Incoherence

3 Capítulo 02 - A Trilha


Quando Layla abriu os olhos, com uma fraca dor de cabeça, deparou-se com a imagem de Kitty balançando seus ombros. Estava claramente assustada com algo.

– Layla – Dizia ela.

– O que foi? – Perguntou ela, olhando para o teto de madeira do local onde estava – Estamos na cabana?

– Sim, mas não a do meu pai, eu não conheço esse lugar – Respondeu ela.

Layla se lembrou da hora do acidente e da imagem de sua perna cheia de cortes, então se sentou e olhou para elas, estavam intactas, sem nenhum sinal de corte algum, era como se nunca tivesse acontecido. Depois, olhou para os lados. Era uma cabana normal, com móveis e até uma lareira acesa. Elas estavam na sala. Um pouco depois dela, Chloe estava desacordada no chão, ao lado de Justin.

– Quem nos trouxe para cá? – Perguntou Layla.

– Eu não sei, ninguém sabe.

– Já tentaram ligar para alguém?

– Sim, o Brad e o Mark estão lá fora, mas não está dando certo, não tem sinal por aqui.

Enquanto Kitty foi acordar os outros dois, Layla se levantou e saiu pela porta da frente, que estava aberta. Lá fora estavam Brad e Mark parados perto de um poço de pedra, tentando, sem sucesso, ligar para alguém.

– Conseguiram algum resultado? – Perguntou ela.

– Não tem sinal em nenhum lugar – Respondeu Mark, preocupado.

– Sabem onde estamos?

– Não faço ideia, mas não é a cabana do pai da Kitty – Disse Brad.

– Ela me disse.

Mark, que estava tentando ligar para a emergência, desligou o celular e colocou no bolso.

– Esquece, não vamos conseguir, temos que achar o carro – Disse ele.

– Eu acho que aquelas coisas que vimos na estrada tem alguma coisa a ver com isso, eles não pareciam criaturas, pareciam humanos, talvez morem por aqui e resolveram nos ajudar – Brad comentou.

– Mas você não acha que pelo menos um deles ficaria aqui para quando acordássemos? – Perguntou Layla.

– Eu não sei.

Os três resolveram entrar, encontrando Justin sentado em um dos dois sofás vermelhos e Chloe e Kitty no outro, abraçadas. Chloe chorava.

– Vamos andar, tem um caminho pela floresta, deve dar em algum lugar – Disse Brad.

– É melhor procurar alguma coisa na cabana, talvez algo que pertença aos donos ou até mesmo um telefone – Sugeriu Justin.

– Tem razão – Concordou Mark – Como não pensamos nisso antes?

Ele se levantou e os três garotos, acompanhados de Layla, foram procurar alguma coisa. Chloe e Kitty permaneceram no sofá.

Quando saíram da sala, havia um pequeno corredor com duas janelas com vista para a imensa floresta lá fora. Eles entraram na primeira porta que encontraram e havia um quarto que, infelizmente, estava vazio, com exceção de uma cama velha e sem colchão.

Na sala, Chloe havia parado de chorar, estava olhando para a lareira.

– Eu não consigo acreditar no que aconteceu – Perguntou ela – Sofremos um acidente terrível e aqui estamos, sem nenhum ferimento.

– Pois é, eu não consigo pensar em nenhuma resposta pra essa pergunta.

– Eu estou com medo... Acha que nós devemos sair andando pela floresta?

– É a nossa única chance.

Uma lágrima brotou dos seus olhos azuis.

– Eu pensei que vocês estavam mortos – Disse ela, voltando a chorar – Eu fiquei tão desesperada, até aquelas coisas entrarem no carro.

– Que coisas? – Perguntou Kitty.

– Aquelas que vimos na estrada... Pareciam pessoas.

– Elas entraram no carro?

– Sim, eu acho que elas nos trouxeram para cá.

– Do que você lembra?

– Não muito, só lembro de tê-los visto e depois desmaiei.

Layla, Brad, Justin e Mark estavam agora em outro quarto exatamente igual, mas não havia cama, apenas um colchão no chão, um colchão velho e sujo, cheio de terra e folhas em cima.

