Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
18 Astrogildo
Notas iniciais
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 18 — Astrogildo
A viagem ia ser demorada, e a van alugada estava com o ar condicionar pifado, de modo que eles tiraram suas camisas e escancaram as janelas por causa do calor insuportável que fazia. E só de olhar para aqueles corpos, através do espelho retrovisor do Itachi, eu me abanava sentindo ainda mais calor. Quero dizer, quem em sã consciência não sentiria ainda mais calor olhando para aquele amontoado de corpos sarados, digo, suados? Ahém.
Eu estava preocupada com a menina ali atrás, com eles, na verdade. Mesmo vestidos com suas calças, eles conseguiam ser absurdamente obscenos com todos aqueles quadradinhos, sem precisarem fazer nada.
Ahém.
O que quero dizer é que eu estava genuinamente preocupada que ela batesse a cabeça (que também não funcionava muito bem) num daqueles peitos de rocha e pifasse ainda mais a sua cabecinha. Pois além de ter saído do colo do Sai (por que não aguentava ficar quieta por muito tempo) ela engatinhava entre as pernas dos meninos, enquanto que o Itachi andava a toda velocidade por uma estrada de barro, cheia de pedregulhos, que nos fazia sambar com nossas bundas ali dentro. Mas depois de dar umas espiadinhas (para ela, não para os tanquinhos! Ok, para os tanquinhos também. Ahém) me tranquilizei mais. Afinal, eu me preocupava à toa. Eles eram tão atenciosos e queridos com ela, que deixavam que ela batesse a cabeça deles uns nos outros.
— AHAHAHAHA, papai, papai, se betê a cabeça do tio loilo com a cabeça do tio soblanceludo, sai um pum.
— Na verdade, isso foi o som dos nossos crânios se esfarelando. — o loiro resmunga, massageando sua cachola. Lee também se massageava, fazendo cara de choro. Err.
Aí, a endiabrada boceja com sono, e todos eles suspiraram aliviados.
Pena que ela era bem determinada. Quero dizer, quando metia na cabeça que não queria dormir, ela inventava alguma coisa nova para se entreter. Então, ela se encostou no meu banco, metendo sua cabecinha entre eu e o carneiro.
— Já chegamos? — perguntou.
— Não. — Itachi responde.
— E agola?
— Ainda não.
— E agola, já chegamos?
— Ainda não. Falta um pouco mais, querida.
— Ok... E agola?
— Ainda falta o mesmo pouco, Hotaru. — responde, com um suspiro.
— Tá bom. E agola?
— Quando chegarmos, eu aviso. — ele resmunga entre os dentes.
— Tá bom, paizinho. — e, de repente, ela espirra, deixando saltar meleca pra tudo quando foi lado.
— Ué, tá choviscando? — indaga Kibe. Ele tava com fones de ouvido que tinha carregado no bolso de sua calça, e ouvia musica no seu celular. Aí, curioso, ele colocou a mão para fora do carro — Não.
— Já chegamos, papai? — a moleca pergunta de novo.
— Alguém tem uma banana aí? — o carneiro pergunta.
Revirei os olhos, porque sabia que aquela não era a pergunta certa. Para se comunicar com eles, era preciso falar a língua deles. O que significa que banana, não pode ser a mesma coisa que banana. Para eles, banana era outra banana. E essa banana não era a banana que o banana do carneiro queria. Se é que me entendem. Err.
— Olha, acho que todos nós temos uma banana. — o loiro comenta, com um sorrisinho sem vergonha.
— Cara, eu bem que gostaria de ter duas. —Sai comenta.
— A segunda na bunda? — o ruiva pergunta.
— Não... Digo na frente mesmo. Como aquele cachorro do inferno com duas cabeças, sabe? Mas eu seria com dois paus capetas. — ele diz, todo orgulhoso de si, assim, bem sério e sem noção.
— Estou falando da fruta, seus desmiolados! — Itachi esbraveja. E então olha para mim — O que foi que eu fiz pra ter merecido parar aqui, com vocês?!— achei melhor nem enumerar.
