Indo a um novo mundo sem um passaporte
1 Indo a um novo mundo por jogos
Notas iniciais
"Hoje novamente é um belo dia."
Isso que eu diria se eu não estivesse acordado, jogando um único jogo, a mais de 36 horas diretas. Está me questionando se eu fui ao banheiro? Que nada, a cada garrafa de café que esvaziava, eu enchia ele novamente com meu malcheiroso liquido amarelo.
Mas o mais importante, o jogo que estou jogando se chama Magic Daft Online. É um novo projeto criado pela sinistra empresa Log Vertical, que é bem famosa por seus títulos bem peculiares. É um incrível jogo onde você pode escolher uma entre uma infinidade de classes. Por ter essa liberdade no jogo, que ele te prende de uma forma sensacional, como se você estivesse mesmo dentro dele!
Mas caramba, não pensei que ficaria tão cansado assim por ter jogado por apenas algumas horinhas. Me sentando na cadeira de um modo mais relaxado, meus olhos começam a lacrimejar um pouco enquanto aumento, sem perceber, o ritmo em que pisco e o tempo em que deixo meus olhos fechados. Com esse início de sentimento relaxante, imediatamente começo a me sentir meio zonzo sentindo literalmente o mundo a minha volta balançar. Começo a ver luzes do nada se mexendo rapidamente e se alternando de vermelho para azul, para verde e vermelho novamente e foi que quando... de repente!!
"Puta merda, 'serião' que mijei nas calças!?"
Por Deus, não pensei que daria esse mole mesmo já tendo 17 fudidos anos. Eu procurei desesperadamente por um paninho úmido entre os muitos objetos espalhados ao meu redor, enquanto a marca de molhado espalhava cada vez mais na minha calça.
"Que caceta, meu Behemoth (nome do meu saco) não para de chorar!" — eu disse chorando, literalmente.
Peguei um pedaço de pano, tirei minhas calças e me limpei. Bem acho que serve. Estou querendo bater 50 horas diretos jogando MDO, uma conquista pessoal, não quero que um pequeno empecilho desses me atrapalhe.
Voltando ao assunto, faz apenas uma semana que o jogo foi lançado, e hoje é uma bela de uma terça-feira. Parece que irei faltar mais um dia de aula, hehe. Mesmo tendo tão poucos dias de lançamento, me esforcei dia e noite para upar esse personagem que já está no nível 78 e entre os melhores do server!
Escolhi o caminho de um Escudeiro. Sempre achei o máximo nos MMOs, ter uma bela e sólida defesa, que pode aguentar até mesmo um ataque laser de um Papa doido e seus seguidores, e continuo tendo essa sensação agora com esse personagem. Com tantas habilidades de defesa e de controle de grupo, me sinto totalmente satisfeito de ver esse lindo personagem. Até por que ele é um tanker lindão com cabelos brancos e com cara de mal. Consegui até mesmo colocar um tapa olho e um braço esquerdo mecânico nele.
"Se bem que nesse visual, seria melhor se ele fosse um pistoleiro" — eu pensei alto, quando sinistramente o meu celular me avisa que recebi uma mensagem no meu e-mail.
Realmente me surpreendi, pois, raramente recebo mensagens nesse endereço eletrônico que dedico exclusivamente a manter limpo sem nenhuma mensagem. O mais estranho era que o remetente estava como: "Desconhecido". Então li o pequeno título que dizia com poucas, mas profundas palavras marcadas em caps lock: "VOCÊ JÁ SENTIU QUE NASCEU EM UM MUNDO ERRADO?", e imediatamente excluí. Não sei como conseguiram o meu e-mail para enviar uma merda de spam de um possível culto satânico ou terrorista, mas ok, acontece.
Plim, plim.
"Caramba, outro e-mail?" — fui logo excluir direto quando percebi que o remetente e o título do assunto eram diferentes: 'De: Eminiagatinha123', assunto: 'Gostei muito do seu fortão personagem no MDO'.
