In The Dark
13 Capítulo 13
Notas iniciais
– Eu vou perguntar só mais uma vez... Quem é aquela garota?
Eu estava completamente paralisada, minha mãe me encarava séria e eu não sabia o que fazer. Meu maior medo era o dela ter visto o beijo... Não estava com medo por mim, mas por Brittany.
– Anda Santana! Quem é aquela garota? – ela agora falava mais alto, irritada por eu permanecer calada.
– É a Brittany... Minha amiga. – me forcei para não gaguejar.
– E desde quando você beija suas amigas na boca? — minha mãe estava com um olhar de ódio, nojo e julgamento.
– E quem disse que eu a beijei na boca? – tentei permanecer firme, eu não iria abaixar a cabeça... Não dessa vez.
– Ninguém me disse, eu vi! – ela caminhou em minha direção – O que isso significa Santana?
– Significa que eu estava beijando a minha namorada e você não tem nada a ver com isso. – eu falava firme, mas por dentro sentia todo o meu corpo tremer.
– Você só pode estar brincando comigo. Eu não criei uma filha para ela se transformar nisso, uma aberração. – ela começou a falar ainda mais alto – Eu sabia que você era esquisita, mas não imaginei que fosse tanto.
Eu a ouvia, mas não conseguia acreditar naquilo. Sempre fui deixada de lado, aprendi a me virar sozinha desde pequena, nunca recebi uma palavra de carinho ou amor por parte de meus pais, mas nunca imaginei que as palavras dela ainda pudessem doer tanto. Aquilo era mais dolorido que a pior das surras que já levei, era uma dor na alma, uma dor que provavelmente nunca se cicatrizaria.
– Em uma coisa você está certa... Você não me criou, eu me criei sozinha... Vocês nunca cuidaram de mim, nunca estiveram ao meu lado, nunca demonstraram sentir um pingo de amor por mim. Eu sempre precisei me virar sozinha, eu cresci sozinha. Toda vez que eu precisei recorrer a alguém eu ia até os meus melhores amigos ou até a minha abuela, afinal nem você nem o papai se preocupam comigo, nunca se preocuparam... Então não me venha agora dizer que está desapontada ou irritada por descobrir que estou namorando uma garota, isso não faz parte do seu “estilo”. Vamos continuar da maneira que sempre fomos, você finge que é minha mãe e eu finjo que sou sua filha.
Eu já estava alterada, meu tom de voz era alto. Dizer tudo aquilo foi como jogar na cara da minha mãe uma parte de toda a magoa que eu sentia. Ouvi passos no andar de cima e logo meu pai e minha irmã apareceram na sala.
– O que está acontecendo aqui? – meu pai questionou com uma cara nada boa.
– Sua filha, acredita que acabei de vê-la beijando uma garota? – minha mãe começou a falar e eu logo vi meu pai fechar ainda mais a cara e minha irmã rir discretamente – E ainda teve a cara de pau de dizer que são namoradas...
– Isso é verdade? – ele me encarava ainda mais sério.
– Sim. Eu estou namorando uma garota e me sinto muito feliz por isso.
– Ok. Pegue suas coisas e saia da minha casa. – ele falou naturalmente, como se dissesse “querida, me passe o molho”.
– Você está falando sério? – tudo desmoronou — Eu só tenho quinze anos... O que vou fazer? Para onde vou?
– Se vira, vai para a casa da sua namoradinha ou para a casa da sua avó, mas aqui você não fica. Não quero que meus amigos fiquem falando que tenho uma anormal como filha... – ele virou as costas indo em direção as escadas – Você tem trinta minutos para sair daqui.
Essa foi a pior sensação que já tive na vida. Sabia que eles eram indiferentes comigo, mas nunca imaginei ser expulsa de casa... Fazia o possível para não chorar, pelo menos não em frente a minha mãe e irmã que continuavam ali na sala.
– Faça suas malas rapidamente, pegue tudo o que for possível, pois o que ficar jogarei fora.
E assim minha mãe subiu em direção ao seu quarto. Eu ainda me sentia desnorteada, não conseguia mais reagir aquilo.
– Acho melhor você ir logo... Pelo jeito eles não irão mudar de ideia. – minha irmã falou pela primeira vez – Você devia ter sido mais discreta e...
– E o que? Vai me dar conselhos agora? Poupe-me da sua falsidade.
Eu simplesmente não conseguia ouvir a voz dela, eu estava me sentindo sufocada, totalmente perdida. Fui até o meu quarto e peguei tudo o que consegui... Desci novamente e Melissa continuava na sala, sentada no sofá. Ao contrario do que eu imaginava, ela não parecia muito feliz, mas não dei muita atenção, eu já havia sido magoada demais e não conseguia mais ficar ali.
Caminhei até a única pessoa que poderia me receber de braços abertos àquela hora da noite. Bati na porta e esperei, quando aquela pessoa que eu tanto amava apareceu, eu simplesmente não consegui mais conter as lagrimas... Minha avó se assustou a me ver carregando as malas e chorando convulsivamente, me levou para dentro da casa, me fez sentar no sofá ao seu lado e apenas me abraçou, esperando que eu me acalmasse.
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