Incursões
6 Parte 6 - o reino sombrio
Notas iniciais
Parte 6 – O reino sombrio.
O reino sombrio se encontra no centro do arquipélago cercado por sete reinos que diplomaticamente mantém as relações de maneira saudável, contudo por conta de embargos causados pelas mesmas ele começou a se fechar, sem acesso há rios próximos ou até mesmo em sedes mercantis a população dela começou a perecer de fome.
Como forma de vingança, o rei rogou uma maldição no qual alguém iria vir de outro mundo para causar o fim dos tempos.
Cinquenta anos depois da morte do rei, o reino começou a se reerguer aos poucos, antes mesmo de Trachmas explorá-lo por completo.
Criaturas sombrias surgiram para defender o reino, Trachmas perderam suas colônias após ataques deles, o reino sombrio se tornou ameaçador.
Os sete reinos continuavam a discutir nas reuniões sobre a ameaça sombria, mas nunca se perguntaram se o que eles fizeram no passado era o certo.
A oraculo finalmente proferiu o fim do mundo, nas mãos daquele que domaria as criaturas mais destrutivas de todos os reinos, utilizando-se de uma magia ancestral conhecida como sussurro. Tal conhecimento se perdeu ao longo dos séculos.
Alguns meses atrás o rei sombrio ordenou seus súditos a realizar varreduras entre os mundos vigentes em busca daquele que dominaria o sussurro.
Já fazia duas semanas que Douglas apareceu naquele mundo, tendo as habilidades de um sussurro improvisado no smartphone, este mesmo smartphone era capaz de apresentar status das pessoas que ele tinha algum tipo de laço, isso ainda é um mistério.
Após meses viajando pelo mundo eu não consegui encontrar ligações de qualquer povo ou tribo aos sussurradores ou dessa habilidade de acessar outros “mundos”, isso também continua um mistério.
Espero que essa carta não chegue tarde de mais
Assinado por Bruhen.
X
Com dores de cabeça Douglas despertou, amarrado em uma cadeira em uma jaula escura ele procurou por outra saída além da porta de ferro a sua frente, ela se abriu e um senhor que o havia capturado se apresentou.
— Vejo um olhar confuso de sua parte. – O homem puxou uma outra cadeira e se sentou. – É um prazer conhece-lo.
Douglas olhou para a mão estendida do homem que aguardava que ele o cumprimentasse.
— Desculpa, eu me esqueci que seus braços estão amarrados! – Ele tirou uma faca do bolso foi atrás dele e soltou as cordas. – Você não é um prisioneiro, é um voluntário e preciso de vossa ajuda.
— Destruir o reino de Trachmas?
— Exato, você está bem informado.
Douglas apertou os pulsos como protesto pelas cordas estarem muito apertadas.
— Não me olhe assim, diferente “deles” eu não quero matar você, pelo contrário, eu tenho algo que você quer.
— O que isso significa?
— A fresta, ora eu observo você deste a capital, e eu sei que você e seus amigos partiram em uma jornada em busca da fresta que adivinha só, está no reino sombrio.
Douglas tateou o bolso em busca do smartphone, mas o homem percebeu.
— E também sei da funcionalidade desse espelho peculiar. – Disso o homem que tirou ela de seu bolso. – Não posso deixar com você até ter sua palavra.
— Eu não me importo com essas intrigas, eu só quero ir para casa.
— E você vai para casa, mas eu preciso de sua colaboração, me ajude a derrubar o reino de Trachmas e você está livre para ir embora.
Douglas permaneceu pensativo.
— Está bem. – Concordou. – Me mostre a fresta, só para eu ter certeza de que não estou sendo enganado.
— Bem colocado sua posição, nós devemos desconfiar de tudo, já que o ser humano em essência são todos traiçoeiros, e aliás com o valor de sua confiança eu não o levarei amarrado até lá, só me siga e verá com seus próprios olhos.
Douglas e aquele homem desceram uma escadaria que o levava até um covil assombrado, na entrada dela uma luz azulada permeava todo o local.
— Essa luz é nada mais que a emissão da fresta irradiando o local.
Douglas o encarou desconfiado.
— Mas isso não é evidencias suficiente para você acreditar em mim, eu sei muito bem, agora me siga.
No fim do corredor uma porta entreaberta estava a sua espera, dentro dela um vórtice azulado mostrando fixamente uma rua trouxe as esperanças de Douglas de volta, a rua de sua casa.