— É claro que a gente sabe do que você está falando, Itachi. — Naruto retruca — Nós não somos burros! À propósito, alguém sabe como tirar essa merda daqui? — ele se referia ao seu cinto de segurança, que parecia estar emperrado — Estou me sentindo sufocado com isso. Essa merda tá grudando no meio peito, por causa do suor.
Aí, bem fofinha e inocente, a Hotaru aperta o botão laranja do dispositivo, e faz o gatilho soltar o cinto.
— Que tio loiro bulo! — ela debocha.
— Eu juro que tinha apertado essa bosta! — ele resmunga.
— Olha a língua, Naruto. — o cabeludo diz — O quê que custa cuidar a língua?
Eu podia jurar que estava ouvindo o Emo responder essa com alguma piadinha do tipo
“você quer que eu meta a língua no teu rabo? Promete cuidar bem dela aí?” Err.
— Pô quê o tio japinha qué um pau? — de repente, ela indaga — A Hotalu tem um pau no quato. Peguei no quintal de casa. Lá tem um mooooontão de paus.
— Cara, se ao menos ela tivesse dezoito anos. — o ruivo comenta, cheio de amor para dar. Err.
Mas se dependesse do carneiro, acho que ele jamais tocaria na menina. Nem para tirar piolhos da cabeça dela.
— Pode tirar o seu cavalinho da chuva, que a Hotaru não vai crescer! — e aí, o carneiro me olha com os olhinhos brilhando — Eu não vou deixar que meu bebê cresça, neném! Ela é preciosa demais! — err.
Na verdade, algo me dizia que ele estava mais preocupado com as mulheres que deixaria de “conquistar” sem a Hotaru, do que com a criança em si.
— Já chegamos? — ela pergunta.
Ele nem respondeu.
Para contornar a situação, e espantar o tédio, ela começou a cantar uma música da galinha pintadinha. E aí, todos eles resolveram entrar na onda.
— Lá na casa da galinha pintadinha
No quintal tem um monte de pintinhos
Tem aniversário quase todo dia
É uma bagunça a casa da galinha
Pó pó pópópó
Pópó pópópó
Pó pó pópópó
A galinha e o galo carijó
Ela cantava, engatinhando de coxa em coxa (e eu não senti nem um pouco de inveja. Claro não!), fazendo “pópó” na cara deles. Eu estava contando quanto tempo mais eles conseguiriam aguentá-la. Mas cantaram até a menina ficar exausta e cair no ronco, babando sobre a bermuda do japa, para, em seguida, pegarem um orégano enrolado. Err.
Olhei para um mosquito que zanzava ali dentro da van, e que acabou fugindo pela janela, desejando ser ele. Afinal, se um mosquito acerebrado não aguentava ficar perto deles, imagine eu... Err.
— Naruto! — Itachi ralhou — Não fume na presença da minha filha! Apague isso daí.
— Me desculpe, mas vamos ficar aqui dentro dessa latinha de sardinha pelo resto da nossa eternidade. Estamos no fim do mundo, eu me nego a apagar isso aqui!
— Vai por mim, Naruto, eu te faço ver o fim do mundo se você fumar isso perto da criança! — Itachi retruca — Serão apenas três dias de viagem! Apague essa porcaria e vá dormir.
— Leva a Hotaru aí na frente! — o loiro insiste — De jeito nenhum vou aguentar ficar com a bunda colada aqui por três dias, sóbrio. Já basta não termos trazido bebidas... — resmunga, mau humorado, passando o enrolado para o ruivo. Na verdade, ele estava começando a soar como o Emo. Talvez fosse a falta que o idiota fazia...
— Não trouxemos bebida, nem cuecas limpas...— amoreco complementa. E isso foi uma coisa pela qual eu tive que concordar. Na pressa, e no medo do escuro, diga-se de passagem, não pegamos roupa alguma.
— Bom, se não conseguirmos arrastar o Sasuke no muque, vai ser com a força de nossas asas. — Shikabum diz — Podemos sufocá-lo com nossos sovacos, até ele desmaiar.
— Se isso não funcionar, podemos usar uma meia do Naruto. — Sai lembra — Se aquilo fede com algumas horas de uso, imaginem três dias.
— É uma bomba atômica! — diz o ruivo.
— Cara, junte nossas cuecas, e teríamos um novo Big Bang! — Sininho disse.
