In The Dark
53 Capitulo 53
Notas iniciais
Certo. Eu estava um pouco confusa... Nós estávamos quase saindo de casa para ir ao parque e agora estamos aqui, sentadas no sofá esperando que a irmã da minha amiga explicasse o que estava fazendo em minha casa. Quinn estava um pouco tensa afinal não falava e nem via Charlote há quase cinco anos...
– Quinn, eu... – Charlote começou a falar, mas foi interrompida.
– O que você faz aqui, Charlie? – Quinn encarou a irmã.
– Eu vim te ver, Quinnye. – disse de forma carinhosa.
– Depois de tanto tempo? – minha amiga tinha magoa no olhar.
– Desculpe por não ter mantido contato, mas eu não podia... – Charlie abaixou a cabeça.
– Você desapareceu completamente, Char! Eu fiquei perdida sem você por perto. – Quinn começou a chorar.
– Me perdoa Quinn... – Charlie ajoelhou de frente para a irmã – Eu queria muito ter conversado com você todos os dias, ter vindo nas férias ou ter te recebido em Londres, mas eu simplesmente não podia...
– Por quê? Porque você se afastou? – Quinn levantou a cabeça e voltou a encarar a irmã mais velha – Você era minha irmã e melhor amiga, eu sempre quis ser como você...
– Não fala isso... Você sempre foi muito melhor do que eu. – Charlote parecia estar sofrendo tanto quanto minha amiga.
Britt, Rachel e eu não conseguíamos nos aproximar. Acho que, mesmo inconscientemente, sabíamos que esse era um momento somente delas... Apesar de ter meus problemas, meu coração ainda doía em ver minha amiga naquele estado; Eu sabia o quanto Quinn amava e admirava a irmã mais velha, e quando Charlote foi embora, Quinn meio que perdeu seu alicerce.
– Não, eu não sou melhor em nada... – Quinn discordou do que a irmã havia falado – Se eu fosse não teria sido expulsa de casa...
– Quinn... – Rachel chamou a atenção da namorada de forma dolorida. Todas nós sabíamos que no fundo ela se culpava pelo que aconteceu.
– Desculpa amor. Eu não quis dizer isso assim... – Rach apenas balançou a cabeça em concordância.
– Quinn, não se culpe pelo que papai fez, ele é o único errado nessa historia toda. – Charlie falou calmamente – Ele não suporta que as coisas saiam de seu controle...
– Eu sei... Porque você se afastou? Porque voltou? Como sabia o que tinha acontecido e onde me encontrar? – minha amiga perguntou novamente.
– Mamãe me ligou... – a mais velha suspirou – Ela mal conseguia falar o que estava acontecendo e quando conseguiu me explicar eu resolvi voltar para te ver...
– Ela te ligou? Por quê? – Quinn e todas nós estávamos confusas.
– Porque ela se importa... – Charlie se sentou ao lado da irmã – Agora o motivo pelo qual eu me afastei... Eu vou tentar resumir toda a historia.
“Não sei se você vai se lembrar, mas no meu ultimo ano do colégio eu namorava com um garoto, ele fazia parte do time de futebol, era popular, gentil e gostava de mim... Mas o papai não gostava dele pelo simples fato do Jack ser pobre. Russel vivia dizendo que ele não era bom para mim, que nunca poderia me dar um futuro decente... Eu não ligava porque realmente gostava do Jack, e a família dele não ter muito dinheiro para mim era indiferente.
O fato é que dois meses antes de receber a carta de aceitação da universidade, eu descobri que estava grávida. Jack e eu decidimos não contar nada para ninguém, nós iríamos embora juntos e teríamos a nossa família bem longe do papai, mas Russel sempre teve um maldito radar para descobrir as coisas... Ele me ameaçou, disse que só não destruiria Jack e a família dele se eu fosse para bem longe e nunca mais mantivesse contato com ninguém daqui, principalmente com você. Eu não poderia arriscar a segurança de ninguém; Ele me deu algum dinheiro e eu passei a fazer de Londres meu lar, mas o que doeu de verdade foi ter perdido o meu filho... Eu estava com quatro meses e do nada acabei sofrendo um aborto espontâneo... Foi muito difícil lidar com tudo sozinha... Russel nunca manteve contato, eu tive que arrumar um emprego e dividir meu tempo entre trabalho e estudo, mas mamãe falava comigo sempre que podia... Ela nunca aceitou o jeito dele lidar com as coisas, mas sempre teve medo de se impor; Eu não a culpo, mas dói do mesmo jeito...”