"O que diabos estão pensando que sou? Sou homem, mas não um idiota!" — exclamei alto, mas pensando bem, não sou idiota, porém sou curioso... e tenho que um dia alimentar o Behemoth...
Toquei na mensagem, e abrindo ele, tinha um endereço suspeito linkado e estava escrito logo abaixo: "Entra no chat..." — até parece que vou clicar nesse link e ganhar um vírus de graça — "... bebê ♥" — e cliquei sem querer nesses malditos caracteres azuis.
Por um segundo pensei que iria ativar diversos alarmes do antivírus, mas o que apareceu foi uma nova janela com um tabuleiro de damas. Logo exclamei:
"Ora, ora me desafiando para uma partida de damas? Nunca perdi um jogo de damas esse ano!" — Até por que nem joguei uma para começar. Assim, movi a primeira peça, segunda peça e a terceira, e depois da décima... percebi que eu já iria perder.
"Meehh, desisto desse troço, só estou perdendo tempo mesmo, bora continuar a upar meu escudeiro." — desliguei o ecrã do celular e me voltei ao computador novamente.
"Caralho peste! Para de ficar nesse computador de merda e vai estudar que tá na hora!" — disse, subitamente de fora do quarto, o projeto de pai que tenho.
Esse vadio que sai para beber todos os dias, desde que minha mãe sumiu do nada, voltou para casa após 3 dias fora. Merda, achei que teria mais tempo de jogo. Acho que vou fingir que já fui a escola ficando quieto, ele é um retardado que só sabe encher a cara mesmo.
"Eu sei que você está aí dentro seu pirralho, sai daí ou eu vou comer seu cu!"
Meu cu não! Troquei para o uniforme mais rápido que o vento, peguei minhas coisas e sai do quarto. Realmente não se brinca com esse fudido doido!
"Falou, tó indo." — disse ao meu querido pai, já apertando meus passos.
"Você acha que vai sair assim mesmo, sua prole de piranha?" — falou o monstro, descrevendo uma linda e dolorosa trajetória com o seu braço direito direto no meu estômago, fazendo me dobrar em um "V" e cair de joelhos no chão.
"Seu pirralho sem mãe, tu se achas o bonzão né?" — esbravejou o demônio, contorcendo o seu rosto.
Meus olhos de repente ficaram injetados de sangue com um profundo ódio acumulado por mais de uma década. Eu tinha que responder a ele! Eu tinha que descontar minha raiva! E pensando pela primeira vez em toda minha vida, que seria melhor ele sumir daqui! Desaparecer de vez desse mundo, eu disse:
"Não fui eu pai!"
"Que não foi o quê! Só têm você e eu nessa casa! O dinheiro da minha carteira magicamente sumiria seu desgraçado?!" — e contorceu o rosto novamente, ele parecia até um goblin.
De quem é o maldito erro, se ele torra todo o seu dinheiro em bebidas e depois volta sem lembrar de quanto gastou? Acha que é minha culpa, seu velho lazarento de uma figa!? Estava pensando nisso secretamente enraivecido.
"E está faltando dinheiro dentro do meu cofre também! Você acha que entrou um ladrão aqui? O único é você! CRESÇA!"
De quem você acha que é a odiosa culpa??? A merda do Magic Daft Online é Pay-to-Win! Os melhores sets de armadura e arma do jogo só dão para comprar com cash virtual! Fiz algo errado? Me desculpe, mas nunca irei admitir o erro!
"Me desculpe papai." — me forcei a fazer uma cara de cão abandonado.
"Hamn??" — caramba, agora ele se parece com um orc bem-dotado.
Enchi o pulmão, preparei minhas forças e disse melosamente:
"Desde que a mamãe NOS abandonou sozinhos, tenho esse impulso de gastar sem querer com coisas que sei que são supérfluas para a minha vida, mas que me fazem temporariamente bem. E INFELIZMENTE só consigo preencher esse buraco no meu peito dessa forma. Me desculpa papai, ultimamente não fiz nada pensando verdadeiramente na gente..." — supliquei com uma cara de gato abandonado por uma família rica logo após ser castrado.
