In the Dark Beside You

1 Capítulo 1 - Retrato de Família


Olivia

No meu sonho eu encarava a mais completa e profunda escuridão. Sozinha, sem ruídos, sem dimensões, sem parâmetros. Tudo preto. Naquele momento eu nem tinha certeza se preto era sequer uma cor. Um abismo, porém, eu não caia, eu nem estava em movimento. Sentada, no que eu acreditava ser o canto daquela imensidão negra. Sensaçoes? Não existia nenhuma. O sentir não era viável onde eu estava. Eu o desejava com força, qualquer sentimento. Medo, desespero... nada. Um barulho estridente me tirou desse transe bizarro dentro da minha cabeça. O despertador. Desliguei-o com moleza e respirei fundo.

Não pude destinguir se eu havia realmente sonhado. Era sempre o mesmo, todos os dias, ou seja, sonho nenhum. Me questiono diariamente: o que seria mais cruel? Sentir sempre ou nunca sentir nada?

Falando em crueldade, acredito que o primeiro dia de aula me daria essa resposta. Não existe um estudante nesse vasto mundo que não reconheça o mix de emoções de um primeiro dia letivo. Se as pessoas dizem que o colegial é a fase mais infernal da vida de um ser humano, essas pessoas tem total e completa razão. É uma experiência miserável, confusa, sem nenhum tipo de apoio emocional, familiar e ou amigável. Bom seria acreditar que as coisas melhoram ao longo dos anos, mas não. Pois justamente quando você acha que não pode piorar, é ai que te destroem. Sem você ter a mínima chance de revidar.

Tentei abandonar meu pessimismo e levantar da cama, mas como sempre, meu pai fez questão de confirmar toda minha teoria.

— Olivia! – berrou ele do andar de baixo.

Fechei minha mão em um punho, sua voz estridente era uma das poucas coisas que ainda me davam medo. Desci lentamente as escadas que me direcionavam a cozinha.

Minha casa era um pequeno apartamento, com cômodos apertados, paredes mofadas, moveis velhos e destruídos. Os cantos de pouca iluminação contavam mais pesadelos do que um conto de Edgar Allan poe. Viviamos em um acoplado de casas, onde as paredes eram reaproveitadas e divididas com outros inquilinos. Era o máximo que o salario de uma enfermeira e um bêbado desempregado poderia conseguir.

Deparei-me com uma das visões mais deprimentes e chocantes que se podia ter, meu pai, apoiado na pia para que a gravidade e o peso de seu próprio corpo não o jogassem ao chão. O fedor de álcool, cigarro, vomito e sexo incendiavam o ambiente. Ao redor dos seus olhos, círculos roxos, resultados de uma briga qualquer. Sua deterioração foi uma das coisas mais revoltantes que já presenciei. De um respeitável contador, amoroso pai de duas filhas para um alcoólatra, adultero, violento e detestável ser humano.

— O que esta encarando? – perguntou ele com ódio na voz.

Não ousei responder. Fazia semanas que ele não chegava nesse estado. Justo quando a esperança começava a crescer, eu me enganava ao imaginar meu inferno particular tendo um fim. A historia sempre se repetia. Apertei meus olhos com força assim que ele passou por mim, indo em direção ao quarto de minha mãe.

Contei silenciosamente até dez e os gritos habituais começaram a ecoar pelas paredes frias e doentes que me obrigavam a chamar de lar.

— Você esta destruindo nossa família – berrava minha mãe – Eu tenho nojo de você. Nojo! –soluçava.

Respirei fundo. Mal sabia ela que não havia nada mais para ser destruído. Seu amor próprio, seu bem estar, sua coragem – que lhe faltava sempre na hora exata- e sua família, tudo estava em ruinas.

Ouvi o som de algo pesado dar de encontro ao chão. Não era um móvel, não era um livro, era um corpo. Ele voltou a bater nela. Lagrimas escorriam descontroladamente pelo meu rosto sem que eu percebesse. Ao fundo, o choro de Lisa – minha irma de quatro anos – acompanhava a sinfonia de gritos.

