Inesperado
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Minha mãe estava super feliz pela Penn, ela nunca tinha se quer entrado em uma casa tão luxuosa como o apartamento que o Daniel deu para elas. Meu namorado, era estranho pensar que eu e ele estávamos namorando, ele é meu chefe, será que eu devo ir adiante com isso ? Sei que no final eu posso acabar com o coração partido e desempregada, sei também que ele nunca foi de namorar, mas sinto atração por ele e quero estar com ele, então não custa tentar, ou será que custa ? Bom, isso é uma coisa na qual eu tenho que pensar com calma, tenho certeza que Shelby e Ariane vão me ajudar e falando nelas, daqui a pouco ambas estarão aqui, minha mãe disse que ia fazer um jantar de comemoração e pediu para levar as outras filhas de consideração dela. Estava no meu quarto me arrumando, escolhi um vestido bem simples, azul com bolinhas brancas, de alça e que ia um pouco à cima do joelho, coloquei uma bota de cano médio preta, minha mãe vivia dizendo que era para mim me vestir de uma forma mais feminina, vou jogar esse vestido na cara dela depois. Ouvi batidas na porta, quando olhei vi o Daniel com uma camisa social preta e calça jeans, ele estava tão natural.
– Você esta linda. – Falou se aproximando, eu nunca ia me acostumar com isso.
– Você também. – Falei.
– É só eu que estou achando isso muito estranho ? – Perguntou se aproximando.
– Não. – Respondi. Antes que ele pudesse se aproximar mais, ouvi os gritos da Shelby no andar de baixo, Daniel fez uma careta e saiu do quarto.
Fiquei esperando elas sentada na cama, não sei onde elas foram para demorar tanto, já tinham entrado aqui antes, não havia nada para elas admirarem. Peguei meu celular para ver as mensagens, tinha algumas da operadora e uma do Cam, será que eu devia ler ? Bom, o Daniel não ia descobrir mesmo.
“Almoçar com você fez o meu dia ficar mais calmo sabia ? Queria repetir isso, que tal você me ligar ?” – Cam.
Sentia-me mal por ele, sempre fomos amigos, não quero que isso acabe por causa do ciúme obsessivo do Daniel, eu não vou deixar isso acontecer, vou ligar para ele mais tarde e marcar um almoço entre amigos, vou contar para ele que estou namorando o Daniel agora e se ele ainda quiser ser me amigo beleza, se não, bom ai eu não vou poder fazer nada.
– Ai esta você. – Falou Ariane entrando pela porta. Ela estava deslumbrante com um vestido social vermelho e uma jaqueta de couro.
– E ai gata, como você esta ? – Foi a Shelby que perguntou. Ela estava usando um vestido comprido preto e uma cinta rosa, estava tão elegante.
– Oi meninas, eu tenho tanta coisa para contar pra vocês. – Falei de uma vez, precisava atualizar elas, eram minhas melhores amigas, contávamos tudo uma pras outras.
Ariane e Shelby sentaram na cama e ficaram me olhando, contei tudo a elas, a minha noite com o Cam, os momentos que eu tive com o Daniel, o pedido de namoro. Não conseguia decifrar o que estava se passando na cabeça delas, mas daria um milhão para saber, assim que terminei de contar fiquei as olhando esperando uma reação.
– Você transou com o Cam ? – Shelby perguntou, serio que foi só isso que ela ouviu ?
– O Daniel te pediu em namoro ? – Ariane perguntou.
– Meu Deus! – Falou a Shelby. – Parece que alguém perdeu 100 dólares. – Continuou sorrindo cinicamente para a Ari. O que estava acontecendo ?
– O que ? Como assim ? – Perguntei.
– Quando você começou a trabalhar para o Daniel há três anos, Ariane e eu fizemos uma aposta. Ela apostou 100 dólares que ele não ia se apaixonar por você, já eu apostei que ele ia se apaixonar por você. – Respondeu.
– Você esta de brincadeira com a minha cara ? – Perguntei incrédula.
– Não e agora eu perdi 100 dólares, muito obrigada Luce. – Ariane disse enquanto pegava 100 dólares da bolsa e entregava para a Shelby, meu Deus que mulher rica.
