Notas iniciais
Mais um! :D
Estarei respondendo os reviews entre hoje e amanhã.

INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL

By Amanur

Capítulo 10 – Fósforos



Eram três e meia da tarde, quando chegamos em casa. Ou o que restou dela. Pois vejam bem... Precisei pensar bastante antes de começar a dizer o que deveria mesmo ser dito neste décimo capítulo da segunda fase da minha vida. Depois de muito matutar, cheguei à conclusão de que havia dois assuntos importantes a serem abordados aqui, no início.


Primeiro: Já ouviram aquela frase, lar doce lar? Ou: não há lugar no mundo melhor que nossa própria casa? Se não, mantenham isso em mente, por enquanto...


Segundo: Já cansei de ver fotos retratando guerras. Terra para um lado, gente ferida para o outro, e mais um monte de corpos atirados no chão. É triste.


Mas me pergunto se há algo que se compare com o desespero de encontrar seu próprio lar doce lar em estado de alerta eminente. Que um raio me parta se eu estiver mentindo! Pois acreditem, parecia que não só uma guerra havia sido travada ali, como um furacão veio e passou por cima de tudo, logo depois. Por pouco não se abriu uma cratera no chão! E olhe, quem dera se eu estivesse exagerando... As paredes estavam todas rabiscadas com lápis de cores. O sofá estava revirado, as almofadas haviam sido assassinadas e suas entranhas de esponjas se espalhavam por todos os cantos. A cortina, coitada... Bem, foi rasgada e desfiada. Descanse em paz. A tv estava virada de costas, na estante, com se tivesse de castigo. Livros estavam espalhados, rabiscados e alguns depenados, sem páginas. O tapete havia servido de pano de chão para limpar alguma mancha de comida, talvez. E por isso havia algumas mosquinhas voando alegres pela sala. Ah, sim! Ainda havia pedaços de papel higiênico por todos os lados, e uma mamadeira quebrada no chão, com leite derramado no canto perto da escada. Algumas bonecas haviam sido decapitadas, outras esquartejadas. Manchas e pegadas de um pé minúsculo salpicavam o chão, quase como uma bela obra de arte retratando a devastação do século vinte. Juro! Ficamos todos ali, de boca aberta, olhando aquela destruição, até uma mosca entrar no nariz do ruivo e ele sair correndo para o banheiro espirrando até o cérebro. Depois foi a vez do Watson reclamar, por que os quadros coloridos que ele havia comprado para enfeitar o corredor perto da cozinha estavam no chão, como uma pilha de madeira para lenha. E Shikabum, tadinho, estava morto, com sangue espalhado por todo o peito, esparramado no meio da sala.


— Ohh! Shikabum morreu! Eu gostava tanto dele. Snif. — comentei, me aproximando do corpo. Com a ponta do pé, toquei as costelas dele. Mas de repente, ele se levanta abrindo os olhos.

— É só isso o que você diria no meu velório?

— Oh, está vivo de novo. E que você queria que eu dissesse o que?

— Que eu fui um ótimo médico, pai de família, e esposo perfeito. — ele resmunga, se levantando do chão.

— Err, mas você não é nenhum deles, Shikabum querido...

— Com licença, mas o que vale é a intenção, não sabia não? — ok, sem comentários.

— Uma pergunta: — Kiba, então, se aproxima — Por que você está melecado de ketchup? —

— É melhor fingir estar morto, do que encarar a moleca. — e então ele tirou do bolso da bermuda que vestia um maço de cabelos — Olha só o que ela fez comigo! Ela arrancou tudo isso do meu cabelo, em quanto brincávamos de cavalinho! E eu gosto dele. Talvez não tanto quanto o Sasuke, mas ainda gosto. E quando me fingi de morto, ela me deixou em paz.

— Tsc. É por que não tinha mais graça blincar — e SuIno imitou a vozinha da menina, mas num tom mais sarcástico — com você! E então ela veio atormentar a mim e o Shino.

— Quem é Chico? — perguntei.

— SHI-NO! — Kiba berrou no pé do meu ouvido. Tsc! — Eu acho que você tem dislexia auditiva, garota! — mostrei minha língua pra ele.

— E onde ela está? — Itachi perguntou.


