Inesperado
12 Capítulo 12
Notas iniciais
O voou foi mais rápido do que eu consigo lembrar, na realidade não me lembro de nada porque dormi a viagem toda, foi o melhor sono da minha vida, estava me sentindo tão triste e pesada, parecia que tinha um caminhão em cima dos meus ombros, mas acordei totalmente renovada, parecia até outra pessoa. Acordei com Daniel me chamando, eu gostaria de saber como ele acordou antes de mim se normalmente quem acorda cedo sou eu, em fim, saímos do avião e tinha um carro esperando por nós, amo esse emprego. Do nada, o nome do Phil piscou na minha cabeça, bom era domingo, eu passei à tarde dentro de um avião, mas a noite eu poderia ficar com ele, afinal nem no meu aniversario eu passei com ele, acho que essa é uma boa ideia. Assim que Daniel colocou nossas malas dentro do carro, ele entrou pela porta do motorista e eu sentei no carona, ele olhou para mim e sorriu, não pude deixar de sorrir também, esse final de semana foi bom, apesar de eu ter virado bolo de carne né, mas Daniel e eu nos aproximamos e eu pude ver o quanto ele se importava comigo, sem duvida ele é um ótimo amigo.
– Daniel, posso te pedir um favor ? – Perguntei, ele olhou para mim esperando que eu terminasse. – Você poderia me levar até o apartamento do Phil ? – Vi seus olhos escurecerem, sei que ele não gosta do Phil, meu namorado tinha feito por merecer.
– Você não acha melhor ir para casa descansar ? – Perguntou.
– Sim, mas nem meu aniversario e nem nosso aniversario de namoro passamos juntos, achei que poderia fazer uma surpresa. – Falei hesitante. Daniel olhou pra frente e respirou fundo.
– Tá. – Foi à única coisa que ele disse. Assenti e coloquei o cinto.
Por alguma razão, o clima ficou estranho entre nós dois, me senti culpada por isso, não podia evitar esse desentendimento entre Daniel e Phil, quando levei Phil para conhecer o Daniel, ele foi completamente grosso, perguntando sobre sua vida amorosa, que tipo de garota ele gostava, foi embaraçoso, já tinha dito para o Phil que meu chefe nunca tinha dado em cima de mim ou algo parecido, lembro de ter ficado sem falar com ele por uma semana inteira, mas eu amo o Phil, o que aconteceu entre Cam e eu, foi um deslize por causa da bebida, a prova disso é que eu não consegui ir adiante com aquilo, ainda bem, abençoada seja a minha consciência que me alertou antes de tudo ter ido por água baixo.
Phil morava longe do aeroporto, então demorou um pouco mais pra chegarmos a casa dele, a viagem toda foi silenciosa, Daniel e eu não trocamos uma palavra se quer, não consegui parar de pensar em como ele tinha sido carinhoso comigo no quarto do hotel, estava começando achar que ele só foi carinhoso daquele jeito porque sentiu pena, essa deve ser a única explicação. Chegamos à frente do hotel e saltamos, Daniel pegou minha mala e foi comigo até o elevador, assim que entrei ele colocou a mala no chão e ficou me olhando, ficamos nos encarando até a porta do elevador fechar, deve ter sido minha imaginação, mas parecia que tinha dor em seus olhos, deve ser o cansaço, afinal tinha o feito dirigir a cidade toda só para me levar até a casa do meu namorado. Ele sem duvida era o melhor chefe do mundo e por que não dizer amigo ?
O elevador abriu e fui em direção a porta do Phil, girei a maçaneta por alguma razão, a porta nunca ficava aberta, acho que era mania mesmo, mas me assustei com o fato da porta realmente estar aberta, ele nunca deixa aberta, sempre tranca. Entrei de vagar, estava tudo escuro, vi a luz do banheiro acesa e a porta aberta, ele estava no banho e deixou a porta destrancada ? É um cabeçudo mesmo. Bom, ele estava no banho, eu tinha acabado de chegar e realmente precisava de um banho, nada melhor do que fazer uma surpresa para ele. Deixei minha mala encostada na porta e fui andando de vagar até o banheiro, não queria que ele me ouvisse, queria ver a reação dele quando eu entrasse no banheiro, sem duvida ele ficaria surpreso, estava concentrada em não bater em nada que nem vi quando pisei em alguma coisa macia, me abaixei pra pegar e com a luz fraca que vinha do banheiro pude ver que era um sutiã.
