In The Dark

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Estou de volta com mais uma fic. Essa é um pouco diferente do que estou acostumada a escrever, mas tenho um carinho muito especial por ela... Espero que vocês gostem =)

Eu deveria começar a escrever com um “Era uma vez...” ou essa frase é somente usada para contos de fadas? Bom, esse não é exatamente o caso, digo, não é um conto de fadas. É somente a minha vida. Apesar dela não ser exatamente comum, é a minha vida. No decorrer da narração, você pode até pensar que essa é igual a tantas outras histórias existentes nos livros, mas trata-se de uma realidade fantasiosa, uma passagem de minha vida que não saberia lhe explicar se é realidade ou fantasia. Pode parecer loucura, mas a verdade é que me ajudou a passar por uma fase complicada da vida, uma fase que parecia nunca ter fim.

Poderia passar horas divagando sobre como iniciar o destrinchamento da história, mas creio que já o iniciei mesmo sem perceber. É sempre assim, minha cabeça trabalha em um ritmo tão acelerado que quando percebo já aconteceu...

Sempre fui uma pessoa comum. Comum até demais, pois chegava a passar despercebida pelas pessoas, menos por aqueles que adoravam me dar apelidos embaraçosos e que arrumavam qualquer desculpa para provocar a minha completa falta de interesse nas coisas que para eles eram tão importantes.

Todos os dias eu era refém de uma mesma rotina. Acordar cedo para ir à escola, voltar para casa, escutar as grosserias de minha irmã caçula, me trancar no quarto e sair dali somente para me alimentar. O que muitas vezes resultava em mais desentendimentos, ela se auto denominando um ser superior por ser popular e ter um namorado. Eu pensava comigo mesma: Desde quando ter um namorado a fazia superior? O garoto era um idiota. Repetiu o primeiro ano do ensino fundamental duas vezes.

Meu quarto era o único lugar da casa onde eu não precisava ouvir aquela voz enjoada. Quando minha mãe engravidou pela segunda vez meu pensamento era “Legal, vou ter uma irmãzinha para brincar”. Bendita seja minha inocência. Eu tinha apenas dois anos e sentia falta de alguém para brincar, minha família só tinha adulto e eu não frequentava a creche. Quando minha irmã nasceu eu percebi que a partir daquele dia as coisas mudariam. Meus pais começaram a me tratar como uma mini adulta e todos os mimos iam para a pequena bebê. Nunca reclamei, aliás, nem entendia direito o que estava acontecendo, cheguei a pensar que tinha feito algo de errado por isso era tratada de forma diferente.

O tempo foi passando e a diferença foi ficando cada vez maior. Aos oito anos levei uma surra tão grande que até hoje ainda me lembro... Eu estava brincando no quintal quando minha irmã teimou de subir em uma arvore — nosso quintal era cheio delas – Tentei fazê-la desistir da ideia, mas ela sempre foi cabeça dura demais. Não deu outra, a menina de seis anos despencou de um dos galhos e começou a chorar, minha mãe correu para ver o que tinha acontecido. Começou a gritar comigo quando percebeu que minha irmã tinha machucado o braço esquerdo, que mais tarde constatou-se que estava quebrado, e eu não entendia o porquê dela agir assim se eu tinha pedido que a pequena não subisse.

- Mas mãe, eu pedi que ela não subisse na árvore. Não tenho culpa por ela não ter me ouvido. – lembro-me de já estar aos prantos.

- Você é mesmo uma imprestável, Santana. Não consegue nem cuidar de sua irmã! – minha mãe gritava e me batia com um galho que havia arrancado da arvore. Aquilo ardia demais. Eu não entendia o porquê daquilo tudo, nem era minha culpa, mas não adiantava falar nada.

A partir daquele dia percebi que eu era uma estranha na minha própria casa, quase como a cinderela... Maltratada pela bruxa e odiada pelas irmãs. Passei a ser cada vez mais introvertida, não tinha amigos e não conversava com ninguém.

Até as dez anos eu ainda chorava e me perguntava o que eu havia feito para ser tão desprezada, mas em dado momento percebi que a única a sofrer na historia era eu e de nada isso adiantaria. Aos onze anos me tornei uma pessoa fria e racional, as outras crianças começaram a ter medo de mim, apenas um olhar bastava para fazê-las correr ou me dar o dinheiro do lanche.

Em casa eu continuava a ser tratada feito lixo, nada do que fazia era bom o suficiente... Minha irmã continuava a ser a preferida, tinha tudo o que queria. O melhor quarto, as melhores roupas... Absolutamente tudo dela era melhor.

Já na adolescência as coisas só tendiam a piorar. Eu estava com quatorze anos e continuava a ser sozinha... Fui transferida de colégio... Dessa vez eu não mandava em absolutamente nada no novo colégio... Era apenas mais uma esquisita.

Certo dia na hora do almoço, eu percebi uma movimentação estranha no refeitório do colégio. As pessoas riam e apontavam para mim, aquilo começou a me incomodar, uma sensação estranha percorreu meu corpo assim que avistei minha irmã em meio as pessoas. Ela me deu aquele sorriso superior e mostrou o que tinha em mãos... Sabe aquela sensação de que o teto vai cair sobre sua cabeça ou o chão vai se abrir e te engolir completamente? Sim, eu preferia que isso acontecesse, pelo menos colocaria um fim em tudo.

Melissa... Se o diabo tem um nome com toda certeza era Melissa... Como pode uma garota de doze anos ser tão cruel? Minha irmã parecia sentir certo prazer em me humilhar... Em suas mãos estava o meu diário. O único que sabia tudo sobre mim, o único com quem eu podia desabafar, o meu único amigo. Corri com a esperança de ter ele de volta. Ele estar nas mãos erradas seria o meu fim.

Quando me viu caminhando em sua direção, Melissa subiu sobre a mesa e começou a folhear o diário. Continuava com aquele sorrisinho e o ar superior...

- Melissa, devolve meu diário. – pedi tentando manter a calma.

- Nem pensar... Nós estamos nos divertindo tanto não é mesmo galera? – perguntou aos amigos que imediatamente concordaram – Você tem historias ótimas aqui, Santana.

“Não é possível... Essa garota deve ser a reencarnação do mal.” Meu pensamento não trabalhava direito e de repente tudo aconteceu tão rápido...

- Vamos ver o que temos aqui... – Melissa sorriu ao encontrar a página desejada – Hum... Isso parece interessante... – começou a ler sem se importar com quem estava ouvindo...

Notas finais
Me digam o que acharam... Devo continuar?