Quase como se atendesse a um chamado, eis que surge a estrela do dia no topo das escadas com sua fantasia de mulher maravilha. Ela ainda fez uma entrada teatral, meio triunfal, se exibindo. Como vestia meias nos pés, sem as botas da fantasia, veio deslizando pelo chão e abriu os braços para se apresentar, meio a la Tom Cruise em Negócio Arriscado.


— Tchalaaaaamm! Não tema, Julema, pois a Mulé Malavila já fez um poema! — e então, ela foi descendo as escadas saltitando de degrau em degrau, juntando as mãos se transformando numa coelhinha. Quando chegou ao final, ainda soltou o grito de guerra que aprendeu com o loiro, obviamente — JELÔNIMOOOOOOOO! — e, então, ela saiu rodopiando.

— E que poema é esse, mulher maravilha? — Amoreco indagou, voltando do banheiro. — Ele vem com poderes mágicos, para me impedir de meter uma mosca no teu narizinho também? — ele grunhe.

— Tem sim! É assim oh: — ela diz assim, bem séria, pondo a mão no cinto que guardava o seu chicote, como uma ameaça — Batatinha quando nasce, espala a lama pelo chão. A Muler Malavila quando dolme, põe a mão no seu bundão! — bom, eu e Amoreco fuzilamos a SuIno, é claro. Aquela rima só podia ser coisa dela. Mas ela se esquivou, correndo para trás do Itachi.

— Vai lá cuidar da tua filha, vai! — SuIno deu um tapão nas costas do Carneiro, que quase o fez o voar. Mas com certeza o fez tossir, e tentar nos convencer de que havia se tornado num ancião.

— Sabe... Minhas costas estão doendo. Meus pés estão cheio de bolhas e calos... Acho que minhas juntas também doem. Preciso tomar cuidado com a osteoporose.

— E o cacete murcho. — o emo resmungou. Mas ninguém deu bola para ele.

— Como eu ia dizendo... Acho que carreguei peso demais com as malas. — e, então, ele se virou para o sobrancelhudo, a vítima mais próxima a ele — Lee, sua avó lhe ensinou que os mais novos devem cuidar dos mais velhos, né? Seja gentil e pegue a menina por mim, hum?

— Por essa lógica, não deveria a Hotaru cuidar de nós, então!? — Amoreco retruca. Bom, faz sentido, né? Tentei imaginar um mundo onde crianças tomariam conta de adultos: Adultos que puxam o cabelo um do outro, comem porcarias o tempo todo, falam de boca cheia, soltam pum como quem espirra e saem pela casa berrando só de roupas íntimas. É, o resultado não foi muito diferente do que os meninos são hoje... Err.


De qualquer forma, o Itachi não gostou nem um pouco e rosnou alguma coisa pra ele.


— Com licença, preciso ir ao banheiro. — e assim, o Carneiro sai correndo e some pelas escadas.

— Deixa que eu cuido dela, princesa. Vem com o tio, vem Hotaru. Me conta por que você fez essa bagunça... sua praguinha. — o cabeludo um resmunga entre os dentes. Só que ela se afastou dele.

— NÃO! — a menina berra e, em seguida, deu um soco no churros dele para sair cantarolando pela sala — Plaguinha, plaguinha, plaguinha. — em seguida, ela começou a pular e saltitar como uma pulga, berrando alto e balançando a cabeça como se dissesse não. E então, sacou seu chicote do cinto mágico, e saiu chicoteando tudo o que via pela frente.


— AHHHH! A MULER MALAVILA ESTÁ LEVOLTADA!

— Oh-oh. — Naruto resmungou — Agora fudeu! SALVE-SE QUEM PUDEEER! — e então, todos eles saíram correndo pela casa, como baratas tontas. Naruto bem que tentou o banheiro, mas o Carneiro se fez de autista e não abriu a porta. Então, restou ao coitado subir as escadas, mas empacou com o Neji e o Lee, que tentava encontrar brecha. O resultado, é óbvio, não poderia ter sido outro. Todos levaram chicotadas da mulher maravilha endiabrada.


