Inesperado
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Estávamos quase chegando ao hotel, eu estava tremendo, não de frio, mas de raiva, Daniel tirou o paletó dele e colocou sobre meus ombros, olhei para ele e pude ver raiva em seus olhos, ele estava com raiva de mim ? Será que ficou com raiva pelo fato de eu não ter dado ouvidos a ele ou era por que tinha saído mais cedo do evento ? Isso não me importava agora, mas estava tentando fazer minha mente pensar em outro assunto antes que eu mandasse o motorista voltar para eu dar um soco bem dado naquela cara de piranha que a Molly tem. Chegamos no hotel, Daniel saiu do carro e me puxou para fora, todos os olhares pararam em nós, acho que era por que eu estava marrom e cheirando a molho de carne, abaixei minha cabeça e Daniel apertou o braço ao meu redor me levando direto ao elevador, assim que entramos pude ouvir o suspiro de alivio que ele deu, também estava aliviada já que não estava mais em publico.
Fomos direto para o meu quarto, Daniel e eu não trocamos uma palavra desde que saímos do evento, isso estava me deixando nervosa, eu quero que ele fale comigo, diga que esta com raiva e que era para mim ter ouvido ele e ter saído do evento antes de toda essa tragédia acontecer, senti meus olhos pinicarem novamente, que merda, eu precisava chorar urgentemente, deixei Daniel no quarto e fui para o banheiro, tirei meu vestido e minhas roupas intimas e entrei no box ligando o chuveiro, assim que a água quente bateu sobre minha pele, eu desabei, me encostei na parede e fui deslizando até sentar, encolhi minhas pernas e coloquei minha cabeça apoiada nelas, as lagrimas não paravam de descer, não estava triste ou magoada, estava com raiva e um desejo imenso de bater em alguma coisa, isso sempre aconteceu, desde de pequena quando ficava com raiva eu começava chorar, o que aumentava ainda mais a humilhação, fiquei feliz de não ter chorado na frente daquela gente toda, não tinha prestado atenção, mas com toda a certeza todos os olhares estavam sobre mim.
Se eu tivesse ouvido o Daniel desde o inicio, desde que ele me pediu pra ficar longe do Cam, eu sei que tudo isso foi por causa dele, Molly jamais iria aceitar perder um homem como ele pra uma simples secretaria como eu, não tenho vergonha de ser uma secretaria, mas parece que ela teria. Não sei quanto tempo fiquei lá sentada, podiam ter sido minutos ou anos, mas depois que eu terminei de me amaldiçoar por não ter escutado o Daniel, decidi levantar e lavar meu cabelo, seria difícil tirar esse cheiro e esse gosto de carne dele. Depois de não sei quanto tempo, terminei meu banho, sai do box me sequei com uma toalha e me enrolei em um roupão, pensei que Daniel não estaria mais ali quando eu voltasse pro quarto, mas quando cheguei vi ele andando de um lado para o outro com o telefone no ouvido e de costas para mim, não o interrompi, sentei na cama e esperei ele terminar, não demorou muito, assim que ele terminou virou para mim, ele parecia abatido.
– Você está bem ? – Perguntou ele, não era isso que eu estava esperando, pensei que ele iria gritar comigo. Não respondi, apenas assenti com a cabeça.
– Me desculpe. – Falei olhando para baixo, o ouvi suspirar.
– Desculpar você pelo o que exatamente ? – Perguntou.
– Por ter feito você sair do evento, por ter envergonhado você, sei lá... só me desculpe. – Disse ainda olhando para baixo.
– Acho que a única envergonhada aqui foi você. – Disse ele se sentando ao meu lado. Verdade. – Luce, olhe para mim. – Ordenou, obedeci. – Nada disso foi culpa sua okay ?! Molly é possessiva com o Cam, eu imaginei que ela estivesse puta por ele ter trocado a companhia dela pela a sua só não imaginei que ela fosse tão longe. O único motivo de eu não ter deixado você bater nela, é por que se não, iria ficar feio pro seu lado. – Falou. Sabia que era por causa disso, Molly jamais iria aceitar perder, mas ela passou dos limites.
