Notas iniciais
GOOOOOOOOOOOOOOOOOD MORNING VIETNAM! Bom, não é de manhã, mas tudo bem. Primeiramente, queria avisar que hoje, dia 7, faz exatos 130 anos que os pais de Adolf Hitler se casaram, e 10 anos que Rosemary Kennedy, a irmã do ex-presidente John F. Kennedy morreu. BUT ALSOOOOO, É meu aniversário! Então... Aproveitem esse capítulo, como o meu presente procêis! Allons-y! -Paperpack Writer

Ao trabalhar em uma biblioteca, jamais imaginei encontrar tal foto. Novamente, Moriarty e Faster, como grandes amigos.

Como grandes amigos.

Como velhos inimigos.

O que eu mais queria saber era o que os levaram a se tornar o que são hoje.

Com os dedos trémulos, liguei para Lola e expliquei o que aconteceu. Lola, do jeito esquentada que é, chamou todos para uma reunião. E agora, cá estamos nós, indo para a Índia. Que... Divertido.

Compramos as primeiras passagens que achamos, fizemos as malas às pressas e fomos ao aeroporto Heathrow, aguardar pacientemente nosso voo, que não tardou a chegar, mostrando ser um daqueles aviões antigos que não deveriam mais voar por ai. Mas tudo bem, tudo bem.

Foram, definitivamente as 9 horas mais assustadoras da minha vida. Encontramos dês de chuvas com raios e trovoadas a turbulências. Adorável.

Quando chegamos, já noite, conseguimos um taxi que nos levou até um hotel no meio do nada, para passarmos a noite. Nos acomodamos e conseguimos dormir, embora suássemos como porcos. Afinal, na Inglaterra podia estar quente, mas não se comparava ao calor da Índia.

Na manhã seguinte, Nick nos acordava, quase jogando água fria em nossas cabeças – O que não seria uma má ideia – E, por insistência da adorável loira, nos levantamos e nos arrumamos.

– Meu Deus! – Nick exclamou – Como vocês demoram! Se continuarem assim, Moriarty vai escapar bem debaixo de nossos narizes.

– Nicole Vallentina Williams. – Lola disse, séria. – Se você me apressar mais uma vez de merda, eu faço você e o seu cantorzinho de churrascaria à falência ficarem estéril. Estamos entendidas?

Nick arregalou os olhos, gargalhando em seguida, enquanto Lola ainda mantinha a pose séria e irritada, enquanto afivelava seu salto alto preto.

– Lola, amor…zinho... – Eu disse pausadamente, enquanto tentava colocar lentes de contato. O calor fazia com que meus óculos escorregassem para a ponta de meu nariz, o que já começava a me irritar. – Você... Não vai de... Salto... Vai?

– Vou. – A ruiva sorriu. – Nunca se sabe quando vamos precisar de uma arma mais à mão... Embora eu vá levar um revolver, também.

– Não acho que seja uma boa ideia... Se precisarmos correr e tudo mais. – Nick disse, amarrando o cadarço do All Star azul.

Lola apenas suspirou, enquanto abria a porta ao me ver sair do banheiro, ainda piscando mais do que o normal, tentando me acostumar à falta de algo em meu rosto.

Os rapazes estavam no hall do hotel, sentados em cadeiras de madeiras, certamente suando mais do que nós. Nos despedimos do porteiro, perguntando como chegaríamos no centro. Logo depois de recebermos as coordenadas, estávamos à caminho do centro de Dali.

O centro era cheiro de barracas, vendendo tudo o que poderíamos imaginar. Ocasionalmente, nos deparávamos com encantadores de cobra, faquires, malabaristas, e até mesmo pessoas que deitavam em uma tábua cheia de pregos virados para cima.

– Quanto mais pregos, mais fácil é… — Disse Keith. – O peso do corpo f...

– Não. Estrague. A. Porra. Da. Magia. – Jace disse, olhando fascinado para a cama, depositando algumas moedas no chapéu ao lado do homem, que logo as viu, olhando-nos confusos. As moedas no bolso de Jace eram libras. Mas o loiro e James já estavam muito longe para trocar as moedas.

– Casal vinte! – Nick disse, revirando os olhos, e rindo. James não tardou a voltar para o lado da loira. – Ah, James... Já pensou, se no nosso casamento eu usar um sári?

– Sári? Achei que o nome era burca. – Ele fez uma cara confusa, arrancando-nos risos. – É... Seria bonito...

– Acho os casamentos deles tão lindos... – Nick disse, sonhadora. – E...

Antes que pudesse falar, o homem da cama de pregos veio até nós, correndo com seu chapéu em mãos.

– Olha, amigo... Eu não tenho outro tipo de moeda... Sinto muito... – Jace disse.

– Vocês são britânicos! – O homem disse com seu característico sotaque, apontando seu dedo moreno para nós.

– Eu sou russo, na verdade. A ruiva também. Aliás, Jace. – Ele estendeu a mão para o indiano, que olhou-a com receio.