Eu fiquei ali, paradinha, de braços cruzados, olhando a cena como quem não quer nada. Ahém. Mas não pensem que eu estava deixando os meninos apanharem a toa não! Claro que não. Eu estava pensando com meus botões. Achei estranho esse comportamento agressivo dela. Quero dizer, não com relação aos socos e chicotadas, mas toda aquela bagunça, gritaria e chicotadas. Digo, apesar de sempre ter sido agitada, ela não demolia construções e nem batia nas pessoas gratuitamente como estava fazendo!


— Hotaru! — a chamei — Por que você fez essa bagunça toda?


De repente, ela se calou, parando no meio da sala. Ficou me olhando de canto, meio emburrada, enquanto os meninos choramingavam, um passando a mão na traseira do outro para se consolarem. Err. Mas foi tudo de um modo muito suspeito, devo dizer. Quero dizer, ela... Não eles — não havia mais nada de suspeito nos idiotas. Err. Mas como eu poderia traduzir aquilo? Bem, era como se a Hotaru estivesse escondendo algo. Mas aí, uma bola multi colorida surgiu da cozinha, balançando um rabo. E levou toda nossa atenção com ela.


— Argh! Mas que coisa horrorosa é essa? — Neji indaga, fazendo careta. Mas só então, aquela coisinha miar — SERAFINA! O que fizeram com você, filhote? ELA ERA PURA! BRANQUINHA COMO UMA VIRGEM EM CASAMENTO! — Neji saiu correndo, choramingando, atrás do gato que, ainda por cima, estava com os pelos cortados desproporcionalmente e todo pintado com tinta guache. Quando ele se deu conta disso, virou-se para a menina, dilatando as narinas e trincando a mandíbula. — Hotaru? Você cortou os pelos da Serafina?


Ela que fez que não e saiu correndo pelas escadas, berrando.


— SELAFINA CALECA! SELAFINA CALECA MELECA!

— VOTE AQUI, SUA PULGA! — Neji, então, saiu correndo atrás dela, enquanto Sai, Naruto, Shikabum e Lee suspiraram aliviados por se livrarem das chicotadas da mulher maravilha.

— Santo Neji. Descanse em paz. — Naruto diz, já dando o coitado por morto.


Passado o tumulto, eles se manifestaram para arrumar aquela bagunça toda. Sai, Gaara e Lee pegaram vassouras, enquanto Naruto e Shikabum pegaram uma sacola para jogar fora o que não era utilizável. Bom, claro que o Kiba não se manifestou, muito menos o emo. Os dois, simplesmente subiram as escadas, com suas malas, enquanto o Carneiro se mantinha trancado no banheiro. Sabe como é, prestando seus serviços de inutilidade pública... Mas que foi surpresa ver a folgada da SuIno cooperar, isso foi. NOT.


— Oh, você deixou sujeira aqui, menino japonês! — ela diz para o Sai.

— Sou coreano. E você já sabe disso!

— Uhum. E você, cortador de bolos, não viu que ficou um papelzinho naquele cantinho, não? Vou te contar viu? Homens não servem para nada! — ela diz, apontando o dedo para o sobrancelhudo — E você aí, cabeça de pica-pau? — ela aponta para Amoreco, pegando uma cabeça de boneca para balança-la na frente dele — O quão grande essa cabeça é preciso ser para que você a tire do caminho, hein? Mantenha os olhos na VASSOURA!

— Onde? — o ruivo indaga, varrendo outro canto nada a ver com o que ela havia apontado — Aqui? — e então, ele foi varrendo a sujeira para cima dos pés dela — Ah, é, tem razão, está uma IMUNDÍCIE aqui mesmo!

— YE#WTU#$&*$#RYWITY#$*%T#WRUWy! — ela pragueja. Hehe. SuIno cuspiu poeira. Ela dava um passinho para trás, e ele outro para frente varrendo sujeira nos pés dela, até deixá-la do lado de fora da casa e fechar a porta.

— Pronto! Casa limpa. Sakura, eu posso decapitar a sua amiga também?


Só sorri para ele.


— Há-há, estou te ouvindo, muito engraçadinho! ABRA A PORTA, SEU PICA-PAU! — ela começou a socar a porta, berrando do lado de fora.

— Hehehe... — e nisso, Naruto, de repente, riu; o que chamou a atenção do ruivo.