– Que bom que você me impediu. Preferia que ele não tivesse feito. – Falei. – Havia fotógrafos por toda a parte Daniel, aposto que amanhã eu serei a primeira pagina de todo jornal e revista. – Terminei sentindo as lagrimas voltarem.
– Não, não vai. – Disse. – Falei com o Sr. Cole, pedi para que verifiquem todas as fotos que vão para os jornais. Ele me garantiu que nenhuma foto sua vai parar nos jornais. – Terminou, não consegui fazer outra coisa se não me jogar em seus braços.
Daniel ficou surpreso com essa reação, mas ele retribuiu meu abraço com a mesma intensidade, logo as lagrimas voltaram a descer, odiava chorar, mas eu não pude deixar de fazer, estava me sentindo humilhada e com raiva, pelo menos no Daniel eu poderia confiar, senti suas mãos fazerem carinho nos meus cabelos ainda molhados, ele beijou minha cabeça e me afastou um pouco para me olhar nos olhos, àqueles olhos acinzentados, quase violetas, Daniel colocou uma mão no meu rosto e secou algumas lagrimas com o polegar, estava perdida na imensidão de seus olhos, não pude deixar de sorrir, um sorriso triste, porem sincero, ele retribuiu meu sorriso e me abraçou novamente, eu nunca me senti tão segura, ficamos abraçados não sei por quarto tempo, mas fomos interrompidos por batidas na porta, nos separamos imediatamente, Daniel se levantou e foi atender.
– O que você quer aqui ? – O ouvi perguntar para alguém. Não ouvi a outra pessoa responder.
– Você já fez o suficiente Cam. Vá embora. – Ouvi Daniel falar mais uma vez. Cam ? Ele estava ali ? Não queria vê-lo agora, o que mais eu queria era ficar afastada dele por enquanto.
– Se você entrar por essa porta eu não sei o que sou capaz de fazer, eu estou falando serio Cam, pela ultima vez. Vá embora. – Disse ele para o Cam, eles estavam brigando de novo e dessa vez por minha causa, não podia me sentir mais culpada.
Não ouvi mais nada, apenas vi Daniel fechado à porta e vindo em minha direção, estava com raiva, pude ver em seu olhar, ele estava com os punhos fechados, parecia que queria bater em alguma coisa, mais preciso, em alguém, pelo menos eu não era a única que queria dar umas porradas em alguma coisa.
– Eu vou pedir comida, o que você vai querer ? – Perguntou ele por fim, não estava com fome, não mais.
– Não estou com fome. – Falei.
– Luce, você mal comeu sua sopa e mesmo que você tivesse comido, uma sopa de legumes não iria sustentar você. Então, você vai querer alguma coisa ou eu vou ter que escolher por você ? – Perguntou ele, na realidade ordenou, suspirei fundo.
– Okay, já que vou ser obrigada a comer, eu vou querer uma fatia de pizza de calabresa, com bastante calabresa, por favor. – Respondi. Ele sorriu satisfeito, pegou o telefone e ligou para a recepção.
– Alô ? Sim, eu vou querer uma pizza de calabresa. Tá, mas com bastante calabresa, quarto 208. – Desligou o telefone e olhou para mim. – Você não esta só de roupão está ? – Perguntou. Devo ter ficado vermelha na hora, me levantei e peguei minha calça de moletom, minha camisa e roupas intimas.
– Claro que não. – Falei antes de entrar no banheiro, pude o ouvir rindo.
Entrei no banheiro e dei de cara com o vestido lindo e caro que eu havia comprado, fiz uma careta, provavelmente vou jogar esse vestido no lixo ou dar pra Ari. Tirei meu roupão e coloquei minhas roupas intimas logo em seguida à calça de moletom e a camisa, iriamos embora de manhã mesmo. Voltei pro quarto e vi Daniel abaixado na estante que fica em baixo da grande TV, ele estava mexendo em alguns DVD’s, é seria uma boa ver filme agora, provavelmente não iria conseguir dormir a noite toda, fui até a cama e deitei na mesma, quando finalmente ele achou o filme que queria, veio até a cama e sentou do meu lado.
– O que você acha de The Hunger Games ? – Falou, ótima escolha.
