Independência
36 Boas Vindas aos Santos Diabinhos
Notas iniciais
Todos descem organizadamente e ficam de pé ao lado do ônibus esperando, Firmino tira o mesmo dali e vai estacionar em outro lugar.
Segundo depois vem alguém falar com a gente, ele é...
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Ele é um homem alto e forte, tem cabelos grisalhos, é velho, mas parece se preservar na academia, usa um uniforme camuflado e parece aqueles homens de filme de ação. Ele observa a gente com frieza, parece nos desafiar apenas com o olhar, todos ficam em silêncio até Maria Joaquina sussurrar para Bibi:
– Sinceramente, eu pensei que fosse um lugar melhor, pelo o que estava no folheto.
– Silêncio!! — grita o homem.
Todos ficam assustados e arregalam os olhos. Ele continua:
– Essa não é a hora para as patricinhas ficam de segredinhos! — ele se aproxima da gente e fala — No meu acampamento eu não permito desordem, bagunça e muito menos indisciplina.
Poxa vida, ele é pior que a diretora Olívia. Ele se apresenta:
– Meu nome é Juan (Ruan) e eu sou Capitão das Forças Armadas, quer dizer, era, agora sou aposentado, mas não pensem que perdi o jeito, ao contrário, qualquer um desse acampamento tem que entrar na linha. — ele faz um sinal de mão convidando a gente para segui-lo — Venham que eu vou mostrar tudo.
A gente seguiu por uma estradinha de areia, repleta de árvores em volta, em menos de dois minutos avistamos três casinhas de madeira, as duas primeiras eram bem pequenas, a terceira era maior. A Maria Joaquina pergunta sem muita animação:
– Esse é o acampamento Sr. Juan?
– Me chame de Capitão. E sim, esse é o acampamento. Você não esperava um hotel cinco estrelas, né? — todos ficam em silêncio, e ele continua — Vamos que eu vou levá-los a cozinha e a sala.
Ele nos leva a terceira casa de madeira, a maior. Abre a porta e vemos uma salinha confortável, com dois sofás de lado para uma televisão de 20 polegadas, outro sofá maior estava de frente pra ela. Um murinho de tijolos que localizava-se atrás do sofá maior, servia para separar a sala de uma mesa com dez lugares de cada lado e um em cada ponta. Do lado da mesa tinha uma porta, na verdade era só enfeites de madeira pra cobrir a abertura, parecidos com os do quarto da Valéria, só que era de madeira. Esse caminho dava em uma cozinha média, um pouco menor que a sala. Voltamos pra sala e o Capitão mandou a gente sentar que ele queria falar:
– Vocês podem vir aqui no tempo livre e quando eu permitir. E é nessa mesa que irão fazer as refeições, o café da manhã é as 7:40, não se atrasem ou ficarão sem. — ele faz uma pausa e segue — Vem, vou mostrar os quartos.
Saímos de lá e caminhamos até a frente de uma das casinhas menores. Prestando atenção eu pude perceber que tinha o sinal de masculino. O Capitão explica:
– Aqui é o quarto masculino. Meninas vão até o outro, escolham suas camas que eu já vou falar com vocês.
Nós seguimos até a próxima casinha, abrimos a porta e vimos vários beliches organizados. Cada um era incrementado com um travesseiro branco e uma coberta verde:
– Que lugar sem graça. Viu Bibi, foi bom a gente trazer nossos cobertores personalizados! — diz Maria Joaquina.
Bibi concorda com a cabeça. Todos nós fomos nos arrumando nas camas até a Valéria chegar em mim e perguntar:
– Então amiga, a Marisa me convidou pra ficar no mesmo beliche que ela. O que você acha?
– Vai em frente. Nós não somos grudadas! — brinco — Tudo bem, eu acho que eu vou ir com a Marcelina então.
Pego as minhas coisas e vou lá pro fundo, onde a Marcelina estava e pergunto:
– Oi Marce, eu posso dormir aqui?
– Pode, mas você vai em cima. — responde.
– Por quê?
– Sei lá, eu não me sinto muito segura ali.
– Ok, se você insiste. — falo me segurando para não rir.
A Laura vai com a Carmem, a Bibi com a Maria Joaquina, e a Margarida teve que ficar sozinha. Fazer o que?! Enquanto todo mundo se organizava, ela engatinhava pelo chão procurando o anel que perdeu.
Cada beliche tinha direito a uma cômoda de quatro gavetas, que ficava ao lado inverso do travesseiro. Eu e Marcelina dividimos as gavetas, ou seja, duas pra ela e duas pra mim. Para as roupas eu ocupei só uma, na outra coloquei meu skate, a bolsa e a mochila vazia.
Minutos depois o Capitão abre a porta. Na verdade escancara e grita:
– Atenção Recrutas!
– Recrutas? — sussurra Maria Joaquina.
– De pé! — ordenou ele.
Ninguém excitou em desobedecer, todos levantaram e ficaram de pé em frente à cama.
– As 6:30 em ponto eu vou acordá-las e só chamo uma vez, se não ficarão sem café! Vocês vão ir para a sala já vestidas com o uniforme camuflado. Todas as camas já arrumadas. Agora, me acompanhem as que não trouxeram roupa camuflada.
Eu dou um passo a frente. Era só eu que não tinha trago, Mari comenta:
– Só você pra preferir usar qualquer uniforme a trazer um limpinho de casa.
– Silêncio! — diz ele — Quem já tem, vista-se que eu já volto.
Ele me leva até a sala onde os meninos (tirando Jorge, Davi e Daniel) já estavam esperando, e de uma gaveta tira uma sacola cheia de roupas. Eu e eles começamos a olhar as roupas, depois de alguns minutos o Capitão fala:
– Rápido com isso! Parecem menininhas mimadas, aqui eu só estou vendo uma.
Ele me olha, mostrando que era de mim que estava falando, mas eu não sou nenhuma menina mimada:
– Negativo! — digo colando os braços ao corpo e olhando pra frente.
– O que foi garota?
– Aqui não tem nenhuma menininha mimada!
– Ah não, é?! — ironiza ele.
– Capitão, não há nada que um homem faça que uma mulher não possa fazer. — eu literalmente parecia um recruta.
– Acho que suas amigas patricinhas não concordam com isso. — fala num tom superior.
– Não falo por elas, falo por mim! — nem um minuto se quer eu perdi a postura de recruta, mas nunca demonstrando desrespeito.
– Ok, mas vai logo com isso!
(continua...)
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