In-Sanidade
9 O outro lado da moeda
Notas iniciais
–---- POV Silva
– Acelerem seus idiotas! Não quero ninguém pra trás – gritei no walkie-takie.
– Calma, chefe. Eles ainda estão no posto e estamos a vinte minutos de distância. – Marcelo disse, enquanto dirigia.
– Ainda estão no posto?! Seu idiota! Olha aqui! – coloquei o tablet em seu rosto para mostrar que o ponto referente ao Mart estava se movendo, e rápido. – Está vendo? Eles estão saindo de lá.
– Estou dirigindo, Silva. Pra quê isso? – aquele Marcelo era um puta de um folgado. Merecia apanhar um pouco.
– Dirigi mais rápido. – disse. – Velocidade máxima! O Mart saiu do posto – disse no walkie-talkie.
Ele sabia que estávamos atrás dele, caso contrário não estaria se movendo tão rápido. Ia ser difícil alcança-lo se ele continuasse naquele ritmo. Peguei meu celular e digitei o número do Klein.
– Ei Klein. Preciso que você seja meus olhos. Primeiro, sabe me dizer se a Emily foi junto com o Khelagar? Segundo, siga o garoto utilizando as câmeras da estrada, precisamos saber onde ele vai e o que ele vai fazer. É essencial não perde-lo pois se a Emily estiver com ele logo não poderemos contar mais com os rastreadores.
– Boa noite Silva. – ele disse, com calma. – A Emily está com ele sim e já estou rastreando os dois pelas câmeras da estrada e pelos radares, caso tenha alguma movimentação suspeita eu te aviso.
– Obrigado. – desliguei.
– Ei, Marcelo. Por que porra de motivo você está dirigindo a 120km/h? – gritei.
– É o limite da velocidade. – ele respondeu, caçoando de mim.
– Porra, você acha que isso é brincadeira?! Acelera essa merda!
– Mas...
Abri o porta-luvas e peguei a Taurus 59 e apontei em direção ao rosto do idiota.
– Se o ponteiro ficar abaixo dos 160km/h você morre.
Cheguei no posto em um pouco mais de cinco minutos e em nenhum momento se quer o ponteiro ficou abaixo dos 180k/h. Nada que uma ameaça não resolva.
– Equipe 1, tirem os três corpos daqui. Equipe 3, esse lugar precisa ficar do jeito que estava antes do Mart vir aqui, não quero um resquício de DNA incriminador nesse lugar. E Equipe 2, hora de fingir que trabalham no posto de gasolina. O restante, entrem nos carros e vamos atrás desse moleque.
Voltei para o carro, porém não entrei. Dei a volta e parei na porta do motorista.
– Desce. Eu dirijo dessa vez. – disse, sem olhar para o Marcelo.
Ele saiu do carro e nesse momento eu vi que parte da sua calça estava molhada. Eu realmente o assustara. Notei também seus punhos fechados e um olhar de quem iria arriscar tudo.
Sabia exatamente o que precisava ser feito.
Apontei a Taurus 59 para a testa dele e atirei. Seu corpo estatelou no chão, como se fosse uma marionete, após as cordas serem cortadas.
Abaixei e mexi um pouco nas roupas do homem agora morto. Senti a arma no bolso interior da jaqueta de couro.
– Vamos! O Khelagar vai escapar.
.
–----- POV Peter Klein
A movimentação do ponto referente ao Mart parara. Eu tinha que avisar o Silva sobre isso. Ou não.
Decidi esperar um pouco e ver o que acontecia, talvez não fosse nada relevante.
Virei minha cadeira para o monitor com as telas das imagens das câmeras de segurança e radares das estradas para ver o que estava acontecendo. Nada. Não tinha nada.
Aquele moleque filha da mão. Não! Aquela menina. Emily! Ela fizera o garoto parar o carro num local onde não havia câmeras ou radares. Merda.
Peguei meu celular e liguei para o Silva.
– Fala Klein. – ele disse.
– O Khelagar parou.
– Onde? – perguntou, sua voz estava nervosa.
– Siga nessa mesma estrada onde você está por mais cinquenta quilômetros. Foi lá onde ele parou.
– Obrigado. Me mantenha informado! – ele desligou.
O que a Emily estava aprontando naquele local específico? Eu precisava descobrir antes que aquele saco de músculos fosse lá e fizesse algo impulsivo que arriscaria a operação.
Talvez tivesse como ver algo pelas câmeras próximas.
Deslizei a seta pela lista de câmeras e vi uma a um quilômetro de distância de onde Mart estava. Como a estrada era em linha reta naquele trecho, consegui visualizar no canto superior da tela alguns pontos pretos se movendo. Será que eram eles?
Tentei aproximar a imagem, mas não estava nítido o suficiente para ter certeza de que eram eles, muito menos o que estavam fazendo.
– Eles estão se desfazendo dos celulares, isso é certeza. – virei para trás e vi um vulto atrás de mim.