Aí, de repente, Itachi freia.
— Saiam do carro! Não vou permitir que fumem aqui dentro, com a Hotaru respirando essa porcaria.
— Itachi, ela vai nos agradecer por cheirar isso. Melhor do que cheirar o próprio peido. — o loiro comenta, abanando o rosto — Vixe, o que foi que essa menina comeu?
— Saiam A-GO-RA!
— Você vai nos abandonar aqui, no meio do nada, no escuro? — o loiro pergunta. De repente, ele parecia amedrontado.
O Carneiro revirou os olhos.
— Não. Eu espero vocês terminarem essa porcaria. Preciso mesmo esticar as pernas.
Aí, todos eles saltaram para fora da van. Mas quando vi o Neji se prontificar para sair também, tive que me meter.
— Até tu, Brutos?
Ele parou no meio do caminho, como uma criança que é pega em sua traquinagem.
— Na verdade, só preciso tirar água dos joelhos.
— Ah. Eu vou junto. Quero dizer, também preciso fazer pipi... — digo.
Itachi saiu da van, mas ficou por perto para manter os olhos na Hotaru. Já o restante dos meninos, seguiu em direção ao sul da van, enquanto que eu e o cabeludo nos metemos no matinho.
Realmente estávamos num lugar meio assustador. Não havia postes de luz naquela estrada de barro, havia apenas mato por todos os lados. E como se a escuridão não fosse o suficiente, o vento uivava baixinho, junto com aquele monte de zunido de grilo. Um calafrio percorreu pelo meu corpo ao imaginar que poderia haver sapos no meio daquele mata. Quero dizer, já pensou, abaixar as calças e ser batizada por um sapinho que pula no meio de suas pernas?
— Pensando bem, passou minha vontade. — resmungo, dando a meia volta.
— Hein? Como assim? Vontade de cagar passa, mas a de mijar, nunca!
— Eu sou menina, você não sabe como o nosso corpo funciona!
— Diga isso para a Hotaru, então. Acho que ela mijou na minhas calças quando batia a cabeça do Naruto na do Lee. — diz ele, passando a mão em sua calça.
Mas eu estranhei.
— Que estranho. Ela já aprendeu a usar o trono, e não usa mais fraldas...
— Talvez esteja nervosa com alguma coisa...
— Talvez, seja por isso que ela estava tão inquieta. Ela sente falta do emo...
O cabeludo bufou, revirando os olhos. Acho que ele estava farto de tanto falarmos nele. Mas resolvi aproveitar a oportunidade para conversar com ele.
— Cabeludo, por que você não deixa de ser cabeça dura e admite logo que também quer que ele volte?! Você e ele foram quem, basicamente, fundaram a banda, não foram?
— Princesa, a única cabeça dura que tenho é a de baixo. — ele resmunga, abaixando o zíper da calça, se virando de costas para mim — Não importa. Ele obviamente não se importa o suficiente. Caso contrário, não teria nos dado as costas na primeira oportunidade. Quero dizer, não dá pra acreditar na facilidade com que ele aceitou a proposta da Karin, entende?! É inadmissível. — disse, enquanto irrigava o mato. Err. — Se foi tão fácil assim, é porque obviamente ele só estava matando tempo conosco. Quem sabe, até, ele já tivesse tudo isso planejado, desde o início, quando eles terminaram da primeira vez. Ela já tinha deixado bem claro, naquela época, que iria montar uma banda pra ela e competir conosco mesmo.
— Hum.
Eu não acreditava que o Sasuke pudesse ser capaz de fazer uma coisa daquelas. Eu não podia acreditar que ele realmente tivesse planejado tudo aquilo. Quero dizer... Seria um plano inteligente demais para a cabeça sequelada dele, né?!
— Cabeludo, me escuta, ele fez isso para me atacar. Não tem nada a ver com vocês... — resmungo, chutando uma pedrinha.
— Por que você está insistindo nisso? — ele pergunta, puxando o zíper de volta — Ele também te magoou.
— Eu sei muito bem o que ele fez... Mas... Eu sei também que não fui santa. Talvez, desta vez, a culpa tivesse sido minha. Eu acho.