– Então ainda não sabem sobre o assassinato do jovem Koothrappali.

– Koothr... O que? – Lola perguntou.

– É por isso que os guardas estão por ai. Koothrappali não pularia do prédio. Eu sei que não. Vocês sabem que não. Nós sabemos que não! Krishna sabe que não. – Ele disse, irritado, saindo e bufando logo em seguida.

Quem liga pro sentido?

Eu não.

Nos entreolhamos, e logo caímos na risada. Aquilo não fazia sentido algum! Por que diabos aquele homem falara com nós?

– Só eu que acho que o Moriarty tem alguma coisa a ver com isso…? — Keith disse. – Coisas sem sentido, um assassinato barra suicídio, não sei, mas isso é a cara dele…

– Bom... Até pode ser… Mas se ele veio até aqui, não iria querer ficar em evidencia... – Eu disse.

– Ele é o Moriarty, Els. – Keith deu de ombros, suspirando. – O que podemos esp… — Ele parou por um momento, olhando para os lados, respirando rapidamente. – C10H8.

– Pais químicos. – Eu disse, antes que algumas faces estampassem dúvida. – C10H8 é... Naftalina, certo?

– Sim. – Ele concordou. – Para que as pessoas usam naftalinas? Traças... Gatos... Por que raios alguém usaria naftalina na rua?

– Podem estar vendendo... – Nick disse – Vendem tanta coisa...

– Não... Eles vendem em saquinhos. O cheiro não é forte assim. Aliás... O cheiro não é tão forte assim… Ou são muitas, ou estão todas em pedaços...

– Cara, eu não sinto nada. – James disse, ficando na ponta dos pés.

– Pudera, olha o nariz dele, agora olha o seu... – Eu disse, rindo. Keith apenas me olhou e revirou os olhos, também rindo.

– James... Não é por nada não, mas tá bem forte... – Jace disse, apontando para uma construção precária de madeira à nossa direita. – Parece que vem dali...

Corremos até onde Jace nos apontara, mostrando que seu olfato era tão apurado quanto imaginávamos. O chão de madeira escuro da construção estava empoeirado, e a naftalina, branca e em pedaços estava no centro, colocadas no chão de maneira que formassem uma frase:

“Venham me pegar

K.M”

– Psicopático, mas inteligente. – Nick disse, arqueando as sobrancelhas.

– Alguma dúvida de que aquele senhor tem alguma coisa a ver com o Moriarty? – Lola falou, indo até a naftalina, mas se afastando rapidamente e tossindo. – Bleh, isso é horrível.

– Eu acho... – Disse – Que deveríamos ir para o necrotério daqui, procurar esse corpo, por que, sejamos francos, aposto que isso vai nos levar ao Moriarty.

Todos concordaram com minha ideia, e ao sair da rua movimentada, conseguimos uma espécie de táxi que nos levou até o necrotério, que ficava no subsolo de um hospital. Era um senhor bem gentil, que conversava conosco enquanto escutava Ravi Shankar.

Quando entramos, percebemos que por mais que parecesse fácil entrar no prédio, estávamos enganados. Dois guardas ficavam na entrada do corredor morno, e eu não conseguia pensar em outra maneira de entrar lá sem chamar atenção desnecessária, ou machucar os homens. Foi quando Nick começou a chorar. Quase gritei com a loira, até perceber que aquela seria nossa chave para entrar na sala. Entraríamos como parentes de um doente.

Enquanto fazíamos nosso teatro, fomos barrados na porta por um dos guardas. Keith olhou para o homem alto e forte, e disse seriamente, imitando o sotaque indiano:

– Estamos aqui para visitar Lakshmi Khan. Somos amigos dela, então, se por favor nos deixar entrar...

– Não há Lakshmi Khan nesse hospital, senhor. Peço que se retire. – O homem disse, impassível.

– Andar dois. Ela caiu da... Escada.

O homem olhou em uma longa lista em seu bolso, e pareceu convencido por um momento, então voltou a falar com sua voz grossa:

– Seis pessoas não podem entrar. O máximo é quatro, normas do hospital.

Merda, merda, merda.

Keith olhou para nós, e olhamos para Nick, que estava nos braços de James. Tão fofo que eu quase vomitei arco-íris. Os olhares se voltaram para mim e eu meti a mão no bolso de Jace, rezando para nem o loiro nem Lola verem, e colocando a carteira dele no bolso do meu shorts. Enquanto íamos para o corredor, deixando o casal 20 para trás, tirei meu celular do bolso e apontei para Jace, que piscou um olho, logo, a mensagem “Procure Moriarty no prédio” Já estava em seu celular antes mesmo de entrarmos no elevador.

– Lakshmi Khan… — Disse James, fechando a porta do elevador. – Como sabia dela?

– Na feira, ouvi falarem sobre ela. – Keith deu de ombros. – Aperte o -1, por favor.

