Inesperado
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Eram 7:00 horas da manhã e eu já estava tomando banho, estava me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, é como se eu tivesse me liberto de toda a tristeza e humilhação que eu tinha passado, embora a culpa ainda estivesse presente. Cam teve que ir embora cedo, ele disse que se Daniel visse ele ali iria dar briga, mas não quis me contar o porquê deles terem brigado, só disse que era uma longa historia, como não tínhamos tempo para conversar decidi deixar por isso, mas eu não vou descansar até descobrir por que esses dois, que até pouco tempo eram como irmãos, agora estão brigados. Mas isso me deixava um pouco triste, eu estava me sentindo uma trairá, como se tivesse desertado, isso é ridículo, mas o modo como Daniel falou do Cam para mim parecia que os dois tiveram uma briga feia e que provavelmente, um nunca mais iria confiar no outro. Suspirei e desliguei o chuveiro, me sequei e me enrolei na mesma toalha, fui até meu quarto, dizer que depois de uma noite daquelas, eu teria que ir trabalhar, vida injusta essa a minha. Escolhi então uma calça social azul marinho de cintura alta e uma blusa rosa bebê rendada, eu tinha ganhado essa blusa da minha mãe, logo estaríamos todas juntos novamente. De sapato eu escolhi uma sapatilha bege, não estava nem um pouco a fim de usar salto hoje.
Sai do quarto e não me deparei com nenhuma roupa jogada no chão, isso foi muito estranho já que Daniel tinha chegado tarde, isso quer dizer que eu teria que entrar no quarto. Droga. Andei até o final do corredor, a casa estava em silencio total e já dava para ver o brilho do sol entrando forte pelas cortinas da sala, logo os empregados já estariam ali. Quando entrei no quarto eu me preparei para ver qualquer tipo de cena, mas a única coisa que eu vi, foi um Daniel sem camisa, jogado em cima da cama, ele estava sozinho, isso sim era novidade. Caminhei até ele e percebi que ele estava suando, muito até, coloquei minha mão em sua testa de vagar e não pude deixar de ficar assustada, ele estava queimando e suando frio, ele estava com febre.
– Daniel! – Falei tentando acorda-lo. Ele abriu os olhos de vagar e pude ver o quanto ambos estavam caídos. – Levanta, você precisa tomar um banho gelado. – Disse tentando fazê-lo levantar.
– Pra que ? – Perguntou em meio de uma tosse.
– Você está queimando de febre, se não abaixar você pode ter uma convulsão. – Expliquei.
– Eu me sinto bem. – Disse, mas colocou as pernas para fora da cama de vagar.
– Eu sei. – Falei segurando em sua mão e o ajudando.
Fomos até o banheiro do quarto dele, o deixei sentando no bacio e fui ligar o chuveiro no frio, dei uma boa olhada nele e pude ver o quanto ele estava acabado, não parecia nem a sombra do homem poderoso que ele era, nunca o tinha visto assim. Ajudei-o a se levantar, ele já estava sem camisa, então só faltava à calça, eu já tinha feito isso antes, não vi problema nenhum em ajuda-lo a tirar, mas parece que ele viu, quando eu fui colocar as mãos na fivela do cinto ele segurou meus pulsos, olhei pra ele esperando uma resposta.
– Eu posso cuidar disso. – Foi o que ele disse, não falei nada, apenas assenti e sai do banheiro.
Quando voltei pro quarto pude ver que a cama ainda estava feita, um pouco bagunçada, mas nem aprece que alguém tinha dormido ali, olhei ao redor e vi seu paletó caído no lado da cama, fui até o mesmo e o peguei do chão, ia levar até a porta do banheiro, mas o barulho de algo caindo no chão me chamou a atenção, quando olhei pude ver um pequeno frasco amarelo, me abaixei e peguei o mesmo, não tinha rótulo, mas dava para ver nitidamente que eram pequenas capsulas de remédios. Foi onde a ficha caiu, já fazia tempo que ele estava assim, em Los Angeles, depois da boate ele tinha me dado remédios para dor de cabeça e ontem de manhã também, como pude não perceber ? Eu estava ocupada de mais me preocupando só comigo, como se eu fosse à única que tivesse problemas. Sentei na cama com o pequeno frasco em mãos, me sentia a pessoa mais egoísta do mundo, Daniel sempre esteve cuidando de mim e quando ele fica doente eu nem se quer noto. O barulho da campainha me despertou dos meus pensamentos, os empregados, tinha me esquecido completamente deles, sai do quarto e desci as escadas correndo, bendita hora em que decidi colocar uma sapatilha. Abri a porta para Francesca e para mais alguns empregados.
