Inesperado

1 A garota do livro e a troca


Notas iniciais
Este capitulo é narrado pelo Pedro, o personagem principal. Sempre nas notas iniciais colocarei quem narra cada capitulo. Boa leitura, espero que gostem

– Aonde você conheceu essa garota mesmo? – Oliver perguntou

– Em um site de relacionamento soropositivo – respondi

– Pedro, e se essa garota não for soropositiva?

– Otavio, o que ela faria em um site de relacionamento pra quem tem AIDS se ela não tem?

– É faz sentido, boa sorte cara – ele disse dando alguns tapinhas em minhas costas

Entrei no carro e respirei fundo antes de entrar na cafeteria, “ela é soropositiva, ela é igual a mim, vai dar tudo certo” pensei e entrei, logo avistei uma garota linda, ela lia um livro com a capa da mesma cor da armação de seus óculos, negra, ao reparar em sua blusa me decepcionei por ser cinza, não era a cor da garota que ia encontrar. Me sentei em uma mesa quando percebi que ela estava atrasada, parecia que o tempo se recusava a passar e eu estava ficando ansioso, olhei para frente e no mesmo instante a garota do livro levantou o olhar fazendo nossos olhares se cruzarem, ela deu um sorriso de lado singelo e eu retribui com um sorriso simples. Instintivamente meus olhos se direcionaram para a porta e vi uma linda garota com um vestido amarelo e pulseira rosa, ela me olhou e abriu um enorme sorriso veio me abraçar.

– Ai meu Deus, você é de verdade – ela disse rindo

– Você também é – falei

Seu nome era Joyce, ela adorava filmes de ação e queria cursar jornalismo, ela era simplesmente incrível, adorei conversar com ela.

– Posso te fazer uma pergunta? – perguntou ela

– Ah, claro – respondi

– Você tem mesmo Aids ?

– COMO ASSIM VOCÊ NÃO VAI TRANSAR COMIGO?! – berrou um cara se levantando com tudo de uma mesa e me interrompendo

Inclinei a cabeça e o vi os olhos marejados da garota do livro, o cara que gritava estava na frente dela e ela disse algo que não pude escutar, o cara saiu furioso e ela correu para o banheiro feminino.

– ... Continuando nossa conversa – disse Joyce

– Bem, sim por que a pergunta?

Ela olhou para uma mesa ao nosso lado que tinha três garotas e todas riram, ao olhar para Joyce percebi que a conhecia, seu nome era Melissa e ela era uma das garotas mais populares e irritantes. Perdi meu chão ao ver que havia sido enganado.

– Parece que não temos nada para conversar – ela disse se levantando

– Espera!- falei e a segurei pelo braço

– ME SOLTA SEU DOENTE NÃO QUERO PEGAR AIDS – ela berrou

Me sentei novamente e fechei os olhos, não podia acreditar como fui tão tolo, ao abrir os olhos vi a garota do livro vindo em minha direção com um copo de papel

– Dia difícil? – ela perguntou

– Você nem imagina – respondi

– Sei como é

Sorri e ela deu um singelo sorriso de lado novamente, reparei em sua camisa e vi que ela não era simplesmente cinza ela tinha o logo de Star Wars.

– Você gosta de Star Wars? – perguntei

– Claro é um clássico – respondeu e olhou para o relógio – oh céus Patty vai me matar

Ela se levantou e foi até o caixa, ao olhar no meu celular gelei, Otávio iria acabar comigo, faltava menos de meia hora para eu e ele irmos encontrar sua nova ficante e uma amiga dela, peguei minhas coisas e fui para o caixa me colocando ao lado da garota do livro que voltou para sua mesa para pegar seu livro, peguei meu celular que estava na bancada fui para o carro e dirigi até chegar em casa. Me joguei na cama e percebi que a imagem da tela de bloqueio estava estranha, mesmo assim tentei colocar a senha que não me surpreendeu em estar incorreta, “A menina do livro!” pensei “Devo ter trocado de celular com ela”, voltei para a cafeteria e fui até a moça do caixa

– A senhora poderia me ajudar? – perguntei a ela

– Claro

– Havia uma menina aqui com uma camisa cinza com escritos laranja e por engano troquei de celular com ela – expliquei

– Ah me recordo dela, ela pegou o celular e correu para fora atrás de você, mas você já havia ido, infelizmente ela se foi, porém deixou um bilhete para você – disse a mulher procurando no bolso do avental

– Ela me entregou um post-it lilás que se lia “Aqui, segunda, ás 7:30 da manhã, não se atrase, se isso acontecer escreva um bilhete e de a Ellie com um novo horário para nos encontrarmos e destrocarmos nossos celulares. OBS: só te encontrarei aqui”.

“Oque raios essa garota fuma?” pensei, suspirei e ao voltar para casa liguei para Otavio do telefone fixo.

– Cara cadê você? Daqui a pouco as meninas vão chegar – ele disse

– Eu não tô muito no clima – respondi

– Isso tem haver com a menina do site? – ele perguntou

– É, mas te conto depois, agora você tem um encontro com a sua ficante

– E a melhor amiga dela que só veio pra você não segurar vela

– Desculpa cara, mas hoje eu quero paz

– Só lembra que vacilão morre cedo – ele alertou

– Tá – respondi rindo

Desliguei e fui para cama, fechei meus olhos e respirei fundo, eu tinha passado por muita coisa hoje, estava tirando os sapatos quando minha mãe entrou.

– Que cara é essa querido? – ela perguntou se sentando ao meu lado na cama e deixando a pilha de roupas do outro lado

– Mãe, será que eu nunca vou arrumar uma namorada?

Ela suspirou e acariciou meu rosto com os olhos marejados

– Eu sinto muito Pedro, não queria que você tivesse que passar por isso – ela disse

– Tá tudo bem – respondi a abraçando forte

– Um dia, vai aparecer uma garota linda e inteligente que vai fazer de você o homem mais feliz desse mundo, e quando ela aparecer

– Se ela aparecer — interrompi

– QUANDO ela aparecer, ela vai te amar do jeitinho que você é, ela vai amar o jeito que você mexe no colar que eu te dei quando está ansioso e vai amar a sua comida, ela não vai ser a garota perfeita, mas vai ser sua garota perfeita– ela disse segurando minhas mãos

– E se ela não aceitar a minha doença? — perguntei

– Ela vai aceitar, confie em mim, e tenho certeza que ela não está longe

Notas finais
Adoro leitores fantasmas, mas se quiser comentar algo estou de braços e mente abertos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.