In peaceful

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Quando a gente acha que as coisas já tinham amenizado, lá vem mais uma bomba.

- Alô?

- Olá, esse é o número da casa do Gerard?

- É ele. Quem fala?

- Bem, eu me chamo Lisa Cameron, eu sou a mãe da Helena e eu soube que ela faleceu à exatos 5 meses.Eu estou arrazada com isso, eu fiquei tão pouco tempo com ela e me sinto um pouco culpada. Será que você poderia me dar seu endereço, é que eu preciso conversar com alguém que tenha convivido com ela.

- Ah sim, eu moro na 14th street, referência Hospital Father of Mercy.

- Eu posso passar ai depois do almoço?

- Pode, eu estarei esperando.

- Obrigada. Até.

Achei muito esquisita essa ligação, pois Helena havia me dito uma vez que sua mãe morrerá quando ela era apenas um bebê e ela fora criada com o pai que casou-se de novo lhe proporcionando uma irmã.

O melhor que eu pudia fazer era esperar a mulher chegar e ver o que ela realmente queria.

Logo após o almoço ela tocou a campainha e fui atender.

- Olá, você é o Gerard, né?- Disse extendendo a mão para apertá-la.

- Sou eu sim. Você é a Lisa, não é?

- Sou. Posso entrar?

- Claro, entre.

Ela entrou e sentou no sofá menor. Observou a casa inteira até parar sua conclusão quando viu Arthur.

- Quem é esse bebê? — Perguntou a mulher levantando-se e indo até ele.

- Ah esse é o Arthur, seu neto.

- Helena teve um filho?

- Teve, aliás ela morreu no parto dele.

Lisa fez uma cara de lamentação e pegou Arthur no colo.

- Os olhos deles são dela. Me sinto tão culpada, eu queria ter ficado com a minha filha, sabe? Mas infelizmente não deu.

- Helena me disse uma vez que você havia morrido quando ela era bem pequena.

- Foi o que todos pensaram. Você tem um tempo?

- Sim, pode falar.

- Bem, eu era jovem demais quando me casei. O meu casamento foi arranjando pelo meu pai, já que eu era a mais velha das filhas eu tive que me casar jovem para poder ir embora logo para ele poder dar uma assistencia melhor as outras. No começo o casamento foi um inferno, eu e o meu marido não combinavamos em absolutamente nada, eu fumava e me drogava para poder aguentar a pressão de transar com um homem que eu realmente não amava. Eu acabei engravidando de Helena, não digo que foi uma coisa boa, pois não bom para mim. Mas quando ela tinha 2 anos por aí, eu sofri uma overdose por uso excessivo de cocaína. Eu fui hospitalizada e pedi para a enfermeira que era uma das minhas parceiras de cheirada para dizer pro meu marido que eu havia morrido. Fiquei internada durante 2 meses até que eu sai e fui morar na Califórnia com uma namorado que eu havia arrumado. Depois de 6 anos morando juntos eu engravidei de uma menina chamada Alex, hoje ela tem 20 anos. Depois de um tempo eu senti o remorcio tomando conta de mim, sabe? Era como se eu tivesse matado alguém, como seu eu tivesse destruído o coração de alguém que nem sabia da minha existencia. Quando a Alex fez 12 anos eu engravidei novamente mas dessa vez de um menino chamado Gustav. Eu tinha dois filhos e um marido que me amava mas as vezes eu vivia perturbada, com curiosidade de saber aonde estava Helena. Quando Alex fez 15 e Gustav 3 eu resolvi ir atrás dela. Ir atrás da minha outra filha, eu tentei voltar aqui pra Jersey pra poder ver se eu a reencontrava, mas o destino me golpeou feio. Gustav estava voltando da escola junto de Alex e duas outras meninas quando um carro desgovernado veio para a calçada e o atropelou. Foi muito dificil superar a morte dele, eu entrei em uma depressão profunda e achei que isso era um castigo por eu não ter cuidado de Helena, ter me neglicenciado dela. Depois de 1 ano de superação eu resolvi vir pra cá atrás dela, eu peguei o telefone da cafeteria aonde ela trabalhava e liguei pra lá pra saber dela, mas ela havia se casado com você — ela sorriu brevemente- e eles não tinham seu número, mais um fracasso. Eu descobri depois que você tinha uma banda e pesquisei um pouco sobre ela até que eu me encontrei com um amigo seu, o nome dele é Frank, eu acho. — É sim,ele mora aqui.

- Então ele me deu seu telefone e eu levei 2 meses para poder ligar mas foi tarde demais pra isso. Ele disse que ela havia falecido. Eu fiquei péssima, eu não convivi com ela em nenhum momento da vida. Agora sabendo que ela tem um filho eu queria me aproximar dela atráves dele. Eu poderia vir mais vezes aqui, ai conversariamos e eu acompanharia meu neto de hoje em diante, pode ser?

- Pode. Helena era uma mulher de fibra, admirável mesmo. Eu sinto muita falta dela. Eu tenho o Arthur pelo menos, isso ameniza um pouco o vazio que ela faz.

- Será que eu poderia dar uma saidinha com o Arthur, é que eu queria...

- Tudo bem, mas volte antes das 17 é que iremos sair. Hoje ele comemora 5 meses de vida, e 5 meses da morte de Helena.

- Ta bem. Eu voltarei antes das 17.

Ela saiu com Arthur no colo e eu senti algo estranho dentro de mim, algo que me dizia que ela não iria voltar antes das 17.