Independência
29 GUERRA vs ARARIPE
Notas iniciais
– Alicia — ele novamente senta no banco, segura as minhas mãos e segue — Dispensa esse garoto logo, ele é só um adorno na sua vida. Eu tenho certeza que se você for pulso firme ele vai te largar de mão.
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– Não é bem assim! O Paulo também já me ajudou bastante, passamos por momentos bons , eu sei que temos algo em comum. Não quero defende-lo, mas ele não sabe expressar seus sentimentos, talvez precise de alguém — olho para as nuvens com um ar pensativo e sigo -, talvez precise de mim.
– Para com esse papo! — diz Eric insatisfeito — Você sabe melhor do que eu que esse sujeito aí não tem concerto, var sei chato sempre. Eu não quero que você conviva com esse tipo de pessoa! É melhor não esquentar a cabeça com esse assunto, vamos.
Ele me deixou em casa e no dia seguinte...
(terça-feira , recreio da escola Mundial)
Estou acabando de ler o livro Cartas na Mesa até que Paulo chega em mim e pergunta:
– Sabe aquele tal de Eric? É mais um amigo riquinho do Jorge, e pelo visto é metido do mesmo jeito.
– Eu sei. — afirmo sem nem olhar pra ele, apenas dou uma folheada no livro.
– Hã? Você não vai fazer nada?
– Não. — respondo friamente.
– Mas eu pensei que...
– Pensou que pudesse controlar a minha vida? — fecho o livro bruscamente — Eu já cresci e sei me virar, agora me deixa em paz!
Saio de lá e começo a refletir: talvez o Eric tenha razão, eu só preciso ser pulso firme e estar no controle da situação. O Paulo quer infernizar a minha vida ou talvez, ou talvez me proteger. Mas por que ele faria isso? Ele está escondendo mais alguma coisa, pra variar...
– Ally?
– Sim? — volto para a Terra.
– Já tocou o sinal. — avisa Margarida.
– Tá, já vou.
Eu não tenho certeza, mas talvez o Paulo possa não ser quem eu penso, porque ninguém viu o seu lado sensível como eu vi. Ele todo meigo e carinhoso, até parecia outra pessoa, mas na frente dos outros ele muda de personalidade rapidamente, e volta a ser aquele antigo Paulo encrenqueiro e inescrupuloso.
(Saída, escola Mundial)
Pego as minhas coisas e me dirijo ao quartinho do Firmino, quando estou pronta para abrir a porta, uma pessoa me impede e me puxa:
– O que aconteceu com você? Não está gostando daquele metidinho do amigo do Jorge, ou está? — pergunta Paulo inquieto.
– Eu não preciso de ninguém e muito menos de um namorado, e você não tem nada haver com isso!
– Tenho sim, você é minha amiga e estou dizendo pra não se meter com esse garoto, ele é muito pior do que o Jorge. Sínico, aproveitador, faz as coisas sem pensar nos outros, e é capaz de ser desonesto!
– Até parece alguém que eu conheço. — falo sarcástica.
– Me leva a sério pelo menos uma vez na vida! Ele parece santinho perto de você, mas logo irá tentar de botar contra todo mundo. Se liga, você é filha dos Gusman, tem uma herança "gordinha" nas mãos.
– Eu já disse que sei me cuidar Paulo Guerra, para com isso! — digo nervosa.
– E eu também já disse que estou tentando te proteger. Poxa eu... Eu ... Eu gosto de você e não quero te ver triste, se você acha que dá conta, então boa sorte. — ele me dá um beijo na bochecha e sai.
Tá legal, que bizarro! O Paulo dizendo que gosta de alguém, só pode ser alucinação, ele nunca me disse isso.
(No Sábado — 14:30 , no meu apartamento)
Estava planejando ir a Biblioteca Pública retirar algum livro, então eu peguei o skate e fui. Chegando lá eu entrei naquele imenso mar de livros, entreguei o que eu tinha retirado e fui escolher outro, porém:
– Oi Alicia, eu não sabia que você gostava de ler.
Atrás de mim estava o Eric:
– E aí, que surpresa. Bom te encontrar!
– Já que estamos aqui, que tal aproveitar e marcar de ir ao cinema?
– Olhar que filme? — pergunto.
– Você gosta de romance?
– Prefiro ação. — digo — Por que a gente não olha aquele filme em cartaz?!
– Pode ser, eu te pego terça-feira às oito e meia, ok?
– Ok.
Ele me da um beijo no rosto e saí, eu escolho um livro (A Casa Torta, também da Agatha Cristie) e vou logo depois.
Passo pela praça e vejo Paulo caminhando, ele para e recolhe uma pequena e delicada florzinha amarela com pétalas murchinhas, pensativo, senta no banco e olha para a flor. Eu apenas sigo andando, mas de repente me da uma vontade de falar com ele, então vou até lá.
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