Indianápolis - O Preço De Uma Paixão
4 Os ricos são estranhos
Os ricos são estranhos
POV Edward
Eu estava dirigindo devagar pela estrada, apenas observando a paisagem. De repente, ela se mexe no banco de trás. Eu a olho pelo retrovisor, e ela sorri com malícia.
Ela abre os primeiros botões de sua camisa de seda. Eu lambo meus lábios em expectativa.
Ela passa para o banco da frente, no lado do carona, e no caminho esbarra sua coxa, descoberta pela saia curta, no meu braço. Sinto aquela onda de eletricidade e excitação percorrer meu corpo.
Ela senta no banco do carona de pernas abertas e sua saia sobe mais. Levo minha mão direita para trocar de marcha e esbarro em sua coxa.
Ela morde o lábio e se aproxima de mim. Sua respiração bate quente em meu rosto. Seu hálito de menta e mel invade meu ser.
Ela se aproxima um pouco mais e morde minha orelha. Aperto com força o volante tentando conter minha excitação.
A Srta. Swan escorrega uma mão por meu tórax, e desce até meu colo. Ela me olha sacana quando percebe o volume em minha calça.
Ela dá um aperto forte e eu não consigo segurar meu gemido.
Ela se abaixa lentamente, e abre o zíper da minha calça e meu membro fica a poucos centímetros do seu rosto. Eu posso até sentir o calor da sua respiração.
Ela me olha e lambe os lábios. Eu diminuo a velocidade do carro e mordo meu lábio em expectativa pela carícia.
Ela se abaixa lentamente. Abre a boca e põe sua língua pra fora. É agora, ela vai me lamber. Eu penso.
Trinco os dentes e faço força pra evitar gozar só com a imagem sexy.
Eu posso quase sentir o calor da sua língua. É agora. É agora. É agora.
— Edward? – senti alguém me sacudindo. – Edward? Edward? Acorda, irmão. – levantei em um pulo.
— Porra, Emmett. Seu idiota. No melhor do meu sonho você me acordou. – esbravejei ainda arfante.
— Ei, foi mal. É que o seu despertador apitou e você não acordou. – ele se esquivou. Suspirei.
— Desculpe, Emm. É que eu estava tendo um sonho muito bom. – me desculpei. Ele me olhou zombeteiro.
— Eu tô vendo que o sonho foi bom. Tá de barraca armada. – apontou para minha pélvis e riu.
— Ah, vai a merda. – peguei uma toalha e saí do quarto.
[...]
Cheguei em cima da hora na casa da Srta. Swan. Cumprimentei os seguranças da guarita e andei depressa até a garagem. Liguei o carro e dirigi até a entrada principal da casa.
Fiquei encostado no capô do carro aguardando minha chefe.
— E aí cara. Você é o novo motorista, certo? – um rapaz jovem e loiro me cumprimentou.
— Sim, sou o novo motorista. – apertei a mão que ele me estendia.
— Espero que não esteja pensando em desistir já. Minha querida irmãzinha às vezes consegue ser bem azeda. – ele deu um tapinha em meu ombro e acendeu um cigarro.
— O senhor é irmão da Srta. Swan? – endireitei meu corpo.
— Sou sim, mas ei, calma. Eu não sou cheio de chatices como ela. Fica à vontade aí. – respirei aliviado. – Vou pegar uma carona com vocês hoje. Tenho que ir ao centro da cidade e meu carro está na pintura. E por algum motivo que não consigo entender, minha mãe não me empresta o carro dela. – ele deu um sorriso malandro.
Eu sorri. Ele parecia ser um cara legal, e não um riquinho esnobe. Quando eu ia puxar papo com ele, escutei aquele famoso barulho de salto alto se aproximando.
Rapidamente abri a porta traseira do carro.
— Bom dia, Srta. Swan. – sorri simpático e ela entrou direto no carro. Fiz uma careta. Ela não dá nem um aceno com a cabeça.
Fechei a porta e caminhei em direção à porta do motorista. O irmão da Srta. Swan entrou no lado do carona.
