Inconscientemente
38 Life Model Decoy
Notas iniciais
Meus olhos se encheram de um brilho diferente, que eu podia sentir sem nem mesmo estar observando meu reflexo no espelho. Ele estava acordado e esperando por mim e eu não poderia ter um melhor motivo para saltar da cama aos tropeços, o que eu acabei fazendo, realmente. Ward estava desperto e lindo, com os cabelos ainda umedecidos do banho que tomara com um pouco de dificuldade. Todos no avião já haviam falado com ele, então, quando adentrei o laboratório, o encontrei sozinho, sem camisa e apenas com algumas gotas d’água escorrendo dos seus cabelos até o seu peito.
Assistia aquela cena como se nunca o tivesse visto antes. Ele estava mais lindo do que nunca, secando seu cabelo e parte do seu corpo com uma toalha branca com o seu nome bordado nela, bem ao lado de um brasão da S.H.I.E.L.D. também bordado em dourado. Ele tocava a holomesa e os tubos de ensaio, observando com cuidado o ambiente ao redor como se nunca tivesse estado aqui dentro. Coulson havia mandado a amostra de sangue da Mocréia Loira para o QG, e ao que parecia, a cura para aquela coisa toda de índio-robô já estava a caminho. E nós estávamos indo direto para a Central, receber o antídoto do próprio Fury, que havia acabado de voltar de não-sei-la-onde, especialmente para nos receber. Tudo parecia voltar ao seu devido lugar.
Após alguns minutos de devaneio, respirei fundo e adentrei a sala cuidadosamente, impulsionada pelo desejo desenfreado de ouvir a voz dele, e sem fazer ideia do que se passava naquela cabecinha adulterada pelo DNA alheio.
– Oi.
Apenas dei alguns passos silenciosos em sua direção, tendo as duas mãos escondidas no bolso da calça. Ele assustou-se a priori, e virou depressa para a direção da minha voz, um pouco desnorteado até que seu olhar repousou sobre o meu rosto e seu semblante mudou completamente.
– Skye – ele pronunciou docemente, praticamente correndo até onde eu estava. – Skye!
– Sim, sou eu, Ward – retribuí o abraço, absurdamente feliz por ver que ele estava inteiro. – Como você está?
– Ward vivo por causa de Skye – ele sentou-se de volta na maca, me segundo pela mão e me sentando ao lado dele. – Ward ama Skye.
Ele tinha os olhos brilhando e um fio de sangue escorrendo dos curativos no seu abdômen, mas parecia não ter se dado conta. Alguma coisa naquele soro o havia fortalecido, mas nitidamente, também tinha alterado a sua dicção. E alguma coisa naquela fala, o deixava com um ar inocente de Hulk.
– Skye não deixou Andrea matar Ward. Ward agradecido.
Era impossível não rir ouvindo Grant falar daquela forma, mas confesso que estava a duas frases de desabar em lágrimas.
– Skye também ama Ward – falei, enquanto alisava seus cabelos. – E sempre vou proteger Ward... E sempre vou amar Ward. E quem tentar machucar Ward vai se dar mal.
Sorri pra mim mesma ao me ouvir falando daquela maneira. Sério mesmo que aquele robô idiota tinha esse poder sobre mim?
– E Ward protegerá Skye. Ninguém machuca Skye perto de Ward.
– Eu sei, Grant. – respondi, o abraçando ternamente. – Você sempre me protegeu.
– Skye! – A voz de Coulson adentrou o laboratório, interrompendo nossa conversa de índio. – Aterrissaremos na Central em alguns minutos. Traga o Ward até a rampa de carga. Vamos ver se essa cura vai dar mesmo o resultado esperado.
– Tudo bem, senhor – respondi, descendo da maca e segurando Grant pela mão. – E aquela agente lá, Kate num-sei-o-que? A que estava imersa no líquido verde?
– Fitz-Simmons e Tripplet já trataram de movê-la até a rampa. May está posicionando o avião para estacionarmos na Central.
– Tudo bem, estamos indo.
Coulson seguiu para a rampa e eu tentei explicar para o Ward o que estava acontecendo, já que ele começou a se assustar com a inclinação e o barulho do avião durante a aterrissagem. Após acalmá-lo, nós seguimos para a Rampa, onde Coulson, Fitz-Simmons e Tripplet estavam à nossa espera.
