Incógnita: Sexo, Drogas e Rock N Roll
8 Descongestionador
Notas iniciais
Mas enfim, está aí. E espero que gostem... se alguém ainda estiver acompanhando a estéria T_T.
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PS: Vou responder os reviews entre hoje e amanha!
INCÓGNITA: SEXO, DROGAS E ROCK N ROLL
By Amanur
Capítulo 8 — Descongestionador
Estávamos nos locomovendo na área das Vacas Importantes Pastando, procurando por algum cantinho em que doze macacos e uma dama (ahém) pudessem ficar em paz. Mas onde quer que fôssemos, tinha alguém de pernas abertas, pagando calcinha, entre outras cositas não mencionáveis. Assim não dá, não é mesmo? Posso ser um monte de coisas, menos corna mansa. Sasuke reclamava, dizendo que eu estava de frescura, mas eu estava era louquinha da silva para pular no pescoço dele. O miserável simplesmente sorria para qualquer uma que sorrisse para ele. Exceto eu, é claro. Quando sorri para ele, o desgraçado fez careta e me perguntou o que eu comi de janta.
— Nada, ué... Não jantamos ainda. — respondi, sem entender o porquê da pergunta, né?!
— Tem um ponto verde não identificado nos seus dentes!
— É reserva do almoço, querido. Estou guardando para mais tarde. — err.
Ahém. Ok, eu também não colaborei...
Caminhamos mais um pouco por aqui, depois por ali, e nada de achar lugar para ficarmos. Eu já estava desistindo, prestes a pedir para que voltássemos para casa, quando alguém passou com lindos copos cheios numa bandeja. Os garçons pareciam ter saído de algum filme, todos muito bem engravatados, com seus cabelinhos lambidos. Não pisquei duas vezes. Roubei um copo e bebi tudinho num só gole. No entanto, muito convenientemente, Putakata encontra ninguém menos que o tal do Orochimaru caminhando por ali com duas moças, uma em cada braço.
Uma vez, eu ouvi dizer que as pessoas tendem a se agrupar com seus semelhantes. Sempre tive minhas dúvidas quanto a isso, por que passei a vida inteira fazendo amizade só com gente louca! E eu sou a pessoa mais sã que conheço! Uhum. Mas agora, olhando para o nosso groupie, percebo que preciso rever meus conceitos. Todos eles eram medonhos, e esse Orojaburu não era diferente. Lógico. Ele tinha um jeitinho, digamos assim, meio excêntrico demais. Sem falar que ele parecia uma gueixa de cara pintada de branco, com maquiagem super NOT discreta.
— Mininus! — sim, ele disse isso. E num piscar de olhos ele soltou as moças, e veio saltitando para o nosso lado — Que felicidade encontrá-los por aqui! Estão se divertindo? Já provaram os coquetéis da casa? — ele pôs as mãos sobre os ombros do Putakata e do rapaz dos dentes de piranha, cheio de intimidades.
Olhei para os lados. Amoreco cruzou os braços, olhando aquela cena com desconfiança, enquanto o emo fez o mesmo. E então, Sai se aproxima todo sorridente com um copo pela metade não mão.
— Adorei essa boate gay. Os travestis são da mais alta qualidade mesmo. Mal dá pra ver que são homens! Uma maravilha! Me sinto no paraíso. — e o coitadinho tomou mais um gole de sua bebida. Pelo brilhinho do olhar sexy, víamos que o coitado já estava mais para lá do que para cá.
Sasuke esbugalhou os olhos, fazendo careta, olhando para os lados. O paspalho não tinha se dado conta de que as Vacas Importantes Pastando eram, na verdade, um bando de cuecas. Bom, ainda assim eu não ia com a cara delas, só por que tinham mais peitos saltando para fora do que eu.
— Eu acho que esses palhaços estão zoando com a nossa cara! — Sasuke resmungou, entre os dentes.
— E daí, se estão? Já que estamos aqui, vamos aproveitar, ora bolas! — Gaara respondeu, dando de ombros.
Assim que Orojaburu pousou seus olhinhos mais melecados de rímel do que os meus em mim, largou de mão do Putakata para me abraçar.
— Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus! Eu não acredito niiiiiiiiiiissooooooo! É mesmo a banda mais gostosinha do mundo na minha boate? Gente, me abana, por que acho que vou ter um trequinho aqui!
Sasuke deu um tapa na própria cara em descrença.
