In-Sanidade

7 Trinta e cinco horas


Notas iniciais
Eu queria muito ter postado esse capítulo antes, especificamente no dia em que a bela Skarlatty Brëhm recomendou a história - fiquei tão feliz. Mas, infelizmente, trabalho e faculdade não ajudaram em nada. Então, estou postando hoje esse capítulo dedicado a Skarlatty. Muito obrigado pela sua recomendação, pela leitura dos capítulos e pelos comentários lindos. Graças a leitoras como você que continuo escrevendo.

Dirigi sem rumo durante aproximadamente vinte minutos. Não sabia ao certo onde ir ou o que fazer. Não tinha ninguém que eu pudesse conversar sobre o havia acontecido nas últimas horas.

Ou talvez tivesse?

Antes que eu pudesse decidir, percebi que estava quase sem combustível. Por sorte, alguns metros a frente havia um posto de gasolina.

Quando cheguei no local percebi que, tirando os funcionários, o local estava deserto. Eram ao todo três funcionários, todos sonolentos, sendo dois responsáveis pela parte das bombas de gasolina e o último pela loja de conveniência.

– Enche o tanque de gasolina aditivada, por favor. — disse ao atendente, que ao invés de me dizer algo em resposta me presentou com um enorme bocejo.

Sai do carro e fui até a loja de conveniências para olhar os produtos e ver se algo despertava meu apetite. Ao passar pela área de comidas e snacks não vi nada de interessante, então decidi simplesmente pegar duas latas de energético para continuar acordado, afinal, minhas horas passariam comigo acordado ou dormindo. Elas simplesmente não iam esperar eu descansar para voltar a valer. Se eu perdesse alguma hora, seria aquilo, sem exceções, eu não as teria de volta.

Coloquei as duas latas sobre o balcão e as deslizei para o atendente, que imediatamente me respondeu.

– Vinte reais. — informou o atendente sem simpatia alguma.

Simplesmente decidi ignorar aquela atitude, afinal o garoto estava trabalhando de madrugada e provavelmente durante horas.

Logo após, deslizei o cartão negro pelo balcão até o garoto. Precisava descobrir se aquela cartão tinha alguma utilidade. O atendente pegou o cartão e o colocou na máquina.

“Digite a senha”

Era a mensagem estampada na tela da máquina de cartões. O valor total era vinte reais, deveria funcionar, mas caso não funcionasse eu estava com dinheiro para pagar aquela quantia.

Digitei a senha correta e esperei.

Esperei e nada aconteceu.

Deduzi que ou a máquina estava com problema, ou o cartão não iria funcionar novamente. Não conseguia pensar em outra explicação para aquela demora.

Retirei a bolsa das minhas costas para pegar algumas notas de dólares, o único problema: todas os rolos estavam do jeito como recebi, todos contendo milhares de dólares. Eu não separara em menores conjuntos. Então precisei retirar um dos diversos rolos para pegar apenas uma nota de cinquenta dólares.

O atendente estava com sono, porém quando fui mexer na bolsa e o dinheiro apareceu, seus sensores voltaram a funcionar e sua atenção focou em mim. Talvez ele possuía uma habilidade avançada de sentir o cheiro de dinheiro.

Foi então que ouvi um apito emanando da máquina. Quando abaixei minha cabeça para olhar em direção da máquina lá estava a mensagem “Aprovado”.

Muito bem! O cartão estava funcionando.

Começava a imaginar que o problema, talvez, fosse o valor.

Minha atenção foi desviada da da transação bem sucedida após ouvir um barulho alto provocado pela abertura violenta das portas do local.

Um homem não muito alto era o responsável por provocar aquele barulho e para minha surpresa ele apontava uma arma na minha direção. Eu realmente não estava com sorte nos últimos dias.

Era incrível como durante mais de duas décadas eu nunca havia me envolvido em nenhuma situação próxima a crimes como os praticados nas últimas horas, e agora, em menos de cinco horas tudo isso acontece. Aquilo simplesmente não era normal.

Enquanto eu observava o homem se aproximar de mim, a arma no bolso interno do meu paletó parecia provocar pequenos choques na minha pele, como se fosse provocação. Quando eu ia ceder à aquela provocação, o assaltante passou diretamente por mim, indo agora em direção ao caixa.

Aquilo fez com que os pequenos choques cessassem.

Mas novamente lá estava eu preparado para resolver um problema pequeno através de um homicídio. Será que a vida alheia perdera todo significado para mim?

– Quero todo o dinheiro AGORA! — gritou o assaltante ao atendente da loja de conveniência

– Só um... só... — esse era o máximo que ele conseguia articular de uma frase graças ao seu nervosismo em excesso.

– Vai logo porra! — gritou novamente, cuspindo no rosto do atendente enquanto pronunciava cada palavra.

– D-Desculpe... — respondeu o atendente.

