Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 1 — Palco
...
Era uma vez, um gato japonês... Disse-me Neji, falando em português.
Err.
De novo: Era uma vez, uma banda maluca chamada Incógnita. Quando os conheci, não fazia a mínima idéia de que minha vida iria virar de cabeça para baixo, graças àqueles meninos. Sequer suspeitava do que eles eram capazes. Acho que posso dizer que eles eram uma incógnita para mim, tal qual sua banda.
Mas agora eu já estava bem vacinada. Nada mais me assusta. Finalmente cheguei ao final da caixinha de surpresas — a cabeça idiota deles — que eu achava que não tinha fim. Mas claro que tem. Tudo o que tem um começo, tem fim! Certo?
Mas para antes falar do presente, devo explicar o passado. Aquele passado, que nos condena. Aquele que é o maior vexame do mundo. Aquele fato que, se todos soubessem, você seria zombado pelo resto da vida.
Pois bem, meu passado me condena. Tsc! Que choque! Mas me refiro àquele passado pré-histórico, de quando tinha meus dez, onze, anos. Quando eu era pequena, eu colocava o cd dos irmãos Hanson em volume alto, e ia para frente do espelho com minha escova de cabelos na mão. É, eu sei. Mmmbop é uma porcariazinha que gruda que nem chiclete na cabeça. Mas eu era criança e adorava aquilo! Mas enfim, a escova era meu microfone, e eu era o Taylor Hanson. Com uma vozinha esganiçada daquelas, ele passaria facinho, facinho por menina. Até o cabelinho e carinha de neném ele já tinha. Digo, eu me passaria por Taylor. Taylor é nome de menina também. Tem aquela Taylor Chifres, certo? Mas era isso mesmo. Eu ficava ouvindo e cantando o cd inteirinho, na frente do espelho. Fazia caras e bocas, e até tocava teclado invisível. Era um máximo. Mas só até a minha mãezinha entrar de repente no meu quarto, e ficar me olhando como se eu fosse louca. Afinal, eu fazia isso pelada. Err. Não me perguntem por quê. E de vez em quando, eu tinha que pausar a música para cuspir meus cabelos, porque eu me emocionava e acabava engolindo meu microfone cabeludo... Minha mãe diz que fui uma criança ativa.
Bons tempos... Acho que era o Taylor Hanson me guiando para o caminho da música. Sem querer, é claro. Nem eu fazia idéia de que me tornaria cantora. Mas o que ele diria hoje se soubesse que uma baixinha de cabelos cor de rosa se inspirou na linda menininha — eu, na frente do espelho — que ele um dia foi?
Eu sei o que o Sasuke diria.
— Puta que pariu! Precisamos fazer uma lavagem cerebral na tua cabeça! Com água fervente e desinfetante! De preferência, seria melhor retirar todo o teu cérebro logo de uma vez, não é não?
— Só agora que você percebeu isso? — o ruivo lhe diria. Eu lhe mostraria meu dedo pai de todos, e o emo lhe diria que iria tomar no rabo dele.
Mas cá estava eu, com a minha banda. Sasuke, aka Emo-Róidas, o tecladista; Gaara, aka Amoreco ou ruivo, o baterista; Lee, aka Sobrancelhudo, o violinista; Neji, aka cabeludo um, o guitarrista; Naruto, aka Watson loiro, o outro guitarrista; Sai, aka Japa um, o baixista; e por último, porém não mais insignificante — do que já era, coitadinho —, o Kiba, aka Japa dois, que era nosso segundo baixista.
Essa é a banda mais ferrada de todos os tempos. Que outra banda faz uso de duas guitarras, dois baixos, e mais um violino, ao mesmo tempo? Só essa mesmo.
E não nos esquecemos do nosso amado agente: Itachi, aka Carneirinho, fofo como só ele consegue ser. E ainda tem o Shikabum, e o Sininho, que tomavam conta da mixagem de sons nos bastidores. Como era mesmo o nome deles? Shikamaru e Shino? Esses nomes são tão complicados que prefiro chamá-los de Shikabum e Sininho mesmo. Shikabum, esses dias, me disse que ia tatuar o nome dele na minha testa para não esquecer. Hehe. Eu ia esquecer do mesmo jeito, já que não tinha olhos nas mãos para ver o que estava escrito na testa, toda vez que precisasse pronunciar vosso nome em vão...
