Independência Ou Morte!
1 18 de Abril de 1834
Notas iniciais
Diário de Miguel B. do Nascimento
Parte 1
18 de Abril de 1834
I
Mudamos de casa ontem a noite. Meu pai disse que não estávamos seguros na nossa antiga casa. Ele dizia que aquela mansão do lado de nossa casa pegava escravos brancos, então, antes que tivesse tempo de atravessar a órbita da sala e subir para o quarto, para pegar meu antigo diário, ele incende-ou a casa, de modo que, nem os moldes de ferro mais resistentes aguentaram. Todos os livros da mamãe, todas as roupas feitas por Maria, todas as espadas de madeira de Francisco, e, algumas tralhas antigas de meu pai. Não que ele se importasse com isso. Na verdade, acho que ele nem se importava com aquilo, só se seus "caríssimos" vinhos importados de todos os cantos do mundo tivessem pegando fogo. Mais havia algo em seus olhos. Algo que não me deu garantia do verdadeiro motivo de ter abandonado a casa. Se tornou totalmente notório — e verídico — quando ele olhou para trás pela primeira vez, ajeitando a pequena espingarda em sua bainha. A insegurança nos olhos de minha mãe quando via os olhos de meu pai, procurando alguém na rua. Evidentemente, chamamos atenção, tanta que, a certo ponto, não via quase ninguém olhando para outro local.
Chegamos na doceria onde sempre tomamos café, ou jantamos. Há poucos anos D. Pedro I abdicou do reino de Brasil, e pude ver que no dia da notícia, meu pai se alegrou, e alegrou-se ainda mais quando soube que o mesmo havia estado com tuberculose, e deixando aqui no Brasil, durante 2 anos, José B. de Andrada e Silva, mas este ano, fora substituído por Manoel Inácio de Andrade Souto Maior. Essas notícias abalaram meu pai. Ele treinava eu e meu irmão com lutas de espadas, apesar de não querer que nenhum de nós junte-se a policia. Tinha uma aptidão maior do que a do meu irmão para espadas, mesmo ele sendo mais velho, 3 anos mais velho. Pouco tempo sou dedicado ao Colégio-Meu pai ensina-me Matemática, Geografia, Ciências, Português e outros em casa-Antiga casa.Nesse exato momento, ainda não sei porque estamos na Doceria, pois o meu pai deixou-nos sentados em uma mesa, enquanto foi cumprimentar um homem velho, 40 ou mais anos, uma bengala com uma caveira, uma bota que ia até as canelas, calças negras, a borda presa nos canos da bota, o cinto cintilando com o sol, o terno aberto, mostrando uma camisa encardida, mais branca, com botões, o rosto meio escondido pela cartola. Após o cumprimento, ambos se sentaram conosco.
–Olá, minha senhora — Cumprimentou minha mãe em reverência — Olá, senhoria — Acenou com a cabeça para Maria, que lia o cardápio, e ignorou eu e Francisco.
–Onde estão meus modos? — Levantei-me de cadeira, fui até o homem e tirei a sua cartola cuidadosamente, olhando duas ou três vezes para o homem enquanto colocava seu chapéu no Busto.
–Seu filho é educado, Harry — Olhou-me com desprezo enquanto falava com meu pai, de origem londrina, e que me ensinou a falar certas palavras em inglês.
–Muito Obrigado, Freddy — Seu amigo também tinha origem londrina.A maioria dos amigos de meu pai tinha algo em comum com ele. Depois começaram a murmurar. Li os lábios de Freddy
"Quando ira contar a verdade a eles?Já arrumou um tutor?"-Pela sua expressão, vi um certo desanimo, como se estivesse a dias sem dormir. A barba grisalha, combinando com seu cabelo branco dava mais essa impressão. Franziu quando meu pai negou com a cabeça. Então chamou a garçonete erguendo a mão, esta, veio o mais rápido que pode.
–Uma cerveja para mim — Ele dizia enquanto ela anotava — Vão querer algo?