– É impossível não se apaixonar por você Luce. – Shelby disse. Sorri. Daniel bateu na porta e abriu a mesma.
– Oi. – Falou ele um pouco tímido, nunca imaginei que um dia veria Daniel Grigori tímido.
– E ai garanhão. – Ariane disse, arregalei os olhos e senti minhas bochechas queimarem. Daniel só piscou para ela, cafajeste.
Saímos do quarto e fomos em direção da garagem, íamos todos no carro do Daniel, assim seria mais simples e fácil. Ariane e Shelby sentaram nos bancos de trás, Daniel e eu sentamos na frente, eu não conseguia parar de pensar em como namorar ele era estranho, ele é meu chefe e agora eu estou namorando meu chefe, o que as pessoas vão pensar ? Tá isso pouco importa. Não demorou muito para chegarmos ao hotel, ele não ficava muito longe da casa o que me levava a perguntar o porquê do Daniel ter comprando ele ? Vou perguntar isso mais tarde. Assim que chegamos, Daniel estacionou o carro e saímos do mesmo, ele pegou minha mão e entrelaçou nosso dedos, não tive reação, não é que eu não goste dele, é só que esse é um lado dele que eu nunca tinha visto. O elevador abriu e Penn estava no hall de entrada do apartamento esperando por nós, ela estava com um vestidinho branco e uma sapatilha preta, um sorriso tão enorme no rosto que eu não consegui me conter. Ela veio correndo em minha direção e pulou no meu colo.
– MANA! – Gritou ela. Apartei-a em meus braços.
– E ai, baixinha. – Daniel disse bagunçando os cabelos dela.
– Não se lembra mais de nós ? – Shelby perguntou.
– Claro que lembro. – Penn disse saindo do meu colo e indo abraçar a Shelby e depois a Ari.
– Entrem, a comida esta quase pronta. – Minha mãe falou e logo em seguida voltou para cozinha.
Entramos, o cheiro veio imediatamente ao meu nariz, estava morrendo de fome, estava morrendo mais ainda pela comida da minha mãe, não querendo exagerar, mas minha mãe vazia a melhor comida do mundo. Daniel segurou minha mão novamente e me puxou para a sacada, a noite estava tranquila, ficamos olhando a cidade em baixo de nós por alguns segundos, logo depois ele me virou e beijou meus lábios, não foi um beijo urgente, mas foi um beijo necessário, ele estava saboreando cada centímetro da minha boca, infelizmente tivemos que nos separar por causa do maldito oxigênio, Daniel encostou sua testa na minha.
– Sei no que você esta pensando. – Falou.
– E no que seria ? – Perguntei.
– Você acha que isso não vai durar. – Respondeu.
– É, você esta certo. – Falei.
– Eu quero fazer durar. Luce, nunca conheci alguém como você, nos conhecemos há três anos. Bom, faz três anos que quero ter você para mim. – Falou, as palavras dele estavam me deixando excitada.
– Com licença pombinhos. O jantar esta pronto. – Ariane falou, nos separamos e voltamos para a sala.
O jantar foi tranquilo, Penn contou coisas que nós aprontávamos quando crianças, minha mãe então, ela não demorou a começar a falar de como eu me vestia, como eu me portava. Sempre gostei de brincar com os garotos na escola, nunca fui feminina ou delicada, claro que isso mudou muito, principalmente depois que comecei a trabalhar com o Daniel, ele obrigava a usar roupas sociais e como calças sociais são incrivelmente quentes, eu tive que optar por saias ou vestidos. Todo mundo contou um pouco de sua história, minha mãe fez um questionário para o Daniel e pude ver a careta que ela fez quando o mesmo disse que nunca teve uma namorada seria antes de mim, pra ser sincera, deu vontade de subir em cima da mesa e rebolar depois disso. Eu estava me sentindo feliz, tinha todo mundo que amava perto de mim, menos uma pessoa e minha mãe teve que lembrar exatamente de quem, ela começou a falar sobre como ela e meu pai se conheceram, era duro de mais para mim, Penn não se lembrava muito por que era muito pequena, mas eu tive que presenciar o divorcio deles, foi o momento mais difícil da minha vida, logo eu me lembrava do Phil, o quanto ele se mostrou amigo e companheiro para depois me trair da forma mais suja do mundo, os dois homens que eu mais amei me decepcionaram. Larguei meus talheres no prato, arrastei as cadeiras para trás e levantei, fui em direção da sacada novamente, precisava tomar um ar, esfriar a cabeça até minha mãe terminar de contar aquela feliz história. Senti lagrimas pinicarem meus olhos, eu não posso chorar, não aqui, não na frente da Penn, tenho que me controlar, por favor.