— Não, princesa, nem comece com isso! Não ouse se culpar pelos erros dele. Aquele babaca já tem idade suficiente para saber o que é certo ou errado. Ele é não é burro. Quero dizer, ele é burro, mas não é burro. Se é que você me entende...
Sorri. E olhei para ele.
— Eu te amo, sabia disso?
— É, mas você ama mais ele...
Não respondi, porque não sabia o que dizer. Eu realmente não sabia mais o que estava sentindo. E eu odiava essa parte de mim mesma.
E de repente comecei a me imaginar longe de todos eles. Comecei a me perguntar se minha vida não seria mais fácil, menos complicada se eu nunca tivesse cruzado caminho com o japa, naquela faculdade. Ou se ele não tivesse ido àquele bar idiota com caraoquê. Mas não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguia me imaginar de outra forma, que não estando ali, com todos eles. Todos eles.
— O que vai acontecer se ele voltar?— ele pergunta.
Suspirei.
— Não sei...
— Até quando você pretende ficar perdoando as babaquices dele?
— Eu não sei, Neji...
— Até quando você vai fingir que nada aconteceu?
— EU NÃO SEI! — berrei, sem querer. Mas ele se calou, e fechou a cara como se tivesse ofendido. — Você esqueceu de perguntar até quando vou ficar agindo como uma burrona, atrás dele.
— Você não é burra. É mais inteligente do que todos nós juntos. Apesar de que, às vezes, você realmente faz algumas coisas duvidosas.
Ergui a sobrancelha, sentindo uma veia estourando no meio da testa.
— Por exemplo?
— Bom, por que diabos você só se veste com roupinhas de criança?
— Bom, talvez por que a minha infância não tenha sido satisfatória, ok? — respondo, sarcástica.
— A-ham. E por que você pinta o cabelo cor de rosa?
— Por que, talvez, eu não tenha tido uma infância satisfatória...
— Bom, mas o mais importante é: por que você não me beija?
Argh. Eu odeio quando ele age galanteador desse jeito, por que acabava me deixando completamente sem saídas.
Chutei uma pedrinha, como quem não quer nada. Depois chutei outra. Mais uma, e outras. Quando vi, já tinha se formado um montinho de pedrinhas nos pés do cabeludo.
— Princesa, eu não vou fugir como o Sasuke fez.
Argh. Argh!
Agora desejei estar bêbada para justificar o que estava prestes a fazer. Por que, estando sóbria, o que eu poderia dizer? Que o confundi com o emo?
Subi em cima do montinho. Eu teria puxando os seus cabelos para perto, mas ele havia os prendido num coque (o que, à propósito, o deixou ainda mais sexy, com aquele pescoço exposto) então, o puxei pelas calças e tasquei-lhe um beijaço no melhor estilo desentupidor de pias. Ahém. Afinal, o emo deveria estar mesmo se engraçando para cima da Vakarin, sem um pingo de remorso. Então, porque raios eu iria me conter diante daquele monumento grego cabeludo que dava a maior sopa em cima de mim?
E Neji tinha os lábios carnudos, macios e quentes. Como o emo tinha. O cabeludo tinha a pegada firme e forte e excitante. Como o emo tinha. Neji tinha o corpo esbelto, forte e firme e gostoso. Como o emo tinha. Eu me sentia segura em seus braços, como uma princesa. Como o emo fazia. E, automaticamente, tinha vontade de grudar o meu corpo ao corpo do cabeludo. Como sentia com o Emo...
É. Eu não presto...
O sem vergonha do cabeludo, de repente, estava passando sua mão sapeca embaixo da minha blusa, como quem não quer nada. Aquela mesma mão que segurava há pouco o seu churros suado para urinar, sem lavá-la.
É, mas para quem tinha uma mão daquelas, e um peito suado daqueles, e um churros consistente daqueles, ele poderia me passar quantas bactérias quisesse.
Ahém.
Mas, de repente, para a nossa tristeza (a minha, pelo menos, sei que foi) ouvimos um ruído estranho se aproximando. Aí, quando olhamos, vimos um loiro esbaforido, correndo como bala de revolver em nossa direção, disparado. Para iluminar o seu caminho, ele usava a luz do seu celular como lanterna e farol.