— Venham, minhas crianças, vocês não precisam ficar aqui! Tenho um cantinho especial para só vocês! Não precisam se misturar com essa gentalha...
E então, o cara foi nos levando mais para os fundos, e atravessamos uma área ainda mais importante que a vip. Ultra vip. Somente convidados muito especiais eram autorizados a entrar.
Era uma sala ampla, com uma grande mesa redonda no centro. Bancos estofados em couro branco contornavam a mesa de vidro laminado. Dali, tínhamos uma boa vista para a pista de dança no primeiro piso, e ainda ficávamos bem de frente para a mesa do DJ.
A sala tinha capacidade para dez pessoas, mas demos um jeitinho carinhoso para que coubesse quatorze. Sentei no colo do emo, Naruto no Gaara, Sai no Lee e o Orochimaru no Neji que, coitado, bufava pelos poros se perguntando por que ele foi o escolhido. E eu como a única calcinha no meio daquele bando de cuecas, não me sentia muito bem. Bom, talvez essa não fosse exatamente a palavra mais apropriada, sabe como é, né? A carne é fraca e os homens são deuses... Ahém. Mas uma calcinha a mais para fazer companhia não seria de todo mal... Para manter a aparência de boa menina que sempre fui.
Ahém!... Maldita tosse incurável.
Mas vejam que gracinha! Eu refletia sobre isso — sobre a falta de calcinhas, quero dizer; e não a tosse! Err —, quando o Orochimaru pôs um pé sobre a mesa, reclamando sobre uma unha encravada. E então percebi que ele usava uma jaqueta de couro bem masculina, por cima de uma camisa branca sem estampa, mas... Estava com uma daquelas saias escocesas, um Kilt. E ele vestia uma calcinha branca rendada, mais fofa que a minha, entre as pernas cabeludas.
Que meigo... Quase me senti reconfortada.
Neji se contorcia embaixo dele, praguejando feitiços e maldições que ele inventava, como:
— Que nasça com três tetas na próxima encarnação, sua aberração! — ou então — Que esmague as bolas e caia o pinto, e depois morra faminto! — Neji e suas rimas... — Que fique careca e morra sem cueca, cheio de meleca no... Cu! — err.
Mas o cabeludo maquiado de saia fingia que não ouvia nadica. Sorria para todos, feliz da vida, menos com sua unha. E então, um garçom passou pela porta, e ele fez sinal pedindo-lhe para que trouxesse bebidas para o bando.
Enquanto esperávamos as benditas bebidas, ouvíamos meio que a contragosto, diga-se de passagem, o DJ fazer algumas mixagens com músicas da Lady Caca. E o emo conversava algo com o Putakata que havia sentado ao nosso lado, mas não consegui captar o assunto da conversa por que fiquei observando Neji dar nós cegos nos cabelos do Orochimaru sem que ele percebesse.
Música vai, música vem, e as bebidas também. Assim que elas foram postas na mesa, todas bonitinhas, organizadas por cor e tamanho ao lado de seus respectivos copos de cristais, saltamos em cima como formigas num açucareiro.
Tradução: como um bando de pinguços numa pinga.
— Mas o que é um peido para quem já está caçado? —Naruto resmungou, erguendo sua taça para um brinde com seu amigo imaginário.
— Cagado. — Amoreco o corrigiu — E eu espero que não seja o caso! — acrescentou, se remexendo de repente desconfortável ali embaixo do loiro.
Bom, fora isso, todos pareciam muito (in)feliz com suas bebidas no meio de toda aquela zoeira. Eu mencionei que a caixa de som ficava acima de nossas cabeças? Pois é; ficavam.
Alguns tentavam conversar animosamente sobre tudo e nada. O cara do chifres tatuados na testa conversava algo com o cara dos piercings, enquanto o ruivo três, mais novo, choramingava pitangas para o Naruto; algo sobre sua mamãe doente que não estava recebendo o tratamento adequado. Naruto parecia muito solidário com a causa, e sua bebida que ia goela abaixo como se fosse suquinho de laranja.
— Coitadiiinha! Ahhh, mas um negócio desses não pode acontecer não! — e então, o idiota tirou do bolso da calça sua carteira, e sacou um talão de cheques — Se tem uma coisa que eu não suporto ver, é uma mãe doente. A minha morreu de Tefode, sabe? Não recebeu o tratamento adequado.
— Tifóide...
— Isso. Eu sinto falta das mamadeiras de banana com Nescau até hoje. — o loiro resmungou, com os olhinhos cheios de lágrimas.
