Inesperado
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Já estava no quarto fazia um bom tempo, provavelmente meia hora. Não estava acreditando no que tinha acabado de acontecer, tá Daniel havia me beijado, ele me desejava, isso é ótimo, MAS POR QUE INFERNOS EU NÃO CONTINUEI ? Estava me amaldiçoando por ter parado, vou ser sincera, há muito tempo que eu desejava ser tocada por ele, tá certo que ele é meu chefe e tals, mas porra. Nunca pensei que seria tão otária em toda a minha vida, provavelmente ele acha que eu o rejeitei agora tudo vai ficar muito constrangedor. Droga, eu preciso realmente esclarecer as coisas. Abri a porta e corri de volta para o quarto dele, ele tinha que saber como me sentia sobre aquele beijo, ele tinha que saber que queria continuar, quando cheguei ao seu quarto ele estava deitado na cama olhando para o teto, o que será que ele estava pensando ?
– Daniel ? – Chamei seu nome, ele olhou para mim e se sentou na cama.
– Desculpe. – Falou.
– Não, eu preciso te dizer... – Comecei, mas ele não me deixou terminar.
– Não, tudo bem, eu sei que te peguei de surpresa. – Começou ele enquanto saia da cama e vinha em minha direção. – Se você quiser um tempo pra pensar... – Foi minha vez de não deixa-lo terminar, andei alguns passos e o beijei.
Não vi sua reação, mas tinha certeza que foi de surpresa, mas foi por pouco tempo, logo já senti suas mãos em minha cintura, ele retribuiu meu beijo com delicadeza e calma, acho que era pra ter sido assim o nosso primeiro beijo. Quando nos separamos por falta de ar, ele colou sua testa na minha e levou suas mãos para meu rosto, ele acariciou o mesmo com carinho, pude ver o brilho em seus olhos, não era só desejo, era ?
– Então... – Falou. – Acho que você não precisa de um tempo pra pensar. –Terminou, comecei a rir.
– Não, não preciso. – Confirmei. Afastei-me dele e pude ver o sorriso cortando seus lábios. – Tenho muito trabalho pra fazer. – Disse andando até a porta.
Ele não disse nada, apenas ficou lá sorrindo feito um bobo, sai do quarto e desci as escadas até a sala, estava com a minha cabeça nas nuvens, quem diria que um dia Daniel e eu íamos acabar nos beijando ? Isso parece até um sonho. Sentei no sofá e respirei fundo, tinha que voltar ao trabalho, eu ainda era sua secretaria, quando ia pegar meu notebook vi Daniel descendo as escadas já arrumado para sair, como ele fazia isso tão rápido ? Ser homem deve ser muito fácil.
– Tenho que ir. – Começou dizendo. – Esqueci que tinha marcado um encontro com a Gabbe. – Terminou, sei que ela disse que eles eram simples amigos, mas isso ainda me incomodava.
– Okay. – Falei. Ele não olhou pra mim, apenas foi em direção à garagem.
Verdade, Gabbe disse que o coração do Daniel pertencia à outra garota, droga. Eu sabia que não tinha futuro com ele, mas nesse caso eu só era um adiantamento. Ele disse que não gostava de pensar em outro homem me tocando, sem duvida ele era obsessivo com todas as garotas que ele já pegou e eu seria mais uma delas. Merda, por que isso tinha que entrar na minha cabeça logo agora ? Eu estava tão feliz. Dei um suspiro pesado, tinha que distrair minha mente, sendo assim peguei meu celular e disquei o numero da minha mãe, ela mora em Dunwoody, um subúrbio localizado no norte de Atlanta, precisava mesmo falar com ela.
– Mãe ? – Chamei.
– Luce, minha filha, como você esta ? – Perguntou ela, pude ouvir a doce voz da minha irmã pedindo para falar comigo.
– Estou ótima mãe e a senhora ? – Menti e perguntei de volta.
– Filha, você mente tão mal, até mesmo pelo telefone. – Disse ela, suspirei.
– Não precisa se preocupar mãe. – Garanti. – Eu tenho uma ótima noticia. – Falei.
– Jura ? Oque ? Você e Phil vão finalmente se casar ? – Perguntou, não esperava que ela fosse perguntar sobre Phil, isso abriu uma ferida que já estava se cicatrizando.
– Não, não tem nada a ver com ele mãe. – Comecei, respirei fundo. – Eu quero que a senhora e Penn venham morar aqui no centro de Atlanta. – Falei.
– O QUE ? VOCÊ ESTA FALANDO SERIO ? – Gritou ela do outro lado da linha.
– Sim, economizei muito dinheiro pra isso, quero que vocês venham o mais rápido possível para escolherem um apartamento. – Disse.
