E nem na quarta, quando voltamos do basquete. Foi só imaginação minha... Tem razão!
— Ah, pare de ser sarna Taiga... — Ele tentou retrucar, mas não conseguiu encontrar nenhum argumento. Apenas riu de forma culpada, coçando a nuca.
— Esse meu Aho... — O ruivo sorriu, acariciando o rosto dele com a mão esquerda. Já sabia como Daiki era, então há tempos não se importava com o jeito largado e preguiçoso dele, só gostava de encher o saco mesmo.
— Ok Taiga, desafio aceito... Prometo que vou cuidar de você! — O moreno sorriu com uma expressão mais gentil, acariciando a mão de Kagami em seu rosto. Ele ficou sério e esperou mais alguns segundos até falar novamente, com a voz sussurrada.— Fiquei com muito medo de te perder, sério mesmo.
— Não precisa se preocupar amor, não foi nada grave, eles que exageraram. — Kagami disse suavemente entrelaçando os dedos de ambos e pousando-os em seu colo. Procurou animá-lo, pois a expressão triste não pertencia ao rosto do moreno. — E outra... O senhor não vai se livrar de mim tão fácil, mesmo que seja um idiota, chato e preguiçoso.
— Um idiota, chato e preguiçoso que você vai precisar aguentar até o fim dos tempos! — Ele disse de forma presunçosa, erguendo a mão esquerda e agitando o dedo com a aliança dourada. — Se fodeu, Taiga!
— Eu aguento! — Kagami afirmou, dando um cômico tapa na mão dele. — Mas só aguento porque eu te amo, do contrário já teria te jogado pela janela!
— Bakagami! — O moreno sorriu fracamente balançando a cabeça. Ele encostou a testa com cuidado na do ruivo, roçando os narizes com carinho. — Te amo, seu idiota!
— Eu te amo, Aho... Muito!
— Não me assuste assim de novo. — O moreno pediu em voz baixa. — Vou cuidar bem de você, prometo...
— Sei que vai! — Kagami sorriu, fechando os olhos. — Você já cuida!
***
Sábado, 12 de março — 7:01
~Aomine Daiki~
Era particularmente estranho não passar na Sede dos Bombeiros antes de ir para casa... Entretanto, era bem mais estranho voltar para o apartamento dirigindo sozinho, sem Kagami falando de tudo o que aconteceu no seu dia de trabalho. Aomine não prestava atenção na metade das palavras dele, mas mesmo assim o ruivo fazia falta ali do seu lado, com a mão apoiada em sua coxa, comentando sobre os acidentes e tragédias que aconteceram na madrugada.
Maldito sortudo, estava em casa de boa, fazendo nada... Bem, sortudo era um puto de um exagero. O braço de Taiga realmente estava feio com aquele gesso, metade do seu rosto estava bem arranhado e as costas tinham alguns ralados que pareciam doer muito... Ele nem conseguia dormir numa posição confortável.
Aomine queria vê-lo bem logo! Ainda era o primeiro dia que Kagami passava assim, mas ele em breve começaria a sentir real falta de toda a sua mobilidade. Taiga sempre foi um homem muito ativo: Andava de um lado para o outro na casa fazendo alguma tarefa, jogava basquete como se não houvesse amanhã, ficava algumas horas tocando baixo, fazia suas incontáveis flexões no chão do corredor, ou brincava de "plantar bananeira" na sala. Aomine o flagrara algumas vezes se equilibrando de ponta cabeça... E o filho da puta era bom até naquilo! Daiki secretamente foi tentar o movimento enquanto o ruivo tomava banho, mas não foi muito bem sucedido. O aparelho de DVD "misteriosamente" quebrado do dia para a noite sabia muito bem disso.
— Pelo menos ele está bem... — O moreno já havia repetido umas mil vezes aquela frase, era algo para aliviar sua própria aflição do dia anterior, quando recebeu a notícia.
Com calma e cuidado, estacionou o carro em sua vaga na garagem do prédio, desembarcando em seguida. Olhou para o veículo e pensou pela milésima vez que estava na hora de trocar... Conversaria com Taiga mais tarde sobre isso. Apressado, o moreno entrou no prédio e correu para o elevador, que estava quase fechando. Conseguiu chegar a tempo, e para sua surpresa, Koji — o segurança tarado, parecido com o Salsicha — estava ali também.
— Bom dia! — O moreno o cumprimentou com a voz mais arrastada que conseguiu, enquanto apertava o botão de número oito.
— Bomdiaoficial! — O rapaz respondeu de forma atropelada, evitando olhar para a direção de Daiki.
— Não precisa me chamar de oficial! — O moreno riu para provocá-lo, olhando de canto a reação do menor. Nunca havia conversado com ele antes. — Sou Aomine Daiki! Qual seu nome?
O rapaz olhou boquiaberto para cima, fitando seu rosto por alguns segundos antes de responder. Com certeza não estava esperando aquilo e não tinha a mínima ideia de como reagir.
— Sou, Nakamura Koji... — Ele balbuciou as palavras vagarosamente.
— Prazer Koji, a gente se vê! — O moreno sorriu, dando um tapa um pouco forte nas costas do rapaz assim que a porta abriu no oitavo andar. Não resistiu a deixa e olhou para trás, enquanto a porta fechava. — Tenho um marido gostoso me esperando em casa agora. Até!
A expressão do menor foi épica e valeu a manhã. Aomine seguiu rindo até o apartamento 34.
— Eu não presto! — Sorriu, tirando as chaves do bolso para destrancar a porta.
Não foi surpresa nenhuma escutar o som alto de Led Zeppelin vindo de dentro do apartamento... Como vivia repetindo para si mesmo, Taiga precisava de uma trilha sonora para cada movimento que fazia na vida, até para cagar ele levava a porcaria dos fones de ouvido. A surpresa mesmo foi abrir a porta e vê-lo na cozinha, girando panquecas no ar com o braço esquerdo, cantando Black Dog...
— I gotta roll, can't stand still... Got a flame in heart, can't get my fill! — Ele cantava o trecho da música, que era bem apropriada com seu estado de espírito no momento. — Eyes that shine burning red... Dreams of you all through my head!
Já presenciara aquela cena mais de mil vezes, e em cada uma delas pensava a mesma coisa: "A voz dele é uma bosta!".
Ele estava tão concentrado que nem o percebera chegando. Uma ideia passou pela cabeça de Aomine, mas seria um baita de um filho da puta se o assustasse ali, naquele momento. Kagami estava com a panela quente na mão esquerda e com o corpo todo machucado... Iria dar merda e acabaria tendo que dormir no sofá! Resolveu contorná-lo um pouco e entrar calmamente em seu campo de visão.
— Hey, amor! — Ele exclamou com um sorriso, mas o desfez com uma careta de dor. A expressão repuxava os machucados em sua bochecha.
— Oi Bakagami! — Aomine riu, dando-lhe um selinho carinhoso. Passou os dedos com cuidado em seu rosto machucado. — Parece que você está muito bem hoje, não?
— É bom ficar em casa. — Ele confirmou com a cabeça, agitando e girando a massa no ar. — Mas logo vou enjoar...
— E essas panquecas aí? — O moreno ergueu as sobrancelhas, apontando para a pilha de massa pronta em cima do prato. — Qual parte do "repouso" você não entendeu?
— Ah, você não quer panquecas? — Kagami ironizou, olhando-o com as sobrancelhas levantadas. — Ok, eu como sozinho... Não precisa comer se elas são desnecessárias para você!
— Retardado! — O moreno riu, pegando uma massa e colocando-a inteira na boca, saboreando a perfeição de comida que ele era capaz de fazer, mesmo todo quebrado. — Até que sua mão esquerda leva jeito para a coisa também.
— Claro que leva! — O ruivo confirmou orgulhoso, vendo-o se encostar na pia ao seu lado. — Sou ambidestro e você sabe!
— Hm, e como sei... — Aomine sorriu malicioso, fechando os olhos de forma sonhadora enquanto cruzava os braços. Claro que estava pensando em sexo e nos vários usos das mãos de Taiga...
— Olha só como ele é tarado! — O ruivo falou com um tom de voz arrastado. — Ah... Isso foi uma coisa que me deixou bem pensativo nessa madrugada!
— O que? — Daiki questionou, levantando uma das sobrancelhas e abrindo os olhos.
— Já era sexo hardcore por um tempo... — Kagami murmurou, girando novamente a panqueca no ar.
— Não faz mal... Fazemos com calma, bem gostoso! — Aomine não pode deixar a oportunidade passar, indo para trás do ruivo e o envolvendo com os braços, mas sem encostar em suas costas machucadas. — Prometo que vamos fazer bem devagar... Assim...
Dito isso, começou a mover o quadril provocantemente contra as nádegas de Taiga, depositando um suave beijo em sua nuca enquanto descia a mão pelas coxas fortes dele.
— Daiki... — Ele soltou um suspiro contido, fraquejando o aperto da frigideira e movendo-se suavemente contra o corpo de Aomine. — Se você não arranjar um jeito de me comer eu vou te matar... Ainda mais depois disso.
— Vamos dar um jeito... A gente sempre dá, em qualquer lugar. — O moreno sussurrou em seu ouvido, dando uma lambida insinuante antes de se afastar de volta para a pia. — Nem fodendo que fico dois meses e meio sem te foder.
— Digo o mesmo! — Kagami riu das palavras dele, dando de ombros. — E de qualquer forma, sou masoquista, posso fazer um esforçinho.
— Ah, pronto! Olha a asneira que você falou! — Aomine riu e ergueu as duas sobrancelhas incrédulo, pegando mais uma massa do prato. — Você precisa repousar, seu teimoso! Nada de ficar se esforçando muito... E muito menos ficar se machucando a toa.
— Não é a toa! — Ele sorriu de canto. — É por uma boa causa... Muito boa.
— Ah Bakagami, sossegue esse facho! — Daiki foi obrigado a rir, batendo no rosto dele com a massa antes de comê-la. — Não vai morrer se ficar alguns dias sem sexo.