Subi correndo ate o quarto de minha irmã mais nova. Quis abraça-la, conforta-la. Dizer que entendia o que estava acontecendo e que tudo ficaria bem. Se eu o fizesse seria mentira. Queria dizer: você é o único motivo pelo qual eu ainda não fugi desse lugar, você é meu mundo, minha única referencia de amor. Será que ela entenderia se eu dissesse? Beijei-lhe a testa com força.

Os vizinhos não reagiam mais, tinham se acostumado. Podiam chamar a policia inúmeras vezes, a covardia de minha mãe sempre vencia.

Juntei toda a força que existia dentro de mim, vesti-me com a primeira peça de roupas que encontrei jogada ao canto de meu quarto, corri escada abaixo, batendo a porta. Joguei-me nas ruas sinuosas e escuras de meu bairro desejando não voltar mais para casa. Pelo menos não hoje.

Dean

Abri meus olhos e senti um arrependimento instantâneo. O quarto – que eu ainda não conseguia chamar de meu – estava silencioso e fúnebre. O ar gelado tocava as partes do meu corpo que não estavam cobertas fazendo com que eu sentisse uma leve ardência sob a pele. A sensação de um vazio profundo me preenchia com mais força a cada minuto que meu cérebro tinha para oxigenar e me trazer a consciência da vida miserável que me esperava. Essa é minha rotina, contemplar diariamente todos os aspectos de meus infortúnios e desejar não ter acordado.

Um barulho estrondoso me tirou de meu devaneio dramático e narcisista. O estrondo era a melodia irritante de Dancing Queen do ABBA e vinha diretamente do despertador de meu irmão mais novo. Ele desliga o toque com um tapa preguiçoso sem abrir os olhos e solta um gemido ao alongar seu corpo pela cama.

—Dancing Queen, sério? – perguntei incrédulo.

Ele soltou uma risada lenta.

— Bom dia irmãozinho – seus dentes brancos e perfeitos quase conseguiam iluminar todo o cômodo escuro. A aparência angelical desse moleque e seu bom humor me traziam muitos problemas.

— Eu juro que essa semana vou dar um jeito de ter meu próprio quarto – suspirei.

— Você não aguentaria a saudade – zombou ele – Existem meninas que matariam para dividir um quarto comigo.

Sem pensar peguei o travesseiro mais próximo e joguei em cima dele.

— Você é virgem – murmurei – Cale a boca.

Ele conseguiu rir. Como?

Tentei me levantar mas as regras gravitacionais fizeram meu corpo se jogar de volta na cama e afogar meu rosto contra o amontoado de cobertas. Abafei um grito por debaixo delas.

— Pare de ser dramático – disse ele, já se encontrava em pé e vestido – Essa nem vai ser a pior parte da nossa manhã – lembrou.

Claro... Definitivamente o que viria a seguir era quase um mar de sangue. A batalha de egos logo cedo, só de pensar em descer as escadas e ser obrigado a olhar diretamente para a cara de cu do meu pai me fazia querer passar o dia na cama.

Desde que nos mudamos ele criou a politica irritante de tomarmos café da manhã em família. Fez disso algo obrigatório nos dias da semana em que ele estivesse presente. O que para minha sorte esses dias eram raros.

A casa é nova, a escola é nova, a cidade é nova, apenas seu fel e intolerância são antigos. Assim que atingi idade o suficiente para enfrenta-lo, nossa relação era o literal da palavra inferno. Meu pai é um empresário multimilionário, arrogante, preenchido de soberba, homofóbico, fascista que venderia um dos filhos se isso mantivesse sua empresa em pé. Não tenho a lembrança de ele ter sido um pai amoroso, nem na minha infância. Tenho pouquíssimos fragmentos do meu passado. Infelizmente só me restaram os piores. Desde que sua esposa adoeceu trabalhar tornou-se sua vida e seus filhos foram transformados em futuros combustíveis de sua empresa e nada mais.

