Independência
31 Momento MaJo
Notas iniciais
– Errado. — falo nervosa — Você anda bonzinho demais!
Ele fez uma expressão sonhadora que até me lembrou do Adriano. No mundo da imaginação acho que ele nem me escutou:
– Eu nem quero saber o motivo, tchau pra você! — fui em bora.
___________________
(Sábado — 9:30, meu apartamento)
Acordei-me com o Paulo me ligando.
Phone on:
– Paulo?
– Oi, eu estava pensando, você não quer almoçar aqui hoje?
– Não vai pensando que eu virei a sua amiguinha agora! Mas tudo bem, não estou com vontade de cozinhar mesmo.
– Então tá, estou te esperando.
Phone off
Com preguiça me levantei e coloquei uma roupa (http://www.polyvore.com/look_simples_alicia_cap.32/set?id=89016095), peguei o skate e me mandei pra casa do Paulo. Chegando lá a dona Lilian atendeu a porta:
– Oi, você é a amiga da Marcelina, né? Ela está no quarto.
– Tá, obrigado dona Lilian.
Entro e vou até o quarto de Marcelina:
– Oi Marce.
– Oi Alicia! — fala ela eufórica — Então vai mesmo almoçar aqui, pensei que não aceitaria um convite do Paulo.
– Pois é, posso ligar a televisão? — falo sem jeito.
– Aham!
Mais tarde eu almoço e fico mexendo no notebook com a Marcelina.
Dias depois (quarta-feira, na escola).
Como saí meio atrasada (dormi além da conta, porque esqueci de colocar o relógio pra despertar) eu nem tive tempo de ir ao banheiro, por isso, a primeira coisa que eu fiz quando cheguei a escola Mundial foi ir correndo ao banheiro. Escancaro a porta e vejo Maria Joaquina chorando, e ao seu lado estava Bibi tentando consolá-la:
– Meninas, o que aconteceu?
– Nada, não é nada. — Bibi tenta disfarçar.
– Ou você me conta agora ou eu descubro mais tarde, do meu jeito, ou seja, do pior jeito. — de certa forma foi quase uma ameaça.
– O que você vai ganhar com isso em? Pensa na Mari, no que ela está sentindo. — Bibi tenta proteger a amiga.
– Mas eu não sei o que ela sente. E você sabe que eu estou falando sério quando afirmo que vou descobrir. — domino a conversa.
– Tudo bem eu conto. — fala Maria Joaquina — Eu estava na casa do Jorge, a gente estava estudando e ele me disse que eu seria sua melhor amiga pra sempre. O problema é esse, "amiga pra sempre"!
Não digo nada, só espero ela continuar:
– Quando éramos pequenos eu confesso que não gostava muito dele, principalmente quando percebi que suas atitudes estavam erradas, mas agora é diferente. — Ela levanta e fica andando em círculos — Ele mudou, mas não me nota mais.
– Ah, faça mil favores né Maria Joaquina. E eu aqui pensando que era algo sério! — digo.
– Que insensibilidade em Alicia! — critica Bibi — Você não liga pra o que ela esta sentindo?
– Que idiotice, você aí sofrendo por amor! Eu nunca vou fazer essa bobagem. — penso por alguns segundo e falo eufórica — Espera! Já volto.
Vou correndo procurar Jorge antes que toque o sinal.
– Preciso falar com você, é urgente. Vem! — pego ele pelo braço e saio correndo.
– Ei, o que é isso? — pergunta Jorge indignado com a minha ação.
– Eu preciso conversar sobre a Maria Joaquina.
– Ela está bem? Fala a verdade, não esconde nada sobre a minha amiga!
– Esse é o problema seu tonto!
– Não estou entendendo, Alicia me explica.
– Vou direto ao ponto. A Mari gosta de você e nesse momento está se debulhando em lágrimas no banheiro porque você a trata somente como amiga. — nem eu mesma sei como pude ser tão fria ao falar isso.
– Hã?! Que tipo de brincadeira é essa?
– Não é brincadeira — dou um soco de leve no braço dele -, to falando a verdade.
– A Mari é praticamente minha irmã, você tem certeza? — pergunta assustado.
– Tenho. Por isso eu estava pensando, por que você não dá uma chance a ela?
– A coisa mais especial que eu sinto por ela é um amor fraternal, mas se for para o bem dela eu posso tentar, quem sabe.
– Não fala pra ela que eu te disse, tchau.
Pronto, mais um problema resolvido (eu acho).
(No Recreio)
Sigo Jorge e Maria Joaquina para ver o que iria acontecer. Sei que não foi certo contar um segredo da minha amiga, mas foi o melhor que eu pude pensar. O Jorge faria qualquer coisa pela Mari, ela é quase uma irmã pra ele, com certeza ele não a deixaria sofrer.
Conversa de Maria Joaquina e Jorge
...
(continua)
Fale com o autor