— Agora que você falou... Acho que vou! — Ele se exasperou, colocando outra massa pronta na pilha ao lado. Depois daquilo ele fingiu estar passando mal. — Meu Deus, acho que vou morrer agora mesmo... Já sinto a abstinência... Socorro Daiki!
— Vai a merda, seu idiota! — Daiki riu do exagero, chutando a bunda dele. — Anda logo com isso, você precisa descansar seu pervertido de merda!
— Chato... — O ruivo fez uma careta, colocando na frigideira o resto de massa que havia no liquidificador.
— Prometi que iria cuidar muito bem de você, não prometi? — O moreno disse, já tirando os pratos do armário. — Agora vou precisar te punir por não ter descansado nada. O que mais você fez de noite, posso saber?
— Ah, assisti TV conforme dava. Não consegui me ajeitar no sofá e muito menos trazer o colchão pra sala. — Ele murmurou com o olhar concentrado na última panqueca, que ficou menor que as outras. — Enfim, assisti alguns filmes legais e umas pornografias gays no For Men...
— Quer morrer Taiga? — O moreno estreitou os olhos ao ouvir aquilo, sentindo uma imensa vontade de apertar a bochecha machucada dele até lágrimas verterem daqueles olhos vermelhos, que provavelmente viram coisas desnecessárias. — Se você citou o canal é porque foi lá assistir.
— É brincadeira seu idiota, claro que não fui! Não preciso disso! — Kagami riu de sua reação, mas desfez o sorriso de forma forçada por causa da dor da expressão. Deu um selinho no moreno antes de continuar. — Enfim... Como não tinha muita coisa boa na televisão, fiz um pudim de chocolate que certa pessoa gosta.
— Teu cú! — O moreno sorriu esperançoso, esquecendo toda a baboseira de For Men. Animado, deixou os pratos na bancada e correu para abrir a geladeira apenas para vê-lo. Lá estava ele, o pudim mais maravilhoso da face da Terra. —Taiga, eu te amo! Sério... Depois dessa eu até deixo você me comer de quatro se quiser!
— Retardado! Mas vou anotar isso, eu sempre quero...— O ruivo murmurou antes de receber um selinho carinhoso e demorado nos lábios. — Viu só como penso em você, Aho!
— Esse meu Bakagami é muito foda! —Aomine sorriu satisfeito, terminando de arrumar as coisas na bancada. — Eu não conseguiria fazer nada disso com as duas mãos, e você faz com uma mão só e todo machucado. Sério... Você só me surpreende.
— Obrigado, obrigado! —O ruivo falou, fazendo uma leve reverência ao levar o prato com as panquecas para a mesa.
— A gente pode comer o pudim já? — O moreno perguntou esperançoso. Taiga era chato, não iria deixar, mas não custava tentar a sorte.
— Pode! — Kagami sorriu, dando de ombros. — Já deve estar gelado, fiz ele umas 2h da manhã... E como recheio de panqueca deve ficar bom, né?
— Taiga, você foi a melhor coisa que apareceu na minha vida! — O moreno exclamou radiante, já indo todo feliz até a geladeira. — Obrigado Deus do Basquete, por colocar esse idiota no meu caminho na Winter Cup e por me fazer perder aquela merda de jogo!
— Tudo isso por causa de um pudim? — Kagami riu mais ainda, fechando a cara em seguida por causa da dor. Deu um chute na bunda de Aomine antes de sentar com dificuldade. — Pare de fazer eu dar risada, seu idiota!
— OK, vem aqui então! — Aomine sorriu ao deixar o pudim na mesa, puxando-o delicadamente para um beijo carinhoso. — Te amo Bakagami!
Daria tudo para saber o que o ruivo estava pensando naquele momento. Ele fez uma expressão tão épica e bonitinha quanto a de Koji mais cedo.
— Te amo Aho! — Ele sussurrou, acariciando o rosto de Daiki rapidamente antes de voltar a prestar atenção na comida.
Kagami Taiga era o homem mais idiota e fascinante da face da Terra. Foi o que Aomine pensou ao comer a panqueca com recheio de pudim de chocolate... Que na verdade mais parecia um pudim de chocolate com recheio de panqueca.
***
Quarta-feira, 30 de março — 18:02
~Kagami Taiga~
Kagami estava emburrado na arquibancada, envolto por mochilas dos mais variados tipos, com uma dor incômoda pela imobilidade do braço engessado, e com uma coceira chata na bochecha, causada pelas últimas casquinhas dos machucados. Hoje viera apenas para assistir os amigos jogando basquete... E bem nesse dia, todo mundo resolveu aparecer e tornar o jogo épico: Kuroko, Kise, Midorima, Takao e até mesmo Murasakibara.
— Aqui Aominecchi! — Kise pediu a bola para o moreno, estendendo o braço.
O louro estava mais do que livre pela direita, mas como um ótimo orgulhoso e metido, Daiki fingiu não ter ouvido e driblou facilmente Takao com uma finta disforme, para então enterrar maravilhosamente e se pendurar no aro como um idiota. Ele jogava muito bem, mas era egoísta e estava tentando se exibir.
— Essa foi para você, Taiga! — Ele sorriu e deu uma piscadela quando voltava para o garrafão, zombando por Kagami estar no banco. Era a sexta ou sétima vez que ele fazia isso.
— Heh! — O ruivo fez uma careta irônica e mostrou o dedo meio. Como resposta, o moreno ergueu o dedo da aliança em forma de provocação... Kagami já sabia, agora que casou, teria que aturar aquilo até o fim dos tempos. Precisou rir da situação, essa vinha se tornando a defesa de Daiki nos últimos dias.
O jogo estava bem equilibrado, Midorima, Takao e Murasakibara jogavam contra Aomine, Kuroko e Kise. O placar estava parecido, algo como 45 x 48... Só não sabia para quem. O ruivo parou de contar quando as colegiais histéricas apareceram como mariposas na luz. O cúmulo foi quando elas começaram a falar DESCARADAMENTE sobre Aomine, e bem às suas costas. Foi obrigado a concordar mentalmente com cada uma delas: Sim, ele é muito gato... Sim, o sorriso dele é desconcertante... Sim, ele é gostoso demais... Sim, a bunda dele é realmente uma delícia... Sim, ele sem roupa com certeza é uma perdição... Sim, ele é casado e muito bem casado! SUMAM! A vontade de verbalizar isso tudo com um berro na cara delas era gigante, mas Taiga não perderia a compostura e não daria motivos para Aomine sair por cima da carne seca!
Olhando para o moreno, Kagami se lembrou de Kento... Já era março, a formatura de do rapaz seria no sábado e em três semanas viajaria para Toronto. Isso estava entristecendo Daiki, pois ele queria a todo custo recuperar o tempo perdido com o irmão...
Sem pensar duas vezes, Aomine concordou em ir até o aeroporto com Kento para se despedir de forma apropriada, mas ele nem se tocou de que Seiko e Ethan estariam lá também. Quando Kagami comentou esse fato, ele congelou por alguns instantes, mas logo deu de ombros e falou: "Foda-se! Estou indo lá pelo Kento, e ainda posso aproveitar a oportunidade para esfregar nossa felicidade na cara daqueles filhos da puta! Agora vem cá Bakagami, deixa eu fazer tua barba porque estou com sono!" Uma resposta digna de seu Aomine Daiki.
— Essa cesta também foi para você! — O moreno sorriu após enterrar mais uma vez a bola, passando na frente do ruivo e dando um leve tapa em sua testa. Kagami pensou rápido e o segurou a tempo com a mão livre, fazendo-o cambalear. — Oe Taiga, cuidado, você vai se machucar assim...
— Vou nada, vem cá! — O ruivo sorriu, puxando-o para um rápido selinho. — Pronto, agora comece a passar a bola, porque você não é o único na quadra.
— Esse meu Bakagami chatinho... — O moreno disse, dando-lhe mais um selinho demorado antes de voltar ao jogo com o sorriso maior que antes.
Pronto, pelo menos se livrou dos comentários das colegiais sem que o moreno percebesse... Era muito esperto.
***
— Vejo vocês no sábado? — Kuroko perguntou, estendendo o punho para Kagami socar assim que o jogo acabou e todos estavam indo para suas casas.
— Claro! — O ruivo sorriu para o amigo, esperando Aomine terminar de arrumar as coisas. — Que horário vai ser o almoço?
— Satsuki está querendo fazer mais cedo, perto das 11h30min.
— OK, então fale pro Daiki que vai ser as 10h da manhã! — Kagami riu de canto, vendo o moreno olhar ao redor e verificar se esquecera alguma coisa. — Quem sabe assim a gente chegue no horário.
— Tá bom! — O menor sorriu. — No mais, está tudo bem com vocês?
— Melhor impossível! Tirando esse meu braço, claro... — O ruivo disse, sentindo a mão de Aomine vir de encontro com sua nuca. Estava molhada pela água da garrafinha, e foi extremamente bom para refrescar. Era início primavera, mas ainda estava bem quente.
— Que bom que está tudo bem. — Kuroko olhou de um para o outro com um sorriso. — Não se atrasem dessa vez, ok?
— Que horário vai ser o almoço? — Aomine perguntou, encarando o menor com as sobrancelhas levantadas.
— 10h da manhã! — Kuroko disse com uma inocência espantosa, Kagami quase riu.
— Beleza! — Daiki concordou, passando o braço ao redor do ombro de Taiga. — Vamos chegar na hora dessa vez!
***
Sábado, 02 de abril — 11:16
— Kagami-chan, Aomine-chan! — Takao veio abrir a porta da casa de Kuroko, sorridente como sempre.
— Olá, Kazunari! — O ruivo cumprimentou o amigo com um soco no punho. Ele se tornara bem próximo nos últimos tempos.
— Dai-chan, Tai-chan! — A voz estridente de Hina ecoou pelo hall. Ela estava tão grande, agora com oito anos de idade.
