Inesperado

35 Capítulo 35


Notas iniciais
- Posso ser sincera em dizer que esse capitulo me massacrou por dentro, odeio fazer meus personagens favoritos ficarem triste ou sentirem dor. — Quero agradecer todo o carinho e o amor que vocês estão tendo, claro que vou desconsiderar os xingamentos e as ameaças em momentos de fúria KKKKKKKK. — Espero que vocês gostem desse capitulo o que eu acho que vai ser impossível já que eu mesma fiquei com um pé atrás, mas ele é emocionante então quem gostar de drama pode gostar. Até mais. ♥

Dizem que quando está tudo se acabando passa um filme em nossas cabeças, um filme da sua infância, dos melhores momentos da sua vida, mas comigo foi diferente, eu não me vi, não vi minha infância e nem se quer passei pelos melhores momentos da minha vida, a única coisa que piscou na escuridão que tomava meu consciente foi o rosto do Daniel e um arrependimento imenso, naquele momento a única coisa que eu queria era poder voltar e ter feito tudo direito, desde o momento em que o conheci, ser menos insegura e passar mais confiança, ficar mais tempo com quem eu amo, minha irmãzinha, minha mãe. Parecia estar tudo acabado, eu estava andando por um túnel escuro, frio e com um cheiro horrível, parecia que o fim nunca chegava, mas chegou, pude ver a luz amarela ardendo meus olhos, o cheiro horrível do túnel era o cheiro do hospital, não fiquei consciente por muito tempo, mas quando abri meus olhos por alguns segundos consegui ver o rosto do meu amor em pé ao meu lado, não consegui pronunciar seu nome, meu corpo não me obedecia, estava implorando por mais alguns segundos em que eu pudesse ver aquele lindo rosto, mas em vez disso tudo ficou escuro novamente.

Não sei quanto tempo fiquei desacordada, pareciam anos, mas tenho certeza que não chegou há dar uma semana, consegui abrir meus olhos sem esforço, mas tive que faze-lo para aguentar ficar com eles abertos, a mesma luz amarela de antes bateu mais forte dessa vez, tudo ficou embaçado e não vi o rosto do Daniel dessa vez, mas sabia que ele estava por perto, sabia que ele não me deixaria. Mexi meu pescoço para o lado e senti uma dor insuportável, não me atrevi a mexer o pescoço novamente, mas o medo de ter acontecido alguma coisa com a minha coluna veio à tona, senti meus olhos arderem com as lagrimas que estavam se formando em meus olhos, concentrei minhas forças nas minhas cordas vocais, minha boca está completamente seca, puxei todo o ar de meus pulmões e ele passou como navalha pela minha garganta.

— Daniel. – O chamei, mas por mais que tenha puxando todo o ar, meu chamado não passou de um simples sussurro.

— Luce ? Você está acordada ? – Senti um alivio ao ouvir sua voz.

— E... Eu... não... consigo me... – Tentei falar, mas as palavras pareciam estar em código até para mim.

— Eu vou chamar um medico, por favor, fique acordada. – Daniel disse com desespero.

Ele saiu do quarto correndo, consegui ouvir a voz dele no corredor gritando pelo medico, tentei mexer meu pescoço novamente e mais uma vez aquela dor insuportável, só que dessa vez mais forte ainda, parei de me mexer no mesmo instante, as lagrimas brotaram novamente, isso não podia estar acontecendo, não podia. Ouvi Daniel entrar correndo no quarto, ele parou ao lado da minha cama e segurou minha mão, não conseguia vê-lo direito por conta das lagrimas, fechei os olhos com força para ver se elas iam embora, mas em vez disso elas começaram a deslizar pelo meu rosto, Daniel se curvou e ficou com o rosto a centímetros do meu.

— Não chora Luce, você vai ficar bem, você vai ver... – Ele começou a dizer, mas pela pausa que ele deu percebi que ele também estava começando a chorar. – Você é forte, você vai sair dessa meu amor. – As palavras dele fizeram mais lagrimas escorrerem pelo meu rosto.

— Ela acordou ? – Ouvi a voz de um homem entrando na sala as pressas.