— Qual é a graça?

— Pica-pau.

— Aham... Daqui a pouco eu pico o seu. — e ele ainda o ameaçou com a vassoura.

— Falando em sujeira, cadê o Sininho? — perguntei.

— Deve estar se fazendo de morto ainda, lá nos quartos. — Shikabum responde.


Enquanto Naruto pegava dez coisas nos braços para levar até a lixeira, Shakubum ia de um em um.


— Cara, como é que eu consigo carregar cinquenta coisas no braço, e você aí só de um em um? — o loiro indaga ao cabeludo três.

— Ihh, qual é? Você é quem está com preguiça de dar cinquenta voltas pra lá e para cá! — err.

— Tsc. E você, Sakura? Bem que poderia nos dar uma mãozinha aqui né? — o loiro indaga.

Sabe que eu achei isso uma ofensa? Eu era mãe, mulher com obrigações de manter seu ciclo menstrual, depilar as pernas e asas, manter o cabelo e unhas em dia, e ainda me fazia de babá deles todos, além de ser vocalista de uma banda... Ah, e ainda era encarregada de manter a qualidade da comida feita por eles, dizendo quando estava bom ou ruim, e avisá-los de que havia roupa a serem lavadas. Ou seja, eu era uma dona de casa cheia de ocupações desocupadas! Foi insulto imenso!


— Loiro do meu coração, eu não sei do que você está falando! — ahém.


Eles levaram o restante da tarde para pôr tudo em ordem. E descobrimos que os danos foram causados somente na sala. Menos mal, né? Na hora de dormir, depois que o Itachi com a ajuda do Sai conseguiu acalmar a menina e colocá-la na cama, levei a mamadeira de banana com Nescau para ela — receita da falecida mãe do Naruto.


Itachi já havia colocado o pijama da mulher maravilha nela, e ela se encolhia embaixo do lençol. Quando me viu atravessar a porta, Hotaru virou o rosto. Hum. Achei estranho, mas não disse nada. Me deitei ao lado dela, e lhe estendi a mão com a mamadeira. Mas ela deu um tapa minha mão, a afastando e ainda fez beiço pra mim.


— Hotalu não é mais cliança. — ela resmungou — Hotalu não toma mais na mamadeila.

— Ah... É por isso que você destruiu tudo, Hotaru? — perguntei.


Ela cruzou os braços e virou o corpo para o outro lado, me dando as costas. Err. Maravilha. Estou levando gelo de uma criança de cinco anos que acha que já é adulta!


Resolvi tentar outra tática.


— Eu prometo que te dou uma boneca nova da mulher maravilha, amanhã mesmo, se você me disser o que está acontecendo, Hotaru.

— Ok, então vamos negolcia. — rapidinho, a moleca se virou de volta para me encarar. Sentou na cama, cruzando os braços e as pernas, adotando uma postura mais séria. — Hotalu tem umas exigências.

— Hein? E desde quando você sabe negociar, fedelha?

— Hotalu quer bala de mogango. — ela diz assim, bem séria. Revirei os olhos, mas tive que ceder, né.

— Ok, balas de morango. Agora me conta.

— E solvete de chocolate.

— Err. Sorvete de chocolate.

— Chulos de doce de leite.

— Não, senhora! Eu já falei que a mamãe só vai deixar você pôr as mãos em churros quando tiver setenta e três anos. — ahém.

— Dloga! Hotalu, então, quer um cacholinho. E fim de papo, está entendendo? — err.

— Ué? E a Serafina?

— Sê tá me achando com cala de quê? — mas credo! Era só o que me faltava — Selafina não tem glaça; ela só foge da Hotalu! — ahm... Por que será?

— Tá, tá... Eu arrumo um filhotinho pra você. — coitadinho — Agora conta logo o que houve!

— Hotalu quer um cacholinho que tem olelas glandes, olhos glandes, boca glande, naliz glande...

— Por acaso você está me pedindo o lobo mau? — err.

— Hahahahahahha — desta vez ela deu uma risada tão genuína que foi quase contagiante — Nãaaaaoooo, sua bobona. Holatu mostla depois o cacholinho que ela quer.

