Incoherence
10 Capítulo 09 - O Início do Fim
Kitty e Mark haviam nadado por toda a região com água e agora estavam em uma plataforma de metal bem à frente da porta.
Pela luz que entrava pelo buraco do poço, eles podiam ver que aquele local era bem grande. Como uma piscina interna em uma sala enorme e vazia. As paredes eram escuras e tudo o que havia além de água, era aquela porta de vidro.
Quando eles se aproximaram, a porta se abriu e eles entraram no corredor. Era escuro e úmido. O piso era feito de metal e tinha alguns traços e pontos luminosos, que davam um aspecto futurista para o local.
As paredes não eram retas, eram levemente curvadas e acinzentadas, também construídas com metal. A luz ali era fornecida por listas luminosas no teto, que não pareciam lâmpadas.
Eles começaram a caminhar pelo local, observando as paredes, revestidas por uma camada de algo que parecia ser uma gosma. Ela saía de vários buracos na parede.
– Esse local fede a enxofre – Disse Kitty.
– Eu nunca vi nada parecido – Comentou Mark – Isso parece ter saído de um filme sobre naves espaciais.
– Acha que tem a ver com o governo? – Perguntou ela.
– Por que teria?
– Não sei, só estou tentando achar uma explicação.
No fim do corredor, havia dois outros adjacentes. Eles escolheram seguir pelo segundo.
– E se nós acharmos alguém, o que diremos? – Perguntou Kitty.
– Eu não sei – Respondeu Mark.
– Se eles causaram o acidente, com certeza não irão nos ajudar a sair.
– Então sairemos sozinhos... Não deve ser difícil, afinal, o lugar está vazio.
Ao entrar no corredor ao lado esquerdo do que estavam, eles viram uma porta dupla de vidro no final. Havia uma placa luminosa com o nome “necrotério” escrito.
– Vamos – Disse Mark, caminhando em direção à porta.
– Eu não vou entrar lá, vamos pelo outro lado.
– Vamos primeiro por aqui, precisamos procurar uma saída em todos os lugares.
Os dois caminharam pelo corredor escuro e futurístico até a porta do necrotério, que se abriu quando eles se aproximaram.
O necrotério era uma ampla sala bem iluminada. O teto inteiro era iluminado, como uma lâmpada gigante. O chão também parecia.
Havia várias mesas de metal distribuídas pelo local, todas elas com corpos cobertos por lençóis brancos. Kitty se sentia extremamente desconfortável ali dentro.
– Não tem nada aqui, está vendo? Vamos logo.
Quando eles se preparavam para sair, ouviram alguém respirar com intensidade, como se estivesse soltando o ar depois de prender por algum tempo.
Ao se virar, Mark percebeu que o último corpo coberto estava vivo, já que se mexia.
Ele correu até ele e tirou o lençol. Havia uma mulher com roupas sujas de sangue e um corte grande na barriga.
– Não, não, me deixe em paz! – Gritou ela, quando Mark a encontrou.
– Shhhh! – Disse ele – Eu vou te ajudar, calma.
Quando ela parou, olhou para ele e percebeu que aquele garoto não poderia ser um deles. Estava com uma roupa tão suja quanto a dela. Olhou para Kitty também, que estava assustada, parada ali no canto.
– Vocês conseguiram escapar? – Perguntou ela, surpresa.
– Sim, mas precisamos que você fique em silêncio... Eles fizeram isso com você? – Questionou Mark, olhando o corte costurado na barriga dela.
– Sim, mas eu consegui chegar até aqui quando fingi que estava morta, quando cheguei aqui, fechei o ferimento e continuei a fingir-se de morta.
– Vamos, nós vamos te tirar daqui – Disse ele, segurando a mão dela.
***
A mulher saiu do necrotério apoiada nos ombros de Kitty e Mark, pois não conseguia andar corretamente. Ele levava consigo uma grande faca ensanguentada que estava sobre uma mesa de instrumentos.
– Quem é você? – Perguntou Kitty.
– Ellen Shrines.
– Como veio parar aqui?
– Eu estava em casa com meu marido e meu filho, quando alguns homens invadiram minha casa e me doparam... Quando eu acordei, estava em uma cabana no meio de uma floresta.
– Você não lembra de nada do que aconteceu até você chegar lá? – Perguntou Mark.
– Não, eu só acordei naquele lugar, sem lembrar de muita coisa... Não sei onde meu filho está, nem meu marido.
– Nós acordamos na mesma cabana – Falou Kitty – Só não sabemos o porquê.
Estavam próximos a um novo corredor, só precisariam virar à esquerda, mas, ao ver o reflexo de duas luzes azuis iluminando a parede, eles pararam. Mark colocou o dedo indicador sobre os lábios para pedir silêncio e as duas mulheres obedeceram. A luz na parede ficava mais perto, indicando que a criatura estava se aproximando de onde eles estavam.
Mark tinha a faca em mãos e estava pronto para atacar, assim que a coisa virasse o corredor, deparando-se com eles.
