Notas iniciais
Ráaaaa!!!!!!!! Consegui terminar esse bendito capítulo!! T__T Eu prometi que iria acabar essa fic, e vou manter a promessa!!!

INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL

By Amanur

Capítulo 7 — Perdão

Nem mesmo nos contos de fada a mocinha vive plenamente feliz durante sua história. A Branca de Neve foi envenenada; a Rapuzel foi trancafiada numa torre; Chapeuzinho Vermelho se encontrou com o lobo mau; a Cinderela era humilhada; a Ariel lutou contra seu próprio povo e crenças; a Aurora, de a bela adormecida, foi amaldiçoada... Mas de todas elas, acho que só posso comparar a minha história com a Bela. Pois de todas as princesas da Disney, ela foi a única que teve seu príncipe fazendo, também, o papel de antagônico da história — Fera a castigou no lugar de seu pai. E o Sasuke meio que me castiga com esses seus problemas... Eu só não me simpatizava mais por ela, por que Bela tinha mais peitos do que eu! Tsc!

No dia seguinte, acordamos do modo mais glamuroso possível, ao estilo Itachi: com sua voz sutil e delicada, paternal.

— ACOOOORDEM, ACORDEM, ACORDEM, ACOOOOORDEM! ESTAMOS SUPER HIPER, ULTRA, MEGA ATRASAADOS!

De repente, ouvia-se passos para todos os lados. Eu ainda levei um tempinho para conseguir abrir bem os olhos e me deparar com as costas do Sasuke, sentado na cama e coçando a barriga. Depois do flagrante da madrugada, voltei para o quarto e fingi estar dormindo. Sasuke só voltara para cama uma hora depois. E agora ele estava ali, com os cabelos desgrenhados, me cutucanto para me levantar, como se nada tivesse acontecido.

Aí, de repente, alguém o agarra pelos pés, fazendo-o cair por cima de mim.

— Vista isso, seu bundão! Lenvate-se, Sakura! Vocês estão muito moles! Preciso repetir que estamos atrasados???

— Filho da puta! Tira isso do meu pé! Você está me dando a saia da Sakura, sua mula! — o emo pragueija, de pernas para o alto.

Bom, aí foi aquela correria. Neji vestiu a calça pelo avesso. Itachi fez o Sasuke tentar vestir um short meu, mas quando se deu conta, saiu praguejando o fim do mundo por ter perdido tempo. Naruto não escovou os dentes, e nem penteou os cabelos. Lee achou melhor não vestir a cueca (não me perguntem por que ele dormiu pelado!) e Kiba... Bem, o Kiba era o Kiba. Mas Amoreco achou melhor nem vestir a camisa, e Sai comia minha pasta de dente, sabor moranguinho, como se fosse o café da manhã dele!

Aí, os meninos sairam a torto e direita atrás dos instrumentos e corremos até o elevador. Não cabendo todos dentro daquela caixinha metalica, Itachi mandou alguns deles escada abaixo, para não perder tempo. Lógico que me fui com eles. Preferiria atravessar o deserto do Saara embaixo do calor de 50 graus a ter que ficar encurralada lá com eles, e o Naruto com seu mau halito matinal. Além disso, Itachi pulava para lá e para cá, como se aquilo fosse mesmo parar o tempo com seu peso.

Mas não sei se fui a única a perceber que tanto os passos quanto os movimentos do Sasuke pareciam mais lentos do que o normal. Ou talvez fosse apenas impressão minha... De qualquer forma, eu não disse nada. Apenas continuei a descer as escadas às pressas.

Os meninos largaram a tralha no chão, quando nos deparamos com uma praia vazia. Não havia alma viva na areia, em lugar algum.

— Oh não! Será que eles já foram?? — Naruto perguntou, desconsolado — E agora? Não vamos gravar o clipe??? Eu quero gravar o clipe!

Eu estava me sentindo tão exausta, tão acabada, tão sem vida, que não me importaria de voltar para casa sem gravar nada! Tudo o que eu pensava tinha a ver com a minha cama. Em minha mente, tinha um lindo romance com meu travesseiro, meu lençol, meu colchão de molas, as flatulências noturnas de Sasuke... Ok, menos essa última.

