Incoherence
1 Prólogo
19 de Dezembro de 2012
Sexta-feira. O agradável e alaranjado sol da fim da tarde iluminava o centro de Marshall, uma pequena cidade no interior da California. Layla Wilkins, segurando uma grande mala branca com bolinhas pretas, caminhava por uma calçada quase vazia, com exceção de alguns senhoras comprando frutas e conversando. Ela e seus amigos haviam planejado sair da cidade às quatro horas da manhã, esperando chegar ao lago por volta das cinco e meia.
Layla estava animada para rever seus amigos, já que, desde de quando se mudou para outra cidade a fim de entrar na faculdade, quase não mantia mais contato com eles.
Ao virar a esquina, pôde ver um furgão azul e verde estacionado na frente da casa de Chloe, o qual havia sido mencionado por seu amigo Brad, na conversa que ela teve por “Whatsapp”.
Com exceção dela e outra amiga, Kitty, todos os seus amigos haviam continuado morando em Marshall, já que a pequena cidade também possuía uma universidade.
Layla atravessou a rua e parou em frente à casa de Chloe, encontrando o pai dela jogando água no jardim.
- Oi, Sr. Greene – Disse ela.
- Ah, Layla – Exclamou ele, sorrindo – Há quanto tempo, como vai você? – Perguntou, desligando a mangueira.
- Muito bem, obrigada, e as coisas por aqui?
- O mesmo de sempre... Tudo muito bem.
- Onde está a Chloe?
- Ah, está lá em cima, pode subir.
Layla caminhou pela passarela de pedra entre os dois lados do jardim e entrou na casa. Deixou a mala no chão e subiu as escadas, que ficavam bem à frente da porta de entrada. Andou pelo corredor até o último quarto, onde já podia ouvir as vozes de seus amigos.
Quando chegou à porta do quarto, encontrou quatro dos seus amigos, Chloe, Kitty, Brad e Mark.
- Cheguei – Disse Layla.
- Layla! – Exclamou Kitty, jogando seu celular na cama e correndo para a abraçar a amiga – Como você tá branca, menina, vamos pegar um sol hoje.
- É tudo o que eu preciso.
Chloe, que estava arrumando suas malas, também abraçou-a.
- Há quanto tempo, garota! – Disse ela.
- Pois é.
Os dois garotos também a abraçaram em seguida, apesar de Mark já tê-la visto um dia antes.
- Quando você chegou? – Perguntou Brad.
- Ontem à noite, eu até encontrei o Mark – Respondeu ela.
- Isso é tão emocionante – Comentou Chloe – Nós seis unidos novamente, eu sentia falta.
- Por falar em nós seis, só vejo cinco aqui, onde está o Justin?
- Você sabe como ele é – Respondeu Kitty – O último a chegar, sempre.
- Você viu o furgão lá fora? – Perguntou Mark – Lindo né.
- Pois é, o Brad me contou que havia comprado, mas eu não imaginava que era a Máquina de Mistérios.
Os amigos riram.
Ao ouvir um som de buzina de carro vindo de fora, Chloe olhou pela janela, vendo um carro preto parado bem atrás do furgão. De dentro do carro, no lado do passageiro, saiu Justin, com sua mochila em mãos. O pai dele e de Chloe se cumprimentaram e o carro saiu.
- É ele – Concluiu ela – E tá bem produzido.
- Deixa eu ver – Disse Kitty, indo até a janela e observou seu colega entrar na casa. Com uma camisa, uma calça jeans bem justa e um óculos escuro.
- Ele tá achando que vai pra onde? Uma festa? – Perguntou Mark, ao chegar à janela, arrancando risadas de Kitty.
Segundos depois, Justin entrou pela porta do quarto.
- Por que a Máquina de Mistérios está estacionada lá fora, Scooby? – Perguntou ele, com seu bom humor contagiante.
- Foi o que eu disse! – Respondeu Layla, correndo para abraçá-lo junto com Kitty. Os outros não o fizeram, pois eles se viam constantemente.
- Que saudade de vocês duas – Disse ele, enquanto as abraçava – E aí, como é morar fora de Marshall?
