Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
3 Transformers
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 3 — Transformers
...
Eu não sei que tipo de efeito essas porcarias podem causar nas pessoas, mas imagino que, para cada um, a sensação deva ser diferente. Afinal, cada um é cada um. Mas seria uma só vez, certo? Se eu não gostar, não gostei; se eu gostar, me ferrei. Era uma matemática fácil...
Sasuke me entregou o enroladinho fedorento. Disse-me para não cheirar. O negócio é apreciado pelo paladar, e não olfato. Na primeira tragada, me engasguei e quase cuspi meus pulmões. Sasuke riu. Eu não.
— Hauihaiuahiuahi. Amadores! Chupe o papel como se tivesse chupando coca-cola com um canudo, entendeu? Você não inala nada. Apenas engole a fumaça. — tentei mais uma vez.
E então, eis que sinto toda aquela fumaça quente arder na garganta. Aquilo ardeu até nos meus olhos, enchendo-os com lágrimas. E ainda senti meus pulmões pesarem. E pasmem! O gosto não era tão horrível quanto a fumaça cheirava mal...
Não sei se só com uma tragada dá para sentir algum efeito, mas o fato é que eu senti! Talvez fosse por causa da quantidade que já havia inalado antes, quando estava com eles no andar debaixo.
Vai saber!
E vejam só, era a mesma sensação de se estar bêbado, como Naruto dissera. Era estar bêbado, sem ter bebido. A não ser que tenha bebido antes também... Mas aí já é outra história! Hehehehe... Hum. Acho que estou começando a perder a noção das coisas. A coisa foi ficando mais leve. Digo, o meu corpo. E a cabeça pendia para um lado, depois para o outro... E quando percebi, eu estava como um relógio, fazendo tic-tac. Para um lado e para o outro, sabe? Eu sabia que devia estar igual à uma retardada, mas não estava dando a mínima para isso. E Sasuke começou a me imitar, sorrindo para mim. E então, comecei a rir, com os olhos cheios de lágrimas. Não sei por que, mas ficar sério parecia engraçado.
Enxuguei os olhos rapidinho, e voltei àquele estado de ameba. Para um lado e para o outro. Era como se tivesse alguma música tocando em meus ouvidos. Mas eu ouvia somente a zoeira que os meninos faziam em baixo, gargalhando, berrando e batucando nas paredes do ônibus, fazendo-o chacoalhar ainda mais. Devia ter mais algum idiota pulando também...
— Hehehe... Sarakura? Você está bem? — Sasuke estalava os dedos na minha frente, chamando atenção — Já está chapada? Porra, você já está chapada! Auiahuiahaiuahiauhi! Puta merda! Você é mais fraca do que eu pensei! — ele se jogou ao meu outro lado na cama, e lhe mostrei meu dedo do meio enquanto ele dava mais uma tragada.
— Só desta vez, certo?
— Uhum. — ele responde, me oferecendo outra vez.
E me surpreendi, aceitando aquilo sem pestanejar.
E aí, ele pulou em cima de mim, agarrando minhas pitangas. Sem cerimônias, ergueu minha blusa junto com meu sutiã de zebrinha, e foi saboreando pitanga por pitanga, enquanto gemia.
Ele tomou o canudo da minha mão, e deu mais uma tragada. Mas como ele estava mais concentrado em minhas frutas, eu fiquei de olho naquilo. Até que, como eu suspeitava, o idiota quase ateou fogo no lençol da cama em que estávamos.
— Sasuke, você vai causar uma explosão aqui! Hehehe.
— Não é por nada não, mas a única explosão que estou prestes a ver aqui é de porra. — e então, ele me faz tocar com a mão em seu churros maduro, por cima da calça que ainda vestia. E eu me perguntei: mas ele já está assim? — HAUIAHUIAHAUIHAIA. — sua gargalhada era alta, e cheia de vida. Ele gargalhava como eu nunca tinha visto antes. Tão chapado. Mas ele até que ficava mais bonitinho daquele jeito... Tive que rir junto, tomando aquilo das mãos dele.
Fui dando mais uma tragada, enquanto ele foi descendo pela barriga até chegar à saia. Tirou minha calcinha, sem retirar a saia, e foi direto ao mato. Eu estava com as pernas para fora da cama, e ele de joelhos no chão. Meus pêlinhos já estavam voltando ao normal, mas havia prometido — de dedos cruzados — que depilaria aquilo de novo. Desde que ele depilasse o dele também. É claro! — ainda de dedos cruzados, sacou? Muahahaha!
Mas enfim. Lá foi ele fazendo lavagem no local, com sua língua serelepe, para lá e para cá.
— Huumm. Tão molhada! Tão doce! Tão gostosa! — ele diz — Seja uma boa menina, e me seduza também, hum? Como te ensinei!
Err. É eu virei um cachorrinho domado!
Que fique claro que vou fazer o que estou prestes a fazer apenas por dois motivos: ele é meu namorado, e porque estou com a cabeça nas nuvens. Nada parecia importar!