– Quem é você? – Levantei da cadeira em um pulo e apontei minha arma para o vulto, que agora percebia que era apenas um garoto, de não mais de vinte anos.
– Calma, Peter Klein. – ele disse, enquanto tirava a jaqueta de couro preta e colocava na minha cadeira. – Sou seu novo estagiário.
– Estagiário?! Mas eu trabalho sozinho.
– Primeiro, vamos abaixar a arma, ok? Segundo, o chefe está preocupado com essa edição do programa, então me enviou para ter certeza que nada irá contra o planejado.
Eu abaixei a arma lentamente e a coloquei na mesa. Peguei novamente o celular e disquei o número do Senhor B.
– Senhor, quem é esse garoto? – perguntei diretamente.
– Olá para você também, Klein. – ele disse, aparentemente estava feliz. – Respondendo sua pergunta, esse é meu filho, Harry. Ele vai te ajudar nas próximas horas. – completou e logo após, antes mesmo de ouvir minha resposta, desligou.
– Tudo bem então. – falei, desistindo daquela batalha. – Só não me atrapalhe.
– Sem problemas, senhor Klein.
– E como sabe o que eles estão fazendo? – perguntei.
– Porque eu sou extremamente inteligente. – respondeu. – Além disso, eu conheço a forma de agir da Emily. Posso dizer que sou um fã da participação dela no programa. E por isso posso dizer que talvez ela tenha armado os explosivos dos celulares, então é melhor avisar o pessoal de campo para não se aproximar.
.
–----- POV Silva
– Porra Klein! Cadê os dois? – perguntei.
– Eles saíram faz uns quinze minutos. – Klein respondeu. – Preciso que me responda uma pergunta, tem alguma coisa na estrada?
– Hm. – olhei em volta. – Tem umas coisas brilhando no chão. Acho que são celulares.
– Não se aproxime.
– Por que? – perguntei.
Antes que ele pudesse responder entendi qual era o motivo. Um dos membros da equipe tocara em um e imediatamente ele explodira, jogando o homem para fora da estrada. Em seguida os outros aparelhos explodiram.
Felizmente eu não estava próximo, mas quase toda a equipe estava.
– Acho que não preciso explicar. – Klein disse.
– Vou reportar pra você mesmo. Dez baixas. Perdi cinco corpos que foram jogados para fora da estrada e caíram no rio abaixo da estrada. Os cinco restantes a equipe restante irá recolher.
– Sem problemas.
– Preciso que ligue para a equipe de coleta e peça que recolham os outros cinco corpos. Eu irei atrás do Khelagar e da Emily sozinho. – eu estava puto com tudo aquilo. Nunca caíra nas armadilhas dos participantes. EU criava as armadilhas e ELES que eram as vítimas.
– Não f... – desliguei antes que eu pudesse ouvir o resto da frase do Klein.
– Ei! – gritei. – Quero que quem restou recolha os corpos dos feridos e os destruam. NÃO é para irem atrás dos demais corpos.
– E você Silva? – um dos membros perguntou.
– Eu irei atrás do Khelagar.
Entrei no carro e dirigi devagar passando pela equipe e pelos mortos. Foi nessa hora que senti um tremor. Olhei pelo retrovisor e vi as rachaduras abrindo no chão da estrada.
A ponte estava desmoronando.
Engatei a segunda marcha e acelerei. Enquanto acelerava via a equipe inteira sendo levada naquela espécie de areia movediça de concreto. Nenhum deles foi capaz de escapar daquela situação.
Liguei novamente para o Klein.
– Mude a informação. Perdi toda a equipe.
– O que?!
– A ponte foi destruída graças a explosão e eles não foram capazes de sair a tempo. – disse, sem emoção.
– Tudo bem, informarei a equipe de coleta.
Desliguei.
Talvez eu precisasse de reforços para lidar com aqueles dois. Eles eram melhores do que eu imaginava.
O caralho! Eu era o profissional, não eles.
Pisei fundo no acelerador.
.
–----- POV Peter Klein
– Então eu estava certo? – Harry disse.
– Sério? Várias pessoas morreram e é essa sua preocupação? – questionei. Como aquele garoto não se importava com aquela atrocidade?
– Ah Klein, sem drama. É como dizem, ossos do ofício. – não entendia como ele podia agir daquela maneira depois de tudo aquilo. Eu, após anos de trabalho na i.n., ainda sentia quando via algo daquela magnitude.
Só tinha uma coisa, eu era uma pessoa normal, ele era filho do Black. Como deve ser a experiência de ter um pai como aquele cara?
– Vamos trabalhar Klein. Afinal, não podemos perder o Mart de vista. – ele disse, interrompendo meus pensamentos.
– Vamos sim. Pode ficar com aquela mesa. – apontei para uma mesa vazia. – Tem um notebook naquela armário.
– Tudo bem. Eu já trouxe o meu.
– Ok. – assenti. – Qualquer novidade ou pensamentos como dos celulares-bomba me avise.
– Sim, senhor!
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