— ACHAMOS UMA CASA! ACHAMOS UMA CASA! — berrava, como quem tinha descoberto ouro, balançando o braço para todos os lados.
Bom, tivemos que seguí-lo pelo mato. Caminhamos por um bom trecho até acharmos a tal casa, embrenhada bem ao meio de um matagal denso. Mas o que era realmente estranho de se ver era que a casa era bacana, parecia nova, de dois andares e muro alto.
— Deve ser de algum velho com grana, que prefere viver afastado do movimento da cidade grande. — o cabeludo comentou.
O portão estava fechado, de modo que me perguntei onde estaria o restante dos meninos, já que não havia sinal algum deles por perto. Mas o Naruto me contou sem eu perguntar.
— Eles invadiram a casa! — diz sorridente. Assim, bem sem noção.
— Como é que é? — o cabeludo pergunta. Aí, suspirei aliviada, pensando que finalmente havia encontrado alguém com um pingo do juízo entre aquele bando de desmiolados — E vocês só me chamaram agora? — e quase caí dura pra trás.
Err.
Enfim, com ajuda do loiro, o cabeludo conseguiu escalar o muro pisoteando a cara do Naruto. Então, ele sentou-se sobre o muro, com uma perna de cada lado, esperando que eu subisse, para me ajudar. Aí, quando me sentei no muro, Neji pulou para o outro lado e ergueu os braços para que me jogasse nele.
Bom, né, nem preciso dizer que me senti como uma linda princesa de contos de fada pulando naqueles braços fortes e firmes, e que caí como uma galinha depenada, estatelada no chão, porque o idiota precisou arrumar um fio de cabelo que estava caindo do seu precioso coque bem no instante em que fui pular. Sabe, para manter a ordem do seu mundinho. Grrrr.
Odeio eles.
Nisso, de repente, ouvimos o loiro do outro lado.
— Ahn, pessoal, quem é que vai me ajudar a subir?
Agora sabemos pra quê ele foi nos avisar.
A casa estava toda escura e fechada, como se estivesse abandonada. A grama do jardim estava alta, e não havia sinais de ninguém por perto. Mas, então, mais aos fundos, ouvíamos o restante dos meninos fazerem uma baderna dos infernos. Revirei os olhos.
Seguimos pelo corredor lateral da casa, até onde eles estavam. Havia uma piscina pequena, de uns cinco metros de cumprimento, cheia de água no quintal e eles estavam se atirando de cuecas nela, na maior cara de pau, enquanto Shikabum tirava uma soneca, boiando na água.
— UíIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! — Sai grita, antes de dar um barrigaço dentro da piscina, jorrando água para todos os lados. Em seguida, ele volta à superfície e me vê — Sakura, Sakura! Achamos uma piscina! — diz, todo sorridente e triunfante.
— Ah, que legal, puxa, eu nem tinha visto ela aí. — err — Na verdade, japa, estou imaginando aqui todo o lodo e musgo em que vocês devem estar pisando aí dentro, né. — comento, sentindo nojinho deles.
— Que nada! A água está limpinha, fresquinha, maravilhosinha, perfeitinha! Eu amo essa piscina! — ele até se debruçou sobre a barra da escada, que era de ferro, e se abraçou a ela.
Bom, cada um com o seu direito de amar o que quiser, né?!
— Cara, já pensou se, de repente, a gente descobre que isso não passa de um sonho? — comenta Kibe — Que na verdade, ainda estamos dentro daquela merda de van quente, nos desmanchando em calor, cheirando o peido da Hotaru! — acho que ele estava chapadinho também.
— Não destrua os meus sonhos de verão desse jeito! — o ruivo resmunga, lhe dando um tapão nas costas, fazendo o japa dois voar longe.
Aí, de repente, vejo uma bermuda voadora passar pela minha cara, e fico pensando até quando vou ficar vendo coisas estranha naquela noite? Pelo menos, eu também estava vendo um monte de coisas gostosas. Ahém. Quero dizer, Neji pula na piscina, só de cueca, para completar aquela piscina de gostosuras. Ahém. Quero dizer, quase tão gostosa quanto a piscina de leite condensado, né. Por que não há nada mais gostoso do que leite condensado.