Depois de ouvir a historia de Charlie a sala foi invadida por um silencio profundo. Eu olhava para o rosto de cada uma observando as reações... Britt e Rachel estavam chocadas; Quinn e Charlie estavam magoadas, a expressão delas era de tristeza e raiva.
Era realmente uma situação difícil. Um pai que expulsou as duas filhas de casa porque elas não eram o que ele julgava perfeito, elas não estavam de acordo com a imagem de boa família que ele gostaria de passar para a sociedade... Olhando bem de perto, Quinn e eu não éramos muito diferentes... Talvez isso que tenha nos aproximado.
Minha amiga permaneceu em silencio por alguns minutos, era nítido que a historia de Charlie estava terminando por arruinar a imagem que Quinn tinha do pai... Rachel se aproximou da namorada e se sentou ao seu lado, deixando Quinn entre ela e a irmã. A reação imediata da minha amiga foi pegar na mão da minha irmã, como se estivesse buscando forças para reagir a tudo aquilo.
– Eu sinto muito pelo seu filho... – Quinn falou e Charlie soltou um baixo “tudo bem” – O Russel parecia tão feliz e orgulhoso... Vivia dizendo para todos que a filha mais velha tinha sido admitida em uma das maiores e melhores universidades de Londres. – seu tom de voz era baixo.
– Mamãe me disse isso em uma das vezes que conseguiu me ligar, mas isso era só para evitar perguntas, evitar que as pessoas descobrissem o que realmente tinha acontecido. – Charlie levantou o rosto de Quinn para que a encarasse – Nós nunca conseguiremos entender as atitudes dele... A única coisa que preciso nesse momento é que você me perdoe...
– Mas eu não tenho nada para te perdoar. – Quinn estava séria, mas logo deu um pequeno sorriso – Você não teve culpa de nada. Por culpa do Russel, um dia você foi embora e agora outra atitude preconceituosa dele te trouxe de volta... Eu te amo, Char. Isso é o que importa.
– Eu também te amo muito irmãzinha. – as duas se abraçaram – Senti tanto a sua falta...
– Também senti a sua... Todos os dias. – se separaram do abraço – Mas agora chega de choro porque eu não quero saber mais daquele homem.
– Ok, mas eu preciso saber o que aconteceu depois que ele te expulsou... Você ainda é tão nova para ficar por ai, sozinha... – Charlie se ajeitou no sofá.
– Mas eu não estou sozinha... – Quinn olhou para nós – Charlie, eu quero que você conheça as melhores pessoas que já entraram na minha vida... – começou a nos apresentar – Aquela ali é a Santana, minha melhor amiga e a latina mais abusada do mundo. – joguei uma almofada em sua direção – A loira do lado dela é a Brittany, a namorada e essa daqui... – abraçou minha irmã – é a Rachel, minha namorada.
– Prazer conhecer vocês meninas. – Charlie sorriu – Mas eu confesso que fiquei um pouco confusa quando a mamãe me disse que você estava namorando uma garota... Nunca desconfiei que minha irmãzinha fosse gay.
– Nem eu sabia até me apaixonar pela Rach. – Quinn deu um selinho na namorada – Eu espero que você não se importe com isso, Char.
– Eu não, contanto que você esteja feliz para mim está ótimo. – deu um beijo no rosto da irmã – Bom, dá para ver que as meninas gostam de você e tudo mais, mas eu preciso saber Quinnye... Tem algum adulto por perto?
– Claro, eu estou morando na casa da Britt, os pais e o irmão dela são muito legais comigo... – Quinn esclareceu.
– Eu queria que ela morasse aqui, mas pai e papai acharam melhor que fosse assim. – Rachel comentou e vi Charlie levantar uma sobrancelha nós fazendo rir – Sim, meus pais são um casal gay.
– Ok, mas porque a casa da Britt e não a da Santana já que ela é sua melhor amiga. – perguntou a irmã e nós voltamos a rir.
– Porque daria no mesmo. – eu respondi – Rachel e eu somos irmãs.
– Uou. Vejo que perdi muita coisa, mas como eu não vou mais largar a minha irmãzinha, tenho tempo para todas as atualizações possíveis.
E realmente, nós passamos horas ali na sala atualizando a irmã mais velha da minha amiga.
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