Mas enfim, serafim, pilim plim plim — como Neji disse, esses dias. O nosso primeiro grande show aconteceu dois meses depois da estréia da nossa música nas rádios. Bom, não foi tão grande quanto ainda sonhávamos em fazer, mas ainda assim, foi o maior que já havíamos feito até então. Aconteceu em uma grande casa de shows, chamada... Open Ass. É! É isso mesmo. Os meninos adoraram, obviamente. Err.
— Ahahahaha! Mas olha só que maravilha! Hum... Será que todo mundo lá dentro tem o rabo arregaçado... Ou apenas sai de lá com o rabo arregaçado? De qualquer forma, é hoje que eu meto num rabo arregaçado! — Sasuke é um retardado.
Ao chegar ao local, fomos direto para o camarim: um quartinho minúsculo, apertado, mas com uma parede inteira coberta por um espelho. Então imagine a seguinte cena: eu, pequena doce criatura, disputando um espaço no espelho no meio de um bando de gorilas gigantes. É lógico que eu perdi a aposta! Tsc. No entanto, mais impressionante mesmo foi ver o bando de maricas em que eu estava no meio. Todos preocupadinhos com os cabelos, camisetas, bandanas, sobrancelhas, dentes, remelas e... Bunda! É. E este último foi o Gaara. A criatura não parava de olhar para a própria bunda. Nem um pouco narcisista! Não! Imagina! Eu tive vontade de perguntar o porquê de sua preocupação, já que o idiota era o que menos aparecia na banda. Coitadinho. Ficava excluído lá, o tempo todo com a bunda colada no seu banquinho. Mas deixe ele sonhar. Sonhar não faz mal a ninguém, certo? Além disso, sua retaguarda tinha lá seu rico valor. Ahém.
E ainda, como se o sufoco naquele camarim idiota não fosse o suficiente, tínhamos que ficar olhando para chão, a cada passo que dávamos — ou tentávamos dar —, para não pisarmos na pequena Hotaru. Itachi, fofucho, acreditou que levá-la para o nosso primeiro show — coisa que, sonhava ele, um dia iria entrar para a história da música — seria válido. Então, a menina ficava de um lado para outro, fazendo de conta que estava em um campo de batalha, e ela era responsável pela segurança da humanidade, com sua linda fantasia de Mulher Maravilha.
Aham. Devo mencionar que isso foi presente da suIno. Pois só ela mesmo para ainda dar um chicote dourado, feito de borracha, para aquela criança espoleta. Pois é, SuIno só pode ter titica de galinha na cabeça. Mas além da roupa, tiara, capa vermelha e pulseiras douradas, Hotaru ainda ganhara as famosas botas vermelhas. Não dava para negar que a criança estava engraçadinha, naquela roupinha... Ah, eu queria uma daquelas também! Ahém. Ah, fala sério, né? Eu é quem merecia o posto de mulher maravilha! Mãe, cantora e babá de um bando de marmanjo! Tem mulher mais Maravilhosa do que eu? Ahém.
— Plepale-se, seu bandido miselavel, você vai moler! Eu sou a muler malavila!— e BAM! Lá foi uma chicotada na bunda do Neji.
— Sua A#$(#$&Q UHSIG#%@&$E&RWIU%#&$REYW !!!! Princesa, cuide de sua filha, por favor! Eu preciso arrumar minha bandana!! E ISSO DÓOIIIIII!!! Me dê isso daí!
— NÃAOOOO! Eu sou a muler malavila! Você me lespeite! — e lá foi ela correr entre nossas pernas, de um lado para o outro. Como estávamos apertadinhos, quase sufocados, era impossível de pegá-la.
— Eu mereço mesmo! — o cabeludo retruca — Agora ela está pedindo respeito! Onde é que esse mundo vai parar?
— Sakura, você não trouxe aquele teu batom transparente, com sabor de uva, não? — Sai pergunta assim, bem sério.
— Não, Japinha, não trouxe não.
— Eu tenho um batom, mas tem coloração branquinha. Está aqui, dentro da minha calça. Quer provar, Sai? — o emo indaga. Sai lhe mostrou seu dedo do meio, mas ficou olhando esperançosamente para o Itachi, que tirava meleca do nariz, olhando para a câmera nas mãos.
— E lápis de olho? — desta vez, foi Naruto quem perguntou — Nos anos noventa, Sebastian Bach usava lápis. Acho que Axl Rose também chegou a usar. Acho que todos nós deveríamos usar... O que vocês acham?— ele estava com a mão no queixo, refletindo profundamente a respeito daquela bobagem.
