In.certo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Tem dias que me perco tentando entender o que existe aqui, o que nunca fez sentido e tudo que queria que fizesse. Nesses dias olho pro céu pra me tranquilizar e acabo ainda mais perdida naquela imensidão, naquele espaço todo e na vontade de te encontrar. Nesses dias eu duvido de tudo, de mim, de ti, de nós, até porque não sei o que é esse “nós”. Se existe um nós. Se existe.
Alguns dias me pergunto se não é uma coisa minha essa, sabe? Querer ser mais quando na verdade a gente não é. Mas sempre que pode, tu diz que sim e brinca sobre o futuro, um futuro que as vezes pra mim não é brincadeira. Na verdade, antes eu nem pensava assim sobre o futuro, não imaginava ter alguém nele, querer um lugar pra ficar, alguém pra me segurar, pra me dar e querer a calmaria e tranquilidade. Porque pra mim tudo sempre foi rápido e incerto, sem planos e nem alguém pra cuidar, me preocupar. Eu sempre quis correr pra longe, encarar o incerto, esse é tu agora. Mas nunca pensei querer transformar isso em certo, em vida calma, em chuva de fim de tarde com café, em gente.
E eu queria tanto olhar pros teus olhos e dizer tudo isso, largar esse peso que eu tô carregando a tanto tempo sem dividir com ninguém. Queria que toda essa distância desaparecesse, que a gente pudesse simplesmente se ver e deixar de lado todo esse medo. Queria. Quero. Largaria toda a certeza e chão firme que tenho aqui pra poder voar contigo, e se tivesse que voltar, sei que não me arrependeria. Mas se nunca soltar, se nunca te olhar, então vou me arrepender, de te deixar, de não te ter, de não ter me deixado te amar.
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