In The Dark

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Mais um capitulo...

– Vamos ver o que temos aqui... – Melissa sorriu ao encontrar a página desejada – Hum... Isso parece interessante... – começou a ler sem se importar com quem estava ouvindo...



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“Meu amigo...

Eu gostaria que isso não estivesse acontecendo, mas eu já não consigo controlar... Aliás, eu nem entendo direito o que está acontecendo comigo... Só sei que a primeira vez em que olhei em seus olhos meu coração parecia ter vida própria, parecia querer pular do meu peito.

Queria ter com quem conversar... Alguém que pudesse me explicar direito o que está acontecendo... Mas eu sei que estou sozinha... Mas só de vê-la, me sinto bem... Nunca nos falamos.... Provavelmente isso nunca acontecerá afinal ela faz parte dos populares e eu... Sou apenas eu... Ninguém nunca saberá sobre isso meu amigo, ninguém nunca saberá que o meu primeiro amor é Quinn Fabray.”



Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, olhei para os lados e vi a loirinha que tinha me encantado baixar os olhos e sair do refeitório... Todos estavam rindo... Olhei minha irmã e vi nojo em sua face, esse com certeza era o meu fim.

Ela desceu da mesa e se aproximou de mim, sua expressão não era das melhores.

– Eu te achava esquisita, mas isso? – apontava para o diário – Você é nojenta. Papai e mamãe ficarão sabendo disso...

Eu não conseguia reagir, tudo aquilo era assustador demais. No momento em que meu corpo voltou a me obedecer eu apenas corri, corri o máximo que pude. Entrei no banheiro e encostei-me a uma das paredes sentindo meu corpo deslizar até estar sentada no chão, as lagrimas que escapavam dos meus olhos eram lagrimas contidas durante anos... Ouvi a porta do banheiro se abrir, mas não me importei que me vissem daquele jeito...

– Você não devia deixar ela te tratar assim... – ouvir aquela voz só fez eu me sentir pior, me sentir um fracasso ainda maior.

– O que você quer? Veio rir de mim? Dizer que sou uma piada e que também sente nojo de mim? – armei meu escudo de proteção sem nem perceber.

– Na verdade, só queria saber se você estava bem...

– E porque você se importaria com isso? Você provavelmente me odeia pelo que aconteceu lá no refeitório...

– Eu não te odeio Santana. – ela suspirou meio irritada – É claro que não gostei de ver meu nome envolvido, mas eu sei que a culpa não é sua...

– Estou achando esse papo muito estranho... Você nunca falou comigo, mas aí minha irmã arma aquele circo todo e agora nós estamos aqui conversando normalmente... Você nem parece estar irritada com o que ela leu no meu diário... Está armando o que eim Fabray?

– Credo garota. Não estou armando nada... Só fiquei preocupada... Não sou essa vadia que todos dizem. – ela sentou-se ao meu lado – Na verdade as pessoas tem de mim o que merecem ter... Não tenho culpa se a maioria das pessoas desse colégio é estúpida e merece levar slushies na cara todos os dias.... Mas de verdade... Fiquei preocupada com você. – olhei-a ainda incrédula.

– Você não está brava por saber que eu gosto de você?

– Não. Resolvi pensar que isso serve como elogio... – ela deu um pequeno sorriso- Você é uma garota bonita, Lopez... Só está mal cuidada... E tem uma alto-estima muito, mas muito baixa... Vamos precisar trabalhar isso...

– Como assim? – aquilo estava surreal demais.

– Eu vou te ajudar. – ela se levantou e me estendeu a mão para que eu levantasse também – A partir de hoje você vai aprender a ser superior e se tornará uma nova pessoa... Ninguém mais vai mexer com você ou te por para baixo... E vamos começar dando um jeito de calar sua adorável irmãzinha.

Eu ainda não conseguia ligar uma coisa na outra, ainda estava confusa. Quinn Fabray, a garota mais popular do colégio estava querendo me ajudar, mesmo depois de saber que eu era apaixonada por ela... Justo eu que nunca tive ninguém ao meu lado...