– Luce ? – Ouvi a voz de Daniel me chamar, não virei para ele. – Quer conversar ? – Perguntou. Fiz que não com a cabeça.
Ele veio até mim e me abraçou por trás, por alguma razão me senti mais protegida, mais segura, fechei meus olhos e deitei minha cabeça em seu ombro, ele beijou o alto da minha cabeça. Ficamos assim por alguns minutos, eu tinha que voltar e encarar a situação, por minha causa tudo ia ficar desconfortável, tinha que voltar e concertar as coisas. Virei-me de frente para o Daniel e beijei seus lábios, foi como se eu tivesse pegando forças através desse beijo, me separei dele e sorri, ele assentiu e voltamos para a cozinha, quando cheguei lá minha mãe me fitou em um pedido de desculpas, sorri para ela.
– O que é a sobremesa ? – Perguntei me sentando, ela sorriu e se levantou da mesa.
O resto da noite continuou tranquila, minha mãe não voltou a tocar naquele assunto. O caminho de volta foi rápido, já era um pouco tarde então não tinha quase ninguém nas ruas, me despedi da Shel e da Ari, elas foram para o carro delas e eu entrei na casa, Daniel estava sentado no sofá, assim que entrei, ele me chamou, fui até ele e sentei no sofá ao seu lado.
– Vai me contar ? – Perguntou, sei do que ele esta se referindo. – Você confia em mim ? – Perguntou, olhei para ele e assenti, respirei fundo e comecei.
– Meu pai era um policial, ele sempre foi um homem de bem, mas por algum motivo, quando eu tinha uns 14 anos meu pai começou a beber muito, ele nunca foi um cara violento ou algo do tipo, mas com a bebida veio às apostas e com as apostas veio à falência, os dois começaram a brigar muito por causa das dividas. Sabe, em 14 anos de vida eu nunca tinha visto os dois brigarem, Penn não se lembra muito bem por que era muito pequena, mas eu lembro de cada detalhe, era duro saber que eu não podia fazer nada para ajudar minha mãe. – Falei, senti as lagrimas de antes voltarem com ainda mais força. – Bom, depois de três anos eles se separaram, foi uma coisa boa para eles, não havia mais brigas, porem eu tinha perdido meu melhor amigo, meu pai sempre me chamou de princesa, mesmo quando eu acordava toda descabelada e horrível. – Continuei sentindo as lagrimas já rolarem pelo meu rosto. – Eu lembro que uma vez fui a uma festa e bebi tanto que passei mal, liguei imediatamente para ele, deviam ser umas quatro da manhã, mesmo assim ele pegou o carro e foi me buscar. Meu pai tinha prometido que ficaria comigo para sempre, ele prometeu que nos amava mais do que tudo, ele disse que éramos a vida dele. Ele nos trocou por uma garrafa de cerveja. – Terminei colocando a mão no rosto, estava chorando mais do que eu queria. Daniel me envolveu com seus braços e me puxou para o seu colo.
– Eu sinto muito, não consigo imaginar a dor que você deve ter sentido, que você ainda sente. – Falou, envolvi meus braços ao redor de seu pescoço e o abracei com força.
– Você disse que queria fazer isso dar certo, promete ? Promete que não vai me abandonar também ? – Perguntei, não sei se queria ouvir a resposta.
– Claro. Não vou abandonar você agora que a tenho para mim. – Respondeu.
Olhei nos olhos dele e vi a sinceridade, sorri e o beijei, um beijo cheio de promessas que talvez fossem ser cumpridas ou talvez não. Mas eu sei que ia tentar fazer de tudo para isso dar certo, com o Daniel sinto uma segurança que não sentia com o Phil, com o Daniel eu sinto uma coisa que sem duvida eu não sentia com o Phil.
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