— E então? Acredita em mim?
Douglas serenamente aproximou a porta de seu mundo enquanto o homem chamava sua atenção.
— É perigoso, é melhor voltar.
Então ele o empurrou e correu para a porta, colocou as mãos nela se sentiu como se tivesse voltado aquela realidade apática depois de tanto tempo.
Mas antes dele conseguir abri-la por completo, laços vermelhos surgiram no fim do corredor e se amarraram no quadril de Douglas, depois ela o levantou e aos poucos foi distanciando-o da porta que o levaria para aquela vida de antes.
— Você as vezes me desaponta Roger. – Uma mulher de vestidos vermelhos com laços amarrados no pulso direito enquanto a mão esquerda segurava um livro surgiu na visão de Douglas.
— Olha como você fala, minha posição militar é maior do que você.
— O que é uma pena, porque sua estupidez pode acarretar com o fim deste reino.
— Me solta.
A mulher de cabelos presos por um laço avermelhado com um olhar atenuado a encarou profundamente, Douglas não pôde deixar de notar que ela tinha a aparência de Maya.
— Maya?
Ela vociferou, desceu Douglas, contudo, mas parou pouco antes dele bater a cabeça no chão.
— Não ouço este nome há tanto tempo. – Ela disse no tom como se tentasse se acalmar. – Mas não querido, meu nome é Ayam.
— Tipo Maya só que ao contrário. – Douglas sentiu um aperto quando notou que o laço começava a vibrar de raiva. – Está apertando, para por favor.
— Para Ayam, vai matar ele.
— Só o suficiente para ele perder a consciência, por me comparar aquela...
Ela voltou a se controlar, o laço então depositou calmamente Douglas no chão.
X
A vila Aurora consumida pelas chamas na noite anterior estava passando por uma reconstrução, aldeões após procurarem as pessoas desaparecidas no caos se voluntariaram a levantar os restos dos destroços e entre as tendas levantadas para abrigar todos da vila se encontravam Baal ainda deitado e Mayhem de braços cruzados pensativo.
Maya surgiu na tenda deles completamente exausta.
— E o Douglas?
Ela negou com a cabeça.
— Mas que droga, será que a horda o levou?
— É provável.
Baal acordou no meio da conversa.
— Se for verdade nós devemos ir agora. – Com dificuldade ele se levantou, mas Mayhem o impediu.
— Você ainda está ferido, tem que descansar.
— Não temos tempo para descansar quando a chave para profecia está nas mãos do reino sombrio. Nós devemos partir agora.
Maya soltou um feitiço no rosto de Baal, os olhos dele fecharam e ele caiu de volta para cama.
— Ele não vai descansar até encontrar Douglas.
— Obrigado Maya.
Ela assentiu.
Fora das tendas os dois analisaram os aldeões reconstruindo o vilarejo e as árvores completamente chamuscados ao redor.
— Se ele foi levado para o reino sombrio é só um passo para manda-lo para o mundo deles.
— Verdade, então vamos esperar Baal se recuperar e nos dirigirmos até lá.
— Mas e se o rei sombrio tiver ciente dessa fresta e usar isso para que ele se junte a eles? Seria um desastre.
— Nesse caso nós não temos escolha a não ser seguir o que Baal planeja.
— O que você quer dizer?
— Baal planeja mata-lo antes dele cair nas mãos do rei sombrio.
— E você me diz isso agora?
— Desculpa, mas eu realmente acreditei que isso não aconteceria.
— Como assim Mayhem? – Indignada ela se afastou dele. – Você não pode simplesmente esconder seus planos de outras pessoas.
— Eu não escondi de você, eu só acho que não haverá necessidade para isso.
— Não foi o que você disse agora.
Mayhem respirou fundo e esfregou o rosto com as mãos.
— Olha, estamos exaustos, é melhor descansarmos e pensarmos melhor a tarde.
— Acho bom mesmo que você não tente mata-lo, aquele garoto não tem culpa sobre os conflitos deste mundo.
— Eu sei disso, é por isso que vou impedir Baal antes que alguma desgraça acontecer.
— Promete?
Ela ofereceu o dedo mindinho a ele.
— Sim. – Ele usou seu dedo para enrolar no dela e com um gesto de cumprimento ofertou aquele novo plano as escondidas.
— Só queria saber quando Baal se tornou uma pessoa tão fria.
— Deste a época das aventuras ele não era uma pessoa tão gentil assim como se imagina.
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