Aí, Kiba diz, olhando seu relógio de pulso.

— Estamos algumas horas adiantados...

— O quê? Como é que é, meu filho? — eu ouvi o que ele disse, mas precisava me certificar de que ouvi o que ele disse, sacou?

— Estamos algumas horas adiantados... — Kiba repetiu. E então, olhei para o cabulo carneiro. Que puxou o pulso do japa dois para verificar.

Ele praguejou algo.

— Quando uma mulher diz "O quê?", não é que ela não te entendeu. Ela, na verdade, está lhe dando a oportunidade de mudar o que você falou, sua mula! — mas quem tinha que ter mudado algo era ele, e, por isso, cruzei os braços. — AHHHHH! São seis e três... Eu entendi oito e nove! — err.

— Quem mais é a favor de atirar o Itachi na água gelada? — o emo pergunta, erguendo o braço. Aí, todos eles fizeram o mesmo, concordando com a idéia do Sasuke.

— Há-há... Muito engraçadinhos. Fiquem sabendo que isso foi só um teste. Eu quis testar a capacidade de vocês para obedecerem aos meus comandos. Parabéns meninos! Passaram muito bem no teste! — ele diz assim, bem sério e ainda teve a cara de pau de bater palmas para nós. Err.

— E que tal se eu testar a sua testa na areia? — o emo resmunga.

— Eu estou com fomeeee! — Sai choraminga, cortando a tensão entre os maninhos.

— Come as remelas. É natural, deve ser saudável também. — o emo pragueija — Vou voltar para a minha cama!

— Nana-ni-nanão! — Itachi o agarra pela gola da camisa ao avesso que ele vestia — Eu não tive toda a genialidade de pensar naquele teste — sim!, ele disse isso — para passar por todo o sufoco outra vez! Agora vocês fiquem aqui! Deus ajuda a quem cedo madruga!

— Então, por que carpinteiros são pobres?

— Não sei, pergunte a Deus! Agora sente a bunda na areia.

— E se eu não quiser? — o emo cruzou os braços, fuzilando o mano.

Enquanto isso, Neji sentou na areia, cruzando as pernas. Em seguida, me puxou para sentar no colo dele. Meio suspeito isso, mas resolvi não acionar alarme por isso. Até para não sujar a minha saia, já que ele não se importava em sujar a própria calça. — Afinal, eu preciso sempre tirar algum proveito deles, se não, não teria graça! Ahém! E então, para matar o tempo, o cabeludo começou a fazer tranças no meu cabelo, enquanto eu assistia à cena que os maninhos faziam.

— Eu vou contar pra mamãe que você puxou o meu cabelo! — Itachi argumenta, com toda sua sabedoria, e maturidade digna.

— Nhenhenhenhenhe! Bunda mole. — Sasuke rebate, mostrando-se superior ao irmão.

Err. Eles são tão maduros que chega a me emocionar.

— E agora, o que vamos fazer, Itachi? — o loiro já estava sentado, com as costas encostada nas costas do Sai. Ambos pareciam mal humorados. Talvez por causa da fome.

Itacho cruzou os braços olhando para nossas caras de bundas preguiçosas.

— Vou até o restaurante do hotel para ver o que posso trazer para vocês. Gaara e Kiba, venham comigo para me ajudar. O restante que fique de olho no Sasuke. — e assim, Amoreco e japa dois o seguiu até o hotel, enquanto o emo ficou chutando a areia, resmungando coisas incompreensíveis.

Estiquei minhas pernas, olhando para o horizonte, enquanto Neji continuava a encher minha cabeça com trancinhas. Lee andava de um lado para o outro, por que não queria sentar. O coitadinho estava com medo de sentar na areia, pois estava sem cuecas.

E aí, um minuto se passou, depois cinco, depois dez, depois quinze, e então vinte. E nada dos cretinos voltare com o rango. Minha barriga já estava gritando; a coitadinha berrava alto por comida. Quando olhei para o loiro, que já se desencostara do Sai, vi que ele escrevia algo na areia. O coitado estava tão entediado que resolveu fazer uma lista de coisas a fazer. Mas saca só os intens:

1)Fazer uma lista de coisas a fazer.

2)Checar o primeiro item de coisas a fazer.