Levantei-me do chão, lavei meu rosto banhado em lágrimas e ouvi as instruções dadas pela loira a minha frente. Ela me dizia uma maneira de recuperar meu diário e fazer com que nada chegasse aos ouvidos de meus pais... Sua mente trabalhava realmente rápido, era incrível...

– Acho que não vou conseguir... – falei abaixando minha cabeça.

– Primeiro: Nunca abaixe sua cabeça para ninguém. Eu sei que você tem potencial para ser melhor que muita gente aqui, basta aprender a se impor. Segundo: Você vai conseguir sim. Terceiro: Eu vou estar com você.

Ela falava olhando diretamente em meus olhos e eu me sentia presa naquele par de avelãs.

– Ok... Eu vou tentar. – falei um pouco mais animada.

– Tentar não... Você vai fazer tudo como combinamos e vai dar tudo certo. – ela sorriu me passando confiança – Eu estarei ao seu lado.

Saímos do banheiro e fomos em direção à entrada do colégio, passamos tanto tempo conversando que em poucos minutos as aulas do dia acabariam. Ficamos ali, esperando Melissa sair para enfim recuperar meu diário.

Não demorou muito e a avistamos. Ela estava rodeada de amigos e abraçada ao tal namorado babaca, como sempre. A me ver seu sorriso aumentou, me provocava, cochichava com os amigos e todos me olhavam rindo. Senti Quinn me cutucar e finalmente me movi em direção a minha irmã... Ela passou a me olhar de forma intrigada ao perceber que Quinn caminhava ao meu lado.

– Eu vim pegar meu diário. – falei com a voz espantosamente firme.

– É mesmo? Pois perdeu seu tempo, eu não vou devolver. – ela me encarava.

– Não estou te pedindo meu diário de volta... Eu disse que vim pegá-lo e é isso que vou fazer. – em um movimento inesperado puxei o diário que estava em suas mãos.

– O que você pensa que está fazendo sua aberração? – ela veio para cima de mim – Você sabe que esse pedaço de papel é o de menos não é? Papai e mamãe acreditarão em qualquer coisa que eu disser.

Ela mantinha um sorriso vitorioso no rosto e aquilo só aumentava minha raiva. Eu sentia meu corpo esquentar, estava a ponto de explodir... Apesar de ser minha irmã eu não podia deixa-la destruir a minha vida assim, meus pais nunca me aceitariam em casa e eu precisava de um lugar até completar dezoito anos... Depois disso eu sumiria dali.

Olhei para Quinn que se mantinha ao meu lado e ela balançou a cabeça em sinal positivo... Foi suficiente para me dar a força de que eu precisava. Melissa me olhou com os olhos arregalados no momento em que lancei seu corpo contra a parede e com um dos braços pressionei sua garganta.

– Você não vai fazer absolutamente nada, sua vadia. A partir de agora, você vai permanecer calada, quando estivermos no mesmo local, você vai se retirar imediatamente. Eu não quero mais saber de você fazendo gracinhas com os seus amigos, não quero saber do meu nome na sua boca... – eu falava entre dentes e podia senti-la tremer, ela estava assustada com tudo o que eu dizia afinal eu nunca reagia – O que você leu nunca chegará aos ouvidos dos nossos pais... Se chegar, não importa quem tenha dito, você é que vai pagar... Entendeu bem?

– S-Sim... – ela mal conseguia falar.

– Agora some da minha frente. – ela saiu apressada.

– Olha, estou impressionada. – Quinn se aproximou – Você nem precisou de ajuda.

Eu apenas dei um pequeno sorriso, estava me sentindo mais leve e confiante. As pessoas ainda me encaravam assustadas...

– Vamos embora, Quinn. – ela arqueou uma das sobrancelhas – Está todo mundo me encarando e eu me sinto corajosa o suficiente para pular no pescoço de mais uns três.

Ela soltou uma gargalhada e naquele momento eu já não me importava em ser somente sua amiga. Caminhamos de cabeça erguida entre as pessoas que nos olhavam com um misto de medo e admiração.


Notas finais
E então?