– Não vamos achar nada aqui, é melhor irmos embora – Falou Mark, desapontado.

– Vamos, talvez haja uma vila por aqui ou algo do tipo, não devemos estar muito longe – Disse Brad.

– Vamos – Concluiu Justin.

Ao voltar para a sala, encontraram as duas garotas sentadas no sofá.

– Vamos embora – Avisou Layla.

– Não é melhor esperarmos aqui? Talvez alguém volte – Perguntou Chloe.

– Eu não sei – Respondeu Brad – Não sabemos nada sobre quem nos trouxe aqui.

– Mas eles podem nos ajudar – Disse ela.

– É, mas nós não conhecemos, e além disso, só tem uma trilha pela floresta, se eles vierem, nós os encontraremos no caminho – Falou Mark.

Ela balançou a cabeça, concordando.

– Vamos – Ele a abraçou quando ela se levantou do sofá – Nós vamos ficar bem.

Os seis saíram da cabana e olharam para a pequena trilha no meio das imensas e grossas árvores. Havia uma placa com o nome “xxxx” escrito em tinta preta.

– Aquela placa não estava lá antes – Disse Mark.

– O que? – Perguntou Kitty – Então alguém colocou ali, agora?

– Eu não sei, mas não estava lá – Falou ele.

– Estava sim, cara – Disse Brad.

– Você a viu?

– Não, mas não tem como alguém ter colocado agora, então vamos logo.

Eles caminharam pelo chão de terra e folhas e entraram na trilha. A floresta era bem iluminada, apesar das árvores estarem muito próximas a ponto de não ser possível ver muito longe além delas.

– Como vamos voltar para casa? – Perguntou Justin.

– Vamos achar um telefone e ligar para alguém que virá nos buscar – Respondeu Brad.

– O problema é achar alguém por aqui – Resmungou Kitty.

– Não deve ser tão longe da estrada que viemos ou de outro lugar – Ele falou.

– Mas aquela área tem sinal, por que aqui não tem? – Perguntou Layla.

– Eu não sei, nós dirigimos por quase seis quilômetros em uma estrada deserta, não tinha nada por perto, talvez a floresta seja tão grande que só tem sinal em alguns pontos.

– Estamos ferrados, não é? – Perguntou Chloe.

– Claro que não, não estamos ferrados – Respondeu Brad – Só temos que achar um telefone.

Depois de algum tempo, Layla olhou para trás, vendo a trilha e a floresta, mas luz forte que indicava a saída estava muito longe, o que significava que eles já haviam andando muito.

– Tem alguma coisa ali – Disse Mark, apontando para uma forte luz do sol – É o fim da floresta, lá deve haver alguém que possa nos ajudar.

Eles continuaram caminhando pela trilha, até sair dela e parar em uma cabana aparentemente igual a outra onde estavam, com um poço exatamente igual na frente e o resto da imensa floresta cercando-a.

– Espero que tenha alguém aí – Disse Kitty, enquanto eles subiam os dois degraus da pequena escada para a varanda. Havia uma tábua de madeira rachada no chão. Layla bateu na porta e os outros, junto com ela, esperaram alguém abrir.

Depois de mais duas batidas na porta sem que ninguém viesse atender, ela caminhou até a janela na varanda e olhou o interior. A sala estava vazia.

– Não tem ninguém aqui – Disse ela.

– Vamos entrar? – Perguntou Justin.

– Não, pode ter alguém lá dentro, só não nos ouviu batendo, vamos tentar novamente – Respondeu Brad, batendo na porta. Depois de mais algum tempo sem ninguém atender, ele girou a maçaneta. A porta estava aberta.

Ele pôs-se para dentro da cabana e observou o local. Era extremamente parecido com a outra em que estavam, talvez igual.

– Tem alguém aí? – Perguntou ele.

Ninguém respondeu.

– Vamos ver se tem algum telefone, depois nós vamos embora, não tem ninguém – Sugeriu Kitty.

– Tá, tá bom, vamos.

Eles entraram e começaram a procurar por algum telefone, sem sucesso.

Layla andou até o corredor e olhou o primeiro quarto, cuja porta estava aberta. O quarto possuía apenas uma cama de madeira sem nenhum colchão. Ela andou até o próximo e viu que só havia um colchão velho e sujo, cheio de terra e folhas.