–Um sorvete de abacate,Senhor — Disse Maria.
–Um suco de uva — Disse minha mãe. Vi pelo desgosto da cara de Freddy que ele não queria pagar algo para mim e para Francisco, então sinalizei com a mão para ele não pedir nada. Ele obedeceu.
–Não quero nada, senhor Freddy — Disse Francisco.
–Muito menos eu, senhor — Completei
E logo após de a garçonete sair, subitamente, olhei com o mesmo desgosto para Freddy. Francisco sussurrou:
–Por que não?
–Ele não gostou de nós — Respondi — Há alguma coisa nesse homem, algo que não me cheira bem...
–Talvez o perfume esteja estragado...-Olhei para Francisco, que logo calou a boca. Estralei a língua. E agora estou escrevendo este diário. Os olhares mais que constantes de Freddy para este livro, que já esta na metade da décima segunda folha. Vi alguns mendigos pedir dinheiro para cada senhor rico que passava pela rua. Os soldados passando na rua com os mosquetes apoiados nas mãos, iluminados pela luz do dia, que cria uma sombra que bate no chão. O vento jogando seus mantos contra o vento, os oficiais de Manoel estavam a rua. Militares, pregando cartazes em prédios enquanto os homens estão indo para o trabalho. Os ladrilhos da Doceria cintilando como o sol, e, no topo de uma casa feita de tijolos, havia atiradores, cruzes vermelhas em seus pescoços, Rifles na mão. Certamente estavam procurando alguém. Veridicamente um foragido. Meu pai?Freddy?Teorias malucas de uma criança?
Prefiro acreditar nisso. Ao tempo certo que meu pai viu todos os homens com Rifles bem carregados em suas mãos, fez sinal com a cabeça de que iria embora. Guardei o diário em minha bolsa, e abandonamos Freddy ali.
II
Depois de muito tempo caminhando, chegamos em uma casa totalmente de madeira, entramos nela, e meu pai foi guia — Apresentou todos os cômodos, inclusive uma biblioteca que ficava atrás de uma grande estante. Até chegarmos no meu quarto, tudo pronto, cama feita, escrivaninha com pena e tinta, estantes com livros, o criado-mudo do lado da cabeceira da cama. Sentei-me na cadeira da escrivaninha, e continuei meu diário.Após acordar, notei que a gravata havia caído no chão, juntamente com o terno, e de lá da cozinha, ouvia algumas vozes. Desci os degraus, rezando para que não houvesse nenhum barulho, e assim que tive certeza que a minha prece foi atendida, aproximei-me discretamente até a porta da cozinha, onde vi meu pai, com Freddy, e mais três homens — Um com manto, encapuzado. Outro com um colete improvisado, feito de rasgos de um manto do exército britânico. E junto deles, um homem, bengala, casaco dos ombros até os pés, calças, tênis, um bigode e um chapéu.
–Está mais do que na hora de contar a verdade! — Exclamou Freddy.
–Tudo ao seu tempo, Freddy!Eles não saberiam como reagir! — Quase como um grito mudo, declarou meu pai.
Os outros homens apenas assistiam, até que o encapuzado resolveu entrar na conversa:
–E quando pretende contá-los?
–Uma boa questão — Freddy falou com mau humor.
–Como eu disse, tudo ao seu tempo.
–Você sabe que nesse tempo pode se desvencilhar-se da Ordem, não sabe? — O roupas britânicas perguntou.
–Sei, por isso pretendo ser rápido, seguindo os princípios da Ordem.Nunca envergonharia o nome de Altaïr Ibn'La Ahad
–Como posso confiar em você? — Disse Freddy.
–Chega!Temos um credo, e este credo não envolve picuinhas! — O velho disse.
Então vi o encapuzado chegar perto da porta, e corri, sendo discreto, até o inicio da escada, depois, silenciosamente, subi até meu quarto. Mas a o que eles se referiam?Credo?Ordem?
Vou deitar-me na cama, afundar-me em um sono pesado. Somos um Credo...Um dia eu descobrirei...
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