3)Se dar conta de que já fez dois itens.

4)Me dar um prêmio por ter realizado todos os itens.

Eu queria ser o Naruto por um dia...

Ou não.

— Que prêmio você se daria, Naruto? — tive que perguntar.

— Hum... Deixe me ver... — ele até pôs a mão no queixo para pensar — Um dia de folga!

— Ah, sim. Você anda trabalhando muito, né Naruto?!

— Claro.

Bom, pelo menos, ele não disse que se daria um prêmio Nobel por conseguir fazer tantas coisas ao mesmo tempo! Err.

Depois de mais uns cinco minutos, Itachi, Kiba e Amoreco voltaram com sacolas nas mãos. O ruivo ainda tinha um lençol dobrado sobre os ombros que estendeu sobre a areia.

— Tcham-tcham! Piquineque na praia! — ele sorriu.

— Coisa de bixa! — o emo resmungou.

Eu mesma adorei a idéia. Puxei o emo para sentar-se ao meu lado, enquanto o restante ia arrumando o que trouxeram. Fatias de bolo, pães, queijos, bolachas doces, geléias, pães de queijo, frios, fatias de frutas, sucos e café.

— Nossa, bateu a vontade de beber um cappuccino agora. — Neji comentou, enquanto enfiava dois pães de queijo na boca.

— Huuum.. Nem me fale! Eu queria um Frappuccino, cheio de chantili! — Amoreco comenta.

— Que nada! O melhor seria o Al Pacino mesmo! — Sai comenta — Aquele cara era tudo de bom quando novo...

Ahém. Sem comentários.

Comemos em paz, pão com uma pitada areia, suco com mais uma pitada de areia, fruta com areia, bolachas com areia... Nunca mais como alguma coisa na praia. E depois, ficamos ali, boiando na areia sem fazer nada e olhando para o mar.

Uma hora se passou. Depois duas. Três. Quatro... E nós ali, mastigando raiva com areia, por causa do Itachi! UWEWE&%RYW|$%$(*&E$*R!

E então, finalmente, ao longe, vimos um pequeno trailer se aproximar. Quando estacionaram próximo à onde estávamos, vimos um grupo de vinte pessoas, mais ou menos, sair dele. E então, assim, sem mais nem menos, começaram a montar umas cinco câmeras profissionais no chão. Uma mulher carregava um cabideiro enorme, desses que encontramos em lojas com rodas nos pés, cheio de roupas. Outra moça carregava uma maleta de maquiagem, arrumando tudo sobre uma mesa plástica que montaram ali mesmo. Mais algumas criaturas, andava para lá e para cá, com papéis nas mãos. Outros ainda carregavam equipamentos de iluminação. Trouxeram até uma maca!Todos eles pareciam com um bando de formigas operárias, incansáveis, enquanto nós continuamos ali, sentadinhos, olhando para eles.

Mas só até uma senhora se aproximar com uma tesoura para cortar cabelos nas mãos.

Olhei de canto. Sasuke bufava pelas narinas, fuzilando aquela mulher, enquanto Neji estava pálido — parecia ter perdido o espírito. E aí, os dois se levantaram rapidamente, recuando.

— Eu vou cortar os bicos das tuas tetas se você encostar no meu cabelo com essa tesoura, está me ouvindo, moça? — o emo rosna. Credo! Senti-me constrangida pela coitada da mulher, que o olhava com medo agora.

Mas aí, o Itachi apareceu para lhe dar um cascudo na cabeça.

— Comporte-se, Sasuke. Você não é mais criança para ficar fazendo esse tipo de escândalo.

— Ah, é mesmo? — o emo pôs a mão na cintura, o olhando com desdém. Aí, olhou para a moça da tesoura — Por gentileza, me empreste aqui a sua tesoura por um instantinho, moça!

Itachi esbugalhou os olhos.

— Vai cortar os próprios cabelos, Sasuke?

— Claro que não, tolinho! Vou cortar os seus, para usá-los depois que cortarem os meus!

— Encoste no meu cabelo e não restará nem os pêlos do teu nariz pra contar história!

Nisso, percebi que a velhinha da tesoura ficou admirando o emo. E aos poucos, ainda por cima, a folgada vinha se aproximando dele, assim, de fininho, como quem não quer nada. Huuum...