– Pronto! Aqui estamos, Ward. – falei, ainda guiando ele pela mão. – Vamos trazer você de volta, tudo bem? Todos aqui são seus amigos. Ninguém aqui vai machucar você.
– May machucar Ward. – ele deu um passo à minha frente e encarou May um pouco incomodado.
– Você era uma ameaça, Ward. E um dos meus trabalhos é eliminar a ameaça – ela pronunciou séria, mas sem raiva na voz. – Mas agora você não é mais uma ameaça. Agora você é um amigo.
– Ward não ameaça. Ward amigo.
– Exatamente – May acenou com a cabeça e tocou no ombro de Grant. – Bem-vindo de volta à equipe. Não se preocupe, nós vamos cuidar de você.
Descemos a rampa e Fury estava nos esperando, com a agente Hand ao seu lado, o que, naturalmente abalou a todos nós.
– AGENTE HAND?! – Todos gritamos ao mesmo tempo.
– Que raios de bruxaria é essa? – gritei assombrada, faltando com respeito a ela. – Não me diga que você entrou pro Time dos 0-8-4?!
– Não, agente Skye – ela sorriu. – É uma longa história...
– Que longa o quê! – Fury a cortou, acabando com o suspense. – Ward não a matou realmente. Era apenas um LMD.
– Obrigada, Fury. – Victoria revirou os olhos com desgosto.
– LMD? Achei que eles tivessem sido destruídos há muito tempo. – May comentou.
– Não. Nós apenas transferimos a unidade de fabricação para uma base secreta na Irlanda. E também evoluímos muito com o passar dos anos. O LMD de Victoria Hand foi ativado logo quando descobrimos sobre a HIDRA.
– Espera, espera, gente... Vocês estão me perdendo, aqui. – interrompi a fala dele. – O que raios é um LMD? Um clone?
– Basicamente – ele respondeu como se fosse algo completamente simples. – Mas é mecanizado. Óbvio que com o tempo, conseguimos deixa-lo bem real. O fato é que enganamos a HIDRA.
– E a todos nós também – Phil apareceu na conversa, nitidamente surpreso. – Mas ficamos felizes que esteja bem, agente Hand.
– Obrigada, agente Coulson. – ela sorriu e nos cumprimentou, nos guiando até a sala em que Ward seria tratado. – Fury me contou sobre a missão na Rússia, sobre como Grant Ward se arriscou pela sua equipe... É indiscutível que ele seja reintegrado à equipe após alguns testes. Ainda mais depois do que descobrimos sobre a família dele.
– O que descobriram? – perguntei, temerosa.
– Seus pais foram maus com ele de propósito.
– Como assim? – Tripplet manifestou-se na conversa.
– Eles criaram um ambiente tenso, onde Ward pudesse sentir dor, abandono e revolta. Eles conheciam Garrett há um bom tempo, então estava tudo arquitetado. Garrett seria o salvador. Seria a pessoa que o tiraria daquela situação e o fizesse se sentir alguém. Era tudo parte de um plano diabólico deles.
– Não posso acreditar nisso! – estava perplexa diante da maldade deles.
– Pois eu não estranho esse comportamento. – Hand voltou a falar, naturalmente familiarizada com essas coisas. – Garrett abandonou o próprio filho. Deixou a pobre moça sozinha, depois de sugerir que ela abortasse e ainda a difamou no meio da família dela. Uma pessoa que faz isso não tem limites.
– É verdade... Só espero que o garoto não tenha tomado o mesmo rumo que ele. – Coulson completou. Ele deve estar um pouco mais velho do que a Skye agora.
– Que maldade com o pobre rapaz! – Simmons se revoltou.
– Troglodita! – Fitz acompanhou.
– Enfim – Hand apontou a sala onde Ward receberia o soro. – Não precisamos nos preocupar com isso. A mãe dele não tem antecedentes criminais. Ela abandonou a S.H.I.E.L.D., mas terminou a faculdade de economia e hoje é professora associada na principal Universidade de Londres. Não temos paradeiro do pequeno Garrett, mas a Srtª Lydon vive como uma boa cidadã britânica.
– Srtª Lydon? – engoli em seco. – Como é o primeiro nome dela?
– Sarah.
– Oh meu Deus! – quase caí para trás, mas May impediu que a queda acontecesse.
– Skye... O que houve? – May me olhou um pouco assustada. – Não está pensando que ela é...
– A Mãe do Miles... – poderia jurar que minha vista havia embaçado naquela hora. – Miles é filho do Garrett.
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