In the flesh

17 Chorando, como sempre fiz a vida inteira.


Notas iniciais
Oi gente, tudo certo com vocês? Aproveitem o cap, ele é decisivo e até nos surpreendeu. Boa leitura - Miin

Povs Lola

– Vamos, gente!!! Nem peguei tão pesado assim com vocês!!! – disse eu para dois treinadores MMA da empresa, no centro de treinamento que agora eu frequentava todo o dia.

– Chega, Lola, eu já vou ficar com uns belos hematomas essa semana... – disse ele ajudando o seu parceiro a levantar gemendo de dor.

– Okay... mesmo assim, obrigado... – disse enquanto eles saiam pela porta.

Precisava arranjar alguém para matar, perseguir, espancar, torturar e afins. Jace não me mandou mais mensagens, não me ligava, ou queria olhar na minha cara, o que estava me quebrando por dentro, já que ele foi o único homem filho da puta que eu amei. Acho que não agüentava mais nenhuma leve pressão de qualquer coisa, de qualquer pessoa, que eu já iria desabar no colo chorando. Cheguei no apartamento e as meninas estavam lá.

– Oi – disse cabisbaixa.

– Oi Lolita – disse Els do sofá assistindo tv.

– Fala, ruiva!! – gritou Nick da cozinha.- Estou fazendo chocolate quente, quer?

– Quero sim, obrigada...

– O QUE? – disse Nick aparecendo na porta da sala com 3 canecas de chocolate quente.

– Eu disse obrigada.

– Lola... você... você, nunca diz obrigada. – disse Els se endireitando no sofá e me olhando.

– Eu... eu sei... deveria dizer mais vezes...

– LOLA! Para com isso!!! Você NÃO é educada e muito menos boazinha! O que aconteceu com você??? – disse Nick me segurando pelos ombros.

– Eu to mau, gente...e... não consigo... aquele filho da puta sambou em cima do meu coração... EU NEM SABIA QUE TINHA UM!!!

Jace Sanders. Jace Ruskova. Jace. Foi o homem por quem eu me apaixonei, eu estava brincando com ele no começo, mas aqueles olhos castanhos brilhantes, o cabelo loiro e o sorriso, principalmente o sorriso, aquele sorriso de muleque que parece que sempre esta aprontando alguma coisa, eu cai na própria teia.

– Lola, não chora...- disse Els levantando.

– Eu não vou chorar, não por ele. – disse olhando para cima para as lagrimas não escorrerem. – Preciso dar uma volta. – disse pegando a chave do meu carro e saindo pela porta.

Quando cheguei no meu no carro, preso no limpador de para brisa estava uma carta, meu coração bateu mais rápido, minha respiração acelerou, o que seria aquilo? Um aviso? Uma conta? Peguei a carta e abri com receio, e lá estava, um poema como já imaginava.

Minha traiçoeira e sedutora cobra, principalmente sedutora

A sua vez finalmente chegou. E eu sei. Do seu passado.

Obscuro e sombrio. Que garotinha encrenqueira.

A infância se passou sozinha. Sem nenhuma companhia Apenas você e um lugar. Ah aquele lugar. Você sabe onde é.

Aquele que você usa para se esconder, minha cabelo de fogo.

Aquele que você pode chamar de lar.

Meus olhos se arregalaram e minhas mãos começaram a tremer, corri de volta para casa.

– Temos problemas! – disse escancarando a porta.

– Você morou a vida toda aqui? – perguntou Els enquanto estávamos sentadas na sala discutindo sobre a carta.

– Vim da Rússia quando tinha 5 anos, meus pais me mandaram para cá num orfanato... mas eu nunca fugi, não era tão louca assim! – disse eu andando pela sala de um lado para o outro.

– Ta, mas vocês teve crises? Sei lá! Você conheceu seus pais, nunca ficou revoltada e saiu quebrando tudo? – perguntou Nick.

– Eu nã... Espera, tinha um lugar! Eu ia para lá quando apanhava na escola!! Uma casa abandonada, umas 5 quadras da escola que eu freqüentava, agora, onde é... – disse eu me jogando no sofá.

