Independência
63 Especial
Notas iniciais
O incêndio havia se formado após a explosão do fogão, Graça ficou gravemente ferida, mas agora já havia tido alta e estava bem. O Dono daquela casa era um tal de Roberto Batista, foi dele que alugamos. O empresário sofreu vários processos na justiça, pois a explosão foi causada por defeitos no fogão da casa.
As aulas foram canceladas por este fato, mas no ano que vem iriamos começar um mês mais cedo. Todos estavam muito abalados com o acontecido, principalmente por Bibi, Adriano e Marcelina não estarem mais entre nós, imagina o estado que a pobrezinha da Maria Joaquina não deve estar de perder sua fiel escudeira, mas Daniel sem dúvidas irá apoia-la, e muito. Enquanto cada um ajuda o outro a se recuperar eu também tinha uma missão: ajudar o menino mais encrenqueiro da turma.
Eu me vesti (http://www.polyvore.com/look_simples_alicia_cap.64/set?id=103818446) e fui ao cemitério com o Paulo, eu estava com três flores amarelas e ele três brancas. Nós passamos por vários túmulos até achar ao dá Bibi, que largamos uma flor cada um, o mesmo no do Adriano, mas quando chegamos ao túmulo da Marcelina ele ficou mais tempo em silêncio, eu fui obrigada a perguntar:
– Paulo, está tudo bem?
– Desculpa, eu perdi a noção do tempo, estava falando com a minha irmã. — nenhuma lágrima escorre, ele apenas fala com o coração, como quase nunca costumava fazer — Eu nunca acreditei em espíritos, mas algo me diz que ela pode me escutar. Você acha que fui um bom irmão?
– Sim, mesmo com as brigas e discussões, no fundo vocês se amavam. Eu tenho certeza que ela gosta muito de você, e te observa todos os dias lá do céu. — me ajoelho ao seu lado e começamos a rezar juntos.
Depois, fomos para a praça, ela estava bem calma.
– Você sempre está ao meu lado, confesso que isso é meio estranho, a única pessoa que eu podia contar para tudo era o Koki.
– Eu também acho isso diferente... E, eu gosto muito do diferente. — paro de caminhar e seguro a mão dele — De agora em diante eu vou te proteger, eu prometo, não importa o que acontecer eu vou te proteger.
Ele me abraça e sussurra no meu ouvido:
– Quer namorar comigo?
Eu abro um sorriso enorme, e dessa vez, tomo iniciativa do beijo.
– Acho que vou considerar isso um sim. — diz ele nos instantes seguintes.
Nos deitamos na grama e ficamos olhando as nuvens, elas tinham formatos tão curiosos, mas eram lindas e me deixavam mais calma.
Sabe quando você olha para a sua vida e acha ela tão comum? Eu achava isso. Sou velha demais para pensar como uma criança, e nova demais para pensar como uma adulta, eu estava a todo o momento, tentando achar o meu caminho e o meu significado de vida. No final das contas, eu só precisava me jogar para ser corajosa como queria, e sim, eu precisava ser dependente de alguém. O Paulo será meu tesouro, ele irá depender de mim, assim como eu irei depender dele. Você pode achar loucura jogar uma confiança tão grande em uma pessoa tão irresponsável, mas eu não acho, o Paulo me mostrou o seu lado bom, o lado protetor, amigo e sincero, me ensinou a gostar de suas bagunças e ideias malucas, eu não mudaria nada do que fiz, pois se meu passado fosse alterado, meu futuro não seria tão especial.
Assim acaba o meu final de tarde, deitada na grama, olhando as nuvens, e abraçada no moleque mais bagunceiro da turma, e é com esse mesmo moleque que eu quero passar a minha vida. Ao seu lado, eu sei que posso mostrar a diferença que escondia do mundo.
Fale com o autor