— Só se você me chupar todinha, Sasuke! — dei de ombro, fumando mais um pouco. Não sei bem o que era, mas tinha um “quê” de glamour em fumar. Sempre achei sexy, homens que fumam. Eu preferia que fosse fumar chocolate, é verdade, mas fazer o quê? O negócio já estava ali, na minha mão... E minha mãe sempre me disse que era pecado desperdiçar coisas, certo? Lalarilaaa...
— Uhh... Você vai gozar na minha boca?
— Se você fizer seu trabalho direitinho, eu vou! Hehehehe... — mais uma tragada.
— E você dúvida? Não sabe que sou o rei em fazer mulheres gozar na minha boca? — ele sorria amplamente para mim.
— Ui, ui, garanhão! Que tal menos papo e mais trabalho?
— Certo. — e então, calou-se para dar continuidade ao seu trabalho.
Comecei a me contorcer no colchão, gemendo e rebolando o quadril para ele. Ele fazia o trabalho ruidosamente, apertando minhas pernas, afastando-as uma da outra, cada vez mais. Eu estava quase prestes a lhe dizer que eu não conseguir abri-las mais do que já estavam abertas, quando estava prestes a sentir aquela explosão quase atômica. E então, ele pára.
— Hummm. Seu grelinho já está duro. — diz ele, lambendo os beiços.
— Aham! Então CONTINUA ATÉ O FIM! — ele hesitou por uns instantes, tocando uma rapidinha em si mesmo com uma mão, e me massageando com a outra. — Ok. Te faço gozar duas vezes! — ele até ergueu uma sobrancelha, como se estivesse lançando um desafio a si mesmo. Hehe.
E lá foi ele com a boca, sugando e introduzindo algo. Algo grosso e rígido demais para serem seus dedos, ou mesmo seu humilde churros. Quando olhei, vi que era seu celular. Aí, eu comecei a rir como louca!
— Aaiuhaiuahaiuhauiahiuahaiu. Sasuke!!!
— Quê??? Hauiahauiahuia! Cadê o seu celular? Que ver uma mágica especial? — ele tomou o restante do enrolado, fumando até o final.
— Aauihauiahauihi Não! Eu não quero ver mágica! — lhe digo, vendo-o apagar o fogo com a ponta do pé, no chão.
— Deixa de ser chata! Vou ligar pra mim mesmo, oh! — então, ele foi até a minha mochila, onde havia me visto guardar o Jack. Disca os números no meu aparelho, e seu celular vibra dentro de mim.
— Aauihgaiuahuaihaiuahiuahai! Seu retardado!
— Aiuhauiahuia. Eu fiz isso no Sai uma vez! Ele gostou!
— Mentira!
— Juro! Pergunte a ele.
Joguei a cabeça de volta para o travesseiro.
— O pior é que isso é booommm. Hummmm.
— É?
— Quer que eu meta no teu rabo?
— Ei! Essa fala é minha!
Aí, alguém apareceu cantarolando.
— Eeeeeu vi um sapo na beira do rio... De camisa verde, sentindo frio... Não era sapo, nem perereca... Era o Naruto só de cuecaaaaa! Haoiahoaihaiuhia! Opa, opa! O que, que está rolando aqui? — era o Amoreco, com uma pequena garrafa de vodca na mão!
Levei um susto tão grande, que me levantei para sentar na cama. Só que a idiota aqui esqueceu que havia outra cama em cima da minha cabeça, e acabei dando com os chifres no estrado. Err. Mas aconteceu tudo bem rapidinho. Me ergui, bati o cabeção, praguejei, saí de baixo da cama, abaixei minha saia e minha blusa, e o celular do emo caiu no chão por entre minhas pernas. Aí, os dois começaram a rir. O ruivo até apontava o dedo para mim.
— Aaiuhaiuahaiuhaiauhiahi. E viva a tecnologia! Celular-vibrador, quem diria?! Hauiahiuahia.
— Ops. Eu acho que você vai ter que comprar um celular novo. — comentei, vendo o estado melecado em que havia ficado.
— Que nada! — o emo o apanhou, e saiu lambendo o aparelho — Pronto! Limpinho!
— Aauiahaiuhaiuahia. Que nojo, Sasuke.
— Que delicia isso sim! — ele cantarolou. E então, veio me dar um beijo.
Quando vi, Amoreco estava atrás do emo, acariciando os cabelos dele também.
Sasuke veio mexendo em minhas pitangas, enquanto eu assistia o ruivo beijar o pescoço do Sasuke. Vê-lo bulinar no emo, era interessante... Mas interessante, do que eu já tinha percebido que poderia ser, na verdade. Ele passava a mão por baixo da camiseta do Sasuke, enquanto roçava seu churros na traseira do emo. Eu sorri com aquilo, não sei por quê. E então, Sasuke me ergueu do chão, e me pôs contra uma das paredes do ônibus, erguendo minha saia. Como fiquei pendurada nele, ele se livrou do fecho da própria calça, outra vez, e pôs seu churros para fora. Amoreco, por sua vez, fez o resto do trabalho em se livrar da calça dele. E em seguida, se livrou da própria calça.
