Independência
35 A Caminho
Notas iniciais
– Que bom que vocês vieram. Podem colocar as malas e bolsas no ônibus.
Maria Joaquina faz sinal para dois homens de terno preto colocarem suas malas no ônibus, só ganhando bastante dinheiro pra trabalhar na casa dos Medsen, aguentar as patadas da Mari e se acordar de madrugada pra carregar suas tranqueiras.
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A professora Helena se posiciona ao lado do ônibus, fez sinal para todos ficarem em silêncio e falou:
– Nada de ficar fazendo bagunça no ônibus, sem gritaria, comportem-se. Se tiver algum problema falem comigo, nada de brigas os discussões. Entrem em fila e organizados. — fala ríspida e ao mesmo tempo meiga.
– Tá parecendo a diretora Olívia! — Valéria sussurra pra mim.
Nós entramos enfileirados no ônibus e eu sentei na poltrona 19 ao lado da Valéria. As duplas ficaram assim:
Jorge e Marcelina (ela foi a última a entrar, então não teve escolha)
Marisa e Davi
Laura e Carmem
Kokimoto e Paulo
Cirilo e Jaime
Bibi e Maria Joaquina
Margarida e Daniel
Alicia e Valéria
Mário e Adriano
A professora Helena foi na frente com a Graça, e o Firmino era o motorista.
(Planta do ônibus)
Todos sentados e prontos pra sair, a professora anuncia que o ônibus irá partir.
Tento olhar pela janela, mas está tudo escuro então não adianta nada. O ônibus mal começa a andar e a Valéria começa a tagarelar:
– Eu estou super ansiosa pra chegar lá! Será que deve ser legal ou nojento como a Maria Joaquina diz? Pra falar a verdade, eu nunca fui a um acampamento, então eu não sei como é lá. O problema é que temos que dormir cedo e acordar cedo, isso não é o meu tipo, eu não gosto nem de acordar pra ir pra aula, muito menos pra fazer "atividades educativas", mas tipo, a gente pode se divertir!
– Deu?! — pergunto — Já resolveu parar de falar ou quer me ver implorando por isso?
– Você não acordou de bom humor, qual é, se anima!
– Me deixa, eu preciso pensar. — falo olhando de canto para o Paulo e para o Koki.
– Tá tudo bem?
– Tá sim, é que eu... Deixa pra lá.
– Agora conta! — a Val não nega que é curiosa — Agora eu fiquei curiosa, desembucha!
– Eu tive um sonho estranho só isso.
– Aé, e com o que você sonhou?
– Eu sonhei que... que... Ah, esquece vai!
– Me conta, eu não falo pra ninguém, juro! — fala Val mostrando as mãos pra eu ver que não estava com os dedos cruzados.
– Eu sonhei com o Paulo — falo rapidamente -, mas isso não tem importância.
– Eu não acredito! — fala ela sorrindo exageradamente — Alicia você gosta do Paulo, que surpresa!
– Fica quieta menina, isso não é verdade! Eu poderia ter sonhado com qualquer um, fala sério, o Paulo é um mané! — justifico.
– Ta bom, se você acha. — fala ela pouco convencida — Estou com fome!
– Mais já? — que absurdo.
– Não, é ansiedade mesmo. — fala abrindo um pacote de salgadinho — Quer um pouco?
– Não, valeu.
Viro o rosto e me acomodo na poltrona, fico pensando na vida até adormecer.
– Eeeeeeeehhh!!! — me acordo rapidamente com a Valéria gritando.
Naturalmente levo um susto, levanto da cadeira e começo a grita também:
– Aaaaaahhh!! — tropeço nos pés da Carmem, que sentava na minha diagonal.
– Alicia, o que aconteceu? — pergunta Carmem apavorada.
– Nada, eu estou bem. — falo levantando do chão toda atrapalhada.
– Será mesmo? Não parece, dá a impressão de que você está maluca. — diz Paulo gozando.
– Eu já disse que estou bem! — afirmo em um tom seco e vou me sentar.
– O que foi isso Alicia? — sussurra Valéria.
– Você pergunta pra mim? Quem gritou e me assustou foi você!
– Eu só ganhei no truco. To jogando com a Margarida e com o Daniel, eles sentam aí na frente e a Margarida tem baralho.
– Me poupe! — digo grosseiramente, em seguida olho de soslaio para o Paulo e o Koki novamente.
Abro uma revista em quadrinhos e começo a ler enquanto Valéria joga truco com Margarida e Daniel. Estávamos quase chegando quando Margarida pergunta:
– Você não cansa de ler não?
– Não. Eu gosto bastante, nunca enjoei.
– E o que é isso que você tá lendo? Parece uma revista em quadrinhos.
– É uma revista em quadrinhos, é do Batman, comprei não faz muito tempo só que não tinha parado para ler. — respondo fechando a revista e guardando na minha mochila — Eu preciso fazer um coisa, com licença.
Eu precisava fazer uma coisa, mas não sabia como. Esse sonho que eu tive mexeu comigo, eu não paro de pensar nele, mas será que eu devo seguir esse sonho? Que diferença faz se eu seguir ou não?! Eu não sei, é melhor eu deixar pra lá.
– Atenção alunos! — pedi a professora Helena de pé no corredor — Estamos quase chegando lá. Eu quero que todos fiquem em ordem e não levantem até eu pedir, desçam em fila, peguem as suas coisas e fiquem esperando que o tio da diretora Olivia, ou seja, o dono do acampamento irá nos recepcionar.
Todos ficam em silêncio e quando o ônibus para começamos a conversar, a professora fala:
– Silêncio, o que isso? Mostrem que tem educação. Já podem descer.
Todos descem organizadamente e ficam de pé ao lado do ônibus esperando, Firmino tira o mesmo dali e ir estacionar em outro lugar.
Segundo depois vem alguém falar com a gente, ele é...
(continua)
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