Incursões

1 Parte 1 - Entre dois mundos


Notas iniciais
Vivendo em uma vila pacata, Mayhem nota uma rachadura no céu estranha e de lá cai um garoto que aparentemente não pertence naquele mundo,ele vê a oportunidade de utilizar sua experiência como aventureiro para achar o caminho dele de volta para casa.

É um dia calmo no reino de Trachmas que prosperava após acordos diplomáticos entre outros impérios, em um vilarejo pacato morava um camponês chamado Mayhem.

No passado ele foi deverás importante nas guerras triviais e na proteção da fronteira do reino, desbravou as masmorras mais perigosos e enfrentou bestas místicas mais poderosas dos sete reinos e agora ele decidiu deixar essa vida de lado para comprometer nos cuidados da fazenda de seu amigo distante.

Certo dia enquanto ele preparava o terreno para as plantações algo inusitado aconteceu, uma rachadura no céu se abriu abruptamente, no começo ele achou que era o clima mudando rapidamente, mas logo em seguida ele se assustou ao ver um raio saindo da abertura dos céus perto de um hectare de terra ao norte.

Por curiosidade ele decidiu ir até o local onde caiu o raio.

Ao chegar lá ele se assustou ao ver um garoto de cabelos negros caído no chão, ele vestia uma jaqueta azul e uma calça jeans e em suas mãos ele segurava um smartphone.

Obviamente Mayhem desconhecia aquelas vestimentas e o aparelho e isso chamou sua atenção, hesitante ele desceu na cratera e virou o corpo dele pegando-o pelo ombro, o garoto parecia estar em um sono profundo.

Mayhem confuso começou a dar leves tapas no rosto do garoto.

— Ei, acorda, aqui não é lugar de dormir.

Completamente embriagado pelo sono o garoto abriu os olhos, a forma embaçada tomou conta de sua visão até formar a silhueta de Mayhem que o encarava confuso.

O garoto assustado deu um grito, mas Mayhem tapou a boca dele.

— Você tá maluco?

— Quem é você? Sai do meu quarto. — O garoto olhou para os lados se perguntando o que estava acontecendo. — Onde estou?

— Na vila Poccus, reino de Trachmas.

— Reino do que?

— Trachmas, se és algum infiltrado saiba que as forças do reino de Trachmas não devem ser subestimadas.

— Do que está falando? Eu, minha cabeça, estou confuso, o que tá acontecendo?

O garoto fechou os olhos acreditando que estava sonhando.

— Acho que isso é um sonho, só pode.

Mayhem notou que não foi o único que tinha a curiosidade de saber o que era aquele raio, então ele decidiu nocautear o garoto e levar arrastando-o até o casebre da fazenda ali próxima.

Agora deitado em uma cama nada confortável, o garoto tomou consciência e se levantou calmamente.

— Já está calmo? — Perguntou Mayhem de braços cruzados ao lado da porta de madeira.

— Onde estou?

— Vila Poccus, no rei-.

— Sim! Sim, você me disse. — O garoto colocou a mão na cabeça para ver se não encontrava algum ferimento. — É só que eu não entendo o que estava acontecendo, eu tinha ido dormir quando...

Ele se interrompeu ao ver Mayhem segurando o smartphone na mão, assim ferozmente ele pulou da cama e agarrou o aparelho como se fosse à coisa mais preciosa do mundo.

— Porque tanta euforia por essa coisa, se isso for uma arma eu juro.

— É um smartphone.

— Smart o que?

— é um aparelho de comunicação.

— Como imaginei. — Mayhem sacou a espada. — és um infiltrado da grande corte e estás aqui para tomar informações preciosas deste reino.

— Mas que droga. — reclamou o garoto. — O aparelho não quer ligar.

— Não me ignora. — Gritou Mayhem.

— Qual é o seu problema amigo? Você não vê que estou enrascado?

O garoto se retirou do quarto, mas Mayhem protestou.

— Eu não deixei você sair daqui.

— Bem, agora que estou calmo eu vou pensar melhor, já li inúmeras historias de pessoas parando em algum mundo paralelo.

— Como ousa me ignorar duas vezes, não sábes quem sou?

— Então se isso for real eu sou um desses protagonistas que se aventura em um mundo desconhecido.

— O grandioso Mayhem.

— Então eu preciso descobrir alguma forma de voltar para casa.

— O destruidor de bestas místicas.

— Logo deve existir um sistema que eu possa monitorar meu “level”, “hp” ou algo assim, como se fosse em um jogo, ou pelo menos é o que aconteciam nas histórias de “outro mundo”.

— O desbravador dos sete reinos.

O garoto tateou o corpo e logo tirou do bolso o smartphone.

— Só se isso aqui for o menu.

Ele novamente tentou ligar o aparelho, mas sem sucesso.

— Por acaso você está me ouvindo? — Indagou Mayhem irritado.

