Inesperado
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Eu sinceramente gosto da Gabbe, mas ela não podia escolher um outro momento para entrar aqui ? Minha vontade é de jogar ela na piscina e afoga-la, eu sentia minhas bochechas ferverem, aposto que estava pior que um tomate, eu estava com os seios amostra e o Daniel estava tocando neles, ela tinha visto tudo, senti meu corpo todo ficar quente, mas dessa vez era de vergonha, com que cara vou olhar para ela agora ? Assim que a vimos entrar na casa, Daniel olhou para mim, havia diversão em seus olhos, ele não estava envergonhado, estava se divertindo com aquela situação, é claro que ele não estava com vergonha, Gabbe já deve ter o visto fazer coisas piores ou ele já fez isso com ela, no mesmo lugar onde estou agora, droga, eu não deveria ter pensado nisso. Ia falar alguma coisa, mas os lábios do Daniel me interromperam, ele voltou a me beijar com a mesma intensidade de antes, como se nada tivesse acontecido, como se Gabbe não estivesse esperando ele na sala nesse exato momento, não tenho certeza se devo fazer sexo com ele, mas sei que não quero que a nossa primeira vez seja dentro de uma piscina, ainda mais às pressas. Coloquei minhas mãos em seu peito e o empurrei de leve.
– Gabbe está esperando você. – Falei, ele não desistiu, como se minhas mãos fossem palha, ele simplesmente deu um empurrão para frente e conseguiu alcançar meu pescoço.
– Ela pode esperar mais um pouco. – Disse no meio dos beijos, o empurrei novamente, dessa vez ele parou para olhar pra mim. Ficamos nos encarando por alguns segundos. – Tá. – Ele disse por fim, pude perceber a raiva em seu tom de voz.
– Obrigada. – Falei. O vi ir atrás do meu biquíni, assim que o pegou, me virei de costas para ele poder amarrar.
– O prazer foi todo meu. – Disse e logo em seguida deu uma piscada, cafajeste.
Daniel saiu da piscina e me ajudou a sair também, ele pegou uma das toalhas que estavam em cima da cadeira de praia e me enrolou nela, Daniel me abraçou com força, como se estivesse tentando me dizer alguma coisa, mas não entendi muito bem, retribuiu o abraço. Eu realmente quero que isso dure, mas não sei por que tenho a impressão de que nosso namoro é só uma distração.
– Vamos ? – Daniel perguntou.
– Eu não vou entrar lá, não depois do que acabou de acontecer. Daniel ela viu tudo. – Falei as pressas.
– E dai ? Não estávamos fazendo nada de mais. – Disse ele com um olhar brincalhão.
– Não ? Claro, você diz isso por que foi a Gabbe, mas e se fosse um de seus amigos ? – Perguntei, vi seu sorriso desaparecer imediatamente, mas por quê ?
– Então é por isso ? Você preferia que fosse um dos meus amigos, ou melhor, você preferia que fosse o Cam ? – Ele perguntou com raiva. O que ? Ele realmente estava me perguntando isso ?
– Eu nem se quer pensei nesse nome Daniel, você tá sendo irracional agora. – Falei em minha defesa. Ele respirou fundo.
– Okay, me desculpe. – Pediu. – Eu vou ver o que a Gabbe quer. – Disse saindo.
Mas que droga, por que ele tinha que pensar no Cam agora ? Não me arrependo do que aconteceu entre nós dois, mas eu queria fazer o Daniel esquecer isso, eu estava magoada, tinha acabado de descobrir que meu namorado, meu primeiro amor me traiu, estava com raiva daquela cobra da Molly e acabei deixando levar. Daniel sabia disso, ele mesmo já tinha dito isso, por que ainda ficava apertando essa tecla ? Custava simplesmente deixar isso de lado ? Ah que ótimo, isso acabou de estragar minha manhã e provavelmente meu dia.
Não queria ficar do lado de fora, estava ficando frio, vou dar a volta na casa e entrar pela cozinha, se eu tiver sorte eles não vão me ver subir as escadas. Fui enrolada na toalha mesmo, dei a volta pela garagem, o pátio, até chegar à porta da cozinha, entrei pela mesma e para minha felicidade, Francesca não estava na cozinha. Sai de vagar e fui em direção à sala, parei na porta quando vi Daniel descendo as escadas, ele dever ter subido pra se trocar, eles iriam começar a conversar agora. Mordi meus lábios com força, será que eu devo ficar e ouvir o que eles vão dizer ? Quando Daniel desceu as escadas e foi em direção a Gabbe, andei pra frente e subi os degraus da escada abaixada, sentei no meio da mesma, qualquer coisa ficava mais fácil sair correndo para o meu quarto. O vi abraça-la e beija-la no rosto, ambos sorriram um para o outro, mas ninguém disse uma palavra, pareciam estar constrangidos.