- É bom – Respondeu Layla – Sinto falta daqui, mas é bom finalmente ser livre.
- Eu digo o mesmo – Falou Kitty – Se bem que minha colega de quarto é quase a minha irmã... Pelo menos ela não conta a minha mãe quando eu fico bêbada.
- Então, vamos? – Perguntou Brad.
- Estou terminando de fazer as malas – Respondeu Chloe, colocando um vidro de perfume dentro de uma bolsinha pequena, a qual colocou dentro da mala. Em seguida, fechou-a – Estou esquecendo alguma coisa, tenho certeza.
- Tá não, Chloe, vamos logo.
- Vamos – Ela disse, pegando sua mala e arrastando pelo quarto.
Os seis amigos desceram as escadas e passaram pelo jardim, onde o pai dela estava.
- Tchau pai – Disse Chloe, abraçando-o de surpresa.
- Ah, tchau – Respondeu ele – Tome cuidado, tá bom?
- Tá.
Brad abriu a porta do furgão e eles entraram, com exceção de Chloe, que preferiu ir no banco da frente.
- Isso aqui é legal, hein – Comentou Kitty, observando o interior da van. Tinha um carpete vermelho no piso e os bancos – só havia dois, na verdade – eram forrados com couro branco.
- Pois é – Disse Brad, parado do lado de fora – Eu também equipei o motor.
Depois que Chloe entrou no banco da frente, Brad também entrou e deu partida no carro.
- Tchau garotos! – Disse o pai de Chloe e todos responderam com “tchaus” e acenos.
- Você pegou as chaves da cabana com seu pai? – Perguntou Brad à Kitty.
- Estão na minha bolsa.
- É tanta emoção que eu quero chorar! – Brincou Mark, sentado no carpete vermelho, enquanto nos bancos estavam Kitty e Layla.
- Calma aí, garotão – Falou Kitty.
***
Por volta das dezoito horas, o furgão estava parado em um posto de gasolina. Brad colocava o combustível, enquanto os outros estavam na loja de conveniência.
Dentro da loja, que mais parecia um pequeno mercado, cheio de prateleiras e iluminado por frias e semi esverdeadas luzes fluorescentes, Layla e Chloe estavam paradas na sessão de salgadinhos, pegando alguns para a viagem.
- Então, como vai a vida amorosa? – Perguntou Chloe, com um pacote de Doritos na mão esquerda.
- Ah, eu conheci um cara – Respondeu Layla – O nome dele é Kevin, ele faz gastronomia.
- Ui, um futuro chef?
- Pois é, já estamos juntos há dois meses.
- Por que não o chamou para vir?
- Ele vai viajar com a família nessas férias, e além do mais, essa é uma reunião nossa... Você também não trouxe o Frank.
- Nós terminamos há uma semana.
- O que? – Layla ficou surpresa – Por que não me contou?
- Sei lá, eu quis esquecer ele completamente, o filho de uma puta estava de rolo com a Maggie Wilson... Você conhece a Maggie, ela trabalhava na cafeteria.
- Ah sim, nunca gostei daquela vadia... Mas você está bem?
- Sim, estou, não fiquei triste, sabe? Só furiosa, e além disso, ele se ferrou... Terminou comigo para ficar com ela e ela não o quis mais, que pena – Disse ela, dando um sorrisinho.
Layla sorriu também.
- Não comprem muita coisa, nós temos mantimentos na van – Falou Kitty, carregando um saco de papel.
- Mantimentos? Nós estamos indo pra onde, pra guerra? – Brincou Chloe.
- Então, o que você comprou? – Perguntou Layla, pegando o saco da mão dela. O que havia dentro eram doces. Muitos doces, chocolates e balas – Cara, o que é isso? Você é uma formiga?
- Isso é só pra enganar a fome – Respondeu ela, pegando o saco de volta – Paguem e vamos embora, o Brad já terminou.
- Tá bom – Respondeu Layla.
Kitty saiu andando, deixando-as.
- E o Kit Kat é meu! – Gritou Chloe.
- Nem por cima do cadáver – Exclamou ela, saindo pela porta.
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