Revirei os olhos, vendo o diretor se aproximar com uma planilha nas mãos. Depois dos cumprimentos e aprensetação de toda a sua equipe, ele foi passando as primeiras instruções.

— Só queremos dar umas reparadas nos visuais de vocês! Sakura ainda vai precisar de uma maquiagem leve, à prova d’água. E vocês precisam de um figurino novo, que a minha designer já selecionou para cada um de vocês. E o cenário, vocês já sabem!, será a praia. Depois, ficarão a encargo do meu pessoal de produção visual cuidar dos efeitos especiais, que serão feitos no pós-produção. Agora, apressem-se, pois eu quero pegar as nuvens alaranjadas.

Olhei para o céu. Ele deve ser daltônico!, pensei. As nuvens estavam meio carregadas, anunciando um possível temporal, levando embora aquela imagem paradisíada de sol, mar e água fresca que eu tinha em mente. O laranja, agora, só com o pôr do sol!

Enfim, Serafim comeu cupim no meu jardim... Err. Pusemos mãos às obras. Ou pelos menos, foi o que o pessoal da produção fez. Nós, mesmo, ficamos paradinhos o tempo inteiro. Era pó para cá, calcinha para lá, uma cueca aqui, uma cantada ali, um puxão de orelha acolá... Nada demais. Só não gostei dos olhares que as moças davam para os meninos. Mas ainda bem que eles são palermas demais para notarem algo. Exceto Itachi, é claro. Uma mulher, meio vesga, olhou para o lado, mas o idiota achou que a coitada estivesse cantando ele e se riu todo. Retardado.

Enquanto a moça da tesoura aparava meus cabelos — depois de passar meia hora resmungando por ter que desfazer quase quinhentas trancinhas —, pois fazia um bom tempo que eu não os cortava mesmo, eu via a baba das outras mulheres escorrerem pelo canto, enquanto Neji trocava de camisa. Quando a mulher que cortava os meus cabelos, se afastou para pegar uma escova, eu me abaixei para pegar um punhado de areia nas mãos. Para brincar com areia, sabe? Adoooooooro areia! Eu praticamente nasci na areia! É verdade! (NOT) Aí, quando a cretina que babava pelo Neji passou por mim... Oh, coitada... De mim, é claro! Sem querer, querendo, bateu aquela irritaçãozinha no nariz, coisa básica, sabe?, e acabei espirrando areia no rosto da coitadinha magricela.

Coitada de mim, mesmo! Não. Não gostei nem um pinguinho de ver aquilo. Digo, a baba da mulher, não o Neji sem camisa — É sempre uma dádiva vê-lo sem camisa... Ahém. Enfim, a mulher que arrumava meu cabelo deu uma modificada no tom dos meus fios, deixando-os levemente mais claro do tom que eu costumava a pintar. Enquanto isso, o pessoal da produção ia organizando os instrumentos dos meninos na posição em que eles queriam para gravar.

No fim, os meninos se aprontaram antes de mim. Estavam todos vestidos de preto, com jaquetas de couro, calça jeans e botas de cano curto... Parecia um bando de atores pornôs, isso sim.

A mulher ainda arrumava a barra do vestido branco que me deram, fazendo alguns ajustes, enquanto o diretor já filmava algumas cenas dos meninos fingindo que tocavam algum instrumento.

— Tem certeza de que isso vai dar certo? — Kiba perguntava — Os cabos dos baixos e guitarras não estão nem plugados!

— Não tem problema! É só para simular que vocês sabem tocar alguma coisa! — o diretor respondeu.

— Mas assim, vão pensar que não sabemos nem ligar a guitarra! — o japa dois contra ataca. Mas desta vez, o diretor se fez de autista e não o respondeu. Contou até três, e começaram a filmar.

Teria dado certo se Kiba não tivesse feito cara de mosca morta, passando os dedos nas cordas do seu baixo, sem um pingo de emoção. Ele era péssimo ator.

— Kiba, faça uma daquelas poses que você faz quando toca em um show, ok, meu querido? — o direto solicita.

— Ah, ok! Entendi!

— Um, dois, três... Gravando!

E lá foi o japa dois fazendo cara de quem precisa ir ao banheiro.