Ela abraçou as pernas de cada um deles força, falando rapidamente diversas coisas desconexas, como a saudade que sentiu deles e sobre a filha adotiva de Takao e Midorima estar brincando de boneca com ela... Cada dia seu jeito era mais parecido com o de Satsuki, mas a aparência era a de Kuroko, sem dúvida alguma.
— Que bom que vocês vieram na hora hoje! — Kuroko os saudou, piscando discretamente para Kagami.
— Mas não era 10h? Achei que estávamos atrasados... — Aomine perguntou confuso, cumprimentando com um aceno de cabeça Akashi e Midorima, que conversavam no sofá sobre algum assunto sério. Kagami mal os olhou, apenas acenou para não passar por mau-educado...
Satsuki fazia aquele almoço umas duas ou três vezees por ano para reunir o antigo grupo de amigos da Geração dos Milagres. Era bom para conversar e passar o tempo, pois cada um tinha suas próprias obrigações, o que os deixava um pouco afastados.
Dessa vez apenas Kise não pôde vir, parecia estar em uma viagem aérea. Depois que foi largando a vida de modelo e se dedicando mais a pilotagem, o louro ficara mais feliz e até mesmo livre de certas coisas... Parecia inclusive ter encontrado uma pessoa com a qual se relacionava no passado. "Agora vai", ele dissera radiante na última vez que se viram.
Murasakibara ajudava na cozinha, e estava em uma correria com Satsuki. Foram cumprimentá-los brevemente e então voltaram para a sala... E foi ai que Kagami viu a figura aos pés de Shintarou, brincando de boneca com Hina.
— Ah, essa é a minha Rin! — Takao exclamou animado, indo até a menina que aparentava ter uns três anos de idade.
— Nossa Rin! — Midorima interrompeu o que dizia para corrigi-lo, arrumando o óculos que escorregara por seu nariz fino. Não demorou muito para se voltar à Akashi e continuar a conversa sobre assuntos que Kagami nem queria saber.
Takao pegou a criança no colo e veio em direção aos dois. O ruivo teve que sorrir, era uma criança extremamente linda! Logicamente não era filha biológica deles, mas tinha vários traços do rosto de Midorima e um cabelo tão escuro quanto o de Takao, batendo abaixo de seus ombros. Seus olhos tinham uma coloração que variava entre o castanho e o mel, e aquilo era hipnotizante.
— Como é o seu nome, mocinha? — Aomine sorriu, acariciando os cabelos negros da menina.
A criança olhou receosa para Takao, e então escondeu o rosto em seu pescoço, com um sorriso tímido nos lábios. Kagami poderia mordê-la... Era muito fofa!
— Rin! — Takao a chamou com um sussurro. — Diga oi para o tio Daiki e para o tio Taiga.
— Oi! — Ela exclamou por dentro dos cabelos de Kazunari, ainda com vergonha.
— Ironico, não Taiga? — Aomine o cutucou com o braço, rindo da situação. — Mais uma Rin dando as caras em nossa vida.
— Sim, mas essa é de verdade, não é Rin? — O ruivo sorriu, contornando Takao para surpreendê-la. Assim que ela viu seu rosto escondeu-se do outro lado soltando uma risada gostosa. Kagami a seguiu, arrancando mais um sorriso da menina.
— Ah, tio Kazu, devolve ela pra mim! — Hina surgiu do nada ao lado de Kagami, assustando-o sem querer. Apesar de ter a personalidade da Satsuki, a menina era um segundo Kuroko quando queria.
— Vai lá brincar, Rin! — Takao sorriu, colocando a criança no chão. — Daqui a pouco nós vamos almoçar.
— Tá bom papai! — Ela sorriu de forma comportada, dando a mão para Hina até chegarem ao amontoado de bonecas que tinha ali no chão, perto de Shintarou.
Midorima acariciou discretamente as madeixas escuras da criança quando ela passou ao seu lado... Chegou a ser um gesto bem bonitinho, ainda mais para ele que quase não demonstrava nada. Mas o louco pela criança com certeza era Takao, era só olhar seu rosto.
— Quer brincar de boneca também, Bakagami? — Aomine o despertou de seus devaneios, cutucando sua testa com a ponta do indicador.
— Só estava olhando para a Rin, ué! — Kagami explicou, aceitando a mão que o moreno estendia para si. — Gostei muito dela!
— Eu vi! — Aomine sorriu de canto, lançando um novo olhar para a menina, e então para Taiga. — Quer uma?
— Uma o quê? — Kagami exasperou-se, olhando para Daiki, que o guiava até a cozinha.
— Cerveja. — Ele disfarçou com um meio sorriso. — Kuroko te ofereceu, mas você não ouviu.
— Só um copo está bom... — Kagami respondeu um pouco abalado ainda. Quebraria o outro braço apostando que o moreno estava falando de uma criança.
***
13:21
— Tai-chan, imagina se aquilo cai na sua cabeça? — Satsuki exclamou horrorizada, apoiando a mão no rosto assim que se sentaram na sala para conversarem, após o almoço. — Como o Dai-chan iria ficar?
— Nossa, quanta consideração pela minha pessoa! — Kagami disse de forma irônica, erguendo o polegar para a mulher ao pegar um lugar no assento oposto. — Que se dane se eu morresse com o cérebro espalhado pelo chão, como ia ficar o Dai-chan?
Todos riram, mas a risada maior foi de Akashi... Provavelmente pela piada do cérebro. Ele dava muito medo.
— Hm, Kagami-chin, mas que saco! — Murasakibara falou com a voz arrastada, do seu lado direito. — Vai ficar até quando com o gesso?
— Por mais dois meses ainda. — Soltou um muxoxo como resposta. — Cara, sinto falta de fazer as coisas com liberdade.
— Pense que pelo menos teve recuperação! — Kuroko disse com um tom otimista, brincando discretamente com os cabelos de Hina aos seus pés.
— Realmente, você poderia ter afetado algum ponto que não o permitisse voltar a jogar, por exemplo! — Midorima começou a falar, mas foi interrompido por Rin, que puxava sua calça.
O diálogo continuou ao redor, mas Kagami permaneceu olhando para a menina conversando com Shintarou. Ela queria saber como poderia amarrar o cabelo da boneca sem ficar estranho, porque eram fios muito grossos. Akashi também acompanhava a discussão e sugeriu cortar para não atrapalhar na visão da boneca, mas foi repreendido por Shintarou, que não queria que ele usasse a tesoura na frente dela.
— Taiga... — Aomine o chamou, cutucando seu joelho.
— Oi?
— Eles estão perguntando se você soube das vítimas daquele acidente que aconteceu na rodovia, onde o cara colidiu de frente com a van de uma família e acabou matando todo mundo.
— Ah, sim... Foi diferente do que apareceu no jornal. Foi bem foda na verdade... — O ruivo começou a contar. Volta e meia olhava para a menina conversando com o pai... Ou melhor, com um dos pais. Gostara mesmo de Rin.
***
18:08
Como sempre, Akashi foi o primeiro a ir embora. Saiu perto das 15h, alegando que tinha um compromisso inadiável... Ninguém ousou contestar. Logo em seguida a esposa de Murasakibara ligou pedindo ajuda, pois estava tendo problemas com o bolo e os demais doces de um casamento... Atsushi saiu apressado, algo que não condizia com a sua personalidade. Midorima e Takao ficaram mais um tempo conversando, até perto das 16h, mas Rin estava com muito sono e precisava tomar um banho enquanto ainda tinha sol.
Aomine e Kagami, por sua vez, ficaram bem mais tempo. Os assuntos das conversas iam desde coisas engraçadas e cotidianas até os velhos tempos e rivalidades de Seirin e Touou. A conversa rendeu bastante risada e até pequenas discussões sobre jogos, mas sempre com aquele clima bom que havia entre eles.
Mas já estava na hora de ir...
— Que saco trabalhar hoje ainda, Dai-chan! — Satsuki suspirou, enganchada entre Daiki e Taiga enquanto os acompanhava até a porta.
— Ah, nem me fale! — O moreno respondeu em meio a um bocejo. — E hoje dormi pouco para poder vir aqui. Foi foda acordar as 9h30min, sendo que fui dormir as 7h.
— Ah, fedidão, você é só um preguiçoso! — Hina sorriu, aparecendo para abraçar o moreno e então se despedir. — Todo mundo sabe disso!
— E você é só uma espertinha que fica se metendo no assunto dos outros! — O moreno riu, pegando-a no colo e a jogando para cima duas vezes antes de abraça-la. — Bom retorno às aulas, ok? E cuide dessa família de loucos aí!
— Pode deixar tio Dai-chan! — Ela sorriu ao ser colocada no chão. —Tchau tio Tai-chan! Ah... Hoje não posso te abraçar...
— É, hoje não! — O ruivo olhou desanimado para o braço engessado e então para os olhos azuis da menina. — Mas pode me dar um beijo bem gostoso!
— Posso sim! — Ela sorriu, dando um selinho estalado em sua bochecha, assim que ele se abaixou. — Está na hora de vocês acharem mais uma amiguinha para eu brincar também. Fecha um trio: Eu, a Rin e a de vocês.
Kagami e Aomine olharam sem reação para a menina.
— Hina! — Satsuki a repreendeu, rindo e puxando comicamente sua orelha.
— Hina, não fale essas coisas! — Kuroko riu, surgindo de algum lugar que ninguém viu.
— Só falei a verdade! — A menina sorriu de forma inocente, dando de ombros. Era muito parecida com Kuroko quando queria.
***
~Aomine Daiki~
20:42
—Teimoso, tenta se apoiar em cima de mim, vai ficar bom para você. — O moreno reclamou, vendo Kagami se mexer incansavelmente para trocar de posição.
Seria uma cena maravilhosa em outras circunstâncias, pois Taiga estava sem camisa e exalava aquele cheiro de sabonete se misturando com o de sua pele... Mas a burrice dele tirava todo o encanto da coisa. Já estava enchendo o saco!
— Claro, mas dessa forma vou ficar jogando todo o meu peso no braço direito, espertão! — O ruivo se debateu no colchão que estava estendido na sala. — Ah, desisto! Vou me apoiar aqui!