– Quer uma bebida ? – Ouvi Daniel perguntar.
– Você sabe que sim. – Gabbe respondeu andando até o bar. – Lembro-me de quantas vezes já nos divertimos naquela piscina, você sempre gostou de fazer amor em baixo da água. – Falou ela, eu sabia, sabia que eles já tinham feito exatamente aquilo, naquele mesmo lugar, daquele mesmo jeito.
– Você poderia ter chegado um pouco mais tarde. – Daniel disse ignorando o comentário dela e servindo alguma bebida em copos, senti minhas bochechas queimarem novamente, Gabbe começou a rir.
– Se eu soubesse que vocês estariam na piscina se divertindo, nem teria vindo. – Disse ela.
– Então por que veio ? – Daniel perguntou, ele soou um pouco grosso, mas queria saber a resposta.
– Ah qual é Daniel, nem vem ficar bravo comigo, você termina de se divertir depois. – Gabbe disse. Jura ? Ele a olhou de cara feia, mas logo em seguida sorriu.
– Por que você veio aqui ? Achei que tínhamos um encontro marcado pra mais tarde. – Daniel disse, isso é verdade.
– Eu sei, mas pensei que talvez se eu viesse mais cedo, nós poderíamos sair, para dar uma volta, como nos velhos tempos. – Gabbe falou antes de tomar um gole de sua bebida. Velhos tempos ?
– Eu sinto falta dos velhos tempos. – Daniel disse. O que ? Ele sente falta dos velhos tempos ? Com a Gabbe ?
– O que á entre você e ela ? – Gabbe perguntou. Ah não.
– Estamos namorando. – Daniel respondeu, senti o alivio tomar conta de todo o meu corpo.
– Então você decidiu me ouvir pela primeira vez! – Afirmou Gabbe, ele sorriu.
– Aquela viagem ao Brasil foi boa, mas abriu meus olhos. – Daniel falou. O que aconteceu entre eles na viagem ao Brasil ? Pensei que ele tinha dito que mal se viram.
– Vou sentir falta, mas fico feliz que você tenha finalmente se encontrado. – Disse Gabbe. Ele não falou nada, apenas assentiu, por que ele não falou nada ?
– Vamos para a empresa, a gente pode chamar nossos sócios para conversar. – Daniel disse deixando o copo em cima da bancada. – Vou me trocar em um minuto. – Falou vindo em direção as escadas.
Em um pulo eu me levantei e subi o restante dos degraus, corri o corredor até o meu quarto e me tranquei no banheiro. Acho que não deveria ter ouvido a conversa deles, isso só respondeu as minhas suspeitas de que talvez nosso namoro não durasse, de que Gabbe e ele sempre serão ligados e tudo que formos fazer vai lembra-lo dela. Tirei meu biquíni e entrei no chuveiro, precisava de uma ducha quentinha e também não estava preparada para encarar o Daniel. Quando finalmente sai do banheiro, peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem dele.
“Não encontrei você na piscina, mas acho que você deve ter dado um jeito de ir pro seu quarto, eu estou indo para a empresa, nos vemos depois.” – Daniel.
Ele nem se quer tinha ido me procurar, troquei de roupa, coloquei a mesma roupa social de antes, peguei as chaves do BMW que agora ficavam constantemente na minha bolsa e sai do quarto em direção à garagem. Não queria conversar com ninguém, na realidade queria, mas ninguém que estivesse presente no momento, entrei no carro e sai da casa, precisava encontrar minha mãe, nós tínhamos que conversar sobre a Penn e em que escola íamos coloca-la, isso iria me distrair, pelo menos eu esperava que sim. No caminho até o apartamento do Daniel que agora era da minha mãe, a conversa deles voltou como um flash, tudo que ele disse a ela, sobre sentir saudades dos velhos tempos, eu realmente não deveria ter ouvido a conversa. Tinha uma coisa que estava me preocupando mais, o que tinha acontecido entre eles na viagem para o Brasil e por que o Daniel disse que eles mal tinham se visto ?
