Incendio!

1 Freya e o Mal agradecido


Freya deixou as masmorras andando no modo automático, porque enquanto pensava em trabalhos e provas, seu corpo se dirigia até o grande salão — era o clube de duelos. Antes de deixar o salão comunal da Sonserina, recordou — se pegar o livro de feitiços. Era realmente aficcionada pela matéria.

Segundo elogios do professor Flitwick a Severo Snape, a garota tinha habilidades que a transformariam em uma auror de auto nível. Infelizmente, o objetivo com a feitiçaria era o estudo de poções. Afinal, como boa parte dos alunos da casa de Salazar, a admiração por Snape era algo corriqueiro.

Enquanto rumava ao salão principal, encontrou com Draco Malfoy, que caminhava sozinho. Naquele instante as provas e trabalhos deixaram de ser uma preocupação. O garoto de cabelos prateados quase nunca era visto sem a companhia de Crabbe e Goyle. Apertou o passo para se aproximar.

–- Er.. oi Draco — a voz de Freya era suave e aguda.

–- Hã, ah olá Ivanicht — ela odiava que ele a chamasse pelo sobrenome.

–- Parece preocupado com alguma coisa? — sempre tentava ser íntima.

–- Potter, espero poder duelar contra aquele moleque — disse com desprezo.

A caminhada dos dois foi interrompida por duas grandes armaduras que se postaram bloqueando a passagem. Ambos se entreolharam, tentaram desviar o caminho e foram interceptados novamente. Malfoy se irritou.

–- Isso é alguma palhaçada?

Freya sacou a varinha. Cerejeira, flexível de corda de coração de dragão. Malfoy fez o mesmo. As estátuas medievais tinham enormes espadas, quando os dois alunos se armaram, os oponentes também ficaram em posição de luta. O piso mármore, em atrito com barulho de arrasto dos metais, fizeram um barulho que incomodou.

–- Alguém usou Piertofolum Locomotor, devem ser alunos mais velhos — sugeriu Freya.

Malfoy não deu atenção. Antes mesmo de conjurar o primeiro feitiço foi atingido por um golpe cruzado do oponente. Caiu sentado e deslizou pelo chão liso. Freya correu para ajudá — lo. Havia dado as costas para o outro oponente, que armou um golpe.

–- Cuidado! — gritou Malfoy.

–- Protego! — conjurou Freya impedindo que o golpe os atingisse.

Dava para se ouvir risadas distantes.

As armaduras não cessaram, outra vez Malfoy teve que rolar para o lado para evitar um golpe desferido de cima para baixo. A espada arranhou o chão.

Freya e Malfoy tentaram correr, mas um dos homens de lata agarrou o garoto pela gola do uniforme. Ela, sem hesitar, disparou:

–- Expelliarmus! — e a estátua foi arremessada causando um estrondo.

–- Você me derrubou Ivanicht! — reclamou Malfoy.

A outra armadura veio correndo. Dessa vez foi ele que decidiu agir.

–- Bombarda — a explosão causou um tremendo ruido que ecoou por toda extensão do corredor. O poder separou a armadura em vários pedaços e também fez Malfoy ser arremessado. Era um feitiço poderoso para ser conjurado por um segundo anista.

Era questão de tempo até chegar algum monitor, ou professor. Mas, Freya queria saber quem armou tudo aquilo. Pensou em Parkinson, mas descartou — burra demais, forçou a mente para tentar achar um culpado.

Freya ajeitou seu uniforme, pegou o cachecol verde e prata do chão e o livro. Malfoy se recusou a receber ajuda para levantar de uma garota. Dessa vez ela se irritou.

–- Mal agradecido! — e saiu na frente pisando alto. Se martirizava por gostar de alguém como Malfoy.

Já tinha tomado uma certa distância quando ouviu um grito por socorro. Era Malfoy. Freya parou e pensou se deveria voltar e ajudá — lo. Decidiu que iria para descobrir quem estava armando tudo aquilo. Correu de volta para onde haviam lutado.

Uma das armaduras estava recuperada e tentava acertar Malfoy com socos e golpes com a pesada espada. Habilmente, Freya apontou sua varinha e com uma eficácia perfeita conjurou:

–- Alarte Ascendare — Ela pode sentir o peso da armadura como se estivesse em seus braços. O corpo do rival subiu um metro do chão e caiu, espalhando as peças.

Freya fechou os olhos e tentou ouvir da onde vinham as risadas. Olhou para as pilastras que margeavam o corredor e com a varinha apontada: Hommenum Revelio.

A dupla que armou aquela confusão apareceu. Os gêmeos Weasley. Vieram a tona engasgando de rir. O que deixou Malfoy e Freya irritados.

–- Nunca cansaremos de pregar uma peça em sonserinos! — falaram juntos.

Freya enfureceu. Largou o livro no chão e sem pensar muito os atacou:

–- Petrificus Totalus — Fred defendeu.

–- Ahhhhh, Incendio! — As labaredas que saíram da varinha de Freya poderiam ter causado um acidente grave.

Uma voz grave rompeu o ambiente. Causou arrepios em todos.

–- Acqua Eruto — uma barreira de água conteve as chamas. — Todos vocês estão completamente encrencados — disse o homem pálido, de feições duras e cabelo oleoso.

–- Professor Snape eu… — Malfoy tentou se defender

Como ele havia aparecido ali ia além da compreensão daqueles alunos.

–- Calado! — o tom de voz indicava uma detenção grave, para todos ali.

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