In The Dark
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Depois de tudo o que aconteceu, imaginei que teria dificuldades em ter uma boa noite de sono, mas felizmente isso não aconteceu. Dormi tão tranquila sentindo os braços de Quinn em volta do meu corpo que só acordei ao ouvir um grito ecoar no quarto.
- Não acredito! – acordei assustada vendo Puck de braços cruzados – Vocês dormiram agarradas e nem me chamaram.
- Bom dia para você também Puck. – Quinn falou ainda de olhos fechados.
- Bom dia o caralho. Enquanto eu estava sozinho lá no outro quarto vocês duas estavam aqui agarradas e sabe-se lá o que aconteceu. – ele disse fazendo cara de chateado – Não precisavam me chamar para participar, mas me deixassem pelo menos olhar né.
- Cala a boca Puck! – Quinn gritou e pude ver que ela estava vermelha.
- Deixa de ser pervertido garoto. Não aconteceu nada de mais aqui, nós apenas dormimos. – eu explicava.
- Abraçadas? – ele arqueou uma das sobrancelhas.
- Sim, abraçadas. A Quinn é minha melhor amiga e não vejo problema nisso.
- Eu também não, mas se eu não soubesse que a loira é hétero, diria que vocês ficaram. – ele deu um sorriso sacana. Puck tinha cara de bobo, mas nos conhecia como ninguém... Ele apenas olhava e puff! Sabia exatamente o que tinha acontecido e o que estávamos pensando.
- Ok! Você venceu mais uma vez... – Quinn se deu por vencida e eu apenas sorri – Aconteceu um beijo, nada mais do que isso.
- Eu sabia! – ele deu uma gargalhada – Não precisa ficar vermelha minha loira... Olha, eu amo muito vocês duas e não me importaria se virassem um casal.
- Eu sei não que se importaria com isso Puck, mas é como você disse... A Quinn é hétero. – eu falei e vi minha amiga parar no caminho para o banheiro.
- Sabe... Eu não tenho mais tanta certeza a respeito disso... – ela deu de ombros e entrou no banheiro.
- É impressão minha ou a nossa amiga insinuou que gosta de meninas...
- Minha latina... – ele sentou ao meu lado – A Quinn sempre teve um pezinho no arco Iris.
- Você sabe que essa frase foi extremamente gay, não sabe? – eu ri e ele apenas deu de ombros.
- É a convivência... – ele ficou sério – Mas eu sou totalmente macho!
- Ninguém está duvidando disso. – Quinn falou entrando novamente no quarto.
- Obrigado, mas agora vamos descer que eu fiz café. – falou se levantando da cama.
- Puck, você é quase uma moça. – eu falei entre risos.
- Vai à merda, Santana.
Tomamos o café da manhã entre conversas e risadas, era realmente bom tê-los como amigos, aliás, mais que amigos, minha família. Já passava das onze da manhã quando cheguei a minha casa, a única coisa que eu queria era ir para o meu quarto e só sair de lá na manhã seguinte, mas infelizmente, eu não tenho essa sorte.
Quando pisei no primeiro degrau da escala escutei minha irmã chamando pela minha mãe, eu nem tinha reparado que aquela garota estava deitada no sofá da sala. Minha mãe veio da cozinha com uma cara nada boa.
- Posso saber onde você se meteu?
- Se prestasse atenção no que falo saberia. – ela nunca me ouve.
- Fala direito comigo menina. – ela chegou mais perto – Onde você estava?
- Na casa do Puck... – eu suspirei – Eu te avisei ontem que iria para lá porque ele e a Quinn estavam fazendo uma festa para mim.
- E porque alguém faria uma festa para você? – ela deu um sorriso debochado.
- Você não se lembrou mesmo não é? – não sei por que ainda me sentia mal com isso.
- Lembrar de que? – ela perguntou sem se interessar realmente.
- Meu aniversário... Ontem foi meu aniversário. – eu tentava me controlar, mas a indiferença dela me fazia muito mal.
- Então foi por isso que aquela velha insuportável veio aqui ontem à noite... – ela deu de ombros.
- Como?
- Sua avó Santana – ela falou de forma irritada – Ela veio aqui ontem à noite procurando por você.
- Vó Alma veio aqui? E porque você não me ligou? – eu falei um pouco mais alto.
- Ei! Primeiro: não grita dentro da minha casa. Segundo: eu não sou sua garota de recados, se ela quer te ver que te procure.
- Inacreditável esse seu egoísmo. – eu realmente havia ficado irritada.
- Querida, eu não sou obrigada a distribuir bondades por ai. – ela falou de forma irônica voltando para a cozinha.
Era realmente incrível a frieza da minha mãe... E parecia que quando ela descobria que alguém gostava de mim ficava ainda pior. Minha avó era a única pessoa da família que me amava e sempre me ouvia, mas dificilmente vinha até minha casa porque minha mãe sempre a tratava mal, e meu pai, mesmo sendo filho dela, nunca a defendia.
- Será que a velha ia continuar te amando se descobrisse que a neta preferida é sapatão? – minha irmã se aproximou de mim.
- Acredito que ela não se importaria já que também tem uma neta vadia.
Subi para o meu quarto e me deitei, estava cada vez mais difícil conviver com essa família... Peguei o celular e mandei uma mensagem para a Quinn.
“Está fazendo o que?” – S
“Nada de mais... Já está com saudades é?” – Q
“Sempre... Mas será que podemos ir a um lugar?” – S
“Que lugar San?” – Q
“Casa da minha avó.” — S
“Casa da dona Alma? Estou dentro! Saudade dos bolos da sua avó =)” – Q
“Interesseira! Te encontro em vinte minutos.” – S
Assim que me viu minha amiga percebeu que algo havia acontecido.
- Que carinha é essa eim? – ela perguntou preocupada.
- Minha mãe... Para variar...
- O que aquela maluca aprontou agora?
- Só me fez sentir ainda mais sozinha, como se eu não fizesse parte da família... Mas o pior foi saber que minha avó foi me ver e ela provavelmente foi mal tratada pela minha mãe mais uma vez.
- Não liga para o que ela faz San... – Quinn me deu um abraço – Eu, o Puck e a sua avó te amamos.
- Eu sei... – dei um pequeno sorriso – Vocês são as melhores pessoas do mundo.
- Verdade. Eu sou sensacional mesmo. – nos rimos – Mas sério, vamos logo que eu estou querendo muito comer um bolo feito pela dona Alma.
Quinn sempre conseguia me fazer rir, ela definitivamente era a melhor amiga que eu poderia ter.
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