E nós, perdemos uma mãe. É o tipo de coisa tão absurda de ser dita por um menino de 17 anos que evito dizer em voz alta. Existem dias onde tudo parece ter sido apenas um pesadelo. E existem dias como hoje, onde nada que você faça pode amenizar a sensação de estar no inferno.

Olhei para Sam, ainda tagarelando alegremente sem se importar com o fato de eu não estar prestando atenção. Por dentro, eu sorri. Ainda que eu acordasse no caos, eu nunca acordaria sozinho. Sam, irritante, bem humorado e infantil, era tudo pra mim. Minha única referência de família.

Sam

Ouvi uma vez, talvez uma das melhores interpretações já feitas sobre a tristeza. Ela tem os mesmos princípios de um incêndio. O fogo é iniciado, ele consome e destrói tudo que toca com uma velocidade indescritível, sem que você perceba, mesmo encontrando agua o suficiente para apaga-lo, as cinzas restantes jamais trariam de volta a antiga estrutura como antes se encontrava. Presumindo existir uma pessoa lá dentro, se ela não padecesse com o fogo, seu fim seria certo, alguém com inúmeras cicatrizes, encharcado, com medo e muita, muita, muita dor.

Esse fui eu, ao perder minha mãe aos quinze anos. Fora da ordem natural das coisas — tão cruel quanto uma mãe perder um filho- era tirar uma peça tão importante do desenvolvimento de alguém tão cedo. Eu, agora um ano mais velho, ainda me encontro no mesmo estado de letargia que me encontrava quando recebi a noticia pela primeira vez. Meu luto foi intenso e desgastante, desidratei meu próprio corpo por ter derramado tantas lágrimas, e ainda sim, tudo não parece passar de uma mentira. Acordava todos os dias na minha antiga casa procurando por ela, esperando que trombaria com ela sentada no canto da sala onde sempre ficava, em sua cadeira de rodas, febril, quieta, deformada e debilitada, presa em mundo do qual não podia fugir. Porém, ainda estava ali, ainda era minha.

O meu alivio se tornou quase palpável desde que nos mudamos, acredito que meu pai queria fugir de tudo aquilo tanto quanto eu. Cada cômodo da casa me trazia lembranças dela, muitas vezes ao passar sozinho pelo corredor no meio da noite, seu perfume se espalhava por toda a casa e eu sentia que estava à beira de um surto psicótico. Era quase como se ela tentasse dizer: ainda estou aqui, ou como se meu subconsciente tentasse me avisar: você não vai esquecer tão cedo.

Com a mudança, reuni forças para mudar minha visão em relação a tudo que me rodeava. Forço-me diariamente a sorrir, ainda que eu não sinta vontade. Fiz isso inúmeras vezes, até se tornar automático. Esticar os músculos, mostrar os dentes, emitir sons. Esticar os músculos, mostrar os dentes... Era um ato repetitivo, como andar de bicicleta. Se eu conseguisse dizer sem culpa que até a morte pode trazer coisas boas, eu diria que a aproximação que tive com meu irmão foi um dos maiores alívios no meio desse caos. Dean, que remoía os míseros segundos e revivia todos os passos do luto e de seu sofrimento até agora – mesmo tentando inutilmente esconder isso de mim – permitiu que eu entrasse tão profundamente em sua zona de conforto, chegando ao ponto de que nada mais precisava ser dito em voz alta para se considerar entendido. Foi como se um pacto silencioso tivesse sido feito, onde ele tomaria conta de mim, e eu estaria ali por ele.

Acordei me sentindo disposto a dar um fim a esse luto, por ele e por mim. Dean e eu descemos juntos as escadas com um silencio reconfortante que eu só tinha ao lado dele. Meu pai se apropriou de uma casa com mais de vinte cômodos – completamente desnecessários – mas acredito que tenha sido proposital. A chance de nos encontrarmos na casa se tornava mais remota, e ter privacidade era consideravelmente mais fácil.

