In Your Body
13 Sofrimento ou drama?
Notas iniciais
No dia seguinte...
P.O.V Da Jade
Acordei com ereção matinal e de mau-humor. Oliver não estava na cama, eu precisava usar o banheiro. Levantei mesmo estando com preguiça, bocejei, me sentia dolorida. Precisava urgentemente esvaziar a bexiga e dar um jeito naquela coisa dura... Por quê os homens tinham que acordar naquele estado?
A porta do banheiro estava trancada, bati na mesma.
— Tem gente! — Ouvi uma voz muito aguda e esganiçada.
Claro que o banheiro estava ocupado. Revirei os olhos.
— Vai demorar muito aí? — Só podia estar fazendo o número 2.
— Talvez... — Respondeu no mesmo tom agudo.
— É dor de barriga? — Indaguei.
Porque era só o que me faltava.
— Quem dera fosse... — Ouvi resmungos e choramingos.
— Que porra você tem, Oliver? — Fiquei impaciente.
— Estou sangrando! — Quase gritou e começou a chorar... — Tudo dói... Acordei com a calcinha ensopada... Vou morrer! Acho que estou tendo uma hemorragia... — Começou a soluçar.
Ele chorava e não parava de lamentar.
Senti uma imensa vontade de rir, porém, decidi acalmar a criatura.
— Você já esqueceu que mulheres menstruam? — Perguntei com calma.
— Mas você não tá entendendo, West, é muito sangue, escorreu por minhas pernas e eu estou com dores horríveis... — Meu pai amado.
— Meu fluxo é forte mesmo, é normal, tome um banho e tente relaxar, as cólicas irão diminuir e...
— NORMAL O CARALHO! EU TENHO UMA VAGINA JORRANDO SANGUE! TÔ ME SENTINDO GRUDENTO E NOJENTO! TUDO DÓI, ATÉ MESMO A MINHA BUNDA! E VOCÊ VEM ME DIZER QUE ESSA MERDA É NORMAL?QUE EU DEVO TOMAR BANHO E RELAXAR? DESSE DIA EU NÃO PASSO, AI QUE DOR DOS INFERNOS! — Berrou surtando.
Ouvi um barulho... Um baque vindo lá de dentro.
— Oliver? — Chamei batendo na porta.
Ele não me respondeu.
Preocupada, meti o pé com força na porta e a mesma cedeu.
Beck estava desmaiado perto do box, o piso estava sujo de sangue e ele estava pelado.
Ver o meu corpo inconsciente era mesmo apavorante.
Me apressei indo socorrê-lo.
[...]
— Desculpe por ter surtado... Valeu. — Aceitou a caneca cheia de chá.
Por sorte, ele não se machucou durante a queda.
— Beba, é chá de erva doce. — O coitado estava até mesmo abatido.
Notei o seu constrangimento.
Ele havia desmaiado não suportando as dores de cólica.
Oliver bebericou o chá que fiz forte e fez careta.
— Como consegue passar por isso todos os meses? — Boa pergunta.
— As mulheres suportam muitas coisas, faz parte da nossa natureza... — Dei de ombros.
— Achei que morreria, nunca senti nada igual... — Admitiu.
Quanto drama.
Apenas revirei os olhos.
Não tinha absorventes, forrei uma calcinha com uma toalhinha de rosto e fiz ele vestir. Era melhor que nada.
— Fui rude com você... — Ainda estava se sentindo culpado.
— Eu entendo que esteja passando por uma situação desagradável. — Eu não estava brava e nem nada do tipo.
Fiz ele tomar todo o chá.
Meu período menstrual durava apenas 5 dias.
Ele iria sentir na pele como é menstruar.
— Vou me ocupar agora, qualquer coisa, é só gritar por mim. — Peguei a caneca vazia.
O moreno apenas assentiu, voltou a deitar e caiu no sono.
[...]
P.O.V Do Beck
Parece que fui atropelado. Tudo dói. Me sinto inchado, fraco e tão vulnerável.
— JADE! — A chamei.
Estar menstruado é a pior coisa no mundo.
Ela disse que eu devia chamar sempre que precisasse.
— O que é dessa vez? — Apareceu no quarto.
— Preciso de mais uma compressa quente. Por favor. — Choraminguei.
— Tá... — Ela voltou para a cozinha.
O bom de ficar acamado é que eu poderia tirar proveito da situação.
Jade retornou com a compressa quentinha minutos depois.
— Estou com fome. Faz sopa depois? — Pedi.
Estava com saudades de uma boa comidinha caseira.
— Okay... Está bom assim? — Colocou a compressa em mim.
— Está sim, você é um anjo... — Mentira.
Ela só estava sendo boazinha porque eu estava precisando de cuidados e atenção especial.
— Vou preparar a sua sopa. — Tocou no meu rosto e logo puxou a mão.
Se afastou rapidamente.
E menos dolorido, tentei tirar mais um cochilo.
[...]
— Não gosto de cenoura... — Fiz careta para as rodelas.
— Tome a sopinha, está gostosa. — Me tratava como uma criança.
— Vou tomar apenas o caldo. — Aquilo estava cheio de legumes e verduras.
Eu queria com pedaços de carne.
Jade exagerou no sal.
— Não está boa? — Misericórdia.
Me forcei a tomar mais um pouco.
— Já estou satisfeito. Obrigado. — Estava salgado demais.
— Que cara de bunda é essa? — Me encarou parada ao lado da cama.
— Só não quero mais, estou satisfeito. — Tentei ser educado.
— Certo... — Pegou a tigela.
Meu estômago embrulhou e só tive tempo de me curvar e pôr tudo para fora.
— Puta merda! — Exclamou.
Vomitei ainda mais.
Jade gritou e brigou comigo. Eu havia sujado o cobertor.
Comecei a chorar.
Por quê aquilo estava acontecendo?
Eu não conseguia controlar as minhas emoções.
— Tá tudo bem... Não foi sua culpa. — Ela ficou com dó de mim.
A West subiu na cama, me puxou para o colo dela e tentou me consolar.
— Já passou, já passou... — Afagou minhas costas.
— Isso é horrível... — Eu nem entendia porque estava chorando.
— É a TPM... Vai passar. Amanhã vai acordar melhor. — Me apertou em seus braços.
— Quanto tempo dura? — Funguei.
— Só mais 4 dias e acabou... — Respondeu.
Que merda.
Tive mais uma crise de choro.

Eu não imaginava que as mulheres sofriam tanto em seu período menstrual.
Estava sentindo na pele como era ser uma mulher passando por aquele pior momento.
Homens são tão sortudos por não enfrentarem algo do tipo.
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