Independência
41 A Lenda da Árvore Mestra
Notas iniciais
Mário, Koki e eu saímos mais perdidos que cego em tiroteio, no meio daquelas árvores era difícil se localizar. Pra nossa sorte, o Mário meio que entendia desse negócio de localização, porque se dependesse de mim e do Koki a coisa iria ficar braba. Finalmente o Mário fala:
– Acho que estamos perto.
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Caminhamos mais um pouco e avistamos uma árvore bem grande e folhuda, solitária, pois em volta havia somente pequenos tipos de plantas. Um tronco grosso e raízes a vista eram necessários para sustentar uma copa bem definida. Chegamos mais perto e podemos ver o Capitão dormindo em baixo da árvore, naquela sombra fresca e espaçosa. Kokimoto comentou:
– Nós aqui quebrando cabeça pro folgado aí ficar de boa!
– Essa deve ser a Árvore Mestra. — falo. — Não estou vendo ninguém, acho que fomos os primeiros.
– Vamos lá! — diz Mário.
A gente foi caminhando até a árvore, o Kokimoto se aproxima do ouvido do Capitão e grita intencionalmente:
– Que bonito em?! Dormindo enquanto a gente da duro!
O homem não reage, mas o Koki continua tentando chamar a atenção:
– Ei, não tá me ouvindo? — grita o garoto.
O Japinha se cansa de falar, segura o Capitão e começa a balançar bem forte.
– Mas o que... — ficamos surpresos ao ver que aquele era só um boneco improvisado.
– Ele só pode estar brincando. — diz Mário olhando fixamente para o horizonte.
– Vocês que não deveriam tentar brincar comigo. — fala o Capitão parado as nossas costas, com um ar bem convencido.
– Ah, deixa essa bobagem pra lá. Cadê os outros? — pergunto.
– Ainda não chegaram, parece que vocês foram os primeiros. — ele fez uma pausa de poucos segundos, que não permitiu um comentário nosso — Antes que perguntem, a recompensa será dada mais tarde.
Ele empurra o boneco e senta no seu lugar, e agora, realmente dorme na sombra fresca daquela árvore enorme. Depois de um longo tempo de espera eu comentei:
– Eu pensei que estávamos perdidos na mata, mas os outros grupos estão completamente desnorteados.
Mário e Koki ignoram e seguem o silêncio. Um pouco mais tarde a equipe 4 (Valéria, Bibi e Adriano) chegam, seguidos da equipe 6 (Maria Joaquina, Daniel e Paulo). Logo logo vem a equipe 2 (Davi, Margarida e Marcelina) e então a equipe 1 (Carmem, Cirilo e Marisa), por último a equipe 3 (Jorge, Jaime e Laura). O Capitão levanta quando percebe todos presentes. Pede atenção e começa:
– Sentem-se todos. — continua — A equipe 5 foi a vencedora, e sem dúvida teve o melhor desempenho.
– Ah fala sério, isso já era óbvio. — reclama Paulo.
– Essa competição toda foi baseada na natureza, no meu povo. Essa árvore se chama Umbu e é muito comum na minha terra, no Rio Grande do Sul. O seu tronco não serve de nada, não produz madeira, mas sua sombra é fresca e larga. — diz o Capitão.
– Um bom lugar pra pensar e pra imaginar. — comenta Adriano.
– Existe uma lenda sobre essa árvore, vou lhes contar. — ele respira fundo e começa a história, contando assim.
“O mito e a lenda do Umbu, provavelmente, surgiram da necessidade de resposta ao questionamento da gente que vivia por aquelas regiões: por que árvore tão grande e cheia de folhagem tem o tronco e seus caules sem qualquer utilidade como madeira? Conta a lenda que a resposta está no momento da Criação.