— Sim doutor. – Daniel respondeu dando uma fungada para controlar as lagrima.

— Como você esta se sentindo senhora Price ? – O medico se aproximou da minha cama e ficou me observando. – Você consegue falar ? – Ele perguntou de novo.

— Não, ela só consegue pronunciar algumas palavras. – Daniel respondeu por mim, eu quis agradece-lo, mas me lembrei de que não conseguia falar.

— Certo, pegue aquele copo e encha com um pouco de água. – O medico apontou para a direção oposto da do Daniel.

— Tá. – Ele desapareceu da minha frente e só consegui ouvir uma jarra de vidro sendo levantada e depois colocada na mesa. – Aqui está. – Daniel disse entregando o copo ao medico.

Não sei o que ele fez, só sei que minha cama começou a subir e logo em seguida eu estava sentada, o medico se inclinou na minha frente e colocou o copo na minha boca, bebi a água como se estivesse morrendo de sede, a ardência da minha garganta passou no mesmo instante, senti um alivio tremendo.

— Consegue falar agora ? – O medico perguntou.

— Sim. – Respondi com a voz ainda fraca, porem sem gaguejar.

— Muito bem senhora Price, oque você esta sentindo ? – Ele perguntou.

— Luce. – O repreendi ainda tentando ter controle das minhas cordas vocais, o medico sorriu.

— Certo, Luce, o que você está sentindo ? – Perguntou novamente.

— Medo. – Respondi, senti a mão do Daniel envolver a minha novamente.

— Medo do que ? – Perguntou o medico.

— Eu vou poder andar de novo ? – Perguntei com mais medo ainda de saber a resposta.

— Não se preocupe com isso minha cara. – Disse ele, soltei um suspiro de alivio. – Mais alguma coisa ? – Perguntou.

— Eu não consigo mexer meu pescoço. – Respondi,

— Eu não esperava que você conseguisse, quando você bateu com o carro no poste seu pescoço fez um movimento muito agressivo para frente, isso vai causar dores horríveis por um tempo, mas nada que analgésicos e anti-flamatórios não resolvam. – O medico respondeu.

— Okay. – Falei.

— Mais alguma coisa além disso ? – Ele perguntou de novo, fiz uma analise, tentei mexer cada musculo do meu corpo, mas não senti nada.

— Não. – Respondi.

— Isso é bom, você esta com cortes pela extensão dos dois braços, sua coxa esta com um hematoma, mas fico feliz que não esteja sentindo dor, isso significa que a anestesia fez efeito, você pode sentir dores pela manhã. – Ele disse. – É melhor você descansar Luce, vou pedir para a enfermeira trazer um analgésico. – O medico disse e logo em seguida saiu pela porta.

— Me desculpe. – Daniel disse, virei meus olhos para sua direção.

— Eu é que peço desculpas, eu fiz tanta coisa errada, se tivesse sido mais inteligente não estaria aqui, a culpa disso é minha. – Falei.

— Isso não é verdade Luce, eu... – Daniel tentou falar, mas a enfermeira entrou no quarto.

— Luce, como você está se sentindo ? – Ela perguntou, pelo jeito o medico já a avisou que gosto de ser chamada pelo nome.

— Bem. – Respondi, mas era mentira, estava me sentindo quebrada, tanto por dentro como por fora.

— Que bom. – Ela disse antes de ir até a mesa e encher o copo com água e depois voltar para mim. – Aqui, beba isso. – Disse colocando o comprimido e o copo em minha boca. – Agora é melhor você descansar. – Ela disse abaixando minha cama novamente.