— Ah, vai ficar sentado longe de mim agora? — Aomine riu incrédulo, vendo-o se ajeitar com dificuldade, apoiando o travesseiro na borda do sofá e sentado-se ali mesmo.
— Vou! — O ruivo disse, tentando ficar sério, já pegando o controle da TV para mudar de canal.
— Ah, pare de ser orgulhoso Bakagami, venha aqui! — O moreno pediu, batendo no colchão para ele voltar para perto de si. —Deita com a barriga para cima... Suas costas já estão melhores, não é?
— Sim... — Ele disse, escorregando para o lado do moreno, tentando se aconchegar aos poucos. Sorriu fracamente quando achou uma posição boa, mas não deu o braço a torcer.
— Isso tudo foi totalmente desnecessário, idiota! — Aomine riu, passando as pernas por cima de Taiga, abraçando seu tórax. — E depois fica falando que o monte sou eu!
— Pare de resmungar aí e olha lá para a TV, seu sarna! — Kagami riu, mudando de canal até encontrar algo bom para assistir.
— Bicho estressado! — O moreno sorriu, dando-lhe um selinho antes de olhar para a TV.
Encontraram um filme de animação digital que estava passando: Como Treinar o Seu Dragão. Já haviam assistindo antes, mas era um filme bom de rever. As cenas seguintes se nublavam e pareciam desconexas, apenas deixando claro o quanto Aomine estava cansado, mas não conseguiria dormir antes de trabalhar... Começou a pensar nas coisas enquanto assistia.
— Como será que foi a formatura do Kento? — Perguntou de repente, olhando para Kagami.
— Um saco, assim como foram as nossas! — O ruivo deu de ombros, sincero. — Do jeito que ele é, mal esperava para aquilo acabar.
— Tem razão. — Sorriu de canto, olhando novamente para a TV. — Mas eu queria ter ido, de qualquer forma.
— Eu sei... — Taiga sorriu, envolvendo-o com o braço esquerdo como uma forma de conforto.
— Vou sentir falta daquele idiota! — O moreno suspirou, fechando os olhos ao apoiar o rosto na curva do pescoço do ruivo. — Fiz merda, não é Taiga?
— Claro que não, você só demorou para perceber que ele estava do nosso lado. — O ruivo respondeu com um meio sorriso, acariciando seus cabelos. — Mas ele não está morrendo, ele só vai estudar fora do país!
— Eu sei! — O moreno riu do que ele dissera. — É que eu gosto quando o Kento vem aqui e fica falando merda com a gente. Apesar de ele ter mudado, ainda é o meu Ranhento... Não queria ter perdido essa mudança.
— Sei bem como se sente! — Taiga sorriu de forma compreensiva, dando-lhe um selinho. — Mas vocês podem conversar todos os dias pelo Whatsapp, como já fazem... Tem Skype, telefone e tudo o mais. Assim como eu faço com a Nick.
— Não é a mesma coisa, mas é o que temos para hoje, não é? — O moreno disse pesaroso, olhando para a TV, mas sem prestar atenção no que passava na tela.
— E você tem certeza que quer ir ao aeroporto? — O ruivo perguntou de repente, movendo a cabeça para chamar sua atenção. Não era a primeira vez que o ruivo falava aquilo...
— Sabe Bakagami, não me importo que aqueles dois estejam lá! — Aomine foi sincero, olhando para o rosto do ruivo. — Eles são indiferentes para mim, e tenho certeza que sou o mesmo para eles. Vou lá pelo Kento... E porra, já tenho quase 28 anos de idade, que medo preciso ter? Eles não podem fazer mais nada!
— Tem razão, Aho! — O ruivo sorriu satisfeito, dando-lhe um beijo na testa. — Já somos bem adultos para decidir nossos passos agora.
— Sim! — Respondeu, acenando positivamente com a cabeça. Foi aí que Aomine parou para pensar nas coisas e se assustou com aquele fato: Já tinha quase 28 anos! Logo chegaria aos 30... Riu sozinho, voltando a assistir o filme também.
Os dois ficaram deitados em silêncio por um bom tempo, hora rindo das cenas, hora fazendo comentários bestas sobre o filme. A única luz no local era a que vinha da TV, mas mesmo assim Aomine não sentia sono o suficiente para dormir.
— Taiga... Quero te perguntar uma coisa.. .— Aomine disse repentinamente, assim que lembrou do assunto que estava querendo tratar mais cedo.
—Diga...
— Impressão minha, ou você quer adotar uma criança?
— Quê? — O ruivo exasperou-se, encarando Aomine com os olhos arregalados. — De onde tirou isso?
— Ah, você estava tão bonitinho com a Rin hoje, aí pensei que você queria adotar.
— Não sei... Você quer? — Ele perguntou, erguendo uma das sobrancelhas de forma confusa.
— Nunca pensei no assunto! — Deu de ombros, virando-se no colchão para olhá-lo melhor.
— Sinceramente, você consegue imaginar isso dando certo? — Kagami riu, franzindo a testa. — Eu acho que uma criança iria morrer em duas semanas com a gente. Só acho!
— Pois então... — Daiki começou a falar de forma divertida. — Isso me faz lembrar daquela nossa plantinha que secou na lavanderia, e que só descobrimos uns dois meses depois, quando começou a feder.
— Exatamente! — Kagami riu, coçando involuntariamente a bochecha para se livrar da penúltima minúscula casquinha de machucado que tinha ali. — Essas e outras me fazer crêr que uma adoção não daria certo com a gente.
— Lembraríamos de dar banho nela apenas uma vez por semana! — O moreno riu, tapando o rosto com a mão.
— Isso sem falar nas fraldas, eu nunca iria trocar aquilo, na boa! — Kagami disse em meio a uma risada, fazendo uma expressão de nojo.
— Muito menos eu! — Aomine riu, fazendo a mesma careta de Taiga. — E tem que limpar os vômitos, ficar vendo a temperatura de mamadeira, acordando no meio da madrugada por causa de choro... Argh, lembro de quando Kento era pequeno... Poderia esfaqueá-lo se quisesse.
— Chega a dar calafrios só de pensar! — Kagami disse, estremecendo de forma fingida. — Claro que crianças são bonitinhas e tudo o mais, mas não sei muito bem como lidar com elas... Acho que perderia a paciência muito rápido. Com a Rin foi um caso a parte, mas a gente decididamente não leva jeito para a coisa... Você nem lembra de tirar o lixo, jamais iria lembrar de dar comida a ela!
— E você iria enlouquecer a criança, principalmente quando fosse cantar uma música para dormir com essa sua voz angelical!
— Vai se foder! — O ruivo riu, dando um tapa na cabeça de Aomine. — Mas é verdade. Somos muito irresponsáveis e inconsequentes para cuidar de uma criança.
— Midorima e Takao até que levam jeito. Me surpreendi. — O moreno admitiu. — E sabe de uma coisa, acho que quem fica mais em cima da Rin é o próprio Shintarou... Mas, como um belo de um tsundere que ele é, disfarça na frente de todo mundo. Até perto do Takao, se duvidar!
— Ah, isso com certeza! Ele é um idiota! — Kagami concordou com um movimento de cabeça. — Mas Takao também está feliz com ela, dá para ver que está gostando de ter uma criança. Combina com eles, mas com a gente não!
— Ok, está decidido então? — Aomine sorriu, um pouco aliviado com a situação. — Nenhuma criança sobreviveria aqui!
— Não vamos adotar, não iria dar certo! — O ruivo riu, balançando a cabeça. — Além de que nossas profissões e nosso horário de trabalho nos excluiriam completamente da lista do orfanato.
— É, tem lógica...
— Claro que tem!
— E se a gente adotasse um animal de estimação? — O moreno sugeriu, fascinado e esperançoso com a própria ideia. Como não pensara naquilo antes?
— Voltamos na situação da planta que morreu seca! — Kagami ergueu as sobrancelhas, com um meio sorriso. — Mas gosto da ideia. Não sendo um cachorro está ótimo!
— Ah Taiga, pense que bonitinho um cachorrinho correndo de um lado para o outro na casa.
— Mordendo, latindo de madrugada, comendo nossos tênis, cagando nos tapetes, mijando no seu travesseiro. — O ruivo completou com uma careta.
— Ah Taiga, vamos adotar um cachorro? — O moreno pediu com um olhar suplicante, aderindo completamente à ideia em sua mente. Agora vinha só o desafio de convencê-lo. — Pode ser um bem pequeno, não vai dar trabalho.
— Ah, cale a boca Daiki! — O ruivo fez uma careta desgostosa. — Antes uma criança.
— Por favor Taiga... — Aomine pediu, dando-lhe um beijo carinhoso no rosto como apelação.
— E por que não um gato? — O ruivo desviou do assunto, suspirando fundo e encarando o moreno com um novo sorriso nos lábios.
— Não me importaria, mas eles não são tão interativos e tem aquelas unhas que machucam. — Aomine respondeu de forma convicta.
— Amor, conforme-se... Não vamos ter um cachorro e você sabe muito bem o motivo.
— Ei Taiga, sei que você tem medo, mas se criá-lo desde filhote ele não vai te morder. — O moreno disse de forma séria e compreensiva, passando a mão no rosto de Kagami. — Vai ser um dos melhores amigos da sua vida, isso eu te garanto!
— Daiki, desculpe-me, mas não é uma coisa que consigo controlar! — Kagami respondeu. Sua expressão era um misto de desapontamento consigo mesmo e irritação pela insistência de Aomine. — Eu tenho muito medo de cachorros, não importa o tamanho... Só tenho.
— Eu sei amor, mas seria uma boa forma de dominar seu medo, não acha?— O moreno disse imediatamente, como uma última esperança, dando-lhe um selinho carinhoso na bochecha. — Posso te ajudar com isso! Sei que você não vai se arrepender!
— Vou pensar no assunto, ok? — Kagami suspirou fundo, mas sorriu de canto para o moreno.