Meu coração gelou na hora, sem duvida aquele sutiã não era meu, mas então. Espera um pouco, porta destrancada, sutiã caído no chão, meus olhos começaram a arder, fui andando mais rápido em direção do banheiro, tentei não ficar tão visível quando cheguei à frente da porta, olhei para dentro e foi como se tivessem me esfaqueado no peito. Vi nitidamente Phil e aquela amiguinha dele, a tal de Dawn, na banheira, os dois estavam nus, deu pra ver isso quando ela se virou para ficar de frente com ele e beijar seus lábios, meus olhos começaram a ficar embaçado, pela primeira vez na vida, eu não consegui segurar o choro. Ainda com o sutiã na mão, me virei e fui em direção da porta, peguei minha mala e bati a porta com tudo antes de sair andando em direção do elevador, as lagrimas rolavam no meu rosto, que merda, sempre odiei chorar e agora estava chorando por causa de alguém que nunca imaginei que me faria chorar. O elevador parou no hall de entrada e fui em direção a saído o mais rápido que pude, não esperava ver Daniel ainda lá fora, ele estava encostado no carro falando com alguém pelo celular, assim que me viu, se despediu de quem quer que fosse e veio correndo em minha direção, quando ele percebeu as lagrimas que rolavam pelo rosto, seus olhos ficaram mais uma vez escuros.
– O que houve ? – Perguntou autoritário e seco. Não respondi, apenas mostrei o sutiã que ainda estava em minhas mãos.
Daniel assentiu, respirou fundo, passou as mãos nos cabelos e me olhou serio, não consegui fazer nada se não tentar parar de chorar, mas foi inútil, quanto mais eu tentava mais lagrimas desciam. Olhei para ele e vi que sua expressão saiu de serio e foi para zangada, Daniel pegou o sutiã que estava em minhas mãos e foi em direção ao elevador, corri para acompanhar os paços dele, o que ele ia fazer ? Ele vai bater no Phil ? Bem que ele merece, mas não quero isso, não quero que Daniel se envolva nisso. O elevador parou no andar do Phil, assim que saímos, ele me olhou interrogativo.
– Qual o numero ? – Perguntou, será que eu devia responder ? Bom, já estávamos aqui mesmo.
– 34. – Falei baixo, torcendo para ele não ouvir. Claro que foi inútil.
Daniel foi em direção à porta, ele tentou abrir mais foi inútil, Phil trancou, ele deve ter ficado com medo por causa da batida na porta que eu dei. Meu chefe bateu na mesma com toda a paciência do mundo, nem parecia o homem que estava com a expressão de raiva ao meu lado. Assim que Phil abriu a porta, tomou um susto, a ultima pessoa que ele esperava ver era o Daniel, ele olhou para mim com uma expressão interrogativa, pude ouvir lá de dentro a voz da Dawn perguntando quem era, vadia, Phil olhou para Daniel mais uma vez, foi ai que ele percebeu o que Daniel estava segurando, Phil empalideceu completamente, parecia até que seu coração tinha parado, ele olhou pra mim de novo.
– Luce eu po... – Ele começou porem não terminou. Daniel empurrou a porta para trás entrando no apartamento, o segui. Vi o olhar de assustada da Dawn. – Cara, você não... – Mais uma vez ele não terminou a frase por que Daniel deu com o punho no nariz do Phil em um soco perfeito, coloquei as mãos na boca em um reflexo, Dawn fez o mesmo movimento. Phil chegou a cambalear pra trás com as mãos no nariz que começou a sangrar imediatamente.