Não estava com sono, mas meus olhos se fecharam como se ele estivesse obedecendo às palavras dela, foi ai que me toquei que eu estava um lixo, só não estava me sentindo pior por conta da anestesia, como seria quando eu acordasse ? Como seria pela manhã quando eu já pudesse sentir dor ? Nem consegui dizer boa noite ao Daniel, apenas fechei meus olhos e me entreguei à escuridão novamente. Entrei no mundo dos sonhos, foi mais no mundo dos pesadelos, eu estava no hospital me vendo deitada na cama, Daniel estava debruçado sobre mim, chorando, se lamentando, olhei os aparelhos e percebi que todos estavam desligados, eu havia morrido ? Daniel levantou o rosto e percebi que ele parecia ter chorado por horas, olhei ao redor e encontrei minha mãe abraçada com Penn, ambas chorando, ambas se lamentando, senti meu peito doer, será que isso era realmente um sonho ou eu tinha realmente morrido ? Olhei para porta quando um homem entrou, paralisei quando vi a silhueta do meu pai parado na porta, ele estava de preto, parecia ter chorado também, ele estava com um buque nas mãos, papai caminhou até minha cama e depositou o mesmo em cima do meu copo pálido, observei as flores, eram peônias brancas, minhas favoritas, mas no meio do mar de branco, tinha um ponto azul, uma flor de papel que eu tinha feito com quatro anos, lembro-me como se fosse ontem, fiquei tão orgulhosa por ter conseguido fazer uma flor com papel azul, quando meu pai veio me buscar dei a flor para ele e nunca mais a vi, achei que ele tinha jogado fora, quando voltei meus olhos para o homem em pé ao lado da minha cama tudo ficou claro, a luz do sol irradiou pela janela e fez meus olhos arderem.

— Daniel ? – O chamei, queria ele por perto, queria ele comigo.

— Eu estou aqui. – Daniel disse chegando perto da cama novamente, mas dessa vez ele não segurou minha mão, ele nem se quer me olhou direito. – Sua mãe está aqui também, vou chama-la. – Ele disse saindo do meu lado e indo para o corredor.

Fiquei muito desconcertada, ele não parecia ser o mesmo Daniel de ontem à noite, tentei mexer meu corpo, mas senti dor em toda a extensão do mesmo, os cortes nos meus braços ardiam e os hematomas em minha perna latejavam, sem dizer a dor insuportável na minha nuca que não me atrevi a sentir novamente. Pouco minutos depois Daniel voltou com minha mãe e uma enfermeira, estranhei por não ter visto Penn, mas lembrei que ela deve estar na escola uma hora dessas, minha mãe se debruçou sobre minha cama e beijou minha testa, a olhei nos olhos e vi que eles estavam inchado, ela havia chorado por minha causa.

— Como você está se sentindo hoje ? – A enfermeira perguntou enquanto fazia minha cama se dobrar me fazendo ficar sentada.

— Totalmente dolorida. –Respondi com sinceridade.

— A anestesia deve ter deixado de fazer efeito, vou mandar que tragam um café para você e assim o medico vai poder te medicar. – A enfermeira disse sorridente e logo em seguida saiu pela porta.

— Oh minha filha, é tão bom ouvir sua voz. – Minha mãe disse.

— Por quanto tempo eu dormi ? – Perguntei.

— Quatro dias, só acordou ontem de madrugada. – Daniel respondeu, ele parecia acabado e triste, não acredito que fiquei inconsciente por quatro dias.

— Você foi pra casa ? – Perguntei.

— Francesca trouxe roupas pra mim. – Ele respondeu. – Não ia deixar você. – Disse, sorri para ele, mas ele não retribuiu.

— Vou pegar sua irmã na escola, para vim visitar você. – Minha mãe disse.

— Que horas são ? – Perguntei.

— 10:00 horas minha querida, coma e descanse, em trinta minutos eu estou de volta, prometo. – Minha mãe disse depositando um beijo em minha testa e saindo do quarto.

Por um momento tudo ficou muito estranho, Daniel não proferiu mais nenhuma palavra e esse silencio estava me corroendo por dentro, será que o Cam tinha contado para ele ? Será que ele sabia de algo ? Será que ele ia me perdoar ? Essas perguntas estavam me matando. Uma mulher entrou no quarto com um carrinho e uma badeja com comida, parecia deliciosa, o que me fez parecer que eu estava no hospital mais caro de Atlanta por que comida de hospital nunca é deliciosa. Comi em silencio, precisava de forças para falar com Daniel e aceitar a decisão que ele fosse tomar, assim que terminei, a mesma mulher entrou e pegou o carrinho, ela me deu os parabéns por ter comigo tudo, me senti uma criança da terceira serie novamente. Quando ela saiu, tentei virar meu corpo para a direção do Daniel sem mexer meu pescoço e com muito esforço e dor eu consegui, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele começou.