"Filho..." — e assim, fazendo uma cara de porco abandonado prestes a ser abatido, ele me abraçou fortemente derramando lágrimas nos meus ombros. Ufa, ainda bem que sempre cola. Retribui o abraço, mas virei o rosto por que ele estava fedendo mais do que mendigo morto a uma semana. Ele abriu seus braços e disse:
"A-a-agora vai estudar! Tenho coisas a fazer."
"Bele, falou velhote." — e sai de casa como um raio. Aposto que ele vai sair para beber de novo.
Andando, sai da porta de casa e virei a esquina carregando o rosto com duas enormes bolsas pretas de baixo dos olhos. São quatro quadras e já chego na escola... longe pra caralho! E aquele imundo não me deixa pegar um taxi ainda para ir lá! É mesmo um mesquinho beberrão!
"E ainda mais, que idiota. Ficar chorando por coisas assim até agora, ainda mais nessa idade. Quem têm que crescer aqui é você, hahaha." — sussurrei baixinho (vai que ele me escuta) e sai andando rapidamente para o colégio.
E enquanto isso, um homem com uma cara de porco e com os olhos inchados de tanto chorar, se culpava por também ter virado o rosto, enquanto abraçava seu querido filho que estava fedendo a mijo.
Extra 1
Dentro de um luxuoso quarto em uma grande mansão no centro de Valtratas, capital do Império Real de Valkis, estava uma bela senhorita na flor de seus 30 e poucos anos, que pensava, ao tirar a sua fina, mas resistente armadura de corpo inteiro:
'E hoje faz exatos doze anos desde que cheguei a esse mundo desconhecido. Batalhei muito para chegar onde estou. Deixei muitas coisas para trás, tanto aqui nessa nova terra, quanto no meu mundo original.'
'Tenho tantas saudades do meu Amor... e o que me deixa mais triste é que deixei meu lindo bebê também. Queria tanto ver ele crescendo e se tornar um belo e maduro homem como o seu pai... mas de alguma forma não me arrependo de ter sida convocada para cá. Salvei muitas vidas nesses anos e derrotei muitos monstros malignos...'
E assim, perdida nos seus pensamentos, a voz do seu mordomo Alfred, a chama pela porta:
"Milady Cristina. A Vossa Majestade, O Rei, lhe chama para uma audiência."
"Tudo bem. Avise aos cocheiros para prepararem as carroças que já estarei descendo." — ordenou a linda mulher.
"Como Vossa Excelência desejar, o seu servo realizará." — proferiu o empregado e desceu as escadas.
"Bem, acho que terei que sair novamente... Ahhhg" — suspirou a gentil, mas cansada senhorita, através da sua maravilhosa boca.
"Logo agora que eu queria tomar um longo banho quente e relaxar..." — confessou a gloriosa senhorita, expressando em seu harmonioso rosto, uma figura idêntica a um lindo coelho querendo mais uma cenoura.
"Já estou virando uma senhora de idade, estou ficando feia e cheia de rugas por causa de tanto trabalho... Acho que tenho que me acalmar e ficar mais em casa." — expressou a formosa senhorita que está visivelmente delirando por causa do seu estresse diário.
"Quem sabe até mesmo arrumar um novo homem, mesmo que eu ame meu Amor, não posso ficar me prendendo a grilhões antigos para sempre..." — disse a majestosa senhorita, que evidentemente está sendo feita de vítima de uma magia de controle de mente de alto nível. Pegue o maldito mago vilão, Alfred!!
"Bom, lá vou eu encontrar o Rei então!" — murmurou a elegante senhorita.
Após se equipar com uma armadura leve, a graciosa senhorita saiu de seu quarto novamente, provavelmente resistindo aos efeitos da magia de lavagem cerebral e se esquecendo das loucas ilusões implantadas em sua magnifica cabeça por algum maldito mago vilão desconhecido. — Manisfestou o narrador 1 delirando.
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