— E se os outros subirem? — perguntei preocupada com os meninos novos, que não estavam acostumados a isso.
— Não esquenta. Agente dá um trato neles também. — o ruivo diz, piscando o olhinho.
— Mas ninguém vai tocar em você! — Sasuke, então, vira-se para Gaara — NINGUÉM, me ouviu?
— Cara, não estrague o prazer do ménage a tróis.
— Monange a trás é o que eu vou fazer contigo, se encostar essas patas nela, entendeu? — eu ri, mas o ruivo bufou.
— Não se faça de sonso. Você concordou com o nosso trato!
— Trato no prato! Vocês todos só estão com inveja porque eu tenho algo que vocês não têm!
— É verdade! Não tenho o cabelo de emo, não tenho o pau torto, nem o cu cabeludo! Mas eu não diria que chega a ser inveja não! — Sasuke não tem o bumbum peludinho não!
— UQeWET$R%&T#WWT$&$r! Encoste nela, e verá o buraco negro que esse pau torto não é capaz de fazer na tua bunda!!! — Amoreco bufou mais uma vez, mas não disse nada.
Continuou com seu afazer, mas me cuidava com o rabo do olho. Na verdade, ele não parava de me olhar com aquele par de olhos verdes flamejantes. Louquinho para tocar em mim.
Sasuke gemia alto, e eu batia com força contra a parede do ônibus, pendurada em sua cintura. Sasuke parecia um touro esbravejante. Estava entre a fúria e o êxtase. Gaara, no entanto, parecia ocupando com outra coisa.
— HMMMM! Mete com força esse caralho aí, Gaara.
— Eu estou metendo, porra! Mas teu cu tá engolindo um pentelho meu!
— Hã? Então tira a porra do pentelho, seu idiota!
— Não dá. Se eu tirar vou arrancar! Se eu arrancar vai doer mais ainda. — ele choraminga.
Homens! Imagino o escândalo que não fariam naquela maca de depilação! Ele tentou algum movimento, mas aí, o Sasuke foi quem deu um pulo.
E eu ali, pra cima e para baixo, brincando de carrossel!
— Ah, não, cara! Não me diz que está enosado!
— Puta que pariu! — o ruivo resmunga, olhando para baixo — O pentelho do meu saco enredou no pentelho do teu cu! Ah, que ótimo, Sasuke! Maldito cu cabeludo!
— EU QUE O DIGA!!!
Sasuke, então, olhou para baixo, entre nós. Mas meu pêlinhos ainda estavam ralos, não tinha como acontecer uma fatalidade daquelas.
— Ufa! — ele parecia aliviado — Arranca com tudo, cara! É o único jeito de tirar essa merda daí.
— Não podemos viver felizes para sempre assim? — err.
— Por mais tentadora que sua proposta seja, eu vou querer cagar daqui a pouco, e contigo aí não vai ser bonito. — tapei meus ouvidos, e fechei os olhos.
Espiei. Gaara também fechou os olhos, enquanto Sasuke mordia os lábios, fazendo careta, se preparando para a dor. Os dois contaram até três. Mas o ruivo não se afastou. Ou invés disso, abraçou o emo.
— Mas você está tão quentinho!
— Uwqt&R$%#RY$R%*W#$RW&%! SAI DAÍ, CACETE! — ele tentou esmurrar o ruivo, mas como precisava me dar apoio, não conseguiu.
— Tá, bom! Tá, bom! No três, de novo... — e os dois fazem caretas — É um... É dois... É três. Eu acho que preciso beber mais, antes disso!
— UTW#$W&WEUT&ËTUREYTW&!!!! — aí, fui eu que não agüentei essa enrolação — AHHH! JÁ CHEGA!! — dei um empurrão no ruivo, bem na hora em que Neji freia bruscamente o carro.
Aí, todos nós saímos rolando para o outro lado do ônibus.
Bati com a cabeça, mas não pude conter a risada. Nem os dois, na verdade. No final das contas, eu saí de cima do Sasuke, mas Amoreco continuava grudado no emo.
— EU NÃO QUERO MORRER CONTIGO GRUDADO NA MINHA BUNDA, CARALHO! — Sasuke saiu se debatendo contra o ruivo que não queria largá-lo de jeito algum. E eu já estava com a barriga dolorida de tanto rir.
Que irônico!, pensei. No fim, alguém estava metendo no rabo do emo.
Ahém.
— VOCÊ DISSE QUE QUERIA MORRER FAZENDO SEXO! ENTÃO AQUI VAI! MORRAAAA! — e lá foi o ruivo se exercitar na traseira do emo.
— MAS EU NÃO QUERO MORRER AGORA!!! MUITO MENOS COM UMA BIXA COM UM CORAÇÃOZINHO TATUADO NA BUNDA! Hauiahgaihaiuhi Para de meter isso na minha bunda, porra!