— Ok, Bakagami! — Aomine sorriu radiante, dando-lhe um selinho. — Não quero que você se sinta mal, mas tenho certeza que não vai ser algo ruim quando você se acostumar. Pense com carinho, cachorros tem um coração enorme.
— Nossa, que profundo! — O ruivo fingiu estar emocionado, arrancando uma risada de Aomine. — Mas considere um gato também.
— Cachorros são bem mais fofos, posso fazer uma lista enorme das qualidades que eles têm! — Aomine sorriu, acariciando os fios ruivos para trás, afastando-os da testa. Ele ficava tão sexy assim... — E já tenho um Taiga no apartamento.
— Não entendi. — O ruivo franziu a testa, com um sorriso confuso.
—Taiga... Tiger... Tigre... Felino... Gato! — O moreno foi explicando palavra por palavra, até ele assimilar as coisas sozinho.
— Nossa! — O ruivo sorriu surpreso, mostrando os caninos. — Nem sabia que isso era possível. Nunca tinha pensado dessa forma...
— Então saiba que eu te relaciono com um tigre desde sempre. — O moreno sussurrou com a voz arrastada, dando-lhe um selinho provocante entre cada adjetivo que disse: — Interessante... Lindo... Perigoso... E extremamente fatal se não tomar cuidado.
— Uau... — O ruivo sorriu de canto com a voz rouca, puxando Aomine para mais perto com a mão livre. — Que sexy, Daiki.
O moreno sorriu, tomando a boca de Kagami em um beijo leve, apenas com os lábios roçando suavemente um no outro. Quando Taiga procurava aprofundar o beijo, Aomine se afastava e o fitava de cima para repreendê-lo... Só então voltava a encostar os lábios nos de Taiga, mordendo-os suavemente. Não era um ato inocente, era provocação pura, ainda mais quando estava com uma das pernas por cima das coxas de Kagami, movendo-a quase imperceptivelmente na direção de sua virilha.
Momentos depois o moreno empurrou a língua contra a boca de Kagami, que afastou os lábios sem pensar duas vezes... Ele queria aquilo tanto quanto Daiki. Apesar de sentir o ruivo arfar quando as línguas se encostaram, Aomine continuou com aquela lentidão durante o beijo, apenas para deixá-lo tão excitado quanto já estava.
Ainda o envolvia com as pernas e já sentia o membro quente de Kagami quase encostando em sua coxa, logo o alcançaria... Ele com certeza já sentia o seu, pois Daiki não fazia questão nenhuma de esconder, muito pelo contrário, pressionava a virilha contra o quadril de Taiga deixando evidente o quanto o queria.
Aomine perdera as contas de quantas vezes já fizera sexo com Kagami nessa vida, mas a excitação nunca passava e a satisfação nunca vinha. Não tinha hora ou lugar... Sempre almejava transar mais uma vez com ele, ouvi-lo gritar seu nome em alto e bom som, sentir o prazer de ter aquele homem enorme sob seu comando, ou o dominando por inteiro... Quantas vezes já tiveram duas ou três rodadas de sexo em uma mesma manhã? Quantas vezes despertava com o ruivo mordendo sua nuca, sussurrando que estava doido para meter e fazê-lo gozar? E quantas vezes quase se atrasava para o trabalho porque Taiga o agarrava na saída? Não tinham mais resquício nenhum de pudor um com o outro, já fizeram de tudo... Mas faltava apenas uma coisa.
— Taiga, hoje você só vai assistir! — Sussurrou contra os lábios do ruivo, esfregando a coxa por cima do pênis já duro de Kagami.
— Como assim? — Ele perguntou de forma ofegante ao sentir o toque, dando-lhe um selinho demorado e úmido. Seus olhos rubros eram um misto de excitação e curiosidade.
— Você já vai ver... — O moreno sorriu, beijando-o novamente antes que ele dissesse qualquer coisa.
Aomine desceu a mão pelo pescoço do ruivo em direção ao seu peito, mas encontrou o braço engessado apoiado em cima de seu tórax. Com cuidado, o afastou para o lado do corpo de Taiga, deixando-o em uma posição confortável e sem dor. Queria que o ruivo se sentisse exatamente como se sentia naquela situação, apenas apreciando.
— Você é meu, Kagami Taiga... — Aomine murmurou, descendo a boca lentamente pelo seu queixo, deixando uma mordida forte ali.
~Kagami Taiga~
—Sempre fui... —O ruivo gemeu satisfeito, abençoando-se por ter ficado sem camiseta após o banho.
Aomine descia com a boca por toda a extensão de seu corpo, depositando fortes e provocantes mordidas em sua pele... Kagami nem se importava em ficar todo marcado, simplesmente adorava a forma como o moreno conduzia as coisas. Era sempre o ruivo que procurava controlar a situação, mas hoje seu braço não permitiria, e nem Aomine...
— Daiki... — Sibilou, assim que ele começou a abaixar seu calção e sua cueca ao mesmo tempo. O ruivo permitiu-se sorrir, sabia que o moreno não gostava de enrolar muito, então a tortura seria bem menos intensa do que as que fazia com ele.
— Só assiste, Taiga! — Ele sussurrou, antes de passar a língua levemente na cabeça de seu pênis, limpando o pré-gozo que dali saía. — Você vai gostar.
O ruivo não conseguiu dizer mais nada, apenas soltou um rouco gemido ao vê-lo colocar parte de seu membro na boca, engolindo-o cada vez mais, indo cada vez mais fundo até colocá-lo por inteiro na boca. Ele chupava de uma forma incrível e intensa... Com a língua, pressionava o pênis de Kagami contra o céu de sua boca, fechando cada vez mais os lábios macios... O contato era tão gostoso, quente e apertado... Kagami poderia gozar facilmente só com aquilo. E se não cuidasse, iria mesmo.
— Devagar... —Murmurou entre um gemido, apertando o colchão enquanto encarava os olhos azuis de Daiki.
— Relaxa... — Ele sorriu de canto, afastando a boca de seu pênis. O ruivo soltou um resmungo de protesto pela falta do calor e do cotato, mas continuou o observando. — Só estou te deixando molhado para mim, Taiga...
Ele falando aquelas coisas era o suficiente para Kagami ficar molhado por si só, ainda mais observando-o remover o calção branco que usava, deslizando-o calmamente por suas pernas. Aomine Daiki era o cara mais gostoso da face da Terra, Kagami sempre pensava isso quando o via sem roupa em sua frente, apesar de que até com roupas a dedução era a mesma.
— O que você vai fazer? — O ruivo perguntou surpreso e excitado, vendo-o pegar sua generosa quantia de pré-gozo com o dedo e passar pelo pênis de Kagami, lubrificando-o mais do que com a própria saliva.
— Exatamente o que a posição sugere... — Ele sussurrou malicioso, lambendo o pré-gozo que restou no dedo. Em seguida, abriu as pernas e colocou uma em cada lateral do quadril de Taiga. — Sentar no seu pau, Taiga!
O ruivo ficou sem palavras, apenas o encarou incrédulo por alguns instantes. Só o próprio Kagami sabia quanto tempo estava ansiando por essa posição, mas jamais imaginou que Aomine fosse tomar a atitude sozinho. Estava sentindo o membro pulsar com cada mínimo movimento que ele realizava, esperando o que viria em seguida...
— Daiki... — Kagami começou a falar, mal escondendo o tesão em sua voz arrastada, assim que ele posicionou-se sobre seu corpo. Começou a se agitar, tentando fazer alguma coisa, mas foi interrompido pela mão de Daiki passando por seu tórax e subindo até seus lábios para que se calasse.
— Só aproveita e goza pra mim, Taiga... — O moreno murmurou com um meio sorriso, descendo vagarosamente o corpo sobre seu membro.
— Ah, meu cara... lho. — Kagami exclamou com o tesão que estava sentindo, perdendo-se em meio ao gemido que soltou.
O ruivo lutava para manter os olhos abertos, ou simplesmente para manter sua sanidade... Não queria perder um segundo sequer daquela cena, pois não estava acreditando que Daiki realmente estava fazendo aquilo.
Já não sabia o que era mais estarrecedor, se era a sensação maravilhosa de ter seu pênis engolido daquela forma lenta e deliciosa ou simplesmente a visão de Daiki descendo vagarosamente sobre seu corpo com aquela expressão em um misto de dor e prazer. Ele tinha muito sex appeal, e com certeza estava deixando Kagami louco.
— Ah, Taiga... — Aomine gemeu quando chegou ao final, arfante. Ele parou ali e o encarou com os olhos um pouco marejados, mas com um sorriso confiante e satisfeito. — Um dia fico tão bom nisso quanto você.
—Tá ótimo... — Foi o que conseguiu dizer de forma ofegante, era uma sensação deliciosa. — Tão gostoso e apertado... Vai Daiki.
Não precisou repetir, pois vagarosamente Aomine começou a se mover. Novamente Kagami encontrava-se no dilema de quase não conseguir manter os olhos abertos, pois o prazer que sentia era enorme... Já havia fodido Daiki várias vezes, mas ele fazendo isso por si só era outra história. O moreno movia seu corpo para cima de forma lenta, mas sentava com força, atingindo sua própria próstata.
— Caralho Daiki, como você é gostoso... — Kagami gemeu quando ele começou a se mover mais rápido. Seu olhar passava por cada parte daquele corpo gostoso e moreno, analisando como ele subia e descia e como seu membro sumia dentro dele, aparecendo logo em seguida. Era delicioso demais ver e sentir. — Ah... Vai! Vai...
— Minha putinha! — Ele disse ofegante, com um meio sorriso nos lábios, descendo novamente o corpo com força e parando ali. — É bom ficar olhando, não é?
— Muito... —Kagami sorriu, mas foi interrompido por um ofego, que surgiu junto com sua surpresa . Daiki comaçara a mover-se novamente, mas agora fazendo exatamente da forma que o ruivo fazia. — Dai...ki...?