— Ok. A mamãe vai te dar o cachorrinho que a Hotaru quiser.


Ela suspirou que nem gente velha, pondo os dedos na ponte do nariz, e ainda balançou a cabeça meio resignada como se reprovasse uma atitude. Tsc. Fiquei imaginando de onde ela tirou aquilo tudo... Mas então, de repente, ela descruza os braços e me olha com aquela carinha menina inocente, com olhos se afogando em água.


— Mamãe deixou Hotalu sozinha de novo.

— Hein? Como assim? Eu estou aqui, Hotaru!

— É, mas ninguém se despediu da Hotalu, e ela achou que mamãe ilia abandonar Hotalu de novo. Mas foi a Hotalu, e não eu, tá? — err. Mas aquela informação caiu como uma pedra na cabeça.

— De novo... — repeti a palavra para melhor assimilá-la. Recebi um banho de água fria da fedelha, e por puro descuido e egoísmo meu. E o placar fica: Hotaru 2 x Sakura 0.

— A mamãe não vai mais abandonar a Hotaru...

— Plomete?

— Plometo. Quero dizer, prometo! — err.


Nesse instante, vi que o Itachi se escorava na porta, nos ouvindo. Sorriu de canto, quando nossos olhos se encontraram, e ele resolveu entrar no quarto.


— Eu estava me perguntando se o Sasuke viria dormir aqui hoje... — ele comentou.

— Não, não vai. Hoje eu vou ficar só com a Hotaru. — ela me olhou de canto, amenizando a expressão. E então, pegou a mamadeira da minha mão.

— Hotalu está com desejo de glavida. Ahém. — e então meteu a mamadeira na boca.

— Ahém? — Itachi indaga, olhando para mim com cara feia. Dei de ombros.

— Tal mãe tal filha, eu suponho. — err. E ele revirou os olhos.


Levantei-me da cama, por que ainda precisava comer algo. Não havia posto nada na boca desde o café, no hotel. Então, a deixei ali, com o Itachi, enquanto desci as escadas. Os meninos, exaustos pelo dia de faxina, tinham ido se deitar mais cedo. Menos Sasuke, é claro — o folgado (!) não moveu um pó sequer —, que estava esparramado no sofá, já posto de volta ao lugar, assistindo qualquer coisa na tv com um cigarro na boca. Quando me viu, revirou os olhos e apagou o cigarro no cinzeiro de vidro, resmungando.


— Cigarro de menta...


Aí, quem revirou os olhos fui eu.


— Não seja patético; para quê fumar cigarro de menta, depois de tudo? Isso só o faz parecer ainda mais idiota.

— Tsc! Obrigada pela lembrança.

— Não tem de quê. — entrei na cozinha.


Mas meu estômago revirou só com aqueles míseros segundos de conversa com ele, que colocar qualquer coisa sólida no estômago pareceu fora de cogitação. Fiz um café com leite. Como o cheiro do cigarro dele já havia infectado todo o ambiente, resolvi tomar meu café na rua. Passei reto por ele, abri e fechei a porta. E não é que dei de cara com a SuIno, sentadinha do lado da porta cochilando. Eram meia noite e meia. Ops. Assim que me viu, ela voou para dentro da casa.


— Aquele ruivo vai ver só! — ela ainda disse. Realmente, ele anda merecendo umas chicotadas naquele traseiro fofo. Ui. Ahém.


Me sentei na calçada, sentindo a brisa da noite arrepiar ainda mais meus cabelos. Fui bebendo aos poucos, em pequenos goles para protelar ao máximo passar novamente pela sala.


Mas ele, querido (NOT), fez o favor de adiantar a tarefa aparecendo ao meu lado.


— É assim que as coisas vão ser, Sakura? — ele perguntou, sentando no chão.


Suspirei.


— Foi você quem quis assim, Sasuke. Eu me lembro claramente de ter te pedido para fazer uma escolha, Sasuke, quando conversamos sobre seus... Remédios. Você se lembra dela? Bem, ontem à noite, a sua resposta me pareceu bem clara.

— Eu não... — não o deixei terminar sua frase, por que não estava a fim de ficar enrolando naquilo. Minha cota de compreensão já havia se esgotado, e eu nunca fui padre para ficar perdoando toda hora.

