Incontrolável - Menino do Muro
3 Promessas - Capítulo 3
Notas iniciais

Promessas
Dias se passaram e os dois novos amigos trabalhavam sem parar. Theodor tinha um objetivo de vida, Albert tem um objetivo do passado. Um quer sobreviver, outro quer voltar a amar. Por que Albert tem essa vida tão obscura, mas que procura a luz? Poucos sabem.
Um bloco encaixado e todos se cansaram, sentaram ao chão e Theodor olhou para cima, observou que arames já estavam sendo colocados e isso já está mais perigoso.
–Porque não me conta... O que acontece em seu coração? – Theodor olhou para Albert e sorriu.
–Você fala como gente grande. – observou. Albert virou para o menino e respondeu sua inocente pergunta. – Minha alma era podre. Meu coração é impuro, sou infeliz.
Os dois ficaram quietos, o som dos blocos batendo em ferro, as vozes dos homens revoltados com o cansaço e os arames cortando os dedos das crianças que por lá brincavam... Ocuparam o espaço de uma pergunta.
–Será? – Theodor perguntou, enquanto passava o dedo sobre a areia. – Você parece uma boa pessoa.
–Pareço? – ele perguntou, atirando uma pedra na direção de um gato. – Por quê?
–Você foi o único, que se comprometeu em me ajudar e ser ajudado. – o garoto conversava como quem entendia bem de sentimentos. – Perdi minha mãe á pouco tempo, mas não deixei que isso destruísse o que ainda tenho para viver. É lógico, que ela é muito importante. Mas, não podemos parar por algo que ficou no passado, mesmo sabendo que impedirá sobre algo no futuro.
Albert se assustou com as palavras fortes e cruzou os braços.
–Tudo bem. – ele pigarreou logo depois de falar. – Você venceu.
–Conte. – Theodor sentou mais perto e fez um sinal de que seus ouvidos estavam aguardando.
Os dois sorriram e Albert, começou.
–Quando a guerra estava nos cercando, acabando com tudo. Fui convocado para uma missão de destruição em massa, sobre esta cidade... – ele virou a cabeça para observar toda aquela cidade sendo dividida. –... Os meus dias eram noites. De tão obscuro que era. Não existia mais vida em mim, apenas uma missão que não queria fazer. Esta cidade foi onde cresci, meus pais me criaram e ensinaram. Não tive escolhas. – ele tremia – Então, em uma noite, enquanto passava por um beco escuro, um pequeno garoto segurou minha mão. Ele pediu ajuda... E atirei sobre seu peito sem pensar... – O homem deixou uma lágrima cair sobre a terra, Theodor observava.
–Você ainda não terminou. – o garoto olhava para Albert, que se sentiu pressionado.
–Mesmo com essa pressão. – ele disse, enquanto enxugava as lágrimas. – Quero continuar. Enfim, após ter feito aquilo com o garoto. Meu coração se enfureceu sobre crianças e matei quase todas as pessoas dessa vila, principalmente crianças. Onde seria o melhor, pois assim não teríamos inimigos no futuro. Mas foi um enorme erro, destruí o meu único lugar no mundo.
–E agora reconstrói. E constrói uma proteção. E vive dentro dela. – o menino sorriu. – Entendo. Por isso me empurrou daquele jeito e gritou. Você só estava sob pressão, o seu corpo reagiu ao inesperado. Não posso te culpar.
Os outros trabalhadores e soldados ficavam ouvindo a conversa. O barulho diminuía enquanto se prosseguia a conversa.
–Onde aprendeu tanto? – o velho homem perguntará.
–Meu pai. Um grande homem. – Theodor responderá. Sorrindo. – Os seus dias podem ser de mais glória do que já foram antes, você pode ser velho. Mas, ainda vive. Lembre-se disso!
Theodor pegou um bloco.
–Agora entendo porque a dessa construção. As evoluções de uma nova era. Não sabemos se será boa ou ruim. – ele levantou o bloco. – Estou preparado.
–Estamos. – Albert pegou o bloco e ergueu. – Isso é incrível!
Os dois sorriram e então voltou ao trabalho e o barulho aumentou. Alguns homens falaram com Theodor, dizendo que foi uma ótima conversa e que ajudaram alguns deles.
–O quê é incrível? – perguntou o menino.
–Viver. – Albert levantou a cabeça, viu o céu e respondeu.
Talvez fosse um bom início de vida para Theodor, um bom início nessa era que ele pensa. São promessas que cada um deles precisa cumprir, não importa a demora, espera e alcance. Nada é impossível se eles possuem objetivos.
Os dias deixarão de serem obscuros para Albert, pois, seu coração se abriu pelo perdão de maneira oculta.
E as palavras de homens, valerão mais ainda para Theodor. Que aprendeu o que é perdão, também de uma maneira oculta. Mesmo que não fosse para ele, ajudou outra pessoa em um dia, ano, pós-guerra.
Um bloco se quebrou.
Um sussurro partiu em meio as pedras.
Era a Hora das Regras.
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