– Desculpa é o caralho! Seu merda! Dá o dinheiro!

– Esse é o problema. Não tem nada!

– Como assim não tem nada?!

Ele se inclinou em direção ao caixa, utilizando o balcão de apoio, para tentar ver o caixa e confirmar a informação do garoto. Aquela era minha oportunidade de reagir, ele estava com as costas desprotegidas.

Se eu não agisse ele iria matar o garoto, eu simplesmente sabia daquilo, porém não conseguia entender ao certo como chegara aquela conclusão. Eu sentia que ele não estava com uma arma para assustar apenas.

– Eu disse que não tem dinheiro no caixa. É tarde e acabamos de recolher todo o dinheiro e repassar para a empresa de segurança. — o atendente disse, agora mais relaxado. — Mas pode levar qualquer coisa da... — sua frase foi interrompida por um soco na boca. A força do golpe foi tanta que o fez cair no chão imediatamente..

– E eu lá quero comida?! — o assaltante ainda estava de costas para mim. Eu podia agir nesse momento.

– Ele tem dinheiro! — disse o garoto entre gemidos. Seu dedo indicador apontando para mim.

“Filho da Puta!”

O assaltante compreendera a mensagem, ele tinha que me assaltar e não a loja. Porém, ele não virou imediatamente para onde eu estava, aparentemente ainda precisava apreciar o sofrimento do garoto que acabara de socar e parecia estar seguro sobre tudo que estaca acontecendo, ele claramente não me achava uma ameaça ao seu plano.

Aproveitei aquela oportunidade e corri de encontro ao assaltante com arma na mão.

Não atirei dessa vez. Dessa vez eu bati em sua nuca com a arma. Ele iria ficar desacordado por um tempo. Ou pelo menos deveria.

E não fora o que acontecera, pois logo após cair no chão de joelhos ele já estava tentando levantar com o auxílio das prateleiras. Pelo menos desnorteado ele ficara e era o suficiente para eu sair correndo e pelo menos salvar minha vida. Porém, quando fui iniciar a corrida senti algo preso no meu pé, era uma mão, a mão do atendente.

“Filho da Puta!”

– Me solta idiota! — gritei.

– Nem fodendo! Você é meu ticket da loteria, babaca. — ele certamente estava acabado pelo soco, porém tinha força o suficiente para me segurar.

– O seu ticket da loteria vai te matar. Então você esta em uma situação bem ferrada. — comentei, enquanto destrava a arma e apontava para ele.

– Acho que não, garoto. — era o assaltante, ele estava de pé, nada tonto, e em sua mão estava a arma, que agora tocava o lado esquerdo da minha cabeça.

Aquele não era meu dia de sorte.

– Por favor, o dinheiro. — o homem disse com um tom de deboche na voz.

– Ok. — eu disse, sem conseguir pensar em outra solução a não ser cooperar.

– Opa! Sem movimentos bruscos. Primeiro, solte a arma. Depois me entregue a bolsa.

Fiz tudo da maneira como ele pediu, reagir agora não era sábio, ele tinha a vantagem, eu estava sem opções.

– Muito bem. Agora pode me passar a...

BUM!

Sangue jorrou no meu paletó inteiro e em parte do meu rosto. Na minha frente um corpo despencava lentamente em direção ao chão.

Outro barulho.

Dessa vez era o corpo do assaltante batendo no chão com força. Sua cabeça tinha um buraco enorme cheio de sangue.

Desviei meu olhar do corpo para a garota que estava parada diante de mim. Ela era uns dez centímetros mais baixa do que eu, tinha cabelos castanhos e lisos, olhos verdes escuros sem brilho algum e, para completar, um sorriso cheio de dentes extremamente brancos, era um pouco assustador. Mas o que mais chamou minha atenção foi o que estava em sua mão direita: uma arma, idêntica a minha.

– Por favor, faça o mesmo com esse idiota. — a garota disse, enquanto se aproximava de mim e colocava a mão desocupada sobre a minha mão que segurava o revólver.

BUM!

Ela simplesmente pressionara meu dedo no gatilho e fizera minha arma disparar no atendente.

– O que você fez? — perguntei.

– Ele deu sua vida para aquele assaltante, ele merecia. Menos sentimentos, é só uma vida.

“Realmente, era só uma vida.” pensei. “Será mesmo que era só isso?”

– Ah! E você é o próximo. — agora ela apontava a arma em minha direção.

Eu realmente ia morrer desse jeito? Sem usufruir de todas as minhas horas? E eu ainda tinha um pouco mais de trinta e quatro horas. Precisava encontrar uma solução para escapar daquela situação.

– Ei! Espera!

BUM!

Notas finais
Espero que não tenham muitos erros de ortografia e gramaticais, infelizmente estava com muito sono na revisão, então posso ter deixado algo passar. Mas comentem mesmo assim, coisa boa ou ruim.