– Acho ótimo. – Respondi. Ficamos conversando sobre coisas aleatórias, depois de 40 minutos nossa pizza chegou junto com uma garrafa de vinho, provavelmente vinha junto já que não havia o ouvido pedir.
Daniel e eu deitamos na cama enorme cada um de um lado e a pizza no meio, ele apertou play no controle e o filme começou, já tinha assistido esse filme, mas foi a primeira vez que eu fiquei com inveja da Katniss, eu adoraria ficar presa em uma arena com a Molly, ia ser um prazer enorme mata-la, aposto que ela nunca pegou uma arma se quer na mão, eu também não, mas eu sei usar lanças e espadas, eu brincava disso com alguns amigos da minha escola, principalmente quando fingíamos ser piratas. Nunca fui uma pessoa vingativa ou de guardar magoas, provavelmente quando eu voltasse pra casa nem iria ligar para o que aconteceu, mas nesse momento, a única coisa que eu pensava em fazer era deitar a cara da Molly em uma bacia com acido.
Já estava quase no final do filme quando eu peguei no sono, já tínhamos acabado a pizza, nós dois comemos uma pizza sozinhos, estávamos de parabéns. Acordei sentindo alguma coisa mexer nos meus cabelos, abri os olhos de vagar e vi Daniel fazendo carinho na minha cabeça, ele estava sorrindo, acordar com um sorriso daqueles era de tirar o folego, me sentei na cama de vagar, ainda estava escuro, quer dizer que eram 05:00 horas da madrugada, estava na hora de ir para casa. Obrigada Deus.
– Bom dia. – Falei esfregando os olhos.
– Bom dia. – Respondeu. – Pronta pra irmos ? – Perguntou.
– Claro, só vou tomar um banho antes. – Falei já saindo da cama.
– Não vai dar tempo pra você tomar um banho. – Falou. – Já são 05:30. – Terminou.
– O que ? Mas por que você não me acordou ? – Perguntei correndo até o banheiro, precisava arrumar minhas coisas.
– Você estava dormindo tão bem, não me vi no direito. – Gritou ele do quarto. Voltei para o quarto com meu vestido, meu sapato e minhas roupas intimas, joguei tudo na mala e a fechei.
– Obrigada. – Falei me aproximando dele. – Obrigada por tudo. – Terminei. Ele sorriu mais uma vez.
– De nada. – Falou, reparei nele e percebi que ele já estava pronto para sair. – Agora, vamos voltar para casa. – Disse ele se levantando e pegando minha mala e a dele que estava no canto da porta.
Assim que saímos do hotel, o mesmo carro estava parado esperando pela a gente, entramos no mesmo e fizemos o mesmo trajeto de antes para o aeroporto, foi rápido, mais uma vez não havia ninguém na estradas, mas diferente do Daniel, o motorista respeitou os sinais vermelhos. Chegamos no aeroporto faltando cinco minutos para o nosso voou sair, era o mesmo avião de antes, logico que seria, Daniel poderia ser rico, mas ele não gastava com qualquer coisa, um avião bastava. Entramos e eu me joguei na poltrona macia, foi um alivio.
– Ainda com sono ? – O ouvi perguntar.
– Morrendo. – Respondi.
– Então vamos dormir na cama. – Falou, o encarei. Ele estava falando serio ? – Não me vem com essa de “Eu não vou dormir com você.” – Disse ele tentando imitar minha voz, não pude deixar de rir. – Você dormiu comigo a noite toda. – Terminou. Merda, é verdade, nem me toquei disso, senti minhas bochechas queimarem na mesma hora. – Somos amigos afinal. Não somos ? – Perguntou por fim.
Não falei nada, apenas me levantei e fui em direção ao quarto, me joguei na cama e esperei ele se deitar ao meu lado, ficamos um de frente pro outro, nem estávamos nos tocando, mas mesmo assim essa situação pareceu embaraçosa. Daniel pegou no sono antes de mim, tão sereno e calmo, quando ele dormia parecia que ele ia para outro mundo, um mundo só dele, sem problemas, sem empresa, sem nada, apenas ele mesmo. Fechei meus olhos e decidi ir para o meu mundo, um mundo onde não existia Molly nem Cam, onde ninguém jogava bolo de carne em mim, um mundo que apenas eu poderia chegar, um mundo só meu.
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