E então, eis que o emo aparece, lhe dando um bifão na cabeça.
— Eu acho que você andou cheirando o peido da chaveirinho! Aquela porcaria fedorenta deve fazer um estrago do cão nos neurônios mesmo! Seu idiota, estamos nos anos dois mil! Hoje em dia, só bixas emo... — e então, ele se vira para nos encarar — VAI LEVAR UM CHUTE NAS BOLAS QUEM VIER COM PIADINHA PRA CIMA DE MIM — hehehe —... É quem usa essas bichisses nos olhos.
— Tio emoloidas, tio emolidas, tio emoloidas!
— Háaaa-há! Hotaru vai levar chute nas bolaaaaaas! — e todo mundo olhou pra cara idiota do Neji — Explica pra eles, Kiba, explica pra eles!
— Meninas têm bolas também! — Kiba diz assim, bem sério, penteando os cabelos com os dedos — Só não são desenvolvidas! Sabia que o clitóris da mulher seria o pênis? — eu resolvi ignorar essa valiosa informação inútil. Err.
Além disso, eu estava nervosa ao quadrado. Além da ansiedade em cantar, pela primeira vez para um público tão grande, não devemos esquecer-nos da minha claustrofobia. E estar ali, esmagada entre todos eles, não era nada agradável! Eu já estava suando o Mar Vermelho pelas têmporas. Digo o Vermelho, porque eu devia estar até sangrando, de tanto nervosismo. Err. Mas eu fazia um esforço sobrenatural mesmo. Era tanto esforço, que estava começando a me dar dor de barriga! Juro. E ainda por cima, já estava com vontade de fazer xixi.
Ainda faltavam uns dez minutos para a banda que abriria o nosso show terminasse de tocar no palco. Por isso, quis aproveitar esses minutinhos para fugir dali, e ir para o meu paraíso tropical: o vaso sanitário mais próximo! Mas o azar é meu irmão, quase siamês. Anda sempre coladinho em mim. Um saco, como todo irmão siamês deve ser.
— E aí, neném. Sorria pro papai aqui, e diga para os seus fãs o quanto é grande a sua emoção! — Itachi pegou a câmera filmadora do cabeludo um, e decidiu que ia gravar tudinho. Era para o dia em que algum louco, debilóide, sem parafusos e sem noção, tivesse a idéia não genial em fazer um filme, ou documentário, sobre a banda que estava prestes a fazer seu primeiro show em uma casa chamada Bunda Aberta... Ou Arregaçada, tanto faz. O vexame era o mesmo!
— Ah, é sim. A emoção é tão grande que estou quase molhando minhas calças. Itachi, saia da frente! Carne de burro não é transparente! — aí, o retardado virou a lente da câmera para o próprio rostinho.
— Tá vendo? É com todo esse amor que tratam seu agente, salvador da pátria. Se não fosse por mim, ainda estariam varrendo chão de garagem! — err. Eu suspeitava que aquele vídeo, no final das contas, sairia apenas sobre o quão magnífico ele era.
Que seja cerveja! Eu tinha uma missão ultra-secreta a cumprir: esvaziar a minha bexiga o quanto antes!
Empurrei o cabeludo dois, e me atolei entre o sobrancelhudo e o japa dois, que discutiam quem tinha o corte de cabelo mais “da hora”.
— Ah, fala sério! O bolo de chocolate com creme de morango no meio, pingos de chocolate branco e cobertura em glacê, é o melhor de todos! — Lee dizia.
— QUE BOLO, SEU MANGOLÓIDE? ESTOU FALANDO DO SEU CABELO! — Kiba retrucou. Coitadinho do Lee, que só tem bolos na cabeça. Coitadinha de mim, isso sim.
— Saiam da minha frente! Por gentileza. Ahém.
— O que é isso, Sakura? — Lee, então, fofinho e intrometido, me virou de costas e arrancou o elástico que prendia meus cabelos em um rabo de cabalo alto — Vocalista de banda de rock anda com cabelos soltos para sacudir a cabeça para lá e para cá, enquanto canta! — ahh bom. Ainda bem que temos ele aqui, para salvar a minha vida! Tsc.
— Ele só está dizendo isso porque o cabelo dele não se move, nessa cuia emborcada. — Kiba resmunga.