Quando finalmente cheguei ao apartamento, estacionei o carro e entrei no hall, será que ele já tinha trazido Gabbe aqui ? Eu mal sabia de sua vida sexual, ele tinha deixado bem claro que não me dizia respeito, então provavelmente sim, ele já deve ter trazido ela aqui, mesmo ele tendo dito que só foi ali umas duas vezes, a visão dos dois juntos encheu minha mente, o jeito que ele olhava pra ela na festa em Los Angeles, o jeito que ele flertava com ela, os sorrisos lançados, por que ele não fica com ela ? Por que ele esta namorando comigo ? Será que ela não quer ? Se for isso então eu sou apenas uma substituta, essa conclusão dos fatos fez lagrimas encharcarem meus olhos, respirei fundo enquanto esperava a recepcionista avisar minha mãe que estava subindo. Depois que ela confirmou que eu podia subir, entrei no elevador e segurei as lagrimas ao máximo, mas assim que o elevador abriu e minha mãe apareceu, eu me joguei em seus braços e comecei a chorar, ela fez exatamente o que eu estava esperando, me apertou forte e acariciou meus cabelos.
Ela não perguntou o que tinha acontecido de imediato, primeiro ela pediu para a Penn ficar na sala que nós duas precisávamos conversar um assunto apenas para adultos, depois ela foi para a cozinha e nos serviu um pouco de café. Depois que nós duas sentamos a mesa, ela começou a falar.
– Então, o que aconteceu ? – Perguntou.
– Eu sou uma idiota mãe, isso que aconteceu. – Respondi.
– Isso tem a ver com o Daniel ? – Perguntou de novo.
– Tem a vez com uma ex-namorada dele. – Respondi olhando para minha caneca de café.
– Se é uma ex, qual é o problema ? – Perguntou ela.
– O problema é que ouvi os dois conversando, ambos disseram que sentiam falta dos velhos tempos. – Respondi.
– Eu tive um namorado antes do seu pai. – A olhei imediatamente. – Quando seu pai e eu começamos a namorar eu senti falta do meu ex por algum tempo. – Falou. Não entendi muito bem o porquê de ela ter compartilhado isso.
– O que você está tentando dizer com isso ? – Perguntei.
– Eu estou tentando dizer que, meu ex e eu ficamos juntos por um bom tempo, eu estava acostumada com o jeito dele, com o jeito que ele me tratava, mesmo depois que terminamos continuamos amigos, o que me fazia sentir mais falta ainda. – Falou ela se explicando. – Com o seu namorado é a mesma coisa, vai dizer que, por mais que o Phil tenha traído você, você não sente falta de algumas coisas ? – Perguntou ela, nunca em um milhão de anos eu iria pensar que ela colocaria Phil no meio disso.
– Não é a mesma coisa, eu já não sinto mais nada pelo o Phil, mãe você tem que ver o jeito que ele a olha. – Falei.
– Você tem que parar com isso minha filha, pessoas cometem erros, Phil cometeu um erro traindo você, o erro foi dele, não seu, o problema não está em você, mas nesse exato momento o erro esta sendo seu. – Disse ela.
– Como assim ? – Perguntei.
– O erro de desconfiar de tudo e de todos, filha você pode ser feliz. – Respondeu.
– Você é feliz ? Você é feliz sabendo que o papai a trocou por nada ? – Perguntei, ela não ficou brava, apenas me olhou com tristeza.
– Ah filha, o erro foi dele, não seu, não é só por que seu pai te decepcionou que o Daniel vai fazer o mesmo. – Respondeu ela, engoli em seco, não queria chorar de novo.
– O que eu faço mamãe ? Eu não consigo tirar essa desconfiança de dentro de mim. – Falei.
– Saia daqui, espere ele chegar e converse com seu namorado, pergunte tudo a ele, tudo que você quer saber sobre os relacionamentos passados, sobre o que ele sente em relação à ex dele. Vocês tem que começar a serem honestos um com o outro se quiserem que isso dure. – Disse ela. Respirei fundo e assenti.
– Eu posso ficar aqui ? Quer dizer, isso vai me distrair por um pouco, passar um tempo com a minha irmãzinha. – Falei.
– A casa é sua minha filha, vou preparar sua comida favorita para o almoço. – Disse ela se levantando e me dando um beijo na testa.
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