— Perfeito! — o diretor disse.

Err.

E então, ele passou a vez para o cabeludo um, junto com o loiro. Naruto deu um pulo alto, com a guitarra nas mãos, e esqueceu de fechar as pernas na descida. Acho que o diretor resolveu cortar essa parte. Aí, na vez do cabeludo, Neji ficou balançando a cabeleira para cima e para baixo o tempo todo. E quando o diretor pediu para ele mostrar o rosto, o coitado tonteou e caiu de bunda no chão. Na vez do Amoreco, o coitadinho deixou a baqueta escorregar da mão, e voar longe. Sasuke também parecia um retardado, estapeando o teclado. Acho que os únicos que foram realmente bem foram Sai e o sobrancelhudo... Tipo assim, os menos prováveis!

— O que foi que eles comeram no café da manhã? — perguntei ao Itachi, que passava com os braços cruzados, com cara de touro louco.

— EU NÃO SEI! SÓ SEI QUE VOU DEIXAR MEU PÉ NA CARA DELES, SE NÃO FIZEREM ISSO DIREITO! — o coitado já mastigava os próprios cabelos de tão fulo que estava.

Bom, e aí, foi a minha vez. As nuvens estavam mais carregadas, completamente cinzentas. Não tinha NADA de laranja no céu. O vento estava relativamente forte, e as ondas não pareciam lá das mais calmas. Por precaução, pelo menos, a equipe contava com um salva-vidas. E lá foi a Sakurinha para dentro da água gelada. O diretor queria que eu fizesse poses e movesse a boca, como se tivesse cantando a música que ele deixara tocar num radinho tosco só para me auxiliar a saber qual trecho da música estávamos gravando.

Enfim, moral da história: Sasuke se meteu na minha frente, assim que a primeira onda bateu em mim. Pois, voilá! Eu estava peladinha por baixo daquele vestidinho branco. Eu não me sentia muito a vontade, mas era divertido ver os meninos irritando o diretor. Que, por sinal, solicitou, gentilmente, para que o Sasuke desse alguns passos para o lado. Tipo assim, para ficar fora do alcance das câmeras, sabe? Pois é. Mas tudo o que o emo idiota fez foi juntar a perna esquerda com a direita.

— Assim tá bom? — o idiota pergunta, se fazendo de inocente. E na areia, Neji estava de braços cruzados, só balançando a cabeça, aprovando a atitude do emo. E o Itachi já estava se revirando do avesso.

— Não, não, querido! Um pouquinho mais para a esquerda. — o diretor lhe disse — Tipo, dê uns OITENTA passos para a esquerda!

Aí, o Sasuke voltou à posição inicial, devolvendo a perna para a direita.

— Prontinho! Oitenta passos... Nunca fui muito bom de matemática, mas estou orgulhoso de mim mesmo! — ele diz assim, bem sonso, e na maior cara de pau. Na raiva, lhe dei um empurrão para lado, fazendo-o mergulhar na água.

— Ops! Se machucou, querido?

Ele nem me respondeu. Só lançou aquele seu olhar ”eu-vou-meter-no-teu-rabo”, mostrando os dentes. Err. Aí, em seguida, uns três caras vieram correndo para tirá-lo dali. E então, não teve mais chorumelas. Consegui gravar a bendita cena saindo do mar, depois de um mergulho. Ainda dei uma roladinha básica pela areia com a ajuda de uma onda, mas não foi nada demais. (só por que o mar já havia levado a minha dignidade para bem longe com aquele vestido, isto é). E no final das contas, saí do mar me sentindo divina, praticamente, como vim ao mundo. Cheia de areia nos cabelos, no corpo... E em partes não mencionáveis. Err.

À tarde, o diretor nos levou para um galpão meio abandonado, onde os meninos fariam uma cena em que estão tocando e eu cantando. Essa parte foi mais tranquila de executar, pois todos estariam em terra firme, bem vestidos e bem alimentados. Ao final do dia, estávamos um bagaço. Pelo menos, o diretor nos disse que o clipe estaria pronto para ser lançado na MTV e no Youtube dentro de quinze dias. A notícia foi boa, por que esperávamos que fosse levar mais tempo.