Liguei o carro e segui em direção à guarita. Os seguranças abriram o portão e eu saí pegando uma rotatória e ganhando estrada.
— Ô irmãzinha, o papai também escreveu na cartilha que ele te deu de “como ser uma mulher frígida” que não se deve cumprimentar as pessoas? – O Sr. Swan perguntou de forma zombeteira pra irmã.
Olhei sua reação pelo retrovisor. Ela estava concentrada em seu telefone, e no momento em que ele falou, ela lhe direcionou um olhar assassino.
— Do que você está falando? – perguntou fria e seca.
— O seu funcionário te desejou bom dia e você nem se deu o trabalho de acenar pra ele. – ele jogou seu cigarro pela janela e virou seu corpo para trás. – Acho que o papai esqueceu de colocar na cartilha que você não é melhor que ninguém, e que educação também é pré-requisito para ser uma grande mulher.
Pude escutar a respiração da Srta. Swan engatar. Olhei pelo retrovisor e ela estava com seu maxilar travado, seus olhos chispavam em fúria.
— Não toque no nome do nosso pai. – ela alertou tentando aparentar uma calma que eu sabia ser inexistente.
— Quer saber? – O irmão continuou. – Você vai se tornar uma mulher amarga, assim como ele foi um homem amargo e sozinho. Vai morrer sozinha como ele. – apertei forte o volante. Meu Deus, eu estava no meio de uma briga de família e não sabia o que fazer.
— Cala a porra da boca! – ela gritou e me assustei.
O irmão riu em deboche.
— Olha só, ela aprendeu a falar palavrão. – zombou. – Pensei que esse tipo de coisa só existia no submundo das pessoas normais e com vida sexual ativa. – ele virou seu corpo pra frente novamente e acendeu outro cigarro.
— Apaga essa merda. – A srta. Swan exigiu.
Ele sorriu, mas acabou apagando e jogando o cigarro pela janela.
— Irmãzinha querida, você está se superando. Dois palavrões em menos de cinco minutos. – ele assoviou. – Está começando a parecer com uma pessoa normal. Será que anda fodendo também? – passei uma mão na testa tentando secar meu suor.
Eu estava suando frio. Nunca é bom um empregado ficar no meio de um fogo cruzado de família. E confesso que o fato dele questionar se ela estava fodendo me incomodou. Mas o que eu queria? Uma mulher linda e gostosa como ela não estaria solteira e disposta a olhar perdedores pobres como eu.
— Jasper, eu juro que vou perder a paciência com você. – ela rosnou.
— Estou esperando isso há anos. – ele disse de forma sombria e de repente, um silêncio constrangedor se instalou dentro do carro.
Dei graças a Deus quando entrei no estacionamento do prédio e parei na vaga da Srta. Swan.
Desci do carro e fui prontamente abrir a porta para ela sair.
— Srta. Swan. – eu disse de forma educada enquanto abria a porta e estendia uma mão para ajuda-la.
Ela segurou e eu juro que foi uma sensação maravilhosa sentir o contato com aquela pele quente e macia.
Eu fechei a porta do carro e a Srta. Swan deu dois passos, mas parou em seguida.
— Obrigada, Edward. Só vou precisar de você na hora do almoço. Meio-dia em ponto. Se tiver que resolver algo na cidade, sinta-se à vontade. – ela disse séria e caminhou apressada até o elevador.
Eu estava paralisado.
Ela me agradeceu? Quer dizer, ela falou mais que duas frases comigo? E puta merda, essa saia colada que ela veste pra trabalhar está fazendo miséria com minha cabeça.
Senti dois tapas em minhas costas.
— Uau. Quando ela se esforça ela consegue ser educada, está vendo? – eu sorri um pouco sem graça. – Jasper Swan, à propósito. – apertei sua mão novamente.
— Edward Cullen. – ele piscou.
— Boa sorte com a megera, Cullen. E vá se acostumando, o que você presenciou hoje entre nós foi café pequeno. – ele acendeu outro cigarro e caminhou tranquilamente em direção à saída.