— Cam me contou. – Ele disse, senti meu coração gelar na hora.

— Claro. – Foi à única coisa que consegui dizer.

— Eu não culpo você, quer dizer, eu provavelmente teria feito a mesma coisa, só que antes daria um soco no sujeito. – Daniel estava olhando para as próprias mãos.

— Me desculpe... – Tentei falar, mas ele me interrompeu.

— Quando Molly chegou perto eu sabia que ela queria alguma coisa, mas parte de mim queria acreditar que ela já tinha superado tudo, que ela não sentia mais raiva de você e que tudo ia voltar a ser como antes, mas quando ela olhou para o lado eu sabia que ela estava armando alguma coisa, tentei olhar para a mesma direção, eu sabia que era você, só que antes que eu pudesse virar ela me beijou, tentei a empurrar, mas o cara ao nosso lado não pareceu perceber, ele simplesmente não saia do lugar. – Me lembrar disso fez meu corpo todo doer, minha cabeça já estava começando a latejar. – Quando Gabbe veio em nossa direção sem você, Molly se espremeu para longe de mim, ela estava sorrindo vitoriosa e eu estava tentando me controlar para não bater no cara ao nosso lado, bom eu estava me segundo, mas Gabbe não, ela chegou como um touro e deu um tapa tão forte na Molly que deu para ouvir o barulho até por cima da musica. – Ele sorriu com a lembrança, eu também sorri só de imaginar. – Quando ela contou que você foi embora eu entrei em desespero, procuramos o Cam e quando não o encontramos logo percebi o obvio, não pense que imaginei que você faria alguma coisa com ele, mas sabia que você estava com raiva então esperei que você cometesse algum erro, afinal você nunca foi boa em tomar decisões quando esta com raiva. – Daniel se levantou e veio em minha direção. – Quando recebi a ligação do hospital meu mundo desabou, me toquei que você está aqui por minha causa, se eu tivesse sido homem e ido buscar você ou se eu tivesse parado de ligar, se eu tivesse dado um tempo pra você pensar... – Ele começou a falar, mas parou por conta das lagrimas que estavam brotando em seus olhos, senti a dor na minha cabeça ficar mais forte. – Eu não sou o homem certo pra você. – Foi a ultima coisa que Daniel disse, ele estava terminando comigo ?

— Você... – Tentei falar, mas doía muito só de pensar nisso. – Você está terminando comigo ? – Perguntei sentindo as lagrimas rolarem pelo rosto, metade por causa da dor que estava sentindo e metade por causa das palavras dele.

— Sim. – Respondeu com firmeza, mesmo com as lagrimas rolando pelo seu rosto.

— Não! – Falei inclinando meu corpo para frente. – Você não pode... – Tentei, mas senti a dor ficar muito mais forte. – Eu amo você, você não pode, você não vai fazer isso comi... – Não consegui terminar a frase.

A dor na parte de trás do meu pescoço foi tão intensa que fez meus olhos se fecharem e meu corpo todo cair na cama, não consegui proferir mais nenhum som sem serem gritos de dor, não vi Daniel, nem sabia se ele ainda estava ao meu lado, a única coisa que eu via era escuridão, a única coisa que eu sentia era dor, tanto física como emocional, Daniel tinha acabado de quebrar meu coração, o que me restava agora além de dor ? Além de tristeza ? A dor era tão intensa que comecei a me contorcer, a dor não era apenas no pescoço, ela se espalhou para o corpo inteiro com à medida que ia me contorcendo, tentei abrir meu olhos em um pedido de socorro, mas não consegui.

— LUCE! – Ouvi a voz do Daniel me chamando, sei que ele estava gritando, mas tudo parecia ser apenas um sussurro, por mais que eu tentasse ir atrás daquela luz, ir atrás do som de sua voz, eu estava sendo puxada para a escuridão mais uma vez e o medo de nunca mais sair veio a tona me triturando por dentro antes que eu pudesse gritar por socorro.

Notas finais
Não deixem de comentar. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.