— Agora é bacia! — ainda bem que o próprio Lee o corrige — Ele está comprido demais, já batendo nos ombros. Acho que vou cortá-lo, mês que vem.
— Isso, volte para o cabelinho de tupiniquim. Agora, SAIAM DA MINHA FRENTE! — esbravejei.
Eu já estava ficando revoltada. Quanto tempo se passou com toda essa inutilidade?
Mas quando consegui abrir caminho entre os dois, eis que me dou de cara com Sininho e Shikabum.
Porque, Senhor, faz isto comigo?
Shikabum não parava de rir, enquanto Sininho revirava os olhos.
— Ôh, Sakura, me deixa ver o seu pênis aí! — eu mereço!
— Não liga não. Ele bebeu alguma coisa, porque estava nervoso. — Sininho me diz — Isso que o idiota nem vai subir no palco. Você deve estar pior ainda, não? Não consigo imaginar como deve ser a pressão de estar diante de três mil pessoas...
— Três mil pessoas??? — Shikabum retruca.
— Uhum. Ouvi dizer que a casa está lotada, e ainda tinha gente do lado de fora, querendo entrar. Mas para você, deve ser pior mesmo, Sakura. Afinal, os vocalistas são a peça chave de uma banda. De nada serve um bom instrumental, sem uma ótima voz. — ouvi o Itachi rosnar de algum lugar — E não é somente a voz que conta. Você precisa desenvoltura para conseguir manter o público animado, e sem desafinar ou errar a letra! Muitos erram a letra, por causa nervosismo. Tem gente até que escorrega no palco. Esses dias, ouvi dizer que a Lady Gaga escorregou durante uma apresentação. — esses meninos são os amores da minha vida mesmo. Suas capacidades de me tranqüilizar iam além da compreensão humana. Talvez até divina.
— Saiam. Da. Minha. FRENTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!! — acho que um pinguinho de xixi escapou. Saco.
Os empurrei para o lado e passei. Lá estava a porta da esperança. Brilhando para mim. Suas belas pichações, com desenhos obscenos e palavrões de tudo quando é tipo, mostrava que um dia fora branquinha como plumas de anjos devem ser. E a maçaneta? Oh, bela maçaneta que me mostrarás um novo mundo, do outro lado daquela porta. Com uma goma de mascar grudada, já branca indicando que era cuspe antigo, a girei sentindo minha piriquita pulsar em emoção, louca para ser feliz e liberar aquele líquido malvado que judiava na bexiga. Ouvi sinos celestiais tocar, enquanto girava a maçaneta. E BANG! Dei e cara com segurança, que se prontificava a abrir a porta.
— Vamos, vamos, vamos! Já está na hora de vocês subirem no palco! — maldito irmão siamês!
— Mas... Ok, só um segundinho, seu guarda. Eu reeeeeeealmente precis... — nem consegui terminar minha frase porque os idiotas saíram correndo, me levando junto naquela maré de músculos e pernas.
Comecei a chorar.
— Ohhh!! Ela está emocionada, gente! — Naruto deu tapinhas nos meus ombros — Não se preocupe, viu? Eu e o Neji podemos nos apresentar.
MOOOORRAAAM!
A cada passo que dávamos em direção ao palco, eu sentia meu coração e bexiga pulsar mais forte. Fiz sinal da cruz. Cruz credo. Que Deus me livre de um vexame maior. Que Deus ilumine minha piriquita, e a faça ficar quietinha na dela.
E então, entramos em cena. Quando surgimos, houve aquela gritaria do cão. Todo mundo berrando um monte de coisa que não dava para entender nadica de nada. Ainda bem que já estávamos com os tampões de ouvido, para evitar que a barulheira toda nos deixasse com problemas de audição. Pois além da gritaria, tinha o som dos nossos instrumentos a todo volume! E então, cada um se dirigiu para o seu devido lugar. Nossos instrumentos já haviam sido trocados e Neji pegou o meu microfone para falar.
— UUUUUHHHUUUUUUUULLLL — o idiota deu o maior berro nos meus ouvidos, erguendo o dedo fura bolos com o mindinho. E por pouco que não ganho um novo apelido: Sakura mijadinha. — Senhoras e senhores, agradecemos vossa presença em nosso primeiro show. Esperamos que, assim como nós, vocês se divirtam. — hum. Nada mal, pensei. Mas poderia ter sido melhor.
