Notas iniciais
Bem pessoal... Espero que gostem.
Eu tinha começado escrever simplesmente por escrever, até que mostrei pra um amigo e ele me incentivou a publicar.
Não pretendo escrever capítulos muito grandes.

-Levanta moleque, tá na hora da sua aula.

-Pai, já estou pronto.

-Já tomou café?

-Não.

-Então por qual motivo tá discutindo comigo garoto?

-Desculpa pai.

Todo dia Andrew passa por isso, seu pai é incrivelmente violento e machista, e desde que Annie, sua esposa, morreu ele tem ficado pior. Se estressa com Andrew por qualquer coisa, as vezes até bate no garoto de 16 anos. Porém, Andrew nem pode imaginar o que Pedro, seu pai, fará...

"Mais um dia naquela escola, duvido que aconteça algo novo, nunca acontece. Já estamos na metade do segundo bimestre e nada aconteceu! E duvido que alguém me ensine algo novo. Aqueles professores novatos não sabem dar aulas, já estudei os próximos dois conteúdos de cada matéria por conta própria." Andrew sempre pensa assim. Aliás, ele pensa bastante, quando se é tímido e se tem medo das pessoas, pensar, é a coisa que você mais pode fazer. Embora fosse muito inteligente, só os professores sabiam disso, ninguém via suas notas, nem mesmo seu pai. Pedro era do tipo, "não me venha com reclamações da escola e terá sua mesada no fim do mês". Ele não era muito "paternal" nem quando Annie estava viva.

Hoje o dia estava disposto a ser diferente. Como sempre Andrew sentou na sua carteira no canto da sala e ficou esperando o sinal tocar ouvindo músicas no fone de ouvido (seu pai com muito custo lhe dera um celular, não era muito moderno, mas tinha ao menos acesso a internet e mp3 player).

Sua mesa era a penúltima da fileira, bem ao lado da janela, ele gostava dali, conseguia ar fresco, enchergava o lado e era um pouco afastado das demais pessoas. Quando o sinal tocou, retirou os fones, guardou-os no bolso, junto com o aparelho e retirou o material da primeira aula. Logo depois viu o professor chegando, porém ele vinha acompanhado com um garoto. Tinha a mesma altura de Andrew, era bonito, cabelos loiro escuro quase castanhos, pele parda, e belos olhos azuis. Quando Andrew se deu conta de que ele era um aluno novo, ele já estava se sentando atrás dele, incrivelmente seu cérebro havia bugado, não funcionou direito nos últimos segundos.

-Oi — Disse o novato num tom bem baixo que apenas Andrew conseguiu ouvir. A voz do novato era encantadora, não tinha aquele tom pesado de doçura, mas também não era grossa, era uma perfeita sincronia, algo muito bom de se ouvir. — Me chamo Guilherme. Desculpe se estou lhe incomodando.

"Oh meu Deus, esse novato tá falando comigo mesmo? Ninguém fala comigo."

-Andrew.- Apresentou-se. -Não, não está atrapalhando.- Respondeu tentando colocar convicção no que dizia. Ele só conseguia falar quando era necessário, como numa apresentação de trabalho ou algo do tipo.

-Depois..., no intervalo..., poderia me ajudar a me habituar ao colégio? Sou novo na cidade.

-Errr... Sim, eu acho.

Por mais incrível que pareça, todo esse diálogo (um enorme avanço quando se trata de um anti-social, tímido, como Andrew) se passara sem nenhum contato ocular, Andrew apenas olhava o professor escrever a data e o título da matéria no quadro. A aula correu normal, Guilherme não falara mais nada. Andrew não se concentrou muito na matéria, já sabia aquilo tudo, estava pensando no novato, ele mesmo parecendo tímido, falara com ele. O sinal toca e Andrew se levanta para ir beber água enquanto a professora da próxima aula não chegava. Quando estava se preparando para passar pela porta sente um toque suave no seu ombro. Ele se vira e vê Guilherme com os olhos baixo perguntando se ele poderia acompanhá-lo, estava com sede e não sabia onde ficava o bebedouro. Andrew não sabia o que dizer, então simplesmente acenou concordando com a cabeça. Ele o seguiu sem falar nada, apenas observando as pessoas no corredor, via que algumas garotas ficavam sussurrando coisas nos ouvidos das outras quando os via, não entendia o motivo. Eles chegaram, beberam e voltaram. A segunda aula era de Português, matéria preferida de Andrew, as palavras o fascinavam. Estava relendo os exercícios (ele havia feito praticamente todos os exercícios do livro em casa) quando sentiu um leve cutucão nas suas costas. Ficou um pouco surpreso, entretanto, se acalmou e se virou para trás, Guilherme tinha um papel nas mãos e o estava entregando. Andrew pegou, voltou ao normal e leu, no papel estava escrito numa caligrafia até bonita:

"Me perdoe por incomodá-lo, pelo visto você, assim como eu, não é de falar muito. Mas realmente preciso de sua ajuda. Não conheço nada nessa escola. E as pessoas das minhas outras escolas nunca me entenderam, mas você parece ser diferente. Pode me ajudar?"

Andrew leu e ficou relutante na hora de responder no verso do bilhete. Ninguém quase nunca fala com ele, e quando fala é pra chamá-lo de esquisito, fazer chacota. Agora vem um novato lhe pedindo ajuda. Ele pega a caneta e escreve em letras de forma:

"A aula acaba em 20 minutos, no intervalo eu acho que posso te ajudar."

Colocou o papel na mesa dele e voltou a prestar atenção, revisando os exercícios.

Notas finais
Pretendo, sempre, terminar os capítulos dessa forma. E postar um capítulo a cada 3 dias.
Obrigado por lerem e caso gostem, repassem!