A sensação visual que a casa trazia era de tempos distantes de uma alta sociedade britânica do século quinze. Candelabros, papel de parede de tons vermelhos e marrons, madeira antiga e envernizada por onde se batia o olho e o teto mais alto que se podia imaginar... E o mais bizarro era sem dúvida o número de empregados que meu pai tinha contratado. Lavadeira, passadeira, cozinheira, motorista, segurança, entre outros serviços completamente inúteis. A sala de jantar tinha como centro uma mesa vitoriana com acomodação para mais de dez pessoas.

Sentamos a mesa junto ao meu pai, que lia um jornal distraidamente.

— Bom dia – tentei ser o mais agradável o possível.

Dean permanecia em silencio, o ódio entre os dois era algo denso e intenso, era perceptível por qualquer um que estivesse ao nosso redor, e sim, o ódio era mútuo. Ele não desviou o olhar do jornal nem por um segundo e continuou concentrado, em uma mão o pedaço velho de papel e na outra uma xícara de café. Eu passava dias imaginando se isso teria um fim, onde eu acordaria um dia e tudo voltaria a ser como era antes. Utópico.

— Coma logo – Dean pediu com autoridade. Perto de nosso pai ele nunca conseguia dizer uma única frase que não fosse rude, grosseira ou com ódio. Mesmo que sem intenção, isso tomava conta dele.

Eu tentei apaziguar e remediar a situação, como de costume.

— A escola onde nos matriculou é boa? – perguntei.

Meu pai soltou um profundo suspiro, abaixou o jornal e olhou para nós dois.

— É caríssima. Faça cada segundo lá dentro contar. Eu não quero saber de nenhum de vocês dois faltando a aulas, deixando de entregar trabalhos e não desperdicem meu tempo fazendo com que eu seja chamado até lá. Já tive problemas o suficiente com vocês dois.

— Claro – riu Dean com sarcasmo – É um estorvo ter filhos. Eu nem imagino o quanto sua vida seja difícil.

— Dean, por favor – pedi.

— Porque não insinua que nos quer mortos de uma vez? – Ele explodiu irritado.

Toda vez.

Meu pai, sem alterar o tom de voz – ainda- seguiu Dean com os olhos que levantava furiosamente da cadeira e murmurou – Vocês não fazem ideia do que eu quero.

Dean pegou a mochila, se apressou pela saída da cozinha batendo as portas com força. Respirei fundo e tentei segurar as lágrimas, ele me bateria se me visse chorar.

— Por que? – perguntei.

— Deixe sua barba crescer – ele disse ignorando minha pergunta, voltando a ler o jornal – e desabotoe um pouco a camisa.

Mentalmente, contei até dez, me levantei não tão teatralmente quanto Dean. Pensei em murmurar que tinha perdido a fome, mas acredito que tenha ficado claro. Corri em direção a garagem, onde ficava o carro que Dean dirigia, ele tinha total liberdade para usá-lo, abri a porta e me sentei ao lado dele no banco de passageiro. Ele estava segurando o volante com tanta força que suas veias estavam saltadas e suas mãos vermelhas. Nada mais precisava ser dito. Lancei um olhar de canto e perguntei:

— Preparado?

— Não.

— Esse é o espírito.

Allison

Era difícil imaginar a possibilidade da vida de uma menina de dezesseis anos ser um acúmulo de vergonhas. Pois a minha era. Acordar e ver no espelho mais arrependimentos do que qualquer outra coisa é algo anormal pra alguém da minha idade. Mais um ano se repetia. Cruzar os portões de uma escola onde você já foi publicamente humilhada talvez não fosse o mais sábio a fazer, mas eu não tinha escolha. Esforcei-me, dos piores e melhores jeitos, eu chorei, sapateei o chão, gritei, quebrei porta-retratos e rasguei livros, nada fez com que meus pais acatassem a ideia de me mudar de escola, cidade, país... Implorei que tivessem misericórdia, se meus próprios pais não tivessem as pessoas do meu convívio tampouco teriam.