De repente, uma grande descarga de dor passou pelo corpo do garoto que se embrulhou no chão.

— Ei, você tá legal?

Ele se ajoelhou e pôs as mãos no chão com movimento de reflexo, o suor frio descia em seu rosto, seus olhos esbugalhavam com a dor e ele sentia dificuldade de respirar.

— Mas o que foi isso que aconteceu? — Indagou o garoto ofegante. — É como se todas as minhas moléculas do corpo gritasse de dor.

— Isso não é normal, você precisa ti ajuda.

— E quem vai me ajudar? Você só tagarela dos seus feitos.

— Eu posso ti ajudar, sou o grandioso Mayhem.

Vila de Nomus.

O oráculo é aquela que tendem o conhecimento do mundo além de ter visões proféticas que auxiliaram o reino em muitas crises, mantida pela coroa ela tem também a capacidade de escolher aqueles que irão herdar seus poderes, sempre sendo femininas, pois as capacidades sensitivas das mulheres são maiores para ver o futuro mais nítido.

— Ela é como se fosse à sábia do reino? — Indagou o garoto.

— Exatamente, todo aventureiro ou cidadão que se preze quando se tem duvidas de qual caminho seguir geralmente eles vai perguntar para o oráculo.

—Obrigado por me abrigar na sua casa, meu nome é Douglas.

— Que satisfação minha e sua por conhecer o grandioso.

— Mayhem, sim eu sei, eu ouvi você se gabando.

— Sabe, é falta de educação interromper quando um verdadeiro herói se apresenta.

Mesmo com apoio do reino a casa do oráculo era bem antiquada, uma velharia que necessitava de reformas urgentemente.

A porta se abriu e uma mulher de pouca idade com um vestido de camponesa se apresentou para eles.

— Mayhem, há quanto tempo, estás interessado em um caminho para uma nova aventura?

— Quase isso, esse é meu amigo Douglas. — Douglas acenou pra ela. — Viemos perguntar sobre o futuro dele.

— Pois bem, entre.

Dentro da casa desarrumada se encontrava no fundo da sala uma velha de olhos vendados, ela acariciava um gato que confortavelmente ronronava no colo de sua dona.

— Douglas e Mayhem, eu já imagino o que você quer perguntar.

Douglas se virou para Mayhem.

— Caramba, ela é boa mesmo.

— Pois bem dona Oráculo eu quero saber sobre o futuro de um amigo meu, que estás do meu lado, recentemente ele sentiu como se uma energia estranha causasse dano no corpo dele, quero saber se isso é obra de maldições ou coisa parecida.

— Eu não vejo futuro para o jovem rapaz do seu lado.

— Quer dizer que vou morrer? — Indagou Douglas assustado.

— Silêncio, que falta de respeito. — Chamou atenção a garota que os atendeu.

— Isso porque ele não pertence a este mundo, ele pertence em um mundo que estás longe de nossa imaginação.

— E o que devemos fazer para que ele volte para o mundo dele.

— Existe uma passagem, mas o lugar é extremamente perigoso, o reino negro povoado por criaturas diabólicas, na catedral dos mortos se encontra uma rachadura, é nele que Douglas deve atravessar para voltar o mundo dele.

— Caramba, aí complicou, quanto tempo ele pode ficar nesse “mundo”?

— Não pode passar mais de um ano.

Mayhem pôs se pensativo, ele olhou para Douglas que apresentava um olhar preocupado, depois para a dona oráculo que aguardava por mais perguntas enquanto acariciava o gato.

— Pois bem dona. — Mayhem depositou um saco de moedas de prata na mesa. — Obrigado por vossa orientação.

— Desejo-lhe sucesso em vossa jornada.

No caminho até a casa de Mayhem ele se virou para Douglas e disse.

— Eu preciso prepará-lo.

— Como assim?

— Eu decidi ajuda-lo, vamos nesse reino negro e despachamos você para seu mundo.

— Mas do jeito que ela comentou parece muito perigoso.

— Por isso mesmo precisamos nos preparar, nós precisamos de experiência, recursos e força de vontade, como você tem limite de um ano para isso eu irei prepará-lo e reunirei um grupo para levá-lo.

— Mayhem, muito obrigado, mas não entendo porque você decidiu me ajudar.

— Ah meu caro amigo, antes de você incursa nosso mundo eu não tinha um objetivo pleno, eu já tinha explorado inúmeras masmorras, enfrentado diversas bestas mitológicas, mas tudo foi só pensando em mim mesmo, agora posso utilizar essas habilidades para ajudar alguém.

— Isso não é muito coerente.

— É verdade, mas talvez seja porque você me lembra de um velho amigo do passado que me ajudou muito em minhas primeiras aventuras.

E assim começa a jornada de Mayhem retornando em sua vida de aventureiro para ajudar um jovem rapaz completamente desconexo naquele mundo a retornar ao lugar dele.