Deus ao criar os reinos perguntou a cada elemento de cada espécie o que gostaria de ser, que papel gostaria de desempenhar no palco onde seria encenada sua Grande Peça. Assim, aconteceu com o reino vegetal e, quando Deus indagou das árvores e ervas as respostas e desejos foram os mais diversos. A araucária respondeu que queria ser muito alta; que seu tronco servisse para o fabrico desde os menores, como um palito, até os maiores artefatos, como um mastro; e que gostaria de ter frutos, para que pudesse alimentar os nativos da região onde nascesse. A erva mate optou por ser reconhecida pelos chás feito com suas folhas e, ainda mais, pediu ao seu Criador, que a gente da região onde nascesse, adquirisse o hábito de apreciá-la em grupo, desenvolvendo assim a hospitalidade e a solidariedade. A parreira suplicou para que fosse aquela que oferecesse um fruto, com o qual se produziria a bebida consumida nos lares e apreciada por todos, para brindarem seus momentos de maior encantamento. A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e outras pediram, para serem aquelas que ofereceriam frutos deliciosos. Já o pau-ferro, o angico, o ipê, o açoita-cavalo, o cedro e outras pediram para nascerem como madeira forte, para serem transformadas nas mais diversas utilidades para os homens. Chegara a vez do Umbu e Deus perguntou-lhe: e tu, o que queres oferecer? Madeira forte, frutos deliciosos, bebidas saborosas? Então, respondeu o Umbu ao Criador:
– Quero atingir grandes alturas, com muitas folhas largas e que meu tronco e caules sejam tão fracos, que não sirvam como madeira forte.
Sabendo das intenções do Umbu o Senhor retrucou, para ouvir do próprio:
– Mas o que desejas com teu pedido?
E o Umbu concluiu:
– Sendo alta, folhuda, e largas minhas folhas, oferecerei sombra amiga e hospitaleira; e negando-me a ser madeira forte, evito correr o risco de servir como cruz para o suplício dos justos e provocado por torturas.
E Deus, o Criador dos Universos e dos Reinos, ciente de que teria, em época muito distante daqueles dias, um de seus Filhos crucificado, fez o Umbu do jeito como lhe foi pedido.”
– Foi uma boa escolha, essa árvore é realmente muito bonita. — elogia Daniel.
– É sim. — fala o Capitão ainda imaginando a lenda — Bom, o que eu quero dizer é que a árvore não precisou de frutos saborosos ou tronco forte para fazer madeira, ela é simples e ainda sim muito útil.
– É uma história muito bonita, foi bom ouvi-la. — fala Marcelina com doçura.
– É sempre bom aprender novas histórias — diz Margarida -, e essa é muito criativa!
– Bom — Capitão volta a realidade -, é melhor a gente voltar, vamos.
– Mas agora que estava ficando bom. — resmunga Davi.
– Não quero saber, vamos logo, levantem-se preguiçosos.
Ninguém parecia realmente cansado, apenas com preguiça mesmo. Chegamos ao acampamento, lá o Capitão permitiu que minha equipe usasse aparelhos eletrônicos como parte do prêmio, recebemos também três barras de chocolate (oferecidas pela professora), além disso, ficamos livre da próxima atividade: colher frutas para o café. Enquanto todos se esforçavam, nós ficamos na sala assistindo televisão, escutando música e mexendo no celular. Minutos depois todos apareceram com as frutas, o café foi constituído por pão, leite, salada de frutas, suco de laranja, torradas e café. As 6h30 fomos caçar gravetos, o que foi moleza, para fazer a fogueira. Mais tarde, todos estavam ajudando a fazer alguma coisa, alguns estavam ajudando a fazer a fogueira, outros a janta, também tinha gente lavando a louça, e malandros como o Paulo e o Koki estavam sentados contando piadas. Chego ao lado deles de fininho.
– O que um número disse pro outro? — Paulo começa uma piada.
– Disse cala a boca e vem trabalhar! — falo rígida segurando vários pedaços de madeira.
– Aé, você vai nos obrigar?! — Kokimoto foi tão irônico que chegou a ser irritante.
– Vou sim! — largo os pedaços de madeira nos braços dos dois — Ou melhor, o Capitão vai assim que eu contar pra ele!
Dou de ombros e sigo ajudando. Depois de tudo pronto, fizemos uma fogueira, todos ficaram em volta.
– E agora o que a gente vai fazer? — pergunta Paulo com desprezo.
– Podemos fazer uma brincadeira. — sugere a professora Helana.
– Mas qual? — pergunta Bibi.
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