– Esperem. – disse Els levantando do sofá e indo para o escritório. – LOLA O NOME DA ESCOLA ERA FORGENT??? – gritou ela, corri até o escritório com Nick no meu enlaço.

– Como você descobriu? – perguntei olhando para tela do computador.

– Esqueceu que eu sou mestre nisso?

– Agora, agora mesmo, antes que seja tarde, vamos para esse lugar, e você vai nos guiar.- disse Nick saindo do quarto para ir se arrumar.

Não sei se estava pronta para olhar para o meu passado de novo, foi uma época péssima na minha vida, eu não quero relembrar.

– Vamos. – disse eu colocando uma arma na cintura, algumas facas nas botas e nas costas mais duas armas. Tenho que fazer algo para ocupar a minha cabeça.

O caminho até o galpão foi tenso, era um final de tarde e todas nós estávamos nervosas, mas o telefone da Els toca.

– Oque? Keith? Você não podia me ligar mais tarde? Não consigo te escutar? Estou em uma missão no galpão abandonado, não consigo ouvir nada! Bjs até mais! – ela desligou o telefone – péssima hora para ligar, Keith...

Quando chegamos no galpão, sabíamos que alguém ia sair ferido, o clima estava propicio para isso, tudo estava estritamente calculado, até os nossos cabelos se movimentavam para os mesmo lado, o vento sobrava, folhas voavam, o galpão rangia, por causa da madeira velha.

Eu parei de andar, aquele lugar me tocava muito, lá no fundo, no meu passado sujo. A mancha vermelha em uma das tabuas na frente estava suja, mas era o meu sangue que estava ali, lembro que eu tinha apanhado tanto que esfregaram as minhas costas na parede com grafiato e minha blusa tinha rasgado, lembro que encostei ali e só acordei no dia seguinte, talvez um dos vidros que faltem foi pela minha mira perfeita, que lembro ter atirado um dos pratos abandonados pela janela quando estava com raiva, e vários cantos desse galpão devem estar marcados com os meus gritos de desespero e de choro, choros de tristeza e os choros quando eu tentava dar pontos nos meus cortes sozinha, sem anestesia. EU só tinha 8 anos. 8 anos.

– Vamos, Lola, ele já deve estar esperando. – disse Nick com medo, o pior que ela nunca sentia medo, se ela estava apavorada imagina eu.

– Tudo bem. – disse e entrei no barracão.

Cada canto que eu olhava uma lembrança diferente vinha na minha cabeça, aquela era uma das piores torturas que ele poderia me proporcionar, desenterrando o meu passado.

Moriarty estava sentado em um sofá empoeirado, que eu sempre dormia.

– Como vão as minhas meninas?? – disse ele com um sorriso no rosto.

– Não somos suas meninas. – disse Nick mais do que seca.

– Vocês foram bem rápidas dessa vez, gostei! – disse ele passando perto de mim e tocando de leve o meu cabelo, e eu tirei a sua mão da li na hora.

– Aguardem um pouquinho, amores, tenho uma surpresa! – disse ele buscando uma dose de Conhaque, com um sorriso de orelha a orelha.

Ouvimos barulhos de pneus derrapando e logo após o cheiro de borracha queimada. Então três homens entraram pela porta, não três homens comuns, mas Jace, James e Keith.

– O que você estão fazendo aqui??? – disse Els olhando para os paspalhos que tinham Keith de refém. – Keith porque está com eles??

– Isso que eu queria explicar na ligação, para vocÊ não falar nada de ‘’importante’’ mas você não consegui me ouvir, eu já estava de refém deles. Desculpe. – disse ele abaixando a cabeça.

– Caladinho! Ou estouro uma bala na sua barriga, ouviu? – disse Jace prensando a arma na sua barriga. Eu só destravei a arma e apontei para Jace.

