In my place

1 In my place, in my place


Era uma linda manhã de segunda feira. Ok, talvez não fosse uma linda manhã por ser segunda feira. Por ser o primeiro dia de aula. Por ter de acordar às 6 da manhã para organizar todo o material, preparar o café da manhã... E chegar no colégio às 8 em ponto.

O despertador toca e Howard tinha vontade de arremessá-lo pela janela. Aquele barulho era irritante demais. A fome que ele sentia assim que acordava era irritante demais. O sono que ele ainda sentia era irritante demais. Levanta-se. Larga a cama por arrumar. Pé ante pé, rosnados e resmungos, se direciona para o banheiro, onde deveria lavar o rosto e escovar os dentes. Fita-se um momento no espelho. Não era o garoto mais bonito da escola, embora fizesse algum sucesso com as meninas. Os cabelos bem pretos caíam em mechas na frente do rosto e ele as ajeitava. Lava o rosto, escova os dentes, penteia o cabelo para trás e passa um gel para fixá-los. Volta para o quarto e troca de roupa, colocando uma camisa pólo branca, calça jeans azul escura e tênis pretos. arruma rapidamente a mochila, toda preta, com um caderno e meia dúzia de canetas. Joga-a nas costas e vai em direção da cozinha. Sua mãe já estava de pé, acordada e preparava o café da manhã.

— Não acredito que sua escola realmente aceitou aquela intercambista! — e foi esse o bom dia que ele recebeu da mãe

— Que intercambista, mãe? — pergunta Howard ainda sonolento

Senta-se e enche um pote de cereal matinal de milho, despeja leite por cima e começa a comer ainda meio distraído.

— A comunista! — fala a mãe dele

— E como sabe que ela é comunista? — pergunta Howard sem entender o comentário da mãe direito

— Ela é russa! — fala a mãe dele

— E o que uma coisa tem a ver com a outra? Tem comunistas de todas as nacionalidades. Visão política não depende disso. E mesmo se fosse, qual o problema? Ela veio estudar, não governar o nosso país. — fala Howard já ficando mais mal humorado do que de costume

Howard Stark era do tipo contestador demais para o gosto de seus pais. E olha que ele ainda era bem leve nas contestações. Mas foi o suficiente para sua mãe trincar os lábios contrariada. O rapaz põe seus olhos castanhos na mãe por alguns segundos.

— O que foi? Você nem conhece a menina! Já parou para pensar que ela pode não ser politizada? Muitas meninas que eu conheço nem gostam de política. Não conheço nenhuma que goste... — fala Howard

— E se for? — perguntou a mãe dele

— Problema dela. Ela pode ler, estudar ou gostar do assunto que ela quiser. Que coisa... — fala o rapaz entediado com a conversa

Termina o cereal rapidamente. Mais rápido do que gostaria. Engole igualmente rápido o suco de laranja e sai de casa. Pega a bicicleta e passa quase uma hora pedalando até a escola. Ao chegar no prédio, estaciona e prende a bicicleta e entra no prédio branco de 3 andares. Percorre um longo corredor também branco, lotado de gente, com armários escolares de ambos os lados. Nem se dá ao trabalho de parar em seu armário. Havia levado pouco material. Entra diretamente na última sala do corredor à esquerda, senta-se na última fileira e coloca a mochila ao lado. Abaixa a cabeça no intuito de cochilar enquanto esperava a aula começar. Acaba sendo acordado por um tapa na cabeça.

— E aí, cara? Como foi de férias? — pergunta um rapaz mais alto do que ele, loiro, de olhos verdes

Howard levanta a cabeça com muita cara de sono e levemente mau humorado. Como alguém conseguia estar bem humorado àquela hora da manhã?

— Boas... Aproveitei para desenvolver uns projetos de ciência irados. E as suas? — fala Howard

Steve acha graça disso.

— Foram boas. Viajei com meus pais para o Brasil. Cara, tem cada praia muito bonita. — fala Steve animado

— É... Eu só fiquei em casa mesmo. Visitei minha avó, mas é aqui no estado, não conta como viagem. — fala Howard

— Viu como a Natasha está bonita hoje? — pergunta Steve

— Claro... que não. Eu tava dormindo. — fala Howard

Levanta mais a cabeça e procura a ruiva com os olhos pela sala. A encontra sentada na fileira do canto, perto da janela.

A sala em que ele estudava não era grande. era média, tinha paredes brancas e um total de 4 fileiras com carteiras em dupla. Howard estava sentado na terceira fileira, contando da janela para a porta. Natasha estava na primeira fileira, na mesa mais do canto. Steve despede-se de Howard e vai apressado sentar-se perto de Natasha. Em poucos minutos a sala se enche, sobrando apenas o lugar ao lado de Howard. Entra um senhor de idade já, cabelos brancos, estatura mediana, usava um pulôver cinza por cima de uma blusa social branca e uma calça marrom. Era o professor de ciências.

"- Entra ano e sai ano e esse cara não aprende a não misturar cor fria com cor quente. Que combinação horrorosa de cores. " — pensa Howard silencioso

O homem vira-se para o quadro e começa a apresentação de sempre. Falava seu nome, disciplina e começava a falar de eletricidade. Howard já tinha lido sobre aquilo nas férias. De repente, a secretária, uma moça ruiva de baixa estatura, para na porta da sala.

— Com licença, professor... Aluna nova. — fala a secretária

O docente para a escrita por alguns instantes e fita alguém na porta. Acena indicando que podia entrar. A secretária entra e é seguida por uma jovem muito alta, cabelos muito loiros, rosto delicado e sardento, lábios finos pintados de vermelho. Era bonita, muito bonita e isso tinha impressionado o jovem Stark. O modo elegante que ela se movimentava, sua postura impecável.

— Essa é a nora que mamãe pediu a Deus. — murmura Howard para si mesmo

— Classe, essa menina é Maria Deriglasov, aluna nova do colégio. Deem boas vindas a ela! — fala a secretária

— Bem vinda, Maria... Pode se sentar... Ao lado do senhor Stark. Se sentar em outro lugar vai tampar a visão dos alunos que estiverem atrás de você. — fala o professor apontando a mesa ao lado de Howard

Howard ainda olhava espantado para ela. Quanto aquela garota tinha de altura? Mas disfarça o espanto ao perceber que ela caminhava diretamente na direção da mesa, sem pronunciar uma mísera palavra. A expressão no rosto era de tédio absoluto. Retira a mochila assim que ela chega na mesa.

— Seja bem vinda! — fala Howard

— Obrigada! — responde educadamente Maria, porém sem emoção

A loira usava um vestido sem mangas na altura dos joelhos, mas não era rodado como os comuns nos anos 60. Era com o formato de um A. A única coisa que Howard percebe era que Natasha sinalizava algo para a loira e ela retribuía o sinal, antes do professor retomar a aula e da loira começar a anotar a matéria.