— Mamadeiras? — o ruivinho indagou incrédulo, é lógico.
— Ah, err, bom, quero dizer, vitaminas de banana com Nescau. Ótimo energético, e cheio de fibras. Ótimo para intestino preguiçoso, sabe...
Sei. Sei que vi o loiro escrever algo na folha de cheque, e entregar ao ruivo que só faltou beijar os pés do loiro. Por que beijou cada dedinho das mãos dele!
— Cuide muito bem desses dedos, ouviu!? Abençoado seja! Que Deus lhe pague! Você é o melhor guitarrista do mundo!
— Tsc! Esse é o Slash e Jimi Hendrix... E Deus lhe pague, uma ova! Quem tem que pagar é você, seu vagabundo! — Amoreco resmungou, bebendo do gargalo de uma garrafa de Tequila. Em seguida, esbaforejou como um dragão. Só faltou o fogo saindo pela boca, mas eu tinha certeza que um isqueiro ali perto daria conta do recado.
Bom, resolvi deixar essa história de lado, por que dinheiro alheio, apesar de bom em apostas, não é da minha conta. Eu tive que fazer uma pausa básica e dramática para reparar num detalhe. Um detalhe pequeno, mas incrivelmente perturbador que não fazia muito sentindo. O silêncio. Mas não que o lugar tivesse ficado silencioso, assim, de repente, quero dizer. Pelo contrário! Além das caixas de som, os meninos berravam para manter a comunicação. Mas no meio de todas aquelas vozes, a ausência de uma determinada voz, em particular, fez falta em meus ouvidos. Bem, não no sentido de sentir saudade, na verdade. Antes ele calado do que tagarelando! Mas como aquilo, no mundo em que eu vivo, não existe, estranhei né?
Estaria o emo morto? Virei a cabeça para olhar o corpo abaixo da minha bunda.
Não. O emo dormia como um anjinho cansado e... Com uma patinha no meio das minhas pernas, por que sabe como é... Ele gosta de manter as aparências, de moço bonzão e macho. $@#&$Y#IQRYEWRUIGWTYRU$T6RUEY!
Então, lembrei de uma coisa. Eu tinha uma caneta preta na minha bolsa. Muahahahahaha!
Quem nunca fez traquinagem na vida, não sabe o que é viver no limite, não é mesmo?
Enfim, estávamos na terceira rodada de bebidas. Neji, coitado, já confundia o Orochimaru com uma japonesa, e abraçava o cara por trás trocando suas experiências e afinidades com gatos. Err.
Lee, Sai, o cara dos piercings, Naruto e Amoreco, dançavam no pouco espaço que tínhamos a música da Lady Caca, que insistia em tocar na mesa do DJ. Mas acho que o pior mesmo era ouvir os meninos cantarem, enquanto dançavam também.
I wanna roll with him a hard pair we will be (Ay)
Eu quero sair com ele, seremos um casal durão
A little gambling is fun when you're with me
Um joguinho é divertido quando você está comigo
(I love it)
(eu amo isso!)
Russian Roulette is not the same without a gun
Roleta Russa não é a mesma coisa sem uma arma
And baby when it's love,
E querido, quando é amor
if its not rough it isn't fun (fun)
se não é selvagem, não é divertido (divertido!)
Oh, woah, oh, oh, oh-oh-e-oh-oh-oh
I'll get him hot, show him what I've got
Eu vou deixá-lo excitado, mostrar o que eu tenho
Oh, woah, oh, oh, oh-oh-e-oh-oh-oh
I'll get him hot, show him what I've got
Eu vou deixá-lo excitado, mostrar o que eu tenho
Nisso, os meninos repetiam cantando o refrão enquanto dançavam, fazendo gestos um tanto quanto inapropriados, mas em seguida caiam na risada. Se o emo estivesse acordado, eu tinha certeza que daria um belo chute na traseira deles por estarem arruinando a imagem da banda.
Aliás, só então, me dei conta de como diabos o emo poderia estar roncando naquela zoeira toda. Por mais cansado que estivesse, acho que não seria muito possível, a não ser que... Bom, para falar a verdade, eu também estava mais para lá do que para cá, principalmente quando o Putakata me puxou para dançar a música seguinte. Era algo mais lento, que exigisse um pouco de aproximação de corpos que, em circunstâncias normais, eu não teria aceitado.