Encostei-me no carro e respirei fundo.
Essa gente rica é doida.
.
POV Bella
Droga, droga, droga. Por que tudo tem que cair sempre sobre minhas costas?
Entrei pisando duro em meu escritório.
Jasper conseguia me tirar do sério. E falou coisas na frente do motorista. Isso é inadmissível.
— Bom dia, Srta. Swan. – Jéssica veio correndo ao meu encontro e começou a me passar minha agenda enquanto eu entrava em minha sala. — ... E o jantar com o grupo Canadense é hoje às 8 horas. – olhei espantada pra ela.
— O jantar é hoje? – ela assentiu. Suspirei frustrada. Mais uma noite que eu ficaria presa a negócios. – Todo bem. Traga-me um café, Jéssica. – caminhei até minha mesa e me sentei.
Jéssica me serviu e logo saiu da minha sala.
Olhei para o porta-retratos que ficava em minha mesa. Uma foto minha e de meu pai há 10 anos atrás. Eu era uma menina de 14 anos. Estávamos na Suíça à procura de um curso de economia pra mim. Eu estava nas minhas férias de verão, mas meu pai achou melhor eu me matricular em um curso, e eu acatei. Ele sempre soube o que era melhor pra mim.
— Pai... Eu sinto sua falta. – toquei sua foto e senti um aperto no peito.
O telefone tocou e eu prontamente atendi.
— Sim, Jéssica.
— Srta. Swan, a Srta. Hale está aqui. Posso liberar sua entrada? – Rosálie estava aqui. Ela era o mais próximo que eu tinha de uma amiga, mas às vezes me irritava.
— Pode, Jéssica. – desliguei e comecei a abrir meus e-mails.
Logo minha porta foi aberta e uma loira sorridente entrou em minha sala.
— Ei toda-poderosa, ligar de vez em quando pra dizer que está viva, não custa nada, sabia disso? – rolei os olhos. – E não faça essa cara. Eu me preocupo com você.
— Estou bem, como pode ver, Srta. Hale. – eu respondi.
— Isabella, essa empresa está te consumindo. Você não tem vida social mais. Quer dizer, você nunca teve, mas pelo menos tentava sair de vez em quando. E agora? Você só vive pra isso aqui. – ela gesticulou. Parei o que fazia e a olhei seriamente.
— Isso aqui paga seu salário. – ela me olhou assustada e depois seu semblante pareceu ficar triste.
— Eu sei que isso paga meu salário, e sou muito grata a você, que me deu uma chance numa empresa deste porte. – ela respirou fundo. – Olha, desculpe se eu te incomodei ou atrapalhei. Eu só fiquei preocupada com você. Ontem de manhã você me disse que passaria lá no meu apartamento pra gente conversar um pouco, e não deu sinal algum de vida. – ela caminhou até a porta. – Eu vou pra minha sala então. Até mais. – ela saiu e eu me senti péssima.
Rosálie não merecia as palavras duras que às vezes eu lhe falava.
Nos conhecemos na época da faculdade. Eu sempre com a cabeça enfiada dentro de um livro, sempre me matriculando em cursos extracurriculares, e ela sempre tentando me levar pras festas de fraternidades, sempre me fazendo companhia quando eu me sentia muito sozinha.
Ela era bolsista. Uma menina de família humilde e com muita gana de vencer na vida.
Assim que nos formamos, eu a trouxe para trabalhar na empresa. Ela começou estagiando no nosso corpo jurídico, mas se destacou rapidamente e logo se tornou um dos principais membros desse setor.
Era uma pessoa boa, divertida e simpática. Tudo que eu não conseguia ser. Ela não tinha vergonha de sua origem pobre e eu sentia que sua amizade por mim era verdadeira. Não era a menina pobre que se aproximou da menina rica com segundas intenções.
Se tem algo que eu aprendi muito bem nessa vida, é saber diferenciar os oportunistas das pessoas boas.