Ele estava nervoso, é claro, mas mais do que nunca sentia que estava pronto para matá-lo.
Quando a criatura chegou, encontrando-os, não teve tempo de se defender. Mark o derrubou com um chute na barriga e quando ele estava no chão, um homem de mais ou menos 40 anos de idade, o garoto o apunhalou repetidamente na barriga, até as luzes brilhantes em seus olhos apagarem.
A sensação não era boa, mas ele tinha conseguido. Mark havia acabado de matar uma pessoa. Bem, não uma pessoa, na verdade, mas um parasita que clonou o cadáver de quem um dia já deveria ter sido um homem normal, como qualquer outro.
Kitty não estava em choque, apenas olhava com nojo para o cadáver da criatura.
– Vamos – Disse Mark.
Eles continuaram caminhando por corredores escuros, úmidos e vazios, até encontrar outra porta de vidro, a qual não possuía nenhuma placa que indicasse o que era aquela sala, mas eles podiam ver que era um local amplo e bem iluminado como o necrotério, mas dessa vez, vazio.
Eles entraram e ficaram observando o local por algum tempo. Era incrível.
Tinha uma tela grande na parede um painel cheio de botões. À esquerda, uma grande mesa, cujas cadeiras estavam vazias, cheia de papeis. E no centro, estava localizada a coisa que mais lhe chamou atenção. Uma maquete. Não era uma maquete qualquer, era uma réplica exata da floresta onde eles estavam. Havia a cabana no meio, o poço, tudo exatamente igual, mas em miniatura. Estava confuso, mas essa confusão acabaria.
– Vamos descobrir quem são eles – Disse ele.
***
Em uma sala não muito longe dali, havia uma única mesa de metal com um único corpo em cima. Layla.
Estava desacordada e vestia um longo vestido vermelho que contrastava com as paredes brancas do local, usando um batom vermelho e maquiagem feita impecavelmente.
***
Mark observou os papeis, enquanto Kitty estava sentada no chão ao lado de Ellen, olhando o ferimento dela.
Ele pegou uma ficha em uma pasta amarela e abriu. Ficou surpresa ao ver a certidão de nascimento, identidade e todos os documentos de Layla.
Em outros papeis, havia mais coisas sobre ela, como fotos e relatórios do que ela fazia.
Embaixo de uma pilha dos tais papeis, havia um controle com apenas um botão preto. Ele o apertou a grande tela na parede atrás de si foi ligada. Nela havia fotos de Layla, fotos dos seis amigos com o rosto dela circulado em vermelho e um nome em cima. “A escolhida”.
***
Enquanto isso, na sala branca, o corpo de Layla continuava imóvel, com os olhos fechados. Isso durou por pouco tempo, pois segundos depois ela abriu os olhos, mas eles estavam diferentes. Não eram os olhos comuns, eram buracos de uma luz brilhante. Ela havia se tornado uma criatura, mas não uma qualquer... Layla não tinha sido clonada, mas sim possuída. Seus olhos estavam vermelhos ao invés de azuis. Ela era a escolhida.
***
Mark continuava a achar vários papeis que só o deixavam mais confuso. Havia vários livros sobre os Maias, sobre o fim do mundo de acordo com eles.
Sem querer, Mark apertou o botão novamente, mas a tela não desligou, apenas mudou o conteúdo.
Agora não eram mais fotos que estavam no telão, eram palavras e números. Palavras e números que o deixaram em um misto de terror e confusão, ainda mais do que já estava.
***
Layla caminhava por um corredor escuro, em cujo final estava uma porta de vidro que dava na sala principal do laboratório. Era onde Mark, Kitty e Ellen estavam.
Ela estava com um sorriso malicioso no rosto e seus olhos vermelhos brilhavam como lava. O salto fino de seu sapato fazia barulho ao entrar em contato com piso de metal a cada passo que ela dava e as curvas do seu corpo estava bem marcadas no vestido justo.
***
– Kitty, venha ver isso – Disse ele, boquiaberto.
– O que?
Ela se levantou e caminhou até ele. Os dois ficaram olhando o telão.
– Oh meu deus – Disse ela, surpresa.
Havia uma passagem escrita na tela.
“Quando o dia chegar, todo o universo se curvará diante do poder de Lúcifer, deus da luz e da escuridão. Até o cair da noite, o mundo acabará em chamas, os gritos das almas queimadas serão ouvidos no céu e no inferno. O retorno do rei trará o caos e a destruição. O fim do mundo.”
Embaixo da passagem, havia uma data escrita em vermelho.
21 de Dezembro de 2012. O fim do mundo.
A porta se abriu e Layla entrou, com seu sorriso macabro e olhos vermelhos.
Mark e Kitty se viraram bem na hora de ver ela quebrando o pescoço de Ellen sem ao menos tocar, apenas erguendo a mão em direção à mulher.
– Bem-vindos ao inferno.
Fale com o autor