Descemos até o subsolo, onde nos deparamos com uma sala cheia de armários, e uma porta branca. Nosso destino. Um homem vigiava, mas ainda sim, estava sendo mais fácil do que eu pensara. Tirei um documento falso de policial, que sabia que Jace carregava em sua carteira, o homem apenas concordou, nos abrindo passagem. Atravessamos a porta e vimos a fileira de corpos, o cheiro de formol e decomposição. Nick colocou as mãos na frente dos lábios, eu prendi a respiração, seguindo as fileiras, sem nem saber o nome do rapaz. Foi quando percebi que um dos defuntos estava deitado de costas, com o lençol parado em suas nádegas.

– Olhe para trás... – James leu, aparecendo ao meu lado.

Em câmera lenta, todos olhamos para trás. E lá estava ele, rindo como um palhaço de circo.

Moriarty.

Ouvimos o som de algo caindo, vulgo, o segurança. Pude ver a cabeleira ruiva de Lola aparecer por trás da porta, junto com Jace, ambos esmurrando a porta, agora trancada.

– Ouvi dizer que leões e corujas têm uma ótima audição... Parece que é mentira. – Ele soltou um riso frouxo, dando de ombros. – Oh! Corujinha está sem seus óculos. Mechas roxas, é? Combinam com seus olhos, Nicole.

– Meu Deus! Cale a boca, seu... Psicopata!

– Vindo de você, parece até elogio. – Moriarty disse, afastando os pés de um corpo e sentando na cama. Enquanto isso, Jace e Lola continuavam esmurrando a porta como se não houvesse amanhã.

Nick fechou a cara ao ouvir o que Moriarty dissera, enquanto James correu até a porta para destranca-la, fazendo Jace e Lola entrarem correndo, Jace, com a arma de Lola em mãos, deu dois disparos.

– NÃO ATIRA! NÃO ATIRA! – Eu gritei, agachada, com medo dos disparos. Me levantei e voltei a falar – Não se atira sem ter certeza, Jace. Nunca.

– ELE TÁ AÍ, ELEANOR! – Ele gritou de volta. Lola, esbaforida, foi até Moriarty, com as mãos em forma de garras, em direção ao seu pescoço.

– LOLA! NÃO! – Nick disse, correndo até a ruiva e a segurando. – NINGUÉM TOCA NELE.

Ficamos todos parados, enquanto a risada de Moriarty ecoava pela sala.

– Tolos. Grandes tolos. É isso o que vocês são. – Ele dizia, andando pela sala. – Me procuram até aqui, mas não podem me matar. Porque vocêsprecisam de mim. Sem mim, não há como descobrirem o que aconteceu com a doce Victoria. Isso é tão divertido! – Moriarty bateu palmas. – Só que, da minha boca, vocês não vão ouvir nada. É perda de tempo, já aviso. Desistam. Voltem para suas casas, fiquem na frente da televisão com um pote de sorvete e me vejam enriquecer e ter o mundo na palma da minha mão. Mas devo dizer, foi esperto o que fizeram para conseguir entrar aqui.

– Ora, cale a boca seu verm... – James ia dizendo, até que Moriarty foi até ele, ficando cara a cara.

– Cuide dessa sua boca, ou eu faço o casamento de vocês um inferno. – Ameaçou, voltando a se sentar. – Ai, vocês cansam as vezes, sabia? Que mesmice. Vocês me acham, querem me matar, não matam, eu saio por aquela porta e vou deliciar caviar com champagne. Fim.

– Por que? – Keith perguntou. – Por que tudo isso? Você não precisa desse esforço todo, e sabe disso. Então qual é a necessidade?

– Primeiro, me divertir montando todo esse quebra cabeça, contratando pessoas, vai por mim, é divertido. A segunda coisa, é que eu ainda vou ver vocês se ajoelhando aos meus pés, pedindo respostas.

– Vai sonhando. – Lola disse. – Nunca que eu me ajoelharia nesse chão sujo. Ainda mais por você.

– É o que veremos, White. – Moriarty disse, cruzando as pernas e nos encarando de sobrancelhas erguidas.

– Se... Se um de nós... Fizermos isso... – Eu perguntei – Vai, ao menos, no dizer alguma coisa sobre o assassinato da Vic?

– Sou um homem de palavra, não sou?

Não.

Eu estava para ajoelhar. Sim, eu ia, certamente. No momento, pouco me importava a humilhação, eu só não aguentava mais ter perguntas com respostas que jamais chegariam aos meus ouvidos.

Keith agarrou meu antebraço, negando com a cabeça, e sussurrando:

Enlouqueceu, é?

Olhei para baixo, sem encara-lo, e afirmei a cabeça. Mas enquanto eu caminhava até ele, o mesmo ouviu a porta ser aberta, e correu até o canto da sala, chutando o chão e passando por lá.

– Mas o qu...? – Jace disse, confuso.

Os guardas passaram por nós, agarrando nossos braços e nos arrastando até os carros de polícia.

Se acalme, leitor, Jace pagou a fiança de tudo.

O único problema é que fomos gentilmente deportados da Índia.

Divertido, não?

Notas finais
Espero que tenham gostado. -PW