Mas eu já disse que estava bêbada, né? E que ele não era de se jogar fora... E que lembrava, talvez vagamente, o emo... Havia um “Q” maiúsculo de Sasuke nele. Os olhos, o cabelo... Não sei bem o que era. O perfume masculino, talvez. Ou o olhar felino, meio bobo, meio selvagem.
Enfim, passei os braços no pescoço dele, enquanto ele abraçou minha cintura. Do outro lado da sala, Sai dançava com Naruto, enquanto Lee não parava de rir, no sofá, de alguma piada que ouviu do cara chifrudo que já tinha algo fumegante na boca. Orochimaru também fumava algo, sentado ao lado do Neji que chorava por causa da fumaça do outro, mas ria como um retardado.
— Você realmente não se lembra de mim? — o cara do xixi perguntou, com os lábios colados ao meu ouvido.
Fiz que não com a cabeça, que pesava um saco de batatas.
— Me deixa triste saber que fui tão insignificante... Mas suponho que não deveria me sentir assim, já que... Bem, sempre fiquei nas sombras dos outros enquanto você brilhava na luz do sol.
Ohhhhh... Enchi os olhos de lágrimas emotivas, lacrimejando álcool. Acho que nunca ninguém disse algo tão fofo pra mim. Ok, aquilo não era um poema Shakespeariano, mas já era melhor do que “Sarakura do banhando com o cu cagado”! Ou então: “Me empresta dez pratas, neném?” Err.
— Ah, não diga isso, Putakata. Tenho certeza que você não foi um forever alone... Tão bonitinho, engraçadinho, esperto (eu acho), malhado... Quero dizer, suado. Você deve ter suas qualidades... Vejamos... Ótimo catador de dejetos, talvez? — err — Eu tenho péssima memória mesmo, sabe? Mas talvez, de repente... — mordi a ponta do polegar, espremendo o cérebro alcoolizado a pensar — Eu me lembre sim de você... Só que não me lembro! — err.
— Ah, não se preocupe com isso. — ele diz — Já estou acostumado a ser esquecido.
Coitadinho.
— Bom, prometo que me esforçarei a não esquecê-lo desta vez, está bem? — lhe disse, com toda a minha sinceridade.
— Suponho que isso seja melhor do que nada! — ele resmungou, alcançando mais uma garrafa de Martini da mesa, e me ofereceu — Mais bebida? Você sabe... Para celebrar nossa nova amizade que, talvez, não será esquecida... — sabe aqueles olhos do gato de botas, do filme do Shrek? Ele fez aquilo. E não pude resistir né.
— Claro que sim, amigo! Seremos amigos para sempre! Como os ursinhos carinhosos. Cinco, quatro, três, dois, um! — entonei a garrafa, bebi alguns bons goles, e passei para ele.
Em seguida, a música foi trocada por algo mais agitado. Neji subiu na mesa de vidro, e começou a dançar e cantar, enquanto o sobrancelhudo vomitava arco-íris. Mas não por que estivesse encantado com alguma coisa fofa por perto. Ele vomitava, literalmente, líquidos coloridos daquela mistureba toda que ele enfiou no estômago. Se eu não me cuidasse, estaria na mesma situação também por que já tinha misturado vodca com Martini e Tequila. Meu estômago já revirava, mas eu fingia estar tudo bem para não estragar a diversão. Pelo menos, Lee parecia divertido, achando que estava apto para mais uma rodada, já que havia botado tudo para fora.
Orochimaru chamou um garçom para limpar aquela meleca toda, enquanto me sentei no sofá reparando que o emo não estava mais a vista. Quando fiz menção em levantar, Neji pulou da mesa para o meu lado, passando o braço atrás de mim.
— Princesa, beleza, proeza da natureza! Dance comigo também! Hum? — seu sorriso ia de ponta a ponta, com aquelas covinhas nas bochechas, tão fofinho, tão bonitinho, tão gostosinho... Ahém. O emo. Preciso achar o emo.
Não, as covinhas. São tão mais alegres e fofinhas.
— Neji, você é terrível rimador! — lhe disse, mas sorrindo para ele por que aquele sorriso me incentivava a isso. Ele deu de ombros, e me puxou para cima da mesa.
— Talvez seja por que você está faltando na minha vida. — ele disse, todo galanteador, enchendo minhas bochechas de vergonha.
— Hahaha! Seu bobinho. — lhe dei um tapa no braço que saiu mais forte do que deveria, e acabei desequilibrando o coitado. Ops.