Bom, idiotices à parte, foi uma loucura total; o lugar estava mesmo repleto de gente, e muitos usavam camisetas com a nossa marca estampada. Pena que eu não tive tempo para me emocionar o suficiente, preocupada com outros assuntos mais urgentes. Mas eu pulava feito louca, para lá para cá. O povo parecia adorar meus malabarismos, mas, na verdade, eu fazia isso porque estava AGONIZANDO! É. E a cada troca de música, ainda por cima, Sininho vinha nos oferecer uma garrafinha de água; oferta da casa. Eu sabia que deveria manter a garganta úmida, para não ressecá-la e acabar ficando rouca, e desafinar, mas eu tinha vontade de mandá-lo enfiar aquela maldita garrafinha em outro buraco. Aquilo era um inferno! Eu pulava até quando não tinha música alguma tocando, entre as trocas de faixas. Neji me olhava maravilhado, achando que eu estava super empolgada. Coitadinho. Mas Sasuke já me olhava como se eu fosse uma retardada. Ele era mais perspicaz mesmo. Afinal, eu deveria estar parecendo pior do que uma retardada. Mas o público pulava junto comigo, berrando meu nome.
— SAKURA, SAKURA, SAKURA! — numa dessas, Neji e Naruto entram no clima, e começaram a pular no meio do palco junto comigo, berrando meu nome junto com o público — SAKURA, SAKURA, SAKURA! — era tão bonitinho quanto idiota.
Só que a cada música que passava, mais roxa, verde, azul, amarela, vermelha e rosa eu ficava! Faltava muito pouco para aquilo explodir de vez. Será que se eu pegasse uma garrafinha daquelas, me virasse de costas, e urinasse ali mesmo, alguém iria perceber? Eu estava de saia! Seria super discreta, ora bolas!
Enquanto os meninos bebiam água — isso já na nossa penúltima música — me fui para o cantinho, de onde entramos. Virei-me de costas, assim, como quem não quer nada, e ergui discretamente a saia. Ah, por favor, né? No desespero, fazemos tudo! E acreditem, eu estava mais do que desesperada!
— Mamãe, o quê que cê tá fazendo? — Itachi estava ali, bem fofo, gravando tudinho. WUEY#W$&$%w#&$%#&! E Hotaru estava sentada nos ombros dele.
— Sério, Sakura, você, às vezes, me assusta! — o idiota comenta.
Mas antes que eu pudesse responder, Sai me puxa de volta para o palco. E lá se foi o último resquício da minha esperança... Lá se foi o sonho de uma jovem “apertada”.
Mas essa será a última música, Sakura. Respire fundo, mulher! Você consegue... Não, pensando bem, era melhor não respirar. O negócio estava em ponto crítico mesmo. Em alerta vermelho. Qualquer movimento errado eu seria capaz de explodir como uma bomba atômica, ou... Coisa pior. Sairia xixi para todos os lados!
E então, Sasuke começou a tocar seu teclado. Havíamos combinado de que fecharíamos o show com I’m in here. Estávamos já pensando em lançar um single dessa música com a versão acústica, com apenas o teclado, e a outra versão com todos os instrumentos. Resolvemos que tocaríamos a acústica, para encerrar a noite. Mas enquanto isso, o restante dos meninos se mandara para dentro dos bastidores, me deixando ali, sozinha com a minha bexiguinha. Tive vontade de chorar, outra vez. Se ao menos inveja matasse...
E lá fui eu, cantando. Mas desta vez, eu fiquei completamente imóvel. Se eu me mexesse, já era. Mexi somente boca e os olhos. Hum. O público parecia não estar entendendo. Então, cuidadosamente, fui mexendo os braços. Mas eu deveria estar um desastre total mesmo, parecendo aqueles bonecos de posto de gasolina!
— ... Can anybody heeeeelp. — fim de música. Aleluia, Senhor.
Nem fiquei para os aplausos finais. Fui voando para dentro das cortinas. Mas quem disse que os idiotas iriam me deixar passar? É claro que não, meu irmão! Todos eles, filhos de uma WY$$&QWE$&W$%, foram sorridentes até o palco, me arrastando junto. Demos as mãozinhas um para o outro, e eles fizeram aquela reverencia, abaixando-se da cintura para cima. Mas eu fiquei lá, ereta como uma porta, sorrindo de dor, cruzando as pernas. Sasuke tinha pegado minha mão esquerda, e ficou me puxando para me abaixar também. Mas nem aqui, nem em Nárnia, meu filho! Fica na tua, e me deixa em paz.