Eles se calaram ao ouvir passos se aproximar, como se os dois fossem cúmplices de um crime. Eu bem que tentei me calar também, mas não consegui. Aí, o emo atirou um sapato em cima de mim. Mas o joguei de volta. Rindo.
E então, Neji aparece marchando. Ele nos olhou estarrecido, pondo as mãos na cintura. Sasuke rolou para o lado, caindo na risada. Gaara resmungou alguma coisa, por ter saído da traseira do emo, mas também ria. O coitado ria tanto, que até saiu melecas do nariz.
— Aaiuhaiuhaiahaiuhaiuahiuahia! — mas Neji não via graça em nada.
— Inacreditável — resmungou — Estamos em casa... — ele olhava para mim, como se eu fosse o quê, um monstro? Fui rastejando até a cama, e puxei o lençol para me cobrir, mas acabei puxando o colchão com tudo, e cai na risada. Ouvi os outros dois rirem também.
Empurrei o colchão para o outro lado do chão, praguejando, e rindo ao mesmo tempo. Aí quando encontrei a luz, novamente, tentei me por de pé. Mas não tive muito êxito, devo acrescentar.
— Aleluia, né? — Sasuke tentou se levantar, mas caiu de bunda no chão.
Deu mais algumas gargalhadas, e foi se arrastando até suas roupas. Pegou a camisa, e foi metendo-a pelos pés. Vendo que não conseguiria vestir, jogou-a de lado, e pegou as calças. E foi enfiando as pernas nos braços. E eu fiquei olhando para aquilo com tanta atenção e fascínio, que me deu dor de cabeça. Err.
— Mas que boceta! Essas merdas encolheram, ou o quê?
— Haihaiuahiauhaiuahaiuahiuahai. — Amoreco riu.
Mas eu estava começando a deixar de ver graça naquilo. Aí, Naruto subiu, batendo nas paredes. Foi quando vi que o cabeludo já tinha desaparecido.
—... Eu vou, eu vou... Parara-tim-bum, parara-tim-bum... Sasuke, a cueca fica na cabeça! — ele diz, piscando o olho para mim.
— Hummmmmm — o emo diz, seriamente pensativo. E então, enfiou a cueca na cabeça — Aahhh! Agora sim! — aí, Naruto tirou o celular do bolso da calça e bateu uma foto.
— Haiuahiauhai. Meus dias de glória ainda virão! Você vai ver só! Neji me mandou trazê-los para dentro.
— E os outros meninos? — perguntei — Vão entrar em casa? — Naruto me ajudou a levantar do chão. Aparentemente ele tinha alguma espécie de imã gigante, que não me deixava levantar de jeito algum!
— Não. Eles desceram do ônibus um tempo atrás. Não viram, não? Aquele Utakata tem uma bundinha... Mas Neji-estraga-prazer os chutou para rua há umas... Sei lá, quarenta quadras de casa... Vocês não viram mesmo? — balancei a cabeça em negação. Mas não sei por que, balancei a cabeça com tanto vigor, que meus cabelos batiam de volta no meu rosto. Senti uma chicotada de fios nos olhos, que os encheram de lágrimas. Naruto riu.
— Cara, eu queria saber quanto ganhamos com esse show! — ouvi o ruivo resmungar.
— O Itachi deve saber! — o loiro respondeu.
— MINHA NOSSA MÃE! ESQUECEMOS O ITACHI! E MINHA FILHA!
— AAIUHAIUAHIUAHAIUAHIAUHAIUHAI! — o emo e o ruivo riram. Naruto apenas sorriu. E eu estava começando a me sentir zonza.
Na verdade, depois disso apaguei. Veio um blackout total. Talvez porque eu estivesse com fome, aliado aos efeitos daquele fumo, e mais a balançada de cabeça, que, com toda certeza, me deixou ainda mais tonta. Não sei. Só sei que, quando acordei, estava esparramada no sofá de casa e tinha mais alguns corpos no chão, roncando.
— Manhêeee! — Hotaru me sacudia pelo ombro, sussurrando — Olha só o que eu fiz! — ela diz, apontando para os meninos deitados no chão, como se ela tivesse nocauteado todos eles — Sou a muler malavila.
— Maravilha.
Suspirei, tentando achar forças para sentar no sofá. Hotaru saiu correndo por entre os corpos, com os braços abertos, fazendo “vruuum”.
Bom, a primeira coisa a fazer, é não entrar em pânico, certo? Eu estava em casa, minha filha estava ali — não sei como — e eu ainda estava viva. Já é alguma coisa, né?
Meu primeiro esforço em levantar foi em vão. Cai de volta no sofá, sentindo as pernas bambas. Tentei de novo, e consegui. Tcharam! Err. Eu me senti como uma criança, aprendendo a dar os primeiros passos. Só espero que não tenha que aprender a usar o trono outra vez. Isso seria um problema ainda maior para o Sasuke, na verdade! Hehe. Err.