Não me considero uma pessoa manipulável, mas minha ingenuidade me matou. Ao olhar diretamente para meu reflexo, penteando as ondas perfeitas de meu cabelo loiro, meus olhos azuis, por mais intensa que fosse a cor, não tinham vida. Olheiras profundas tomavam conta de minha expressão torturada. Ainda que eu tivesse consciência de ser dona de uma aparência agradável, me sentia nojenta, horrível, apodrecida por dentro de tamanha maneira que se olhassem com atenção o suficiente veriam a podridão por fora. Me enfiei tão profundamente em um mundo obsceno onde tudo que me causava orgulho foi despido de mim, assim como minhas roupas, meu pudor, minha virgindade...fui exilada de um grupo de pessoas que eu — tola – amava.

Existem dois tipos de medos insuportáveis, o da solidão e o da humilhação. Eu ganhei ambos de bandeja. Viver em um mundo onde você é forçado a se encaixar, forçado a ser o que todos esperam, forçado a rir do que todos riem , beber o que todos bebem, fumar o que todos fumam, gostar do que todos gostam, ser o que todos são. Eu sucumbi a todas essas pressões e acabei por descobrir, você é o que é. Ovelhas jamais serão lobos. Lobos jamais serão ovelhas. Eu fui devorada, na minha própria fixação de me encaixar, declarei definitivamente, derrota.

Cobri meu rosto fundo e pálido com maquiagem, juntei todos meus pertences e desci as escadas da mansão dos meus pais. Eu não pertencia, nem na escola e muito menos aqui. Minha família, de nome importante, um excesso absurdo de bens, carros, casas, e tudo que o dinheiro pudesse comprar... Não puderam me comprar proteção, não puderam me comprar apoio emocional, não puderam comprar minha virgindade de volta. Meus pais, nunca presentes — sempre viajando a trabalho — quando me viram chorar descontroladamente pedindo para que ficassem pelo menos essa semana por perto, se despediram de mim com: “Não seja dramática”.

Sorri cansada para a diarista que limpava a sala de casa e segui meu rumo.

Cada passo dado em direção à escola era como marchar para meu funeral. Eu jurava poder ouvir trombetas e uma melodia sinistra e deprimente me acompanhando. Era do conhecimento de todos, de cabeça baixa, encarando meus próprios pés me imaginei em ruas londrinas, alguns séculos atrás. Ouvindo um jornaleiro berrar: Extra! Extra! Allison Stewart sucumbiu aos seus desejos carnais e em uma fatídica noite de intenso abuso do álcool entregou sua virgindade ao namorado de sua melhor amiga. Seria apedrejamento em praça pública exagero a ser considerado?

Mesmo que esse tipo de punição não seja mais utilizado, eu tinha certeza, o que eles tinham preparado pra mim era dez vezes pior. Era inacreditável o medo que um bando de adolescentes sem rumo, com muito dinheiro e influência podiam causar. Afinal de contas, eu seria obrigada a conviver meus próximos dois anos diariamente nessa prisão. Estudo a domicílio deveria ser algo mais fácil de encontrar. Me vi parada frente ao portão da escola, balançando os pés ansiosamente, abraçada com meus livros como uma criança abraça um urso de pelúcia, esperando. Esperando ver o rosto da única pessoa nesse inferno que não tinha nojo de mim, quem me ajudaria a entrar por essa porta com um pouco mais de dignidade. Ela cruzou a esquina e me trouxe o maior alivio que eu poderia imaginar sentir. Com uma feição talvez um pouco mais perturbada que a minha, apressou seu passo em minha direção e me abraçou com força. Seus olhos verdes eram de um abismo profundo, sua estatura média fez seu queijo encaixar em meu ombro, apoiei minha mão em seus cachos dourados e respirei fundo, junto com ela.

— Eu sei Olivia – murmurei – Eu sei.

Agradeci silenciosamente por não ser a única que acordava diariamente com o céu desabando em cima de mim. Agradeci ao caos, que conseguia unir até as mais improváveis das amizades.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se gostarem, favoritem a história, e comentem para uma continuação ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.