E então, Amoreco querido, que segurava minha outra mão, fez o favor de empurrar minhas costas. E aí já era. Me abaixei, até tocar as mãos no chão, sem dobrar os joelhos, mas porque havia perdido o equilíbrio! Há!
É. Foi isso mesmo o que aconteceu. E o pior é que eu não conseguia nem chorar. Eu sorria na maior felicidade do mundo, isso sim. De repente, o vento ficou tão quentinho entre minhas pernas...
— Mas que... MAS QUE PORRA É ESSA, SUA SARAKURA DOS INFERNOS? VOCÊ QUER NOS MATAR DE UMA SÓ VEZ, É??? COMO É QUE VOCÊ ME FAZ UMA COISA DESSAS, SUA RETARDADA! — ainda bem que o microfone havia ficado para trás.
Eu não conseguia ficar nem um tantinho brava com eles. Aquilo era bom demais. Me arrisco a dizer que era melhor, até mesmo, que um orgasmo! Juro!
Para sair do palco, foi um sufoco. Em meio a xixis e gritos de “quero mais, quero mais!”, o emo e o ruivo meio que foram me acobertando, colados a mim. E assim que saímos das vistas do povo, Sasuke e Gaara me puseram contra a parede.
— MAS QUE PORRA FOI ESSA? O QUE FOI QUE ACONTECEU? — o ruivo quis saber.
— É, o que foi que aconteceu? — Lee não fazia a mínima idéia do que aconteceu. Err.
— Acho que foi a emoção. — ahém.
— Puta que pariu! Mas que emoção do caralho, hein?! Dava para ter alagado a casa inteira com essa sua emoção! — o emo retruca, sarcástico. Eu não ia contestar. Já eram xixis passados. Digo, águas passadas. O que passou, passou! Além disso, Neji parecia feliz demais, pulando para lá e para cá.
— Oia! Ele já está duro! Aahaihueaiheuiaheiuahiuheia! — Naruto apontou para o volume nas calças do cabeludo. Foi então que lembrei de sua peculiaridade. Toda vez que tocava em público, o idiota se animava demais.
— Cara, eu fiquei duro o tempo todo! Fala sério! Como é que vocês não ficaram? O show foi sucesso total! Vocês viram todos pulando? Eles cantavam nossa musica junto com a Princesa! Foi melhor do que eu tinha pensado! Chega mais, Naruto. Vamos para aquele canto ali! — e assim, fofos, eles foram, bem felizes, para o canto.
— Eu te arrastaria para um cantinho para arregaçar teu rabo também, mas depois dessa mijarada toda, não dá, NÉ, SARAKURA DOS INFENOS?! — e então, Sasuke sai marchando em direção do camarim, emburrado.
E eu me fui para o banheiro, depois de pedir ao Itachi que pegasse minha mochila, que havia deixado num banco do camarim.
Deus é engraçado mesmo. Ele me ferra de um jeito, mas me salva de outros. Por algum motivo, eu havia decidido que todos deveriam levar roupas extras. Na verdade, eu queria ter feito aquela bobagem que alguns cantores fazem, de trocar de roupa no meio do show, sabe? Mas como eu fiquei apertada o tempo todo, não pude nem lembrar disso!
Entrei em um dos box e tirei meus sapatos, meia calça e calcinha. Pelo menos, não havia molhado a saia. Enquanto eu enrolava tudo, gastando todo o rolo de papel higiênico, ouvi alguém entrar.
— Itachi? Acho que minha calcinha está no bolsinho de fora. — e então, alguém abriu a porta, bem na hora em que eu socava tudo para dentro da lata do lixo. Não tinha como eu levar aquilo de volta, de jeito algum!!!
Mas ao me virar, dei de cara um Deus grego. Outro. Cabelos compridos, lisos, até os ombros, de sorriso colgate e olhos castanhos. De uma formosura sem igual.
— Eu... Eu fiz xixi nas calças. — WYT#&%W$W#$WSR! VOCÊ NÃO TINHA COISA MELHOR A DIZER??? GRRRRRR!
Mas o cara me empurrou para o lado e abriu a tampa do vaso que eu nem tinha aberto.
— PORQUE VOCÊ DEU DESCARGA? EU PODERIA TER FICADO COM O SEU XIXI! — ah, bom. Ufa. Ainda bem que ele era mais idiota do que eu! Err.
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