Falando nele, o encontrei bem a minha frente, deitado de barriga para baixo, com o rosto virado para o outro lado. Lee, Sai, Amoreco, Naruto, Kiba, Shikabum, Sininho... Todos eles estavam ali. Só não vi o Neji em lugar algum. Mas vi o Itachi. Estava sentado no terceiro degrau da escada, abraçando as próprias pernas, me olhando. Não parecia muito feliz.
Passei por ele sem dizer nada. Mas eu sabia que ele ainda me olhava com cara de “mau-me-quer”.
Ao passar pelos quartos, vi Neji deitado com a cabeça jogada para fora da cama, com fones de ouvido e tocando uma guitarra invisível. Seus cabelos tocavam o chão, e ele cantava sem som, de olhos fechados. Estava com o rosto vermelho, por conta do sangue que lhe subia pela cabeça. Resolvi não lhe dar bola, e fui para o banho. Quando sai do chuveiro, vi que já eram sete da manhã. Mas como eu ainda me sentia podre, fui para cama. Não muito depois, senti quando Sasuke deitou-se ao meu lado, tentando não fazer barulho.
No dia seguinte — o dia só vira “seguinte”, depois que durmo! Ahém —, ninguém tocou em assunto algum. Todo mundo ficou mudinho, como se alguém tivesse morrido. Menos Hotaru, é claro. Ela corria para lá e para cá, dentro da casa, com uma nova fantasia. Agora ela era a mulher gato. Sua fantasia tinha luvas, com unhas postiças de borracha enrijecida. Ela saia arranhando a perna de todo mundo, fazendo “miau”.
— Vem cá, miau, coça o meu saco aqui!— acho que isso foi uma tentativa fracassada do emo, em quebrar o silencio. Só que Itachi jogou uma lata de achocolatado em pó no maninho, que voltou a ficar calado.
E Hotaru, em sua doce inocência, se aproximou do tio para coçar o saco de bolachas que ele estava comendo. Hehe.
— Cocei! — ela diz — Coço de novo?
— Não, está bom assim, chaveirinho. Agora, vá ver se eu estou no jardim, vai!
— Miau! — ela roçou as unhas postiças na perna dele, e saiu correndo para a sala, passando por baixo das pernas do cabeludo um, que chegava na cozinha.
Ficamos mais um tempo naquele silêncio estranho, ouvindo apenas os goles que Lee e Shikabum davam em seus respectivos leites, mais o pacote que o emo tinha em mãos, toda vez que pescava uma bolacha para comer. E então, veio um arroto do Naruto, seguido de um “desculpa” quase inaudível.
— Sabe o que eu acho que agente precisa? — todo mundo olhou espantado para o sobrancelhudo.
— Me deixe adivinhar, cara. — Kiba, que estava ao seu lado, pôs a mão no ombro dele — Você vai dizer bolo, não é mesmo? — Lee o olhou seriamente.
— Pare de ler minha mente! — e então, ele olhou para mim, com seu bigode de leite — Você me acompanha, Sakura?
— Hein? Eu?
— Uhum.
— Oh. Ok. Eu acho... — achei estranho ele estar me chamando para sair. Não que eu tivesse algo contra ele. É só que Lee conversava mais com o Kiba, Sininho, Shikabum...
Tomei o restante do meu café, e nos levantamos. Aí, Hotaru aparece, e larga um monte de minhocas na perna do emo. Com o susto, ele cai da cadeira.
— Mas que $IYTW*%¨&*WEYRUWE$&%T!!!
— O tio num tava lá fola. Mas achei as minhoquinhas.
— Agora coma elas! — Sasuke pegou as minhocas, e jogou em cima dela.
— AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! — e saiu correndo. Itachi veio marchando para cima dele, mas antes mesmo que ele pudesse fazer algo, Hotaru reaparece com o chicote da mulher maravilha.
— Seu bandido tlaiçoeilo. Saiba que eu sou a muler malavila disfarçada de muler gato! E você vai apanha! — e BAM! Lá foi uma chicotada no traseiro do emo, que se levantava do chão.
— UW$#%$TUT&$$!!! FOI ELA QUEM COMEÇOUU!!!
— Papai disse que o tio emoloidas tem uma minhoca pequena, e polisso eu trouxe essas minhoquinhas pla fazer compania com a minhoquinha do tio.
Bom, todos nós olhamos pro Carneirinho, que olhava dissimuladamente para as pontas de fio do próprio cabelo, caído sobre seus ombros.
— Então... — Naruto balbuciou — Você viu a minhoca do Sasuke, Itachi?
— NÃO, ELE NÃO VIU PORRA NENHUMA! PARE DE FICAR DIZENDO MERDA PRA CHAVEIRO!
— Deixa eu ver a minhoquinha, tio emoloidas! Hotalu quer ver a minhoca.
E então, todos nós olhamos novamente para o carneirinho. Mas ele já havia magicamente sumido da cozinha. Err.
Lee me puxou para fora, e fomos até o jardim.
— Peguei a chave do teu jipe, ok?
— Ok. Você não tinha um carro?
— Tinha, mas deixei em Londres. Não gosto muito de dirigir.