Não sei que música estava tocando, mas era algo que se revezava entre o lento e o agitado. Quando vinha a parte lenta, ele colava meu corpo ao dele, passando a mão em minha coxa como se estivesse dançando tango. Quando vinha algo mais agitado, me rodopiava na mesa como se estivesse dançando lambada. Eu não parava de rir, feito retardada também. E sabia que o Orochimaru nos encarava emburrado, entonado suas garravas de uísque caro, dividindo-a com o Amoreco que, por sua vez, por alguma razão, não parecia muito animado.
Girada vai, girada vem. Quando colei o corpo ao dele outra vez, o demônio me beijou. Um beijo terno, um selinho. Mas um selo profundo, aspirado, desejado, necessitado. Quando me dei conta de que ele não era o Sasuke, lentamente, fui abaixando a cabeça para nos separar.
Ele manteve a testa junta à minha, no entanto, me olhando diretamente nos olhos.
— Onde está seu namorado que não está se divertindo aqui com você? — ele indagou, meio ao sussurro.
Mas percebi que havia um brilho de... Alegria, contentamento... Ou talvez esperança, nos olhos dele.
— O que você está insinuando, Neji?
— Nada, princesa... — ele passou o polegar no meu lábio inferior, como se limpasse o batom borrado que eu não usava. Em seguida, desceu da mesa e sentou ao lado do dono da boate, outra vez. E fingiu que eu não estava ali, de pé sobre a mesa, olhando para ele, tentando entender o que havia acabado de acontecer.
De repente, Sai apareceu atrás de mim e me ajudou a descer. Mas só por que ele queria pegar o meu lugar, para dançar com Naruto.
— Desce daí, baranga, que agora é nossa vez! — err.
— Naruto, não deixe ele se transformar! — lhe disse.
— Sai digi-transforma para: SAIAGARUMON! Aiaehiaehaiehaiheiahi! — o loiro esbraveja, aos risos.
Revirei os olhos. Eu havia retirado meus sapatos para dançar, e os chutei para baixo do sofá para que não ficassem no caminho, já que o local era meio apertado. Me abaixei para pegá-los de volta, e vi um saquinho plástico vazio ao lado das minhas sandálias. O saco era estreito, perfeito para abrigar algo tão comprido quanto... Um talher, talvez. O que era estranho, já que só tínhamos bebidas e copos ali.
Joguei meu sapato sobre o sofá, e olhei em volta. Sai e o loiro sobre a mesa, Neji conversando com Orochimaru e Gaara emburrado ao lado, tendo um caso de amor com uma garrafa. Lee continuava rindo, e só então me dei conta de que o japa dois existia por que estava enrolando num papel orégano para fumar. Quando me viu, piscou o olho, e eu lhe mostrei meu dedo do meio. Já estava começando a ficar farta daquela coisa. O que não era bom, por que eu tenderia a perder a compostura na falta de paciência. E acredite!, não queiram me ver sem ela!
O cara dos chifres fumava algo também, enquanto conversava com o ruivo três. Mas notei também que faltava o Emo, o Putakata e o ruivo dos piercings.
Um calafrio percorreu em minha espinha, e dei as costas para aquela sala. Fui marchando pelos corredores, empurrando gente para lá e para cá, enquanto a música alta parecia vibrar no peito. De repente, comecei a sentir falta de ar e os olhos iam lacrimejando.
Porcaria. Não era para nada disse ter acontecido!
Bati em todas as portas que encontrei, e comecei a perguntar às pessoas por onde o emo estava.
—... Um cara alto, moreno, emo, marrento, meio mal-humorado, cretino, filho da mãe, do pai, do filho e do Espirito Santo, amém! Você viu? — a moça me olhou torto, da cabeça aos pés, e me deu as costas. Tsc.
Meu corpo inteiro estava começando a ficar pesado. Os passos iam se arrastando pelo chão, enquanto senti o coração dar uma leve acelerada, e meus ouvidos zunirem como se tivesse um mosquito me sondando. Busquei apoio nas paredes, para não cair de cara no chão.
Argh! A história da minha vida. Sempre me ferro. E ainda tinha a ligeira impressão de que não era somente o álcool fazendo aquele efeito em mim. Além da raiva e frustração, é claro, acho que havia mais algum elemento químico borbulhando nas veias. Suspirei, aguentando firme.
— Aguenta firme, Sakura. Você é durona, lembre-se disso! — disse a mim mesma. Afinal, não era hora para bancar a mocinha delicada naquele momento.