Kagami prendeu a respiração e perdeu-se em seu próprio delírio, apertando a coxa do moreno com a mão esquerda. Era bem inesperado ver Aomine Daiki subindo e descendo em seu pênis, mas com certeza jamais sonhou em vê-lo rebolar ali, com aquele corpo gostoso... Ele era sexy demais, intenso demais. O ruivo se conhecia, iria gozar rápido dessa forma.
— Taiga... — Ele gemeu com a voz rouca e arrastada, largando o pescoço para trás. — Porque não me disse que era tão bom assim?
— Minha putinha... — Kagami sorriu satisfeito e ofegante, vendo-o se mover mais rápido, mordendo os próprios lábios. Daiki era incrível e não fazia ideia de como estava excitando Kagami a cada gesto que fazia... Para uma primeira vez naquela posição ele estava se saindo muito, mas muito bem!
O ruivo começou a empurrar o quadril para atingir a próstata de Aomine com mais força, sabia que era gostoso ficar ali em cima. A televisão ligada virara uma coisa secundária há muito tempo, mas a meia luz que ela trazia ao ambiente proporcionava a Kagami a melhor visão do mundo.
Sem esperar mais, Kagami tomou o pênis dele com a mão esquerda e começou a masturbá-lo. O resultado foi melhor que o esperado, pois Daiki começou a se mover mais rápido ainda e sua voz grave preencheu a sala, dizendo coisas desconexas e sujas, do jeito que Kagami gostava... Sem pudor algum.
— Daiki... — O ruivo gemeu mordendo os lábios, ainda o masturbando, mas mal conseguindo se conter. Então era assim que Aomine se sentia quando o via rebolar em seu pau? Por isso ele sempre pedia para ir com calma? — Assim vou gozar...
— Goza pra mim Taiga! — Ele pediu em meio a um ofego, descendo mais uma vez com firmeza, trazendo o barulho de contato úmido ao ambiente. — Goza porque eu quero te comer ainda!
O ruivo sorriu satisfeito. Claro que ele queria comê-lo, ele era Aomine Daiki... Ainda havia um resquício de orgulho em seu jeito. Por mais que ele permitisse que Kagami fosse o ativo, ele sempre trocava depois... Sempre tinha que ficar por cima no final. E por mais que a visão e a sensação dele rebolando em seu pênis fosse impagável, Taiga nunca deixaria de preferir ficar por baixo, senti-lo dentro de si.
— Me fode agora... — Kagami pediu de forma urgente, fechando os olhos para tentar se controlar um pouco e quem sabe frear o próprio orgasmo. — Mate logo e me faz gozar, Daiki!
— Então se encosta no sofá, de quatro pra mim! — Ele gemeu de forma arrastada e satisfeita, elevando o corpo para o ruivo sair de baixo de si.
Kagami o obedeceu sem pestanejar, mas teve que se mover devagar por causa do braço. Aomine o ajudou, até que finalmente ficasse numa posição gostosa e confortável. Apoiava-se com os joelhos no colchão, mas seu tórax e seus braços ficavam em cima do sofá.
— Sentar no seu pau é muito gostoso... — O moreno sussurrou em seu ouvido, encostando-se às suas costas e pressionando o pênis contra suas nádegas. — Mas te foder é bem mais!
— Eu sei que é... — O ruivo sorriu, mas logo arfou ao sentir uma mordida em sua nuca, terminando em um chupão forte e delicioso.
— Molha pra mim, Taiga... — Daiki pediu sensualmente, escorregando os lábios até seu ouvido enquanto colocava dois dedos em sua boca.
Kagami passou a língua úmida pela extensão deles, juntando saliva e lubrificando-os bem. Sabia exatamente onde os dígitos iriam parar... E não demorou muito. Assim que ele removeu os dedos de sua boca, levou até sua entrada, inserindo-os sem muita demora.
— Que delícia, Daiki! — O ruivo arfou, abrindo mais as pernas e arqueando o corpo inconscientemente para que fosse mais fundo.
— É gostoso, é? — O moreno perguntou provocante, removendo os dedos e penetrando-o com seu membro de forma lenta. — E assim, é gostoso?
— Muito! — Kagami gemeu de forma rouca, empurrando o quadril para trás para auxiliar a penetração. Soltou um urro contido quando chegou em sua próstata... Nunca cansaria daquilo. NUNCA. — Me fode Daiki! Me fode logo!
O moreno começou a se mover de forma compassada, apenas para que conseguisse lubrificar melhor o canal e deslizar com mais facilidade. Não demorou muito para o ritmo cadenciado ser substituído por estocadas fortes e intensas, bem do jeito que Kagami gostava.
— Saiba que não vou muito longe desse jeito... — Aomine sibilou em seu ouvido, segurando seu quadril com as duas mãos, para mover-se melhor e mais precisamente.
— Pode meter... — Kagami sorriu em meio a um gemido, sentindo-o pressionar continuamente sua próstata. — Não vou longe também...
— Taiga... — Ele gemeu satisfeito, afastando as nádegas do ruivo e indo mais fundo ainda, cada vez mais rápido.
Continuaram naquele ritmo por incontáveis minutos, misturando o gemido rouco e o barulho dos corpos se chocando. O suor de ambos e o cheiro de sexo já preenchia a sala... Kagami adorava aquilo... Adorava sentir o corpo suado de Daiki entrando em contato com suas costas, molhando-as e esquentando-as também.
O ruivo sentia o orgasmo cada vez mais próximo, o formigamento em sua virilha deixava suas pernas bambas e denunciava tudo... Iria gozar em instantes. Sabia que o limite de Aomine também não iria demorar a chegar, o modo como ele gemia em seu ouvido deixava aquilo claro.
— Taiga... Apertado... Agora... Goza, vai...—O moreno ofegou as palavras desconexas mas repletas de sentido, descompassando um pouco enquanto mordia seu ombro com força e envolvia sua cintura com o braço. Ele estava gozando, assim como o ruivo.
Orgasmos são coisas indescritíveis, intensas, deliciosas... Inevitáveis! ainda mais se tratando de Aomine Daiki e Kagami Taiga.
O ruivo mordia uma almofada e continha o grito rouco em sua garganta enquanto sentia o líquido jorrar de seu pênis, indo de encontro à base do sofá em sua frente. Foi ao céu e ao inferno, revirando os olhos e os fechando com força conforme aquela deliciosa sensação espalhava-se por seu corpo, saindo diretamente de seu membro.
Ao mesmo tempo, sentia o gozo de Aomine indo de encontro com o seu interior, mas ele ainda mordia sem ombro para conter-se. Não demorou para o líquido escorrer por suas pernas e o moreno desfazer a mordida, apoiando a cabeça em suas costas.
— Ah, Taiga... — Ele sorriu ofegante, dando um beijo em sua pele suada assim que se removia de seu interior. — Que gostoso...
— Muito...— O ruivo desabou no sofá e sorriu satisfeito.
— Tudo bem? — Aomine perguntou depois de alguns segundos, olhando para Kagami.
— Tudo ótimo! — O ruivo riu, virando o rosto para fitá-lo com um enorme sorriso satisfeito. — Viu só como conseguimos fazer sexo hardcore?
— Claro que sim, Bakagami! Somos fodas! — Daiki sorriu igualmente, virando o corpo do ruivo com cuidado para que se sentasse no colchão e se encostasse no sofá.
— Te amo, Ahomine! — O ruivo sussurrou, vendo-o sentar-se em seu colo e encostar os narizes suados de forma carinhosa.
— Eu também te amo! — Aomine sussurrou de repente, fechando os olhos, colando as testas também. — Obrigado por existir e me aguentar...
Aquilo veio de surpresa, mas fez o ruivo sorrir de orelha a orelha, esfregando o nariz de ambos.
— Aguento sim, pra sempre! — Kagami disse, mostrando a aliança dourada na mão esquerda de forma irônica, arrancando uma risada do moreno.
Ficaram sentados dessa forma por um longo tempo, sorrindo como bobos e falando sobre coisas mais bobas ainda... Pelo menos até Aomine ver a hora e lembrar que precisava tomar banho e trabalhar... Em tempo recorde agora.
***
Sexta-feira, 26 de abril — 13:49
~Aomine Daiki~
— Já disse que odeio esse aeroporto? — O moreno perguntou para Kagami, assim que entraram ali de mãos dadas. — Sempre que venho aqui a sensação é horrível...
— Já disse sim! — O ruivo sorriu pesaroso, apoiando rapidamente o rosto em seu ombro.
— Caramba... — Suspirou fundo, olhando ao redor, mas não prestando muita atenção nas coisas. Aquele lugar era sempre igual. — Na primeira vez que vim aqui, a Alex beijou tua boca na minha frente! Na segunda você foi embora da minha vida... Na terceira você também foi embora, mas na quarta vez você voltou e foi maravilhoso... Na quinta a gente foi para L.A., mas a viagem no avião foi horrível... E hoje tem a despedida do Kento! Vai se foder!
— Não voltaremos aqui tão cedo depois disso, não se preocupe. — Kagami riu, abraçando-o pelos ombros com o braço esquerdo como uma demonstração de carinho. O braço direito dele ainda estava engessado...
— É! — O moreno sorriu, dando um selinho no ruivo e o abraçando também antes de seguirem até a plataforma de embarque.
Aomine se preparara muito bem para esse dia. Sabia que não era apenas Kento que iria encontrar ali.... Sinceramente, não tinha a mínima ideia de como Seiko e Ethan reagiriam com sua inesperada aparição, mas esperava do fundo da alma que eles apenas o ignorassem.
— Tudo bem? — O ruivo perguntou, virando o rosto para fitá-lo. Provavelmente estava percebendo sua agitação.
— Acho que sim. — Sorriu, olhando para Kagami. — Estou de boa com a situação, mas realmente não queria me estressar hoje.
— Eles não vão fazer nada, não vou deixar! — O ruivo sorriu confiante, dando um beijo em seu rosto.
— Sei que não, você é foda! — O moreno disse, desfazendo o abraço e entrelaçando os dedos de ambos.
Não demorou muito para Ethan, Seiko e Kento entrarem em seu campo de visão. Os três estavam mais a frente, perto da porta de identificador de metais, pois o voo do irmão sairia em menos vinte minutos.