— Ahhh, então deixa que a tia Sakura aqui dirige, ok?! — tomei a chave de sua mão.
Há algumas semanas antes do nosso primeiro show, pude tirar a carteira de motorista. Eu achava um desperdício sem tamanho ter um jipe desses, e não poder usufruí-lo, sabe? Então achei que essa seria uma boa oportunidade para exibir minhas habilidades motoras. Afinal de contas, dirigir me saiu muito mais fácil e prático do que quando o emo havia tentado me ensinar. Tudo o que tenho a fazer é pôr a chave, puxar a lavanquinha aqui, pisar ali, e pagar pelo concerto do muro! Fácil, fácil.
Entramos no carro, e encaixei a chave na ignição. Liguei o motor, puxei a lavanquinha, e Lee me puxou a orelha.
— Feche a sua porta, e ponha o cinto de segurança, Sakura! — estremeci da cabeça aos pés.
— Hahahaha... Pequeno grande descuido! — resmunguei, fechando a porta, para, logo em seguida, pôr o cinto.
— Você acha?
— Err. Para onde vamos? — pus as mãos no volante.
— Para Hartford.
— OK, vamos para Hartford. HARTFORD? Lee, Hartford é uma outra cidade! Estamos em Nova Iorque!
— Achei que fosse uma padaria...
— Err. Lee, vou te dar um livro de presente! Você precisar ampliar seus conhecimentos! — liguei o carro.
— Um livro de receitas? — suspirei.
— Eu já te disse que te acho muito lindinho, Lee?
— Não, mas eu sempre suspeitei do seu olhar. — só se fiquei vesga, e não sabia! Err.
Dei uma arrancada brusca, cantando os pneus. Lee se segurou no meu banco, e mais naquele puxador no teto, ao lado de sua porta.
— Você sabe como se chama isso daqui? — ele me pergunta, apontando para aquele negocio.
— Sei lá. Apoiador?
— Nem perto. Se chama “puta merda”!
— Mas hein?
— É para casos como esse, em que o motorista dirige mal pra caramba, e o passageiro diz: Puta merda! E se agarra nisso. — ele diz assim, bem sério.
— Eu vou ignorar sua ofensa, Lee, porque gosto de você. Você é um cara legal.
— Obrigado.
Saí dirigindo pelas ruas, em busca de uma bendita porcaria; digo, PADARIA! Estava tudo indo muito bem, pois eu dirigia tranquilamente, passando pelos sinais vermelhos — ahém.
Lee prendia a respiração, mas eu achava que ele estava exagerando. Afinal, não bati em nada... Por enquanto.
Até que, de repente, ele mete o pé na minha frente, e freia o carro. Se não estivesse com o cinto, eu teria voado para longe do carro, atravessando o vidro. Paramos em frente ao Central Park.
— LEE, VOCÊ FICOU LOUCO?
— Na verdade, eu queria falar com você.
— Na verdade, eu suspeitei. Desembucha.
— O que foi que você fez ontem? — de repente, ele parecia sério.
— Bom, fiz muitas coisas. Acordei, fiz xixi, escovei os dentes, tomei café, escovei meus dentes outra vez... Assisti um pouco de Galinha Pintadinha com a Hotaru, depois almocei...
— Eu não me refiro a isso. Estou falando daquela hora no ônibus...
— Brinquei de médico com o Sasuke. Gaara bem que tentou se meter no meio, mas o emo não deixou.
— Você não deveria ter feito isso.
— Eu sei. Eu deveria ter sido mais durona com o emo, depois dele ter me ofendido daquele jeito, só porque não consegui alcançar o banheiro, durante o show! Mas, Lee, eu JURO que tentei! — ele revirou os olhos.
— Você decepcionou o Neji, e o Itachi. E, sinceramente? A mim também! — mas hein? Ah, tá, né? Agora ele pisou no meu calo!
— Do que está falando? Você também estava lá, fumando! Não se faça de sonso, que sei muito bem que você sabia que aquilo não era erva doce, Lee!
— Sim, mas meu cérebro já está todo ferrado mesmo! Mas o seu ainda era virgem!
— Isso é idiotice! Quando bebo álcool, ninguém diz nada! É só porque é legalmente admissível! Tsc! Francamente, Lee. Álcool também é uma droga. — ele revirou os olhos, mais uma vez.
— Você realmente acha que é só por isso? Saia daí! — hein? Ele tirou seu próprio cinto de segurança, e saiu do carro. No que diabos ele estava pensando?
Resolvi segui-lo. Como o maluco saiu caminhando a passos largos pela rua, tive que correr para poder alcançá-lo — suas pernas eram longas demais para mim.
Caminhamos por um bocado de tempo, em silêncio. Não sei se foi apenas impressão minha, mas algumas pessoas passavam nos olhando. Nos encarando, na verdade. E ele estava tão sério, que até metia medo. Aquelas sobrancelhas grossas poderiam ser mais sinistras do que aparentavam ser. Talvez aquelas pessoas estivessem com medo dele, pensei.