Uhum.
Aí, o cabeludo, ao voltar à superfície, me olha daquele jeito cheio de intenções maldosas. E eu sorri para ele. Mas não por que eu concordasse com suas maluquices, mas porque estava pensando com os meus botões que eles sequer precisavam fumar nada para ficarem malucos. Os idiotas já nasceram com o DNA meio torto.
E quando me dei conta, já estava cercada por cinco deles: Sai, Amoreco, Sininho, Sobrancelhudo, e o próprio cabeludo que saia da piscina. Parecia com uma das cenas daquelas propagandas geniais de televisão em que aparecem vários modelos lindos, maravilhosos e gostosos todos molhados, para no final sabermos que se tratava de uma propaganda de papel higiênico. Sabe, porque tem tudo a ver. Só que não.
Aí, de repente, Amoreco e Sininho me pegam. Um pelos braços, outro pelos pés. Nisso, Sai, Lee e Neji tiram minha roupa. Eu nem me dou ao trabalho de reclamar, ou me debater, porque já sabia como aquilo iria acabar, de qualquer forma. Era perda de tempo.
E então, quando fiquei somente de calcinha e sutiã, eles me atiram na areia.
Bom, por essa, eu não esperava. Fiquei olhando para a cara deles.
— Cara, vocês erraram a mira! A piscina tá ali, óh! — resmungo, apontando pra bendita.
— É que o Shikamaru começou a boiar bem no meio da piscina! — Lee responde. O idiota do Shikabum era o único dentro da água.
— Foda-se o Shikamaru. Vamos todos junto afundar o preguiçoso! — o ruivo diz.
Aí, eles me pegaram de novo e me carregaram até a borda da piscina. Me balançaram duas vezes para lá e para cá, mas antes de me atirarem, finalmente, Sai os interrompe.
— Ah, espera, espera, espera! Vocês não estão com fome? Eu estou morrendo de fome!
— Aham. — o ruivo resmunga entre os dentes, meio impaciente — Estou morrendo de vontade de comer. — diz, olhando para minhas pitangas. Err.
— Elas não são comestíveis. — comento.
— Não tem problema, me contento com umas chupadas. — e ele sorri.
Fofo. Err.
— Será que o seu Astrogildo não tem comida ali dentro? — Sai pergunta, indo até a porta dos fundos, que provavelmente dava para a cozinha da casa. Mas fiquei olhando para ele, tentando entender o que ele falava, porque, estava difícil.
— Astrogildo?
— É o nome imaginário que dou ao dono dessa casa. Já conheci o Tabijara, a Arlinda, o seu Kavinson, o Outubrino e a Zurivel. — ele diz, assim, bem sério.
— Ele sempra faz isso. — me diz o Kibe.
— Ele sempre invade casas? Que legaaaaal. — Not. Bom, agora sabemos quem teve a brilhante ideia de invadir o meu apartamento lá. Não me admira que ele tivesse me seguido em sua moto. Argh!
— Mas só quando era criança! — o japinha explica, enquanto forçava a maçaneta da porta para abri-la — Isso é uma coisa natural, que toda criança faz, Sakura.
— Toda criança com problemas. — resmungo. O que, aliás, no caso dele, tinha perpetuado até sua fase adulta. Ou será que a infância deles estava durando mais do que o recomendado pelo ministério da saúde? Tsc.
— Relaxa, nós só estamos usando sua piscina, e queremos um pouco de comida. — e então, por coincidência, ou não, a porta abriu. E ele sorriu — Olha que burro! Deixou a porta destrancada.
Claro, porque quem seria o louco que deixaria sua porta aberta, morando no meio do nada, sem uma alma viva a raios e raios de quilômetros por perto, a imaginar que algum dia, um bando de gorilas iria invadir sua propriedade privada para dar uma mergulhadinha em sua piscina e invadir sua cozinha para comer? O cara era realmente um louco por não ter pensado em todas as possibilidades, ora essa. Tsc.
Enfim, entramos na cozinha. Havia alguma louça suja sobre a pia, e vários enlatados nos armários, entre pacotes e mais pacotes de comida industrializada. Até lembrava a mim mesma, quando eu morava sozinha, na minhau humilde caixinha de fósforo. Ahém.