Desci as escadas até o primeiro piso. Mas fui descendo um degrau por vez, fazendo uma paradinha para respirar como se fosse uma velha gagá, cansada. Depois, fui até o balcão de bebidas e olhei em volta. O lugar parecia ainda mais apinhado de gente, e ainda mais barulhento. Haavia odores estranhos para todos os lados, e eles pareciam empregnar na pele como uma maldição, e isso me causou arrepios. Ou talvez fosse apenas impressão minha. Seja o que for, foi pelo que cruzei os dedos. Tudo o que menos precisava era lidar com algum macumbeiro. Eu hein.
Enfim, os globos de espelhos, pendurados no teto, refletiam as cores vibrantes das luzes que giravam no ambiente, e ofuscavam meus olhos. Minha cabeça começou a doer, como se alguém perfurasse meu crânio com uma maldita furadeira, e comecei a ver coisas girar a minha frente.
Tipo assim, né, maravilha. Tudo de bom para você Sakurinha. Morra no inferno, cretina! Tsc! Que raiva! E eu ali, naquela aflição toda, atrás daquele maldito. Espero que esteja defecando no banheiro...
Saí cambaleando, feito barata tonta, meio esmagada, meio atolada. Encontrei as portas do banheiro. Bom, entrei, assim de supetão mesmo, na porta com o menininho desenhado na placa. Os mictórios estavam todos alojados, um do ladinho do outro, sem nenhuma divisória. Aos fundos, no entanto, havia cinco portinhas que suspeitei serem reservados para o número dois. Havia um cara fazendo xixi, mas ele parecia ter dormido ali, de pé, com a cabeça encostada na parede. E as portinhas do número dois estavam todas abertas. Ou seja, necas do emo...
Saltei para fora do banheiro, mergulhando naquela multidão, outra vez. Até que achei um corredor iluminado com uma lâmpada vermelha, mais ao fundo, como se dissesse: proibido entrar.
Mas credo! É lógico que eu entrei, né? Pelo menos, o som parecia não alcançar muito bem aquela área, e dei aleluia por isso, por aliviar um pouco a pressão que sentia no cabeção. No entanto, meus pés continuaram a se arrastar pelo corredor como se estivesse arrastando grilhões, até uma porta metálica ao fundo. Algo me dizia que estava indo pelo caminho certo.
Ou não. Depende do ponto de vista.
Ao abrir a porta, encontrei o Emo inclinado sobre uma mesinha baixa, de tampo de vidro. Ele estava de joelhos no chão, com um canudo de refrigerante no nariz, aspirando um pó branco. Quando me viu ali, parada com os braços cruzados, ele praguejou.
— Agora fudeu, Romeu... Hehehe.
— Me diz que isso é um medicamento novo para desentupir nariz, Sasuke.*
— Descongestionador nasal. Uhum. Claro, é isso sim! — e em seguida, ele caiu na risada, enquanto o cara dos piercings ria junto.
Claro. E eu ali, com cara de palhaça zumbi, por que, né... Era como eu me sentia no momento. Prestes a bater as botas. E ainda por cima, tinha que bancar a babá de marmanjo. #UT$#&RYEI@U#EWY%WY#$!
Mas então, de repente, Putakata aparece por trás de mim, todo esbaforido, como se tivesse corrido uma maratona. Quando nos viu, soltou um longo e cansado suspiro.
— Eu estava procurando por você Nagato. E é isso o que está fazendo? Você me desaponta... — ele resmunga. E então olha para mim. Mas seu olhar ficou preso nos meus por mais tempo do que desejei — Sinto muito Sakura. Eu soube do probleminha do seu namorado. Se eu soubesse, não teria permitido que meus amigos tivessem se aproximado de vocês. Juro que não foi intensão minha que isso acontecesse... Eu só... Queria ficar mais perto de você. — e então, abaixou os olhos para os pés, como se estivesse constrangido.
Sasuke continuava a rir como um idiota, junto o outro ruivo. Chegavam a rolar no chão. E tudo o que eu queria era correr para o mais longe dali, ou desabar naquele mesmo chão e tirar uma longa e merecida soneca. Mas quando o cara do xixi pôs a mão no meu ombro, eu saltei no pescoço dele e o abracei. Sufoquei as lágrimas, como sempre fazia, e fechei os olhos para descansar. Só que acabei apagando de vez.
Notas finais
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*Quero agradecer à Lizpitta por ter me autorizado a colocar na fic essa frase, que foi ela quem disse nos comentários. As vezes recebo comentário hilários! :D
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