Passamos por umas cinco quadras, até que, de repente, ele entra em um prédio alto, antigo. Era a biblioteca pública. Ele não parou para pensar, nem nada. Simplesmente, foi direto pelas escadas, como se já conhecesse aquele lugar decor-e-salteado. Subimos três lances de escadas. Lá, no terceiro andar, ele caminhou pelo extenso corredor, até chegar em uma das gigantescas estantes cheias de livros.
Eu pus as mãos nos bolsos da minha bermuda, para disfarçar. Não sei por que, mas, sempre que entro em uma biblioteca, gosto de me fazer de intelectual. Acho que é algo que fica no ar, dentro de bibliotecas. Todo mundo que está lá é intelectual, ou apenas fazedor de conta, como eu. Ahém.
Lee precisou de alguns segundos, apenas, para achar o livro que procurava. E assim, sem dizer uma única palavra, me arrastou para uma mesa no meio daquela sala. Havia mesas redondas por todos os lados, na verdade. E o lugar até que estava relativamente cheio. Fiquei imaginando o que o Naruto diria, se estivesse aqui. Provavelmente diria algo sobre o desperdício de tempo, de churros e piriquitas, que aquelas pessoas estavam menosprezando... A vida é curta, e devemos aproveitá-la ao máximo.
Claro que brincar de médico não é tudo o que podemos fazer para aproveitar a vida!
Lee estalou os dedos na minha frente, chamando minha atenção.
— Olha bem para estas fotos! — ele apontava para uma página aberta do livro que pescou da estante.
Era uma foto bem nojentinha, digamos assim, de alguns órgãos todo ferrado. Tinha perebas espalhadas com pus amarelo escorrendo pelos cantos em todos eles.
— Isto são fígados de alcoólatras. — ele me diz. Em seguida, virou mais algumas páginas, para me mostrar um cérebro, também todo ferrado — E isto é o cérebro de um viciado em alguma droga. A diferença entre o álcool para alguma outra droga é justamente essa. A droga ilícita te deixa como uma retardada, e o dano é irreversível. E o rim, no entanto, não. Você pode tratá-lo, e ainda pode trocar por outro. Mas um cérebro, acho que isso já é mais complicado, né?! Cá entre nós, bem que o Sasuke poderia trocar de cérebro.
— Err. — eu ia dizer que ele também poderia fazer um transplante de cérebro, mas achei melhor ficar quieta. Acho que captei sua mensagem.
Ele guardou de volta o livro, e descemos as escadas. No entanto, quando abrimos a porta, demos de cara com uma multidão que se aglomerava em frente à biblioteca. Na hora achei que fosse, sei lá, alguma manifestação, ou algo do tipo. Mas assim que algumas daquelas pessoas nos viram, começaram com um alvoroço dos infernos. Todos começaram a berrar, e a se empurrar, avançando em nossa direção. Aí, Lee, que sempre me surpreende, me puxou pelos cabelos de volta para dentro do prédio, e fechou a porta. Por sorte, aquele prédio era tão antigo que a porta era gigantesca e feita de madeira pesadona.
A recepcionista logo se alarmou com o ruído que vinha de fora, e se aproximou. Lee lhe explicou que havia uma multidão na rua querendo entrar, e, por isso, trancou a porta. A coitada ficou completamente desnorteada, sem saber o que fazer, quando viu a multidão lá fora, pela janela. O que não foi lá uma atitude muito esperta. Assim que ela pôs seu rostinho no vidro, algum engraçadinho atirou uma pedra, quebrando o vidro. Por sorte, a moça conseguiu se esquivar a tempo de ganhar uma pedrada na cara.
Vendo que a tendência das coisas era apenas piorar, Lee me agarrou pelo pulso, e saiu correndo me arrastando junto.
— Temos que arranjar uma saída de emergência. Todo prédio em Nova Iorque tem uma! — me disse.
— Boa, Lee, bem pensado.
Só que a porta de emergência ficava no segundo andar. E não tinha escada. Costumava ter uma, mas alguém fez o favor de tirá-la dali. É claro que Deus não ia com a minha cara!
— E agora, Lee? O que vamos fazer? — perguntei. Ainda bem que alguém estava comigo. Caso contrário, eu estaria feito barata tonta por aí.
— Calma! Eu já sei o que podemos fazer! — suspirei aliviada, né? — Vamos pular! — e me engasguei com o ar.
— Como é que é? Você andou cheirando chulé, Lee? Porque eu não acredito que aquele baseado seja capaz de fazer isso!
— Fica fria! Eu pulo primeiro, e depois te pego. — e assim, simplesmente, lá se foi o sobrancelhudo a pular, livre leve e solto.
Ele caiu feito pedra de mármore no chão. Eu gritei, achando que o idiota fosse virar patê de sobrancelha. Mas não. O cretino apenas rolou pelo chão e se levantou, todo sorridente, me mostrando orgulhosamente o os cotovelos ralados.
— Venha, eu te pego de jeito.