Suspirei chateada pela forma como tratei Rosálie.
Peguei meu celular e digitei uma mensagem pra ela.
“ Me desculpe. Apenas tive uma manhã ruim e acabei descontando em você.”— enviei. Não passou um minuto e sua resposta chegou.
“ Tudo bem, já estou acostumada com isso.”— eu sorri. Rosálie adorava fazer um drama.
“ Sem dramas, ok?”— enviei e logo recebi outra mensagem.
“ O que houve?” — li e digitei outra mensagem.
“ Jasper”— enviei apenas esse nome. Rosálie já entenderia.
“ Humm, entendo. Almoço para conversarmos?”— tentei repassar minha agenda mentalmente.
“ Fechado. Agora volte ao trabalho, Hale” – não consegui conter um sorriso.
.
POV Edward
O dia se arrastou um pouco. Enrolei preenchendo uma revistinha de palavras cruzadas até a hora do almoço. Ao meio-dia em ponto, a Srta. Swan apareceu no estacionamento do prédio com uma loira bem bonita.
Eu botei meu melhor sorriso no rosto e abri a porta traseira para as duas.
A loira sorriu calorosamente e entrou no carro me agradecendo, já a Srta. Swan apenas deu um aceno de cabeça e se ajeitou no banco traseiro.
Bem, pelo menos um aceno eu já estava conseguindo. Pensei comigo.
Guiei até o endereço que me foi passado e parei na porta do restaurante. Saltei do carro e prontamente abri a porta para as duas mulheres.
Estendi a mão e ajudei as duas a descer do carro.
— Edward, você pode ficar a vontade para almoçar também. Eu estarei na área reservada, e dentro de uma hora gostaria de voltar ao escritório. – ela ajeitou seus óculos escuros naquele rosto perfeito. – Acredito que uma hora é o suficiente para você almoçar. O restaurante já estará ciente de mandar sua conta para minha mesa. – disse isso e entrou no estabelecimento com toda sua imponência.
Me senti meio como um merda ao saber que ela pagaria meu almoço. Mas isso era besteira, a mulher era minha chefe. Ela pagava meu salário. O que seria ela pagar meu almoço? Até porque, com certeza, uma refeição nesse restaurante seria maior que meu salário.
E assim o dia continuou em sua mesmice. Uma hora mais tarde eu levei a Srta. Swan e sua amiga loira até o escritório, e continuei em minha revistinha de palavras cruzadas até o fim do expediente.
Olhei no relógio, e já se passavam das 7 horas da noite. Achei estranho, pois a Srta. Swan não avisou nada que estenderia o horário.
Às 7:45 fiquei preocupado e subi até o último andar.
A recepção estava vazia, como imaginei. Jéssica já havia ido embora.
Olhei meio incerto para a porta cinza. Bater ou não bater? Eis a questão.
Tomei fôlego e dei duas batidas na porta.
Demorou um tempinho, mas logo a silhueta da Srta. Swan apareceu em minha frente.
Ela estava com os cabelos soltos, os dois primeiros botões da blusa de seda branca já estavam abertos, e em sua mão direita ela segurava um copo com um líquido âmbar. Arrisquei ser uísque.
— De-desculpe Srta. Swan. Mas a senhorita não avisou sobre o horário e eu fiquei preocupado que alguma coisa pudesse ter acontecido e resolvi vir ver. – ela me encarava com aquele ar de superioridade ainda. – Ér... Me desculpe, vou voltar para o estacionamento.
Virei e antes que eu desse o terceiro passo, ela me chamou.
— Edward? – virei em meus calcanhares e a encarei ansioso. Ela deu mais um gole em seu uísque, e pelo leve rubor em sua face, julguei não ser o primeiro copo que ela bebia, e deu um meio sorriso em minha direção. – Eu tenho um jantar para ir em quinze minutos... E você irá me acompanhar.
Ela entrou em sua sala novamente e eu fiquei estacado como um dois de paus em sua recepção.
Jantar? Eu vou acompanha-la? Óh céus!
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