Apesar de não se importar, Aomine assustou-se com o que viu. Seiko estava muito mais velha, bem mais do que sua real idade aparentava. Seus cabelos estava com várias mechas brancas e seu rosto já não aparentava nenhuma expressão. Depressão. Já Ethan estava bem magro, mas mantinha-se com a pose de importante.
"Foda-se!" Aomine mentalizou ao se aproximar e olhar sorridente para o irmão. Ele sim era seu real motivo de estar ali!
— Onii-chan, Taiga-Onii-Chan! — Kento sorriu radiante, levantando-se indo até sua direção. — Que bom que vocês vieram!
— E aí, Ranhento? — O moreno perguntou, abraçando o rapaz e evitando a todo custo olhar para os dois à sua direita. — Falei que viria!
— Beleza Kento? — Kagami perguntou, estendendo o punho livre para o menor socar, também evitando olhar para a direita.
— Tudo ótimo! — O menor sorriu, evidentemente animado com tudo aquilo. — Você sabe o quanto eu estava ansiando por essa viagem, não sabe?
—Claro que sei! — Aomine sorriu, abraçando o irmão pelos ombros novamente. — Já te adianto que aviões são uma bosta, mas depois que pousa tudo fica bem!
— Você já me falou isso umas vinte vezes! — O rapaz sorriu mostrando todos os dentes, quase lembrou o sorriso de Taiga. — Já joguei muitos simuladores de pilotagem, estou preparado!
— Claro que está! — Kagami riu, segurando a mão de Aomine como uma forma de apoio. Ele o conhecia bem, sabia que estava incomodado com a situação, apesar de quase não demonstrar.
Havia um clima pesado no ambiente, qualquer pessoa que passasse ali perceberia.
Sem querer, Daiki acabou olhando de relance para Seiko e Ethan... Ela olhava para frente, parecia querer evitar o contato visual. Mas com Ethan foi diferente, depois de vários anos encontrou o olhar do pai, que o encarava um pouco surpreso, mas mantinha-se firme. Não soube o que dizer, apenas sustentou com a expressão séria.
— Onii-chan, assim que eu chegar lá eu te mando um Whats com meu novo número de telefone! — Kento disse, notando a troca de olhar. — E isso vale para você também, Taiga-onii-chan!
— Claro! — Aomine voltou o olhar para o irmão e sorriu. Ele crescera mesmo, já conseguia captar as coisas ao seu redor.
Não demorou muito para o primeiro aviso de embarque do voo Tóquio — Toronto soar pelo aeroporto. Nesse meio tempo o clima estranho permaneceu, mas Kento tentava manter uma conversa agradável com Daiki e Taiga, explicando exatamente o que faria quando chegasse no Canadá. Ele já havia deixado tudo certo com seu apartamento, já pegara todas as informações na internet e tudo o mais... Ele era extremamente independente e não parecia ter medo de nada.
— Quero que se cuide lá no Canadá, ok? — Aomine sorriu, abraçando o irmão. — Nada de aprontar, estude direitinho e mande notícias todos os dias, ok?
— Valeu Onii-chan, pode deixar! — Ele sorriu, apoiando o rosto no ombro do moreno. — Vou sentir sua falta!
— E eu a sua! — Daiki foi super sincero ao dizer aquilo, apertando mais ainda o abraço. — A gente ainda vai passar bastante tempo juntos nessa vida, Ranhento, você vai ver!
— Claro que sim, somos irmãos e isso nunca vai mudar! — O menor se afastou, olhando dentro de seus olhos por um longo tempo. — Obrigado por tudo. Te amo Daiki!
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Também te amo, Kento! — O moreno sorriu, emocionado demais para o seu gosto. Sorriu e disfarçou, espalhando os cabelos do irmão. — Anda logo, vai perder seu voo!
— Tá bom! — Kento sorriu radiante, olhando para Kagami com o punho esticado. — Ah, Taiga-Onii-chan, cuide bem do Daiki, ok? Senão eu venho e quebro seu outro braço!
— Você lembrou minha irmã agora! — O ruivo sorriu, socando o punho dele. — Pode deixar sim, ele está em boas mãos! Boa viagem, Kento! Fique bem...
— Eu vou! Vocês também fiquem bem! — Ele acenou com um meio sorriso e foi até Seiko e Ethan para se despedir também.
Era evidente que Kento estava feliz e isso era o mais importante. Foi o que Aomine deduziu ao sentir o braço de Kagami o envolver pelos ombros.
— Quer esperar ele embarcar? —Ele sussurrou em seu ouvido.
— Quero sim! — O moreno disse, tentando controlar as próprias emoções. Não iria chorar! — O aceno lá do fundo é importante.
— Sei que é! — Kagami sorriu, apoiando a cabeça na bochecha de Daiki. — Ele vai ficar bem no Canadá!
— Sei que vai! — O moreno sorriu, vendo-o abraçar Seiko de relance. — Kento amadureceu mais que nós dois, ele vai se virar muito bem por lá!
— Vai sim!
Antes de ir para a plataforma de embarque, Kento correu para abraçar Aomine mais uma vez, e nesse momento não conseguiu mais se conter e deixou a teimosa lágrima escapar. Ela veio novamente quando o irmão acenou lá do fundo, por entre aquelas nostálgicas paredes de vidro... Despedidas eram uma bosta!
— Vamos para casa? — Daiki perguntou com um suspiro, virando-se para olhar Kagami.
— Sim... — O ruivo sorriu de forma gentil, mas olhou por cima de seu ombro e voltou a ficar sério.
— Daiki? — A voz grave de Ethan soou às suas costas. Era isso que temia... —Tem um minuto?
Naquele instante sentiu seu estomago revirar um pouco, mas a mão de Taiga apertou a sua como que para encorajá-lo. Virou-se lentamente e encarou o homem, e de perto conseguiu perceber o quanto estava velho.
— Como você está? — Ele perguntou, mantendo a expressão séria.
— Melhor impossível. — Daiki respondeu de forma seca, olhando fixamente para os olhos dele. Não parecia aquele filho da puta que atirou a prancheta em sua barriga, ou aquele touro que o arremessou contra a mesa de centro com um soco... Foda-se!
— Que bom! — Ele sorriu fracamente, abraçando Seiko pelos ombros. Ela tinha uma expressão apagada quando o encarou, nem parecia aquela mulher louca fazendo escândalo no mercado. — Vocês dois casaram, não é?
— Onde você quer chegar? — Aomine perguntou imediatamente, não dando abertura para aquele tipo de papo.
— Estamos sem falar com você há anos, só queremos saber se está bem! — Seiko falou com a voz fraca, mas aquele tom decidido ainda estava ali.
— Estou ótimo. — O moreno respondeu devagar, apertando a mão de Taiga e o puxando para longe. — Sinceramente, nunca estive tão feliz em toda a minha vida! Até mais!
— Daiki! — Ethan o chamou novamente.
— O que é? — Perguntou sem sequer virar-se para olhá-los. Estava um pouco irritado com aquilo tudo.
— É tarde demais? — O mais velho perguntou, mantendo o tom de voz suave e firme.
Aquilo decididamente era uma coisa que não estava esperando ouvir em um milhão de anos. Virou-se com uma expressão inconformada e encarou os olhos da pessoa que um dia considerou como pai.
— O que você acha? — Disse de forma incrédula, estreitando os olhos para os dois. — Vocês ao menos lembram de tudo o que me fizeram passar durante anos? Da tortura, do casamento forçado, da depressão, do afastamento do Taiga... Claro que é tarde demais!
— Imaginei que essa seria sua resposta. — Ethan falou com um aceno de cabeça. Realmente não parecia chocado, mas também não parecia se sentir culpado por nada. Eles nunca mudariam.
— Então não deveria nem ter perdido seu tempo! — Daiki falou de forma firme. — Já encontrei minha família de verdade agora.
— Esperamos que seja feliz então, Daiki! — Ethan disse, abraçando a mulher ao seu lado.
— Não se "preocupem", nós dois já somos muito felizes. — Finalizou o assunto, encarando pela última vez os dois. Abraçou Taiga pelos ombros e fitou o ruivo com carinho, esse sim era o rosto que queria ver agora e para sempre. — Vamos para casa.
— Vamos! — O ruivo respondeu com um sorriso orgulhoso, acenando discretamente com a cabeça para Seiko e Ethan antes de se virarem para ir embora.
Saíram em silêncio do aeroporto, abraçados, e assim foram até o estacionamento. Seguiram em direção ao carro estacionado perto da entrada, e assim que entraram no veículo Daiki começou a chorar.
— Amor... — O ruivo sussurrou, abraçando-o e o trazendo para seu tórax.
— Eu estou bem Taiga! — O moreno sorriu em meio as lágrimas ao apoiar-se no corpo do outro. — Acho que precisava disso, sabe... Esse último "adeus", sei lá!
— Coisas de Aomine Daiki! — Kagami sorriu, beijando o topo de sua cabeça com carinho.
— Exatamente! — Ele riu, enxugando as lágrimas que ficaram presas por anos dentro de si. — Agora eu estou livre desses fantasmas, por assim dizer!
— Coisas de Aomine Daiki! — O ruivo repetiu, rindo um pouco mais ao dar-lhe um selinho carinhoso nos lábios.
— Eu te amo, Bakagami!
— Eu te amo muito mais! — O ruivo sorriu, limpando as lágrimas que rolaram atrasadas pela bochecha do moreno. — Prometo que vou te fazer feliz por toda a sua vida, Daiki.
— Você já faz, meu amor! — Ele sorriu, encostando os narizes com carinho. — Vamos para casa?
— Estava pensando em passar numa certa cafeteria antes... — O ruivo arriscou, olhando-o um pouco receoso.
— Mesmo, Taiga? — Aomine sorriu radiante.
— Sim!
— Você é tão foda amor, consegue mudar meu humor em questão de segundos! — Ele sorriu, dando a partida no carro. — Sou sortudo pra caralho.