Quando voltamos para o hotel, já era tarde da noite. Os meninos pensavam em sair para algum lugar para beber, depois de um banho, mas nos deparamos com nosso groupie infernal nos esperando no saguão. Assim que nos viram, eles se levantaram. Só faltou fazerem aquela continência militar. E coincidência, ou não, no mesmo instante, Itachi se virou para dar a meia volta, e sair do hotel. Parecia meio apressado, como se tivesse esquecido de algo. Mas assim que ele chegou na porta, o ruivo mais baixo, sem piercings, apareceu, bloqueando seu caminho. Eles trocaram um sorriso meio estranho, e Itachi desistiu de seja lá o que ele ia fazer.

Na verdade, nem sei por que eu fiquei reparando nele...

— Nós decidimos que perdoamos vocês. — o ex cara do xixi diz, assim, bem sério e sem noção, diga-se de passagem, né?

Sasuke nem parou no caminho. O elevador estava aberto, e ele entrou, assim, sem nem dizer nada. Naruto ainda deu uma corridinha para alcançá-lo. E de lá, ele disse:

— Parabéns! — cheio de sarcasmo sem graça, é claro. E então, a porta se fechou.

Amoreco, se sentindo meio excluído, deu as costas deixando o cabelo esvoaçar no vento e saiu rebolando em direção às escadas, se fazendo de bixa louca. Mas aí, o cara dos piercing se meteu na frente dele, cruzando os braços como se o desafiasse.

Olha... Eu nunca vi o Amoreco realmente bravo. Até por que o apelido dele, super-mega-ultra-uber fofo, sem mencionar a tatuagem no bumbum — e que bumbum! Ahém —, mostrava que ele era um cara da paz. Só faltava fumar cachimbo de chocolate e usar boinas de tricô. Claro, a boina teria que ser toda preta, e vir com alguns spikes de prata, por que ele também não é rastafári. Mas tipo assim... Deu medo vê-lo, com apenas uma pata, empurrar o ruivo número dois para o lado, fazendo o coitado, ou não, cair de costas contra a cadeira de madeira, com almoçada estampada com coqueiro, do saguão. Ainda bem que não tinha mais ninguém naquele hotel para presenciar aquela cena trágica. Por que doeu em mim!

O cara dos chifres na testa saiu correndo em defesa do caído, enquanto o do xixi fez mais uma tentativa de se desculpar.

— Ok, escuta! Estamos aqui para nos redimir pelo que aconteceu ontem! Nos pegaram desprevenidos, e o choque foi meio tenso por que não esperávamos por aquilo! Mas queremos reafirmar que ainda somos seus fãs número um, cara! Apesar de tudo, nós ainda seriamos capaz de dar nosso suor, sangue e ranho pela banda de vocês.

Dispensamos o ranho. — Sai cochichou para mim, e eu concordei.

E então, ficamos em silencio. Todos esperavam pela resposta do Amoreco, que permanecia imóvel, olhando para o cara. Aí, discretamente, caminhei nas pontas dos pés, para não fazer barulho, é claro, até o Itachi.

— Eu aposto uma caixa de bombons suíços, que ele vai negar! — sussurrei para ele. Eu já estava ficando com urticárias, por passar tanto tempo sem fazer apostas. Ahém.

— Eu aposto um centavo que ele vai aceitar! — o cretino me diz. E então me perguntei por que diabos fui fazer aposta com o maior mão de vaca do mundo!

Mais silêncio.

— Vou transmitir sua mensagem de defesa para as outras vítimas daquele caso de homofobia e preconceito. Com base no que for decidido entre os júris, então, daremos o veredicto. — Amoreco diz, assim, bem sério. Acho que eram suas veias de advogado, falando mais alto.

Ouvi o cabeludo dois suspirar.

— Aliviado por não ter que me pagar um centavo? — perguntei.

— Você não faz idéia do quanto! — err.

Bom, vimos Amoreco subir as escadas. E em seguida, fizemos o mesmo. Mas assim que chegamos em frente à porta, reparei que Itachi não havia subido junto conosco.

Hum.