– Nunca mais fale ou se quer chegue perto dela de novo. Me entendeu bem ? – Daniel perguntou com raiva na voz, nunca tinha visto ele tão zangado. Phil não respondeu, ele estava com os olhos arregalados na direção do Daniel. – Você me entendeu bem ? – Perguntou de novo dando um passo para frente. Dessa vez Phil respondeu balançando a cabeça em sinal positivo. – Ótimo. – Disse ele por fim jogando o sutiã no Phil.
Daniel saiu do apartamento, dei uma ultima olhada para Dawn que estava em um canto da sala com a mão na boca e os olhos cheios de lagrimas e depois para o Phil, ele ainda estava com as mãos no nariz que não tinha parado de sangrar, provavelmente estava quebrado, respirei fundo e me virei para porta e segui a diante, Daniel estava dentro do elevador com as mãos no bolso, ele parecia até mais aliviado. Assim que entramos no carro senti meus ombros relaxarem, mas a dor não, ainda estava com aquela dor no peito. Não falamos nada, eu precisava agradecer a ele por ter feito isso, por ter se vingado por mim, mas não consegui fazer isso agora, depois de tudo que tinha acontecido, a humilhação no evento, à humilhação de ser traída, eu realmente deveria ter transado com o Cam, mas não, eu tinha quer ser a fiel, eu tinha que ser otária. Eu deveria ter desconfiado, Dawn nunca foi só uma amiga e provavelmente ele deve me trair já faz tempo, como pude ser tão idiota ?
Assim que chegamos em casa, Daniel tirou nossas malas do carro e entramos em casa, eu entrei na frente eu fui direto para o sofá da sala, praticamente me joguei nele. Daniel colocou as malas na frente da escada e veio em minha direção, ele ficou de pé olhando para mim até ir para o pequeno bar que tinha no canto da sala, nunca prestava atenção nele, não era muito de beber. Daniel voltou com uma garrafa de whisky e dois copos.
– É o melhor jeito de esquecer os problemas. – Disse me estendendo um copo, assenti e peguei o mesmo.
Daniel colocou um pouco de whisky dentro do meu copo e repetiu o gesto no dele, brindamos a não sei o que já que minha vida estava uma merda. Depois de duas rodadas eu já estava tonta, depois de quatro eu já podia me considerar bêbada, sempre fui fraca pra bebida, afinal eu não costumava beber todos os finais de semana. Não precisavam me dizer que eu ficava incrivelmente chata quando ficava bêbada, o que só tinha acontecido uma vez, duas com a do bar, todo bêbado é insuportável, sei disso por causa do meu pai, ele passava a semana toda no bar.
– Eu sou mesmo uma idiota. – Comecei. Daniel tinha tomado bem menos do que eu, acho que ele realmente queria me deixar bêbada.
– Não, Phil é o idiota, ele não soube dar valor para a mulher maravilhosa que ele tinha ao lado dele. – Daniel disse, senti meu coração arder.
– É mas, eu deveria ter percebi antes, sabe, aquela vadiazinha da amiga dele sempre me foi suspeita, eu é que não quis enxergar. – Falei, isso realmente era verdade.
– Você confiava nele, é diferente. – Daniel falou, logo em seguida ele terminou de tomar o ultimo gole do copo dele.
– Acho que esse é meu problema, eu confio de mais nas pessoas. – Falei colocando meu copo em cima da mesa na frente do sofá. – E ela nem é tão bonita assim. Sempre soube que não era grande coisa, mas nunca imaginei que eu seria traída. – Disse me referindo a Dawn.
– Me escuta. – Falou puxando meu rosto para olha-lo. – Você é uma mulher linda Luce, Phil é um idiota, o problema não foi você foi ele. Qualquer homem iria agradecer por ter uma mulher como você. – Disse.
As palavras dele me fizeram lacrimejar, levei uma de minhas mãos para seu rosto, Daniel ficou surpreso com a minha ação, mas não recuou, puxei o lindo rosto dele em minha direção, pude ver em seus olhos que ele queria o mesmo que eu, só estava esperando uma ação minha, me ajoelhei de frente pra ele em cima do sofá e aproximei mais nossos rostos, pude sentir sua respiração, ele estava ofegante assim como eu, quando nossos lábios iam se encostar pela primeira vez, tudo ficou escuro.
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