— Eu que sou sortudo, apesar de ter um marido idiota...
— Um marido idiota que você vai precisar aguentar até o fim dos tempos! — O moreno riu, mostrando a aliança dourada e erguendo as sobrancelhas significativamente.
— Eu aguento!
***
Um ano depois
***
Domingo — 14 de março — 18:03
~Kagami Taiga~
— Eu não acredito que concordei com isso. — Kagami repetiu pela oitava vez naquela tarde, olhando para o apartamento enquanto balançava a cabeça. — O que eu não faço por aquele idiota!
Sentou-se no sofá para assistir alguma coisa na televisão enquanto Aomine não chegava, mas até a programação parecia estar de sacanagem. Os filmes que estavam passando variavam entre "Marley e Eu", "Para Sempre ao Seu Lado" e "Cão Vermelho". Irritado, mudou simplesmente para algum canal que passava algum seriado. Two and a Half Men o entreteu por alguns instantes, mas a porta não tardou a abrir.
— Oi amor! — Aomine entrou sorridente como uma criança. — A gente chegou!
— Hm... — O ruivo encolheu as pernas no sofá instintivamente, vendo-o colocar aquela filhote de cachorro no chão.
— Diga oi para o Pudim!
— Pudim? — O ruivo olhou escandalizado para o filhote com pelagem escura, que andava vagarosamente pela entrada cheirando e inspecionando cada canto do hall. — Quem deu um nome estúpido desses?
— Eu dei! — Aomine estreitou os olhos para Kagami, mas não demorou muito para pegar o filhote no colo novamente e trazer para perto do ruivo, todo feliz.
— Sai pra lá! — Kagami pulou para o lado oposto ao que Aomine sentou-se.
— Diga oi para o papai, Pudim! — Daiki sorriu, acariciando a cabeça peluda do cachorro em seu colo. — Não seja mau com ele, Taiga!
— Pare com essa boiolisse de Pudim, por favor! — O ruivo pediu, afastando-se um pouco mais.
— Olha a carinha dele, parece o seu pudim de chocolate, Taiga! — O moreno riu com a voz fina. — Agora a família está completa, não o rejeite.
— Ele é bonitinho... — O ruivo comentou, olhando para o cachorro por um pouco mais de tempo. Ele não era muito grande, seus pelos eram compridos e a cor variava entre o marrom e o preto. Seus olhos eram bem pretos e brilhantes, e ele fitava Kagami com uma expressão curiosa. — Ok, ele é bem bonitinho!
— Viu só, Pudim, o papai gostou de você!
— Pare com isso, vamos dar outro nome a ele! — O ruivo revirou os olhos, olhando novamente para Aomine. — E essa história de papai aí?
— Somos os papais dele, ué! — Daiki sorriu, virando o filhote com a barriga para cima, acariciando seu peito.
— Ele está te mordendo... — Kagami notou, dando mais uma escorregada para o lado do sofá.
— É a forma de os filhotes brincarem, Taiga! — O moreno riu, erguendo os olhos para Kagami. — Vem, vamos apresentar vocês de forma decente.
— Antes de me apresentar a ele a gente precisa dar um nome decente! — O ruivo suspirou fundo, não conseguindo tirar os olhos do cachorro. — Com qual tamanho ele vai ficar?
— Ah, mais ou menos assim! — Ele fez o gesto no ar, e Kagami achou absurdamente grande.
— Mas é enorme, porra! — Escandalizou-se, olhando para o filhote. Mudou-se imediatamente para o outro sofá.
— Eu te disse que era um Pastor Alemão, consegui ele na delegacia! — Aomine deu de ombros, pegando o filhote no colo.
— Daiki... — O ruivo resmungou desaimado, incrédulo com a situação. — Agora você me fodeu!
— Não, só te fodi de manhã cedo... — Ele ironizou, piscando os olhos com um sorriso safado no rosto, mas logo começou a rir como um bobo. Estava muito feliz. — Amor, relaxa, você vai se acostumar, pode ter certeza. Vem aqui dar oi...
— Nome! — O ruivo disse sem sequer se mover, erguendo as sobrancelhas.
— Pudim!
— Ah, que ridículo um cachorro gigante chamado Pudim, se toque Daiki.
—O que você sugere? — Ele riu, olhando para Kagami.
— Sei lá...
— Quando eu vinha para casa eu estava pensando nisso. Tentei relacionar alguma coisa com Pink Floyd... Mas Floyd é estranho, e Pink mais ainda. — Ele comentou, brincando com o animalzinho no sofá. — Depois a gente pensa, vem dar oi!
— Ok! —O ruivo deu de ombros, voltando ao sofá onde eles estavam. — Já que a merda foi jogada no ventilador não tenho mais nada a fazer.
— Exagerado! — Aomine riu, estendendo a mão para Kagami pegar. — Pudim, esse é o seu outro papai, Kagami Taiga.
— Pare com essa história de papai! —O ruivo suspirou, vendo sua mão ser guiada até a cabeça do animal. — Isso nunca vai dar certo...
***
Sábado — 17 de outubro — 17:26
— Quem vai correr com o papai hoje? —Kagami perguntou animado, batendo palmas e olhando para o enorme cachorro em sua frente, que apoiava-se nas patas dianteiras e erguia o quadril, balançando o rabo em sinal de animação. — O Pudim?
Ele latiu em seguida, girando no mesmo lugar e voltando a posição original, abandando mais ainda o rabo. Kagami agitou a coleira em sua mão e viu o cachorro se alvoroçar mais ainda. Ele adorava correr, ainda mais por ficar dentro do apartamento o dia todo!
— Anda logo, Daiki! — Kagami reclamou pela oitava vez em voz alta, acariciando a cabeça do cachorro. — Pudim, vai chamar o papai pra gente correr!
O ruivo sorriu vendo o cachorro se afastar até o quarto, onde Aomine ainda escolhia uma roupa para correr. Era uma noiva, isso nunca iria mudar. Não demorou muito para os latidos ecoarem pelo apartamento e os dois voltarem para a sala.
— Achei mais um sarna além do Taiga, então?— Aomine sorriu, aproximando-se de Kagami e dando um tapa em sua bunda.
— Um sarna que você vai precisar aguentar até o fim dos tempos! — O ruivo sorriu, abraçando o moreno e dando-lhe um beijo rápido nos lábios assim que mostrou a aliança em sua mão esquerda de forma irônica.
— Eu aguento! É invevitável te aguentar! — O moreno sorriu, empurrando-o até o sofá e dando-lhe um beijo lento nos lábios assim que deitou-se sobre o seu corpo.
Kagami sorriu contra os lábios do moreno, abrindo as pernas para que ele se encaixasse entre elas. Poderiam correr mais tarde, pensou ao largar a coleira no chão e envolver o moreno com os dois braços.
Já sentia Daiki esfregar-se em seu corpo quando um latido os interrompeu.
— Depois a gente corre, Pudim! — Aomine reclamou, estendendo o braço para onde imaginou estar o cachorro, empurrando-o para longe.
— A ideia de adotá-lo foi sua... — Kagami sorriu, olhando para o cachorro sentado com a coleira na boca. Quase sentiu pena dele, mas estava com tesão agora.
— Ele tá olhando, não é? — O moreno perguntou com os olhos fechados, contra seus lábios.
— Sim! — O ruivo respondeu, dando-lhe um novo selinho molhado e provocante.
— Ele vai ficar olhando até a gente terminar, não vai?
— Vai! — Kagami riu, apertando-o mais e fechando as pernas ao redor de seu quadril.
— Foda-se! — Aomine riu também, beijando Kagami novamente nos lábios. — Ócios do ofício.
— A gente aguenta! — Kagami sussurrou, mordendo o pescoço de Aomine, que pareceu esquecer o cachorro e todo o resto.
— Sim... A gente aguenta.
***
ANOS DEPOIS
***
— O que foi, Taiga? — O moreno perguntou ao notar a expressão emburrada do ruivo ao seu lado.
— Sabe que dia é hoje? — Kagami perguntou irritado, encarando-o com os olhos estreitos.
— Quinta-feira?
— Você é um idiota! — Kagami reclamou, virando-se para o outro lado na cama, de costas para si. — Merecia dormir no sofá com o Pudim.
— Depois de velho virou um resmungão pior do que nunca! — O moreno suspirou, tentando pensar em que dia era. Congelou quando lembrou. Fodeu. — Taiga...
— Pra sala!
— Taiga... Foi mal!
— Sala!
— Eu não esqueci a data, sei que fazemos 14 anos de casados hoje, mas eu...
— Sa-la! — O ruivo chutou sua perna. — Não me obrigue a levantar e te levar lá.
— Bakagami... — Reclamou, sentindo-se culpado ao pegar o travesseiro e a coberta.
Sem mais nada a dizer, levantou-se e saiu em direção a sala, dormiria com o velho Pudim hoje. Olhou para trás e viu o ruivo permanecer com estava, sem se mover na cama.
— Taiga... Olha aqui... — O chamou com a voz baixa e com a expressão culpada.
— Hm? — Ele virou-se com uma expressão séria.
— Ainda assim você vai precisar me aguentar até o fim dos tempos! — Ele sorriu, mostrando a aliança do dedo esquerdo. Desviou a tempo do travesseiro que veio em sua direção. — Também te amo, Taiga! Até amanhã...
— Cala a boca e deita aqui, idiota! — O ruivo sorriu de canto, batendo na cama. — Hoje eu te perdoo.
— Claro que me perdoa! — Aomine sorriu, indo rápido até a cama e dando um selinho no ruivo. — Sabe como eu sou esquecido, ainda mais depois de velho... É inevitável você me perdoar!
— É, inevitável vai ser a sua punição por ter esquecido nosso aniversário de casamento! — O ruivo suspirou com um meio sorriso, apagando a luz. — Mas eu ainda te amo.
— Claro que ama! — Aomine sorriu, abraçando-o com carinho na cama, de conchinha. — Boa noite, Bakagami.
— Boa noite, Ahomine.
♥

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