– Bom dia. – Falou ela toda animada. Sorri.
– Bom dia, Francesca. – Disse. – Tem como a senhora preparar um café bem reforçado ? O Daniel está doente. – Perguntei. Ela me olhou com espanto, realmente era raro ele ficar doente.
– Claro, vai ficar pronto em alguns minutos. – Francesca disse já pegando as coisas para preparar.
Dei meia volta e subi as escadas, não sabia o que ia fazer, nunca tinha visto ele doente, já cuidei da minha irmãzinha varias vezes, mas era diferente, Daniel é meu chefe, como vou obriga-lo a ficar quieto ? Vai ser impossível, eu vou ter que amordaçar ele. Suspirei pesado e fui até meu quarto pegar meu celular, tinha uma mensagem do Cam.
“Sei que tive que sair correndo, mas quero passar mais tempo com você. Que tal um almoço ?” – Cam.
Droga, não posso sair de casa com o Daniel assim, meu chefe é como uma criança, eu vou ter que ficar de olho nele o dia todo. Neguei o convite do Cam, disse que tinha muito trabalho, ele não era igual ao Phil, sem duvida iria entender. Depois de trinta minutos, decidi ir ver se o Daniel não tinha morrido em baixo do chuveiro, quando entrei no quarto ele já estava vestido como se fosse ir trabalhar, ele estava conversando com alguém no celular, fui até ele e peguei o celular de sua mão.
– Quem é ? – Perguntei.
– O Sr. Cole. Tenho uma reunião daqui a pouco com ele. – Disse sem entender com a mão estendia esperando eu devolver o aparelho.
– Sr. Cole ? Aqui é a Lucinda, a secretaria do Sr. Grigori. Sim estou ótima, obrigada. Olha, o Sr. Grigori está incrivelmente doente hoje, ele acordou com quase 40ºC de febre, infelizmente ele não ira comparecer a reunião, então mais tarde eu ligo para o senhor pra remarcar, até mais. – Desliguei o celular sem esperar uma resposta do Sr. Cole. Daniel me olhou como se eu tivesse jogado pedra na cruz.
– O que você pensa que esta fazendo ? – Perguntou tentando pegar o celular, dei um passo pra trás e o vi cambalear.
– Você não vai trabalhar hoje. – Respondi enquanto o empurrava até a cama.
– Por que não ? Estou ótimo. – Disse. Coloquei minha mão sem sua testa, ele tinha tomado um banho gelado, mas ainda estava queimando.
– Daniel, você tem trabalho de mais, por isso esta doente. Você precisa descansar. – Falei empurrando ele na cama, ele caiu de costas e pude ouvir seu suspiro de alivio.
Dei as costas para ele e sai do quarto com o celular na mão, não ia deixa-lo ficar com o celular, botei o mesmo no bolso e desci pra apegar o café da manhã. Cheguei à cozinha e já estava tudo preparado em uma bandeja, bacon, ovos mexidos, suco de laranja e uns biscoitos, não vi Francesca para poder agradecer, mas com certeza faria isso mais tarde. Subi as escadas com cuidado e fui em direção ao quarto do Daniel, ele tinha trocado de roupa novamente, agora ele estava com uma calça de moletom e uma camisa. Coloquei a bandeja em cima de suas pernas, ele estava me olhando com uma expressão estranha, parecia triste.
– Tem alguma coisa que você gostaria de me contar, Luce ? – Perguntou. Eu gelei na hora, será que minha culpa estava tão eminente assim ?
– Não. – Respondi com a cabeça baixa.
– Não ? Será que você não quer me contar que o Cam passou a noite aqui ? – Perguntou, arregalei meus olhos para ele. Como ?
– Como você soube ? – Perguntei.
– Você acha que eu não sei o que acontece dentro da minha casa ? – Perguntou. Eu abri minha boca para falar, mas ele não deixou. – Não quero saber, eu falei pra você ficar longe dele, Luce. Mas você preferiu confiar nele do que em mim, então que seja. – Falou e logo em seguida começou a comer.
Não sabia o que dizer, meu coração estava congelado, nunca me senti tão culpada, o que era ridículo já que o Daniel não tinha nada a ver com minha vida sexual, mas por alguma razão ver ele daquele jeito, saber que eu quebrei sua confiança me fazia sentir muito mal. Sai do quarto com a cabeça baixa, não podia fazer isso com meu chefe, Daniel não era só meu chefe, ele já era meu amigo, não podia mais ver o Cam, não iria mais ver o Cam.
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