Eles foram pegando e abrindo o que bem entendia, e devoravam tudo fazendo sujeira e bagunça.
— Ei, vocês não acham que deveriam, pelo menos, deixar tudo limpo? Como agradecimento pela hospedagem gratuita?! — o cabeludo comenta.
— Hum. Já sei. — Sai vai até o quintal e trás a sua calça, que havia tirado para se jogar na piscina. E, então, tira uma nota de duas pratas e a coloca sobre a mesa — É tudo o que tenho para contribuir. — dá de ombros.
Então, todos eles fizeram o mesmo; colocaram alguns trocadinhos sobre a mesa, e voltaram a esvaziar a dispensa. Err.
Bom, eu é que não iria ficar para trás. Afinal, também estava faminta, e conhecendo bem o miserável do Itachi, deveria estar com os bolsos igualmente vazios para comermos algo no caminho. Então, calmamente, fui abrindo um pacote de salgadinhos. Mas, de repente, uma luz se acende nas escadas, ao final do corredor que ligava a cozinha a algum outro cômodo.
Nos congelamos. Nos arrepiamos. E trocamos olhares, contando quantos estavam ali. Eu, Sai, Amoreco, o cabeludo, Sininho, Kibe, sobrancelhudo. Talvez fosse o Shikabum, que tinha acordado e, de algum jeito, foi parar lá em cima. Afinal, com eles, tudo era possível. Até o impossível era possível!
Mas então eis que um velho barbudo, vestido com um camisolão branco, cabelos bagunçados e olhos inchados de sono, aparece com uma espingarda enorme na mão nos pegando com a boca na botija. Digo, nas comidas. Err.
— Quem são vocês? — nos pergunta.
— Quem é você?! — Sai pergunta.
— O dono da casa! — o velho responde, revoltado.
— Seu Astrogildo, entre, sinta-se em casa. Puxe uma cadeira, vamos comer juntos! — o idiota diz, puxando a cadeira.
Mas ao invés de sentar, sem um pingo de simpatia, ele puxa um gatilho de sua espingarda e a aponta para nós. Piscamos os olhos duas vezes. E então, todos nós saímos correndo pelo quintal, desesperados, feito um bando de galinhas prestes a ir para o abate.
E eu nem pude entrar na piscina. Não pude nem provar um mísero salgadinho! E não vamos esquecer que ainda não tinha esvaziado a bexiguinha. Ao invés disso, estava ali, correndo de calcinha e sutiã, cheia de areia grudada no corpo por causa do suor, desesperada. E nem nossas roupas não pudemos pegar.
Corremos, quase atropelando uns aos outros (mais a mim, diga-se de passagem) pelo corredor lateral da casa, até o muro da frente, onde o Naruto estava pendurado, tentando escalar, e Shikabum abria o portão, porque, é claro, é lógico, é óbvio que o portão estava destrancado. Grr.
Enfim, do lado de fora, vimos a van estacionada rente ao muro da casa, onde Naruto, em cima dela, tentava voltar.
— CORRE, DESGRAÇA, CORRE! — o ruivo grita.
Aí, Itachi, que ainda estava ao volante, coloca o pé no acelerador e sai correndo com a van. Digo, com o Naruto pendurado em cima do carro e nós para trás.
— VOLTA, DESGRAÇA, VOLTAAAAAA! — todos nós berramos.
...
IMPORTANTE: pessoas, recebi um comentário de uma leitora muito querida ♥ me avisando que não estava recebendo as notificações de capítulos novos do nyah. Entrei em contato com o pessoal do site para ver se eles podiam resolver isso, mas me informaram que são vocês quem devem entrar em contato com eles, notificando o problema. Então, verifiquem se estão recebendo direitinho as notificações de recebimento de capítulos novos. Se não estiverem, entrem em contato com eles. E avisem seu amigos e outros escritores de fics. Pois pode ser que vocês também não estejam recebendo notificações de outras fics. :) tive que deixar essa mensagem aqui, pq não estava aparecendo nas notas finais, nem nas notas do capítulo. :/ A apagarei depois de uns 3 dias.
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