— Olha, Lee, se o Sasuke estivesse aqui, ele te daria um soco. — err. Eu sei. Piadinha muito sem graça. Mas eu estava nervosa. Chacoalhando as pernas em tremedeira, na verdade.
Eu não queria pular. Não queria ter que enfrentar a multidão, mas, com certeza, aquilo era melhor do que morrer por pular do segundo andar! Chega a ser tão patético, quando sem graça. Se for para morrer, que seja pulando de bungee-jump, ou algo mais radical assim. Mas morrer porque pulou do segundo andar? Tsc. É quase a mesma coisa que morrer atropelado por um fusca. Sasuke, certa vez, me disse que ficaria muito “p” da vida se isso lhe ocorresse. Seria melhor morrer atropelado por uma Ferrari, segundo ele. Não que eu visse muita diferença nisso, na verdade. O resultado seria o mesmo. Patê de emo-róidas.
Lee pegou seu aparelho celular e ficou digitando alguma coisa, com seu polegar. Eu não entendi o que diabos ele poderia ter de tão importante a fazer com aquele aparelho, numa hora dessas!
— Lee? O que diabos você está fazendo? — tive que perguntar.
— Estou mandando uma mensagem pro Neji, para encomendar um bolo. Assim, quando chegarmos em casa, teremos doce.
— EWUYT$TWEURY%*RYTE*$T&$T&REU! TOMATE CRU COM ESSES BOLOS, LEE! NÃO ESTÁ VENDO O MEU DILEMA AQUI, NÃO?
— Fique calma! No fim tudo dá certo. Se ainda não está certo, é porque ainda não está no fim. — ele é tão sábio... E IRRITANTE! #T@$UWYUTW$W#&REWYR&RW$#!
Mas logo que terminou com sua missão ultra importante, ele ficou me enchendo a paciência, dizendo “pula, pula,pula” enquanto eu pensava na morte da bezerra, até que ouvi um forte estrondo vindo do andar debaixo. Aí, não pensei duas vezes. Por impulso, fechei os olhos e enchi a boca com ar, como se fosse dar um mergulho. Um mergulho para a morte, talvez, mais patética da história. Pensando bem, mais patético do que isso, só morrendo na privada.
Pulei. Lee me segurou, como havia dito. Mas bem que ele não disse que seria capaz de me manter ilesa. Porque ele, de fato, não foi. Ele caiu com meu peso — ahém — e saiu rolando pelo chão. Praticamente fui esmagada pelo corpão de pedra dele — Deusdocéu! — e me ralei também. Mas estava viva. Acho que isso já merecia algum crédito, certo? Antes viva ralada do que morta ferrada! Err.
Aí, respiramos mais aliviados, né? O pior passou. Ufa! Conseguimos fugir, aleluia! Coitada da recepcionista vesguinha, que ficou para trás, mas quem se importa com ela? Na hora do desespero é cada um por si mesmo. Lalalalala...
Então, assim, despreocupadamente, estávamos livrando nossas traseiras da sujeira daquele chão meio barrento. Era um beco sem saída, com alguns latões de lixo mais adiante, como em todo filme americano tem! Contudo, todavia, entretanto... Algumas cabecinhas começaram a pipocar na porta que deixei aberta. É claro, eu não tinha como pular e fechar a porta ao mesmo tempo, sacou?!
E foi aí que o bixo pegou. Lee arregalou seus olhos, prevendo o que ia acontecer. Ele era uma criatura iluminada mesmo; sempre nos surpreendendo.
Me agarrou pelo braço e saiu correndo, me levando como saco de batatas.
— CORRE, DESGRAÇADA, CORRE! — ele berra.
Na verdade eu não entendi ainda exatamente o que estava acontecendo, mas meu instinto me fazia obedecer ao seu comando. Corri feito uma condenada à morte em fuga.
Quando saímos do beco, ouvi aquela marcha de passos atrás de nós. Os malditos eram tão sequelados quanto o sobrancelhudo, e haviam pulado também. E o medo foi tão grande que nem olhei para trás.
E então, corremos. Parecia que era tudo o que se tinha a fazer pelo resto da minha vida: correr de algo que eu não fazia idéia. Porque aquelas pessoas estavam nos perseguindo, afinal de contas?
Corremos. Corremos, corremos, e corremos. Dobramos uma rua aqui, outra ali, e mais uma aqui... Eu já estava quase vomitando meus pulmões, e meu pobre coraçãozinho, achando que aquele era o fim. Pior que aquilo, a situação não tinha como ficar! Mas é claro que eu sempre estou enganada! TUDO tem como piorar! Eu devo ser da pior espécie de ser humano mesmo! Aquele que simplesmente NUNCA aprende as coisas! Err. Pois é. De repente, vimos a frota dos Transformers dobrar uma esquina. Aham. Um ônibus gigantesco; uma moto louca, vindo apenas com a roda traseira no chão; um carro preto; e uma caminhonete verde. Aí, sim! Cagou tudo! É o fim do mundo. 2012 veio antes do esperado! Imagine o meu pavor!
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