– Se você não soltar ele, estouro os seus miolos, Jace! – gritei me aproximando. Não é só porque a minha vida amorosa esta acabada que eu vou deixar isso acontecer com a da Els, alem do mais Els gostava mesmo do cara.

– Tenta a sorte, ruiva!! – disse ele soltando Keith e veio me peitar. Eu me senti um pouquinho intimidada por ele ser mais alto, mas o encarei com o mesmo ódio.

– Antes de você bater na sua vadiazinha, eu tenho que matar aquele filho da puta. – disse James caminhando em direção a Moriarty.

– Mas não vai mesmo!!!!- disse Nick chutando a arma de sua mão, a qual Keith pegou no ar. Nick apenas apontou a arma para a garganta. Ela escolhia bem os pontos. – Ele é meu caso, Sanders2, e você ainda chamou a minha amiga de ‘’vadiazinha’’!! Você não tem medo da morte, otário?? – disse ela com o rosto vermelho de raiva.

– Nick? O que você está fazendo? Deixa eu matar ele... ele... ele matou a sua irmã e roubou a minha empresa! – disse James olhando nos olhos de Nick.

– CHEGAMOS AO PONTO QUE EU QUERIA!!!! – disse Moriarty se levantando. – Sua irmã, Nick.

– Nossa. – corrigiu Els.

– Okay a irmã de vocês! – disse Moriarty levantando as mãos para o alto.- Me diga, Eleanor, minha coruja, você que tem uma otima memória, que dia que a sua irmã foi seqüestrada e morta? – disse ele com um ar de quem sabia mas queria nos ouvir falando.

– No dia que ela foi fazer uma excursão por Londres com a escola, pontos turísticos se eu não me engano. – disse Els convicta de que estava certa.

– Lola, minha sereia, qual é a ponte mais famosa de Londres que por acaso é um ponto turístico? – pergunto ele se virando para mim agora.

– Waterloo é claro... – disse eu que com a distração fui imobilizada por Jace.

– Nick, minha princesa, o que tem de baixo da ponte Waterloo? – perguntou ele com o sorriso mais sacana que eu já tinha visto na cara de um mafioso.

– James... você... James!!! – ela já estava em lagrimas.- Agora... agora... agora tudo se encaixa perfeitamente... sua aproximação repentina... você... não acredito!!!

– Você não acredita mesmo nisso né? – disse ele se afastando um pouco.

– Como não acreditar, tudo se encaixa perfeitamente!! – disse Nick já se descabelando.

– Nick, Ai!!! O que esta acontecendo? – perguntou Els.

– De baixo da ponte Waterloo fica o esconderijo de armas da empresa de James. – disse ela com os olhos frios e cheios de lagrimas olhando diretamente para James.

– VOCÊS FIZERAM O QUE??? ME DIGAM QUE É MENTIRA SE NÃO EU VOU MATAR VOCÊS, AQUI E AGORA... Melhor, não digam nada, aceitem a morte calados, não vou acreditar em uma palavra de vocês. – gritei eu.

Meus movimentos foram rápidos e perfeitos. Me livrei da imobilização de Jace, peguei a arma que estava em sua mão e joguei para Els, que correu apontar para a cabeça de Moriarty, que apenas se sentou e tomou o seu conhaque, admirando a minha ação. Jace tinha armas reservas, com certeza ele era uma versão minha masculina, apontou uma de suas armas para mim e eu apontava para ele, mas tinha um porem, James apontava mais uma arma para a minha cabeça, mas eu rapidamente fiz um impulso com a minha perna e mais um revolver subiu do cano da minha bota caindo exatamente na minha mão livre e logo apontando para a cabeça de James.

Nick estava em choque não se mexia, Keith, provando lealdade a nós, pegou Nick pela mão e só ouvi os pneus cantando.

– Garotos, vocês sabem que não podem comigo, joguem suas armas no chão e me poupem o trabalho. – disse dando um sorriso frio. O ódio transbordava dos meus olhos, junto com as lagrimas, mas Lola White sabia lutar chorando como fez a vida inteira.