— Sabe, eu lembro que você disse, certa vez, que não era de sair correndo atrás de mulher. Pois, bem... Eu também não sou de sair correndo atrás de macho, Sasuke. Você fez a sua escolha, então, tá. Fique com ela.


Ele ficou me olhando por alguns segundo, engolindo a seco. Pela cara que fazia, parecia que tinha um melão entalado na garganta, e estava morrendo de raiva por isso. Então, virei o rosto para ele.


— Tsc. Quer saber? Ótimo! ÓTIMO! ESTUPENDO! Antes só, do que estar acompanhado de uma fracote como você. Se não aguenta, paciência. Que caia fora mesmo. — e então, ele se levantou colocando as mãos nos bolsos da calça — Afinal, tudo o que você sabe fazer é fugir, não é mesmo? Fugiu da filha, fugiu da mãe, agora foge de mim. Beleza. Como acabou de dizer, não vou mesmo correr atrás. — e então, ele me deu as costas, me deixando ali daquele jeito, de queixo caído e mãos trêmulas por ter ouvido aquela barbaridade.

— Como ousa comparar o meu problema com a Hotaru, com a porcaria do seu vício? Eu achava que você era covarde por cair na tentação, mas estou vendo que você é um SUPER HIPER MEGA covarde! Um covarde na milésima potência, multiplicado por cem vezes o resultado... O resultado... Da potência — err — por querer minimizar o seu problema jogando na minha cara os meus!

— Blablabla... Disse alguma coisa? Acho que meu ouvido não está funcionando muito bem. — grrrrrrrrrr.

— Talvez sejam as suas drogas!

— Hum. Será? Ou, vai ver já estão cheios com suas MERDAS!

— Bom, não tenho culpa se seu ouvido é pinico! — err. Mas assim, na maior cara de pau, ele entrou na casa sem dizer mais nada.


E eu ali, suando raiva e querendo jogar uma bomba atômica dentro da boca dele. Ou afogá-lo num esgoto, cheio de cocô. É. E talvez eu chame o cara do xixi para me ajudar nessa tarefa, já que o coitado é especialista, talvez graduado, no assunto.


Fiquei ali por mais um tempinho ruminando a raiva que estava sentindo, andando de um lado para o outro na calçada. Caminhei até a esquina da rua e voltei. As luzes da sala já estavam apagadas e Sasuke virado de costas, deitado no sofá, fingindo que dormia. Bom, bati a porta com força, independente de como estivesse, dormindo ou não. Ele não se manifestou, e fui marchando pelas escadas até meu quarto.


Hotaru dormia. Tão pequena e inocente, parecia uma formiguinha, encolhida embaixo do lençol, ao lado do pai. Itachi estava sentado, passando as mãos nos cabelos dela, e me olhava com aquela expressão séria que botava no rosto sempre quando necessária. Sem fazer barulho, ele se levantou e me levou para seu quarto.


Eu não disse nada, e ele pegou uma garrafa de uísque da mala que ainda não desfizera.


— Comprei para me fazer companhia, enquanto vocês estavam naquela boate. — ele explicou. Em seguida se deitou na cama e me convidou a acompanhá-lo.

— Não temos um show amanha? — protestei.

— É coisa pequena, num evento meio social, e é à noite. Além disso... Se quiser evitar a ressaca, mantenha-se bêbado. — ah! Belo exemplo de empresário, não? Err.


Eu estava mais frustrada do que poderia imaginar que ficaria. Aquela vontade sufocante de chorar estava ali, entalada, mas eu sentia que o Sasuke não merecia um só ranho meu. É isso mesmo! Então, tomei a garrafa dele e bebi alguns bons goles, me arrependendo em seguida. Meu estômago preenchido apenas com café não era lá muito propício para abrigar álcool. Mas me mantive firme e forte no proposito de me embriagar. E ele me acompanhava em silencio para, de vem em quando, roubar a garrafa de mim. De repente, percebi que ele parecia meio inquieto, se remexendo muito na cama, e soltando a todo instante longos suspiros, como se segurasse o que tinha em mente.


— Desembucha! — falei.