Quando se virou para encontrar os outros na sala, deparou-se com Mark.

– Ai que susto! – Disse ela, com a mão no peito.

– O que foi?

– Nada, é que esse lugar é exatamente igual à outra cabana, que pessoal mais esquisito esse daqui.

– Pois é, e eu quero encontrá-los logo.

Eles voltaram à sala.

– Acharam algo? – Perguntou Layla.

– Não, e os celulares continuam sem funcionar.

Chloe se sentou no sofá e colocou as mãos sobre o rosto, fechando os olhos e dando um longo suspiro. Quando os abriu novamente, viu um pequeno brinco dourado no tapete, bem ao lado do seu pé esquerdo. Aquele brinco era seu.

Ela colocou as mãos nas orelhas e percebeu que o brinco esquerdo havia sumido. Era ele.

Chloe apanhou a peça do chão e colocou no bolso. Estranho, pensou ela, já que não havia o visto caindo.

– Vamos continuar andando, eu vi outra trilha – Disse Layla.

Chloe se levantou e os seis saíram. Mark, que saiu por último, segurou a maçaneta da porta e se preparou para fechá-la, mas quando puxou a porta, não percebeu um prego na parede e cortou seu cotovelo.

– Ah, droga! – Exclamou ele, vendo o líquido vermelho sair em grande quantidade do ferimento que ardia.

– O que foi? – Perguntou Kitty.

Quando ele mostrou, ela fez uma cara de agonia.

– Quanto sangue, precisa lavar isso – Disse ela.

– Deixa eu ver – Falou Layla, segurando o braço dele e vendo o estrago – Realmente, precisa lavar e enrolar em algum pano depois, para estancar o sangue.

Eles voltaram ao interior da cabana e Mark e Layla procuraram um banheiro, deixando gotas de sangue no chão como um rastro.

***

Três minutos depois, eles estavam na varanda da cabana. O cotovelo de Mark devidamente enrolado em seu casaco.

– Está doendo? – Perguntou Chloe.

– Não, só arde um pouco – Respondeu ele.

– É melhor irmos andando – Sugeriu Brad e os seis caminharam até o começo da trilha, onde havia uma placa com o nome “xxxx” escrito.

– O que diabos é xxxx? – Perguntou Justin, lembrando-se de que já havia visto uma placa igual instantes antes.

– Eu não sei, talvez o nome do vilarejo – Respondeu Layla.

– Estou começando a me perguntar se estamos mesmo perto de Francis Lake – Disse Kitty, desconfiando se aquela floresta era a mesma que cercava a cabana de seu pai. Se houvessem pessoas morando nela, seu pai já teria contado algum dia, afinal, ele adorava contar histórias sobre aquele lugar.

Depois de caminhar por uns quinze minutos, eles viram o fim daquela trilha se aproximar cada vez mais.

Quando ela acabou, eles se depararam com outra cabana igual às outras duas, com a mesma varanda de madeira, o mesmo poço de pedra na frente e outra trilha mais à frente, com a mesma placa indicando um local chamado “xxxx”.

– Quantas cabanas iguais a esta tem nesse local? – Perguntou Justin, estranhando.

Os seis caminharam até a varanda e Layla bateu na porta, enquanto Chloe olhava pela janela. A sala era exatamente igual.

– Tem alguém em casa? – Perguntou Brad, esperando ouvir alguém.

– Não tem ninguém – Lamentou Chloe – A sala está vazia, como a outra.

– Mas que merda! – Exclamou Mark.

Layla girou a maçaneta, esperando encontrá-la trancada, mas estava aberta, como as outras.

– Está aberta também – Disse ela.

Eles entraram na cabana e observaram a sala, procurando algum telefone, mas, mais uma vez, não havia nada.

Mark andou um pouco e se ajoelhou, tocando um líquido vermelho que estava derramado no chão em forma de gotas.

– Mas o que diabos... – Disse ele, associando aquilo ao sangue que ele derramou na outra cabana.

– O que foi? – Perguntou Justin.

– Nós já estivemos aqui.