Sasuke já estava embaixo do chuveiro, quando entrei no quarto para pegar minhas roupas e Naruto entrou com meu frasco de xampu numa mão, e um frasco de detergente na outra. Eu tentei fazer a matemática, rapidamente, para entender qual era a solução que ele tinha, por que ele sorria como se tivesse descoberto algo incrível, só que não deu; não rolou. Acho que não sou tão genial quanto ele... Tsc!

— Sakura, Sakura! Descobri por que você está engordando. — bom, me arrepiei dos pés a cabeça!

— Mas desde quando estou engordado? E por que você pegou o meu xampu, Naruto?

— Esqueci o meu em casa, aí o Sasuke me emprestou o seu. — é bom saber que ele empresta as coisas dos outros! — Mas saca só! É o xampu que está te engordando. No rótulo vem escrito "para dar corpo e volume". Você precisa começar a tomar banho com detergente, por que ele "tira até as gorduras mais difíceis"!

Cruzei os braços, né.

— Você está falando sério, Naruto?

Mas ele apenas abriu aquele sorrisão, que só ele consegue dar. Na verdade, Sai também sabe. Neji também. Amoreco também... Sasuke não! Err.

Bom, como estávamos FARTOS de praia, areia e maresia, resolvemos que passaríamos a nossa última noite numa boate. A idéia, no entanto, não agradou ao Itachi, que apareceu magicamente na sala.

— Vocês viram o que aconteceu quando a Sakura foi numa mísera biblioteca, local onde somente magricelos, quatro olhos, forever alone, pisam! Agora imaginem o que vai acontecer quando pisarem numa bo-a-te! — ele insistiu.


E então, de repente, a porta da sala se abre abruptamente. E eis que ninguém mais, ninguém menos, que o groupie cai de cara no chão, como se estivessem há tempos ouvindo a conversa atrás da porta.

Cruzamos os braços, olhando para eles. Sinceramente? Não tenho nada, além de tudo, contra eles! Uhum. Juuuuro! Mas acho que isso já estava ficando meio estranho.

— Cara, ou vocês são uns chatos insistentes, ou são uns burros insistentes. — Sasuke resmungou.

— Na verdade — o cara do xixi ia dizendo —, conhecemos a boate perfeita para vocês! É de super alto nível! Só tocam músicas boas, só servem bebidas de qualidade, só vão famosos e gente cheia de grana! E é muito bem patrulhada por seguranças. Assim, vocês não precisam se preocupar com fãs... Chatos... Insistentes... — a voz dele foi se esmilinguindo com o final, se dando conta de que estava falando deles mesmo. Hehe.

Mas o Itachi resolveu tirar o dia para bancar o do contra, e contrariar tudo e todos!

— Ainda assim, não é uma boa idéia! Uma boate destas custa o olho do rabo! Agora imagine ter que pagar para... Um, dois, três... — com o dedinho, ele foi contando de um em um — Para nove macacos entrarem. É muita grana! E sinto informá-los, mas as vendas do álbum não foram assim, tão altas. E não se esqueçam da dívida com a gravadora! Não podemos sair esbanjando à toa!

— Rá! Agora você fala em pagar dívidas?! — Sasuke pergunta, pondo a mão na cintura. Eu concordei também. Era muita cara de pau! — Além disso, não é como se fôssemos um bando de miseráveis! Ninguém aqui veio do lixão, Itachi! Só a Sakura que era uma pobretona sem classe, que morava num ovo, e estudava com bolsa de estudos. A miserável ainda limpava a bunda com guardanapo de boca e comia miojo pra economizar dinheiro! — na verdade, era por que não sei cozinhar mesmo. No entanto, senti-me um tantinho ofendida, sabe? Mas ainda bem que ele me ama acima de tudo, não é mesmo? Até tapinhas na cabeça, de conforto, recebi dele! Coisa fofa.

IYU$O#$WEA&W#$!

— Olha, nós conhecemos o dono da boate. Se ele nos vir, tenho certeza de que nos darão passe livre. — o cara dos piercing diz.

— Então está resolvido! — Naruto diz, se aproximando do groupie. E aí, ele aperta a mão do cara do xixi — Nós perdoamos vocês!

— Maravilha! — o outro respondeu.