— Ok, já que você insiste... — err — Eu me lembro de alguém fazer uma promessa... Sabe? Coisa pequena... Nada demais — ele acrescenta, ao ver minha cara de duvida — Tipo... Hum...Uma troca, na verdade... Um segredo, por mais uma noite comigo.*


Ah...


— Bom, sinto em lhe informar, mas meu segredo se foi todo por água abaixo, queridinho.

— Mas não por mim! Eu mantive a promessa, nem vem!


Err. Ok, no fim, eu mesma revelei todos os meus podres a todos eles. Isso era fato. E suponho que promessa é divida. Apesar de ser muita cara de pau, ele querer vir me cobrar algo, não?


Ao ver que eu estava mais inclinada a recusar, do que aceitar, o diabo se aproximou, e roubou um beijo meu. Em seguida, ficou me olhando com aquela cara de criminoso inocente. Se é que isso existe...


— O que te impede, neném? Não me diga que você ainda pensa em voltar para o idiota do Sasuke?

— Não... Claro que não... — mas seria estranho agora, depois de tudo, me envolver com ele, irmão do meu ex. Apesar de isso já ter acontecido antes... Err. Não que eu quisesse ficar nesse ciclo vicioso, entre um e outro, e tirar pós-graduação em triângulos, retângulos e polígonos amorosos...

— Hum... Então você está preocupada pelo fato de ele ter que se tornar seu cunhado? Ok, se me permite a um sábio conselho, me escute. Vai por mim, neném, se cunhado fosse bom, não começava com cu. Então, cague e ande para esse problema, por que eu já estive no lugar dele, e agora ele merece sentir na pele o que é ser um cu. — ele diz assim, bem sério. Err — Além disso, acredite, eu não me importo nem um pouquinho em ser usado para atingir aquele idiota. — ah, eu acredito!


Tomei mais um gole do uísque. Mas do que eu tinha medo? O que eu tinha a perder com isso? Com o que me preocupava? Até onde eu sabia, era uma mulher livre, leve e solta, agora. Talvez mais leve do que livre e solta, mas o Itachi não parecia se importar com isso. Err.


— Nunca pensou em constituir uma família para a Hotaru? — com ele? Definitivamente não. Na verdade, com ninguém. Sempre imaginei que seríamos apenas nós duas... — Poderíamos tentar mais um mini Itachi andando por aqui, hum?

— Hehe... Tenho certeza de que isso seria muito fácil e pratico para você, realmente. Mas sinto dizer que toda a minha cota para procriação já foi usada. — na verdade, eu não sentia nem um pouquinho.


Ele sorriu, meio dissimulado, e bebeu mais alguns goles repassando a garrafa para mim. Acho que ele já estava meio alcoolizado, e por isso não sabia bem o que dizia! Afinal, até onde sei, ele também não era lá muito chegado em crianças. E quando atingimos a metade da garrafa, nós dois já riamos das histórias que ele começou a contar das viagens dele.


— Teve uma vez em que fui fazer uma apresentação importante, e estava muito nervoso, e... Bem, precisei fumar um cigarro.

— Eu não sabia que se fuma socialmente... — comentei e ele deu de ombros.

— Enfim, eu estava com uma moça bonita, e lhe pedi para buscar um isqueiro para mim, pois precisava me preparar ainda. Ela foi, e quando voltou me entregou uma caixa de fósforos.

— E?

— Estava cheio de palitos usados. Aí eu falei: mas esses palitos não servem. E ela: impossível, eu testei todos! Haiuhauiahuiahauihai.

— Ops. Hehehe.


Ok, conversar com ele assim, na bobeira, não era uma boa coisa. Havia um “q” de nostalgia, me lembrando dos velhos tempos, que me impulsionou a pular em cima dele e beijá-lo.


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Notas finais
Algum comentário?
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*Para os esquecidinhos, isso aconteceu no capítulo 34, da primeira temporada. Pois é... Na verdade, até eu havia me esquecido disso.. Err... Mas minha guru ABELLA XD fez questão de me lembrar, esses dias! Auihauihaui então, como estava devendo esse Ita X Saku, resolvi deixa-lo aqui! Então, já sabem, preparem-se para no próximo capítulo lerem num cantinho escondido da casa! XD