Incompatível
1 Encontro e Perda - Capítulo ùnico
Notas iniciais
Outono: época do ano que fica entre o verão e o inverno, caracteriza-se pela a perda das folhas e o tempo seco e frio. Esta é uma época boa para se realizar queimadas, e é em uma destas queimadas que a nossa história se inicia.
Um cenário triste, uma floresta cinza, poucas árvores conseguiram sobreviver a aquela queimada, uma chuva, que parecia ser mandada dos Deuses caía, fina e calma, aos poucos ela apagava o fogo, aquele sinal de destruição entrara um vilão, enquanto a chuva parava, uma pequena brasa ainda ardia, ela tomava uma forma humana, mas ainda assim era pequeno, ele não podia queimar uma folha direito, imagine uma árvore inteira.
– È incrível como essa coisa molhada acaba com a minha diversão... Logo eu que estava tão feliz, essa floresta fica bem melhor tingida de cinza. O minúsculo fogo olhava para cima, como se conseguisse falar com aquela nuvem no alto. Ao ver que ela não lhe responderia continuou andando.
Ele andou com cuidado, para não pisar nas poças de água, ao se deparar com uma ele olhou seu reflexo, sua chama era fraca, mais ainda ardia bastante. De repente a água se ondulava, e aos poucos ele também tomava forma humana ficando do mesmo tamanho dele.
– Er... Oi... E- Eu sou a água, desculpe por estragar sua queimada. A água falava timidamente, segurando um dos braços como se fosse cair de repente.
O fogo brilhou mais forte na hora, ele ficou nervoso, como uma coisa molhada, seu único inimigo poderia ser tão bonito assim? O fogo analisava ele, sua pele, corpo e roupas era pura água e nos cabelos ele tinha um cabelo grande repicado branco, como se fosse espuma do mar. O fogo sentiu-se feliz ao ver toda aquela delicadeza que fluía do corpo de seu inimigo, ele sentiu vontade de lhe abraçar...
– Er... você não vai dizer nada? Eu... pedi desculpas... A água parecia triste por não receber uma resposta, ele também tinha analisado o fogo, a pele, corpo e roupas brilhavam em um laranja forte, e no topo, um topete de fogo.
– Não tem nada, tudo bem quanto a queimada, eu sou o fogo prazer, ele estendeu sua mão.
A água deu um largo sorriso:
Água, prazer.
Ao se tocarem ouviu-se um “ tsss” e eles retiraram rapidamente as mãos, o fogo se sentiu triste ao ver a água com aquela expressão triste.
– Você está bem? Perguntou o fogo preocupado, avançando até a água sem nem notar a poça em sua frente ao pisar nela, ele gemeu de dor.
A água imediatamente correu até ele perguntando se ele estava bem.
– Claro que estou bem, respondeu o fogo, se levantando – Eu sou o fogo, destruo florestas e aqueço muitas pessoas e corações, ele falou num tom heroico.
– A água sorriu de forma boba.
– Não, quer dizer, corações... Eu... O fogo corou, sua chama brilhou como um vermelho claro.
– Eu entendi, Falou a água, Aqui, pegue isto senhor aquecedor de corações.
Ele estendeu uma pedra que parecia um cilindro, era largo e os dois podiam segurar.
– Sabe... eu gostei de você, a água falou baixo.
– Eu também gostei de você, sorriu o fogo.
E saíram andando pela floresta, cada um segurando um lado da pedra.
De repente uma rajada de ar frio varreu a floresta, os pássaros migravam para o norte, e a floresta estava silenciosa.
– Pelo visto vai nevar, e já está anoitecendo, e você pode apagar e eu congelar, e eu queria muito ficar com você ainda. Falou a água a ele.
– Verdade... Olhe ali tem uma pequena caverna.
Uma fenda se abria no chão de um buraco, cabia os dois ali dentro e ainda lhe sobravam espaço para a fogueira.
O fogo pediu a água que juntasse alguns pedaços de madeira, e quando ele os trouxe ele pulou em cima, fazendo a fogueira se acender, os dois se sentaram ao redor da fogueira.
Enquanto a água se sentava e olhava as estrelas, o fogo o observava, com uma expressão triste, ele queria o tocar e o abraçar... Mas não podia. Quando a água olhava para ele, ele virava rapidamente e fingia estar contando quantas folhas iria queimar.
Até que a água adormeceu e logo em seguida o fogo deitou-se próximo a ele.
No dia seguinte o fogo acordou primeiro, e observou a água, ele parecia menor que no dia anterior, durante a noite, um pouco de neve caiu e a floresta recém queimada, agora tinha uma camada branca.
Ele olhou ao redor procurando a pedra, mas não achava. Ele logo começou a se desesperar:
– Como? Como uma pedra pode ter sumido?
Até que ele observou entrando na floresta a pedra andando sozinha, ele confuso correu até lá, se ele entrasse na floresta, nunca mais teria a pedra novamente, o pegou e levantou a pedra, uma população de formigas debaixo da pedra:
– Xô, xô, essa pedra pertence a mim e a água, ele disse as formigas.
Na sua frente um grande arbusto se mexia, dela saiu um grande e robusto caçador vestindo roupas de frio e um pedaço de madeira. Ele procurava algo, como se tivesse perdido algo, até que olhou para o fogo e avançou em sua direção.
O fogo recuou correndo de volta para a água, mas o homem que era mais rápido capturou o fogo na madeira, acendendo uma tocha.
Ele gritava freneticamente pela água, que acordou ao longe o os olhou, no mesmo momento ele correu, seguindo o fogo e chorando. Ele correu o tempo todo até chegar na casa do homem, que prendeu o fogo em um lampião, que iluminava a entrada da casa do homem, ele não conseguia sair de lá.
O fogo estava deitado com a cabeça mergulhada nas mãos como se tivesse perdido tudo...
– Parece que não vamos mesmo ficar juntos né? A água se sentou ao lado do lampião, ele tinha uma expressão mais triste que o normal. – Isso não importa, por que aonde quer que você for, eu vou te encontrar.
Dessa vez o fogo que deu o sorriso bobo...
– Eu só queria poder te tocar, e ficar com você, sabe... bem perto. O fogo disse a água.
Eles ficaram lá, sentados sem dizer nada, olhando apenas as estrelas. Até que a água bocejou.
– Você pode dormir se quiser... amanhã ainda estarei aqui. O fogo disse a ele.
– Tudo bem, até amanhã.
Passaram-se alguns minutos, e fogo notou que a água que antes já estava menor, agora diminuía ainda mais, vapor saía dele, e ele novamente gritava freneticamente enquanto via a última parte de seu amor sumindo, virando vapor...
Ele gritou tanto, que nem percebeu que brilhava com todas as suas forças, de repente o homem apareceu na entrada da casa, e sem saber o que fazer apagou o fogo, o resto que sobrava do fogo era vapor.
E enquanto ele subia triste naquela forma gasosa, ele pensou que nunca mais poderia ver a água novamente, foi quando que algo pulou nas suas costas, ele olhou surpreso para trás, e viu que ele também tinha virado vapor.
– Meu Deus! Você é real, eu finalmente posso tocar em você.
Eles sorriam de alegria, enquanto se abraçavam, e se beijavam, finalmente estariam juntos, por toda a eternidade...
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