Bom, eu não vou dizer nada, por que já sei de tudo! Não é muito difícil de prever o futuro estando com eles! Então, apenas fiquei na minha e segui eles até a van. E lá íamos nós nos apertarmos naquele veículo. Quem ia dirigindo, no entanto, era o Neji, pois Itachi não quis vir. Ele ficou brabinho por estar sendo contrariado, e se pôs de castigo mesmo. Eu acho... Enfim, ao lado do cabeludo, ia o Utakata, digo, cara do xixi, para dar as instruções do local.

Íamos quietinhos, caladinhos, até por que também estávamos meio que cansados pelo dia agitado que tivemos, e de pouco sono, ainda por cima. Mas acho que os meninos do groupie não estavam ainda muito à vontade conosco, e o do chifres na testa achou apropriado tirar um saquinho com fumos da jaqueta.

— Se importam? — ele perguntou.

Aí, houve um coro de “sim’s” e “não’s”, seguido daquele silencio constrangedor; cada um se perguntando “e aí, o que vai ser?”. Até que Amoreco toma o saco da mão dele e pega um enrolado para si, acabando com as dúvidas. Automaticamente, Neji mandou baixar todos os vidros do carro. Eu, com muito prazer e satisfação, o ajudei. E encarei o emo, para ver o que ele iria fazer.

— Eu prometi que não iria mais fumar isso! Você acredita, ou não, em mim? — ele indagou, na maior cara de pau, né? Nem respondi nada. Se ao menos ele soubesse do que eu sei que ele sabe! Tsc!

Bom, vinte minutos depois, Neji estacionou a van numa vaga bem longe do local, por que o estacionamento já estava lotado. Caminhamos uma quadra para chegarmos à porta do local, onde um segurança gigante vigiava a porta. Ao reconhecer o Utakata, nos deixou passar sem nem pestanejar.

O local, lá dentro, estava escuro, com aqueles globos de luz girando para todos os lados aquelas cores psicodélicas irritantes. A música era alta, contagiosa, e tinha gente para todos os lados dançando e bebendo.

— Ele chama Lady “Caca”, de música boa? — Sasuke resmungou, enquanto éramos guiados para a área VIP.

Vacas Importantes Pastando. É. O lugar estava cheio de patricinhas exibindo seus melões, umbigos, culotes, celulites e calcinhas. Todas bêbadas, rindo até cair no chão de pernas abertas. Uma delas estava rindo por que alguém vomitou no chão. Tipo assim, algo super engraçado mesmo, né? Acho que tinha uma sem calcinha, inclusive.

— Eu morri, e não fiquei sabendo, foi? — o idiota do Sasuke tropeçou no próprio pé por que não estava olhando por onde andava. Só que o pior é que atrás dele foi o Neji, Naruto, Kiba, Amoreco, Lee, e até o Sai! Todos eles deram de cara na parede por que estavam... Como posso dizer?... Distraídos com a paisagem! Uhum. Fofuchos da tia!

IWE7UYW#&R%W$ReET%EOrY$YioR&WU$Wroy4%&y438y6uty96487#%&w!

MORRAM!

Larguei Sasuke no caminho e fui marchando até o cara do xixi, que ia na frente de todos.

— Putakata! Putakataaaaa! Precisamos conversar, rapaz! — o puxei pela manga da camisa, para conseguir a atenção dele, por ele tem problemas de audição, e não me ouviu chamá-lo. — O negócio é o seguinte: não tem um lugar mais privado para ficarmos, não? Por que acho que aqui tem gente de mais, sabe? E eu sou uma menina tímida! — uhum. MUITO tímida.

— Hum... Até tem. Mas é para pessoas do alto escalão. Mas se eu conseguir falar com o Orochimaru, o dono da boate, acho que ele consegue isso para nós, sim. — aí, ele se aproximou ainda mais de mim, quase colando os lábios em meus ouvidos — Cá entre nós, também prefiro algo mais privado. — ao se afastar, ele piscou o olho para mim.

Fingi que não percebi nada. Apesar de que uma idéia bem maligna me ocorreu. Muahahahaha. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em fazer ciúmes ao namorado! Digo, de propósito! Ahém!

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Notas finais
Algum comentário?
No blog, eu postei fotos das roupas que eu imaginei eles usando no vídeo clipe, lá no final!
http://amanur.blogspot.com/2010/11/personagens-da-incognita.html