– Não se ache tanto, ruiva, você não é tudo isso.. – disse James melhorando a mira dando um sorriso.

– Eu sou tudo e mais um pouco, porque eu posso ser quem eu quiser. – dei um singelo sorriso e ainda olhando para Jace, atirei centímetros acima da cabeça de James, fazendo-o se abaixar e no mesmo momento soltei a arma e puxei uma das adagas das minhas costas e atirei na direção de James, que acertou bem na coxa de sua perna direita, merda, devia ter acertado no estomago, o mesmo ficou se contorcendo em algum canto. Jace, apenas jogou a arma no chão e veio para o corpo a corpo.

– Vamos ver se você é tão boa assim, agente – disse ele estralando os dedos e pegando a arma da minha mão e jogando num canto qualquer do salão.

– Você não sabe com quem esta se metendo, Jace.

Ele tentou acertar três socos, e eu desviei, só almentando a irritação dele, passei uma rasteira nele enquanto desviava de mais um soco seu, mas o idiota imediatamente se pôs de pé.

– Não é nessa hora que você diz para eu desistir que você não quer me machucar? – disse ele pegando o meu braço e colocando para traz enquanto empurrava as minhas costas para frente. Dei um sorriso, mesmo que ele não esteja vendo, pulei, mesmo de costas, agarrando as pernas no seu pescoço e fazendo cair em uma chave de braços perfeita.

– Isso seria uma mentira, porque diria, pois afinal eu quero te machucar. – disse enquanto ele gritava de dor, mas ai eu lembrei da Els e a chamei para perto de mim, enquanto Jace gritava de dor.

– Deixe Moriarty ai, vá para fora e veja se tem algum veiculo, quando terminar aqui vou ter que sair correndo.

Ela apenas assentiu e saiu, logo depois não vi mais Moriarty. Jace de alguma maneira saiu da minha chave, então se pôs de pé e me chutou para longe, minha boca sangrava, apenas passei a mão e dei um sorriso.

– Filha da puta. – engoli o sangue que restava e parti para cima dele com toda a força. Dei uma voadora que ele jogou ele longe, fazendo – o grudar de costas no pilar,com ele ainda de pé prensei-o na parede e coloquei o meu braço no seu pescoço, forçando para deixa-lo sem ar.

– Sabe, Jace, aquele dia que você me perguntou quem eu era, eu fiquei triste por não ter uma identidade, mas depois eu vi que isso era a minha melhor qualidade, eu posso ser quem eu quiser, posso ser bipolar, centrada, uma garçonete puta, uma assassina, ou uma doce filhinha de ricaço. – disse fazendo biquinho e apertando as bochechas dele para que fizessem o mesmo.- Mas você apenas não sabe uma coisa minha, uma coisa que eu faço por onde passo, eu deixo marcas Jace – soltei ele que tossiu desesperadamente. – E em você deixei no seu coração, mas eu não que deixar ai. – peguei uma adaga e cutuquei o seu peito. – Comigo a coisa é mais física mesmo – então desci a adaga até a sua coxa esquerda, vamos deixar as cicatrizes parecidas para os melhores amigos, finquei a adaga na sua coxa sem dó. – Eu deixo marcas, Jace e você também deixa, mas as suas foram totalmente apagadas do meu ser.

Eu fui embora chorando, como sempre fiz a vida inteira.

Notas finais
Bom esse cap está pronto a um tempão, mas demoramos para postar, pois não sabemos como vai ser o futuro das postagens. Devido a problemas pessoais, uma de nós autoras está impossibilitada de de escrever e não queremos continuar a história sem ela (nem faria sentido somos um time). A fic não vai acabar, vamos continuar a escrever só não temos certeza de quando vamos poder voltar a postar com frequência. Mantenham ela no acompanhamento para ter notícias da nossa volta. Estamos fazendo o possível pra isso ser o quanto antes. Não desistam da fic, porque, em hipótese alguma, vamos desistir e uma segunda temporada também está programa. Gratas pela compreensão! “Talvez escolhemos os inimigos errados”.