– Oh minha filha, você não tem noção de como isso me deixa feliz. – Disse minha mãe. – Quando você quer que a gente vá ? – Perguntou.
– Esse final de semana esta bom para vocês ? Não precisa trazer nada além das roupas, primeiro vamos organizar tudo e depois eu mando um caminhão ir pegar os móveis, caso vocês queiram. – Falei.
– Muito obrigada filha. – Pude ouvir sua voz embargada nas lagrimas, ouvi um bipe no meio da ligação, tinha outra pessoa na linha.
– Mãe, eu vou ter que desligar, mais tarde eu ligo para acertarmos um horário. – Disse.
– Tudo bem minha filha, até mais. Eu te amo. – Foi o que ela disse antes de desligar o telefone. Olhei na tela e vi o nome do Daniel nela, por que logo agora ?
– Alo. – Falei.
– Preciso de você aqui. – Foi à única coisa que ele disse antes de desligar o telefone.
Nossa, me levantei e andei até a garagem, o BMW estava lá esperando por mim. Será que eu já tinha mencionado o quanto eu amava aquele carro ? Entrei no mesmo e sai da casa, estava tudo tranquilo, era final de tarde então não tinha fila nenhuma, em poucos minutos eu já estava estacionando na frente da empresa do Daniel. Sai do carro e entrei na empresa, os funcionários acenaram para mim e sorriram, amava eles, entrei no elevador e fui pro andar onde ficava a sala do meu chefe. Quando o elevador abriu pude ver que a secretaria já não era mais a mesma, não fiz nem questão de parar e pedir para ela avisar que eu já havia chegado, apenas continuei andando até chegar à porta, sem bater abri e entrei pela mesma, vi Gabbe e Daniel sentados conversando, assim que bati a porta atrás de mim, vi seus olhos me fitarem.
– Oi Luce. – Gabbe me cumprimentou.
– Sente Luce. – Ordenou ele. Como ele conseguia ficar normal depois do que havia acontecido ? Andei até eles e sentei-me ao seu lado. – Como estávamos falando, eu vou ter que viajar hoje para uma reunião no Brasil, mas já tinha marcado com o Sr. Cole uma reunião amanha e não poderei faltar, você vai no meu lugar. – Falou. Arregalei meus olhos.
– Como assim ir no seu lugar ? – Perguntei.
– Você vai gravar toda a reunião para mim, já liguei para o Sr. Cole e ele disse que não havia problema nenhum. – Disse ele respondendo minha pergunta, senti o alivio tomar conta de mim.
– Tudo bem. – Falei. – Você vai também Gabbe ? – Perguntei, queria realmente ouvir um não.
– Sim, eu amo o Brasil. – Falou ela. Era só por isso que ela ia ? – Bom, se me derem licença, eu já vou ter que ir. – Disse ela se levantando e indo em direção à porta. Olhei para o Daniel e vi-o fitando ela enquanto a mesma saia pela porta, mordi meus lábios e abaixei a cabeça, isso não deveria me incomodar, não somos nada.
– Não faça isso. – Disse ele.
– Fazer o que ? – Perguntei.
– Não morda os lábios, isso me da uma vontade enorme de deitar você nessa mesa. – Falou. Arregalei meus olhos novamente.
– Okay, então... – Ele tinha que deixar a situação toda constrangedora ? Não pude completar minha frase, lembrei-me de minha mãe. – Daniel, eu chamei minha mãe para morar aqui. – Contei para ele animada.
– Jura ? Sempre quis conhecer sua mãe. – Falou ele se levantando e sentando em sua cadeira atrás da mesa.
– Serio ? – Perguntei.
– Claro. – Falou ele. – Ela é tão bonita quanto você ? – Perguntou. Senti minhas bochechas queimarem. Mas ela era realmente linda.
– Deseja mais alguma coisa senhor ? – Perguntei mudando de assunto e me levantando.
– Sim, você iria tirar sua roupa caso eu pedisse ? – Perguntou ele sorrindo. Isso é serio ?
Não respondi, revirei os olhos e sai pela porta com um sorriso no rosto, não acredito que ele me perguntou isso, era só o que faltava. Por mais que o Daniel fosse sexy e desejável, eu não faria isso com ele ali, provavelmente não faria em lugar nenhum, não até saber quem era a mulher que tinha o coração dele, e se fosse alguém que eu conheço ? Jamais iria me perdoar, se bem que não conheço quase ninguém por quem ele teria chances de se apaixonar, todas as garotas são ridículas. Bom, sai do elevador e fui